Estou a centímetros da porta. Quando de repente o meu dono. O cara da varanda aparece na minha frente, parecia uma parede de tão grande e forte que ele é. Mais do que eu achava ter percebido.
- Você é minha! Ele diz com a sua voz grave e bem masculina.
Eu corria tanto que não consegui parar e bati contra o seu corpo, que nem balançou.
Logo sinto a vara na minha costela me dando um choque que me imobiliza e me faz cair ao chão.
- Vocês são incompetentes. Quase perdem o meu prêmio. Paguei muito por ela. Ele diz para a mulher que estava com o seu nariz sangrando. Ele me pega no colo, coloca um pano molhado em meu nariz, sinto um cheiro de remédio e desmaio.
Acordo, estou numa espécie de quarto luxuoso.
O espaço é vasto, dominado por uma grande cama com dossel de madeira esculpida à mão, possivelmente feita de mogno ou outra madeira nobre. Cortinas feitas de tecido seda dourado que envolve a cama representam realeza e riqueza. As colchas e travesseiros são bordados com padrões geométricos com fios que pareciam ouro e com contas na barra.
As paredes são adornadas com obras de arte, máscaras de madeira esculpidas, pinturas que retratam a história e os feitos que acredito ser dos ancestrais, e tecidos tingidos de forma intrincada, pendurados emoldurados.
Eu me sento na beira da cama. O piso coberto com tapete de lã, coloco o meu pé e vejo como é macio. Todo adornado com motivos tribais.
O mobiliário é elaborado, feito de madeira escura esculpida, com detalhes em marfim, incluindo uma mesa baixa, poltronas estofadas com tecidos tradicionais e um armário. Num dos cantos a algo que me lembra um trono elevado, ricamente decorado, onde o maluco que se sente Rei pode sentar-se quando necessário.
Me sinto tonta, tudo começa a rodar, uma ânsia de vômito. Eu me deito novamente.
Ao lado da cama uma cumbuca com água. Eu me sento novamente e bebo um pouco da água. Eu ainda estou vestindo a lingerie e nada mais.
A porta do quarto se abre e uma mulher entra.
- Olá! Srta. Como se sente?
Queria socar aquela mulher sonsa. Como eu me sinto? Eu fui sequestrada, vendida, agredida, violentada ao ter os meus genitais examinados sabe se lá por quem e como. E essa mulher vem me perguntar como estou?
Estou puta querendo matar todo mundo. Como ela esperava que eu me sentisse.
Eu olho séria para ela e fico calada.
- Srta? Está me ouvindo? Fala o meu idioma? Ela pergunta quase soletrando.
- Sim! Eu respondo.
- Ah que bom! Como se sente?
- Poderia chamar o seu patrão? O seu chefe? Sei lá quem seja ele...o maluco que me comprou. Eu digo.
- A Srta irá conhecer o Sr. Umar na cerimônia. Ela diz sorrindo.
Juro! Eu queria socar ela, até ela parar de sorrir e ser gentil.
- Que cerimônia? Eu pergunto.
- De casamento. Ela diz.
- Ha Ha Ha! Eu começo a gargalhar. Não consigo me conter.
- Desculpe Srta. Não entendi a risada? Ela diz e eu começo a rir ainda mais. Ao ponto de chorar de rir e a minha barriga doer.
- Ai! Ai! Casamentoooo... o seu patrão é louco. Na verdade, todos vocês são loucos. Eu digo, mas a última parte sai com seriedade.
- Eu não estou nem aí, para o que pensam que vai acontecer. Mas não vou me casar com ninguém. E manda o seu patrão ser homem e vir falar comigo.
- Srta eu já lhe expliquei que o Sr. Umar só virá...
"Pah"
Eu perco a paciência e dou um tapa na cara dela. Ela abaixa a cabeça e volta a dizer.
- Como eu estava dizendo...ela diz e olha novamente para mim sorrindo.
- A Srta conhecerá o Sr. Umar na cerimônia de...
- Você está brincando né?
- Eu já disse que não vou me casar com ninguém! Que maldição. Eu grito.
- Srta eu vim para garantir que a Srta está bem e que a cerimônia poderá acontecer como programado. Estou encarregada de ajuda - la nessa preparação.
- Isso só pode ser uma pegadinha? Cadê a camera? Eu já entendi, beleza acabou, posso ir para casa. Eu digo olhando em volta.
- Srta quando mais cedo compreender e aceitar, mais fácil será para todos.
- Ha Ha Ha! Aceitar?
- Vai para o inferno. Não vou aceitar nada.
- Srta por favor não use essas palavras aqui. O Sr...
"Pah"
Eu lhe dou outro tapa.
- Cala a sua maldita boca! Ou eu juro que vou arrancar todos os seus dentes na porrada. Eu digo com raiva.
- Srta eu compreendo a sua situação, e eu não sou responsável pelo que lhe aconteceu. Eu apenas sigo ordens!
- E nada...nada do que a Srta possa me fazer, chegará nem perto do que vou sofrer se descumprir uma ordem. Então pode me bater o quanto quiser. Ela diz com a voz presa a garganta.
O meu coração se aperta e percebo que essa pobre mulher é tão vitima quanto eu. Eu fico calada e decido ouvi - la.
Respiro fundo, pois algo em mim, dizia "lute" e outro dizia "é hora de ceder".
Então decidi ceder.
- O que você tem que fazer?
- Garantir que esteja bem e preparar você para o casamento.
- E como seria isso?
- Te explicar nossos costumes e no dia preparar todo o ritual.
Eu me afasto, me aproximo da janela e vejo uma floresta enorme ao fundo. Que lugar é esse. Estou bem alto, a casa deve ter uns dois ou três andares. Se eu fugir posso ser devorada por algum animal, quem sabe um leopardo ou crocodilo...eu vi na tv que esses animais são comum na Nigéria.
Mas o que vou fazer? A minha família deve estar preocupada. E as minhas amigas? Será que estão vivas ou também foram vendidas? O que será que aconteceu?
E essa mulher? Será que também foi vendida? Será que também é vítima de tráfico humano? Ou é uma escrava em tempos modernos?
Eu tinha milhares de perguntas e nenhuma resposta. Se eu tentar fugir posso ser devorada por leopardos, e se ficar serei devorada pelo Sr Umar. Eu não sei o que devo fazer.
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Atualizado até capítulo 75
Comments
Isabel Esteves Lima
Que coisa horrível ,ela não tem opções, ou casa ou casa. 😢😢😢😢😢😢😢
2025-01-13
0
Nicole Rossales
deve ser da realeza
2025-03-06
0
Claudia louca por Livros📚
Ela é tão horrível como o cara que a comprou, deu dois tapas na empregada onde já se viu bater nós outros sem saber de todos os fatos.
2024-12-25
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