Vamos para a comemoração! Ele diz ao meu ouvido e me puxa pela mão, mas ele para de andar.
Ninguém nos abraça, nem cumprimenta todos se dirigem para o local da tal comemoração. Logo dois homens se aproximam de minhas amigas.
Eu olho para elas que demonstram nervosismo. Eu puxo sua mão, que é bem maior que a minha.
Ele me olha.
- Você prometeu! Eu fiz a minha parte.
- Você é muito chata! Ele diz.
- Foda - se. Eu respondo sem pensar.
Ele me olha com raiva. Respira fundo e olha para o cara que ele atirou. O cara se aproxima e tira um envelope do bolso e entrega a Simba.
Simba segura, e faz um sinal com o dedo para que os homens se aproximem. Eles empurram as meninas e fazem sinal com a cabeça autorizando elas se aproximarem.
Elas correm e me abraçam. Choramos sem controle.
- Meli não faz isso! Pede a Flavia.
- Desculpe! É nossa única chance. Eu digo.
- Não podemos ir sem você! Diz Ana ainda chorando.
- Vão! Eu devo isso a vocês, afinal eu coloquei vocês nessa cilada. Eu vou dar um jeito de voltar.
- O que vamos dizer ao Tio José e a Tia Sandra? Pergunta Flávia.
- Digam que eu tive uma oportunidade de estudo. E assim que der eu ligo para eles.
- Chega! Diz Simba ao me puxar.
Aqui está o documento e passaporte de vocês. Vocês serão levadas agora mesmo. Ele diz.
- Vamos para a comemoração...esposa! Ele diz com ironia.
Eu vou abraçar as meninas mas ele me segura pelo braço com força.
- Agora Amélia! Ele diz.
Eu começo a chorar, as meninas também. Simba vai me puxando, enquanto eu ando de costas olhando as meninas que também estão sendo puxadas.
- Te amamos! Ana grita.
Eu faço o sinal de meio coração com a mão e elas também. Logo elas desaparecem da minha vista. Eu puxo meu braço e me viro de frente ainda chorando.
Uma cortina nos separa da tal comemoração. As pessoas conversam, música toca e as pessoas riem.
Simba para de andar e me vira para ele.
Ele enxuga as minhas lá.
- Pare de chorar. Não quero que as pessoas usem isso como desculpa para cuidar da minha vida. Ele diz.
Eu respiro fundo.
- Eu não estou nem ai! Eu respondo.
- Não fale assim comigo. Ou serei capaz de machuca - la. Como nunca pensou ser possível. Ele diz.
- Eu não estou nem ai! Eu digo com raiva.
Ele levanta a mão para me dar um tapa como fez quando peguei a arma. Mas eu me mantive firme, olhando em seus olhos sem recuar. Ele baixa a mão.
- Sorte sua que estão nos aguardando e você não pode aparecer com marcas. Mas estou falando sério, não me desafie!
Ele abre a cortina e entramos no salão.
O salão de festas é ainda mais grandioso do que o lugar onde a cerimônia aconteceu. Assim que entro, sou atingida por uma mistura de cheiros intensos: especiarias, carnes assadas, frutas frescas, e algo adocicado que não consigo identificar. O ar parece vibrar com o som de tambores e instrumentos de corda que ecoam pelas paredes, criando uma música hipnotizante e cheia de ritmo. A decoração é de tirar o fôlego, tecidos de cores vibrantes: vermelho, dourado, verde que pendem das paredes, enquanto flores exóticas adornam enormes mesas de madeira polida, cobertas com pratos que nunca vi na vida.
Meus olhos tentam se ajustar à imensidão do espaço. As pessoas ao meu redor estão rindo, conversando, brindando com taças de vinho e copos de um líquido espesso e escuro. Tudo demonstrando a celebração. Um contraste doloroso com o que estou sentindo. A atmosfera festiva não faz nada para aliviar o peso que sinto no peito.
Estou preocupada com meu futuro e também com as meninas , não sei se posso acreditar em Simba. Até porque quem permitiria que testemunhas fossem embora?
Ao meu lado, Zuri me dá um sorriso encorajador, mas seus olhos me dizem para ficar atenta. Sei que esta noite não é apenas sobre celebração. É uma introdução ao meu novo mundo. O mundo de Simba Umar. O príncipe que agora é meu marido.
Caminhamos até o centro do salão, onde uma mesa maior, mais elevada, se destaca das outras. Nela, há figuras imponentes, vestidas com roupas tradicionais ainda mais ricas e detalhadas que as de todos os outros convidados. Sei que estou prestes a conhecer a família real, mas não consigo evitar o aperto no peito. Será que eles sabem como fui trazida aqui? Será que se importam?
Assim que nos aproximamos, o burburinho do salão parece diminuir. Sinto os olhares em mim, alguns curiosos, outros julgadores. Respiro fundo e sigo em frente, mesmo que minhas pernas estejam tremendo.
Sentado no centro da mesa está o homem que só pode ser o Rei já que usa uma coroa. Ele tem uma presença imponente, uma barba che bem cuidada, e um olhar que parece ver através de mim. Seu traje é de um dourado profundo, com bordados que reluzem à luz dos lustres. Ao seu lado, uma mulher está sentada com um ar de elegância serena. Ela é linda, com traços finos e olhos afiados que observam cada movimento meu. Seu vestido verde escuro destaca sua pele impecável, e o manto que cobre seus ombros reflete a autoridade que ela carrega.
Zuri me dá um leve empurrãozinho, como um lembrete de que eu preciso continuar.
- Amélia, esta é Sua Majestade, o Rei Adisa, e sua esposa, a Rainha Funmi. Diz Simba com reverência.
Eu abaixo a cabeça cimprimentando. Quando levanto os olhos, o Rei Adisa está me observando com uma expressão que não consigo decifrar.
- Então, você é a esposa de Simba. Ele diz, sua voz profunda ressoando pelo salão.
- Sim. Eu digo com respeito.
- Acho que você pode imagina a nossa surpresa ao receber o convite de casamento. Assim repentinamente e claro com três dias de antecedência. Diz a Rainha.
Eu olho para Simba que não esboça nada. Isso só demonstra que ele não tem tanto contato com os pais e nem vive com eles.
- A nossa grande surpresa foi saber que nosso futuro Rei, se casou com...uma estrangeira. Ela diz ponderando as palavras.
- Branca! A Sra quis dizer. Eu digo e Simba aperta a minha mão.
- Exato! Branca! Ela confirma.
- Eu entendo a sua surpresa. Meus Pais tiveram a mesma reação. Mas Simba e eu nascemos com bom gosto. Eu respondo e ela sorri.
- Não sei se meu filho lhe disse..mas ele só assumirá o meu trono quando se portar como um verdadeiro herdeiro real. O Rei diz e Simba revira os olhos.
- Então ele não coloca a mão nos nossos bens até que ele entenda isso. O Rei conclui.
Simba deve ser a ovelha negra da família. Está explicado o por que ele estava em um leilão de tráfico humano.
- Não se preocupe Majestade. Não me casei com o príncipe por dinheiro...acredite esse não foi o motivo. Não é amor? Eu digo e olho para ele que sorri sem jeito.
- Sim princesa. Ele diz e beija a minha mão.
- Seja bem-vinda à nossa família, Amélia. Diz o Rei.
- Obrigada Majestade. Digo a voz presa a garganta.
Ele assente ligeiramente, como se minha presença fosse um fato a ser aceito, e não algo a ser celebrado.
- Que você traga honra e respeito à nossa casa. A Rainha Funmi acrescenta, seus olhos cravados nos meus. Ela não sorri, mas sua voz é suave, quase acolhedora.
Antes que eu possa responder, outra figura surge ao lado deles. É uma jovem mulher, mais nova do que Simba, com um sorriso vivo e olhos brilhantes. Ela parece uma visão de frescor e leveza no meio da seriedade que envolve os outros.
- E eu sou Adanna, irmã mais nova de Simba. Ela diz alegremente, segurando minha mão num gesto caloroso.
- Finalmente, uma cunhada! Ela ri, um som que quebra a tensão no ar.
Sinto um alívio imediato ao seu toque. Adanna parece tão diferente do resto da família, tão... humana. Ela me observa com curiosidade, seus olhos correndo pelos meus trajes e voltando a encontrar os meus.
- Espero que se acostume logo, Amélia. Ela diz, ainda sorrindo.
- As coisas podem parecer estranhas no início, mas eu estarei aqui para ajudar, se precisar de mim.
- Obrigada, Adanna. Consigo murmurar, sentindo pela primeira vez que talvez não esteja completamente sozinha nesse mundo.
O Rei e a Rainha logo voltam sua atenção para outras conversas, enquanto Adanna me puxa pela mão. Olho para Simba que acente com a cabeça me autorizando.
Adanna me guia para longe da mesa principal. Ao caminhar pelo salão, noto a presença de diversos membros da nobreza. Todos estão elegantemente vestidos, suas roupas um reflexo da riqueza e poder da família Umar. Eles conversam entre si, rindo e brindando, como se tudo fosse normal. Como se eu não fosse apenas mais um peão nesse jogo.
- Agora, vem a melhor parte. Adanna diz, me conduzindo até uma mesa coberta de comidas.
- Você tem que experimentar o jollof rice. É o favorito do Simba!
Ela me serve uma porção de um arroz alaranjado, acompanhado de pedaços suculentos de carne e legumes grelhados. Ao lado, há pratos de suya uma carne assada em espetinhos, temperada com uma mistura de especiarias que exalam um cheiro irresistível. Também vejo pães achatados, uma salada de folhas verdes e frutas tropicais que nunca provei antes.
- É tudo maravilhoso, você vai ver! Adanna diz, animada, enquanto me serve um pedaço de puff-puff, uma espécie de bolinho doce frito.
Tento provar a comida, mas o nervosismo faz com que cada mordida pareça forçada. Ainda assim, o sabor é inegavelmente delicioso, e por um momento, sinto uma breve distração dos meus pensamentos sombrios.
A música de tambores aumenta de intensidade, e as pessoas começam a se movimentar em direção ao centro do salão, onde um espaço foi aberto para a dança. Simba se aproxima sua figura alta e imponente me fazendo sentir pequena. Ele estende a mão para mim, e sei o que isso significa. Vamos dançar. O que deveria ser um momento de celebração, no entanto, parece apenas mais um fardo que preciso carregar.
- Amélia, venha. Ele diz, sua voz firme, mas sem emoção.
Coloco minha mão na dele, e ele me conduz até o centro do salão. Os olhos de todos estão sobre nós. A batida dos tambores é constante, hipnótica, e Simba começa a se mover, guiando-me com passos precisos e elegantes. Tento acompanhá-lo, mas meus movimentos são desajeitados, hesitantes. Não conheço a música, a cultura, nem o homem com quem estou dançando.
Sinto sua mão apertar a minha, quase como um lembrete para me concentrar.
Eu paro de dançar, olho para ele e digo:
- Eu...eu não consigo!
- Consegue sim!
Respiro fundo e tento seguir o ritmo, mas meus pensamentos estão longe. O peso do olhar de todos, a preocupação com Ana e Flávia, a pompa do evento... tudo parece surreal.
Quando a dança termina, as pessoas aplaudem, mas eu mal ouço. Estou perdida em meus próprios pensamentos, tentando absorver a enormidade de tudo que está acontecendo.
- Você foi bem. Simba diz, sua voz baixa, quase como se estivesse me testando.
Eu apenas aceno, sem palavras. Nos sentamos novamente para comer, mas eu mal consigo comer. Só quero que tudo chegue ao fim. Depois de algumas horas e festa finalmente acaba.
- Pronto! Vamos para nossa casa. Ele diz, me leva até a porta onde um carro nos aguardava. Entramos e seguimos para o nosso lar, doce cativeiro lar.
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Atualizado até capítulo 75
Comments
Marineia Araujo
gosto muito de experimentar a culinária de outros lugares, mas não todas , só as que me convém 🤭
2025-01-13
0
Amanda
Que tristeza ir para um lugar já achando que será infeliz
2024-12-06
0
Suelen Andrade
quando ele amar ela vai ter muito que se redimir
2024-11-27
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