Respirei fundo, me preparando. Espero que ela seja boa mesmo, pois qualquer erro a partir daqui, poderá causar a nossa morte.
— Está preparado?! — ela pergunta.
— Estou.
— Prefere ir para alguma direção específica?
— Só nós tire daqui!
Em um arranque ela acelerou e eu pensei que estava preparado, mas descobri que não estava.
Meu corpo todo demonstrava incredulidade, com a velocidade que ela estava pilotando a moto.
Assim que saimos chamamos atenção e logo começamos a ser perseguidos. Sara cortava as ruas, manobrando e ziguezagueando, e eu me perguntava se não estava na minha frente algum dublê e não a senadora.
Os perseguidores estavam tendo problemas, Sara virava a moto de repente e entrava em ruas de surpresa, fazendo eles se perderem.
Logo ouvimos os primeiros disparos e essa era a minha deixa para agir e não deixar que ela fizesse tudo sozinha.
Pensando assim, me perguntei se caso ela tivesse sido sequestrada sozinha, se eles teriam conseguido manter essa mulher no cativeiro. Porque até agora, ela está se mostrando uma mulher com habilidades excepcionais.
Enquanto ela pilotava, eu continuei segurando em sua cintura com uma d e minhas mãos e com a outra peguei minha arma e mirei. Mesmo com a senadora fazendo manobras em ziguezague, eu conseguia mirar, por já ter me acostumado aos movimentos da moto.
Mirei nos pneus, fazendo um dos carros rodopiarem e bater no de trás. Eu poderia até ter mirado no motorista, mas não seria tão eficaz, pois ele tinha o atirador ao lado que poderia assumir o volante.
O acidente dos carros atrás de nós nos deu uma vantagem e logo estávamos em uma rua de residências populares.
A moto começou a perder velocidade e percebemos que havia acabado o combustível.
Descemos da moto e peguei na mão da senadora e fomos correndo, procurando um lugar para nos esconder.
Ouvimos o barulho de motor e imaginando que poderia ser ainda os sequestradores, puxei a senadora para um beco entre duas casas.
Pensando rápido, puxei um casaco que estava em um varal pendurado na janela da casa ao lado e coloquei em cima da senadora.
Ouvimos sons de vozes se aproximando e imediatamente a beijei.
Não vi bem as pessoas, mas com certeza eram os sequestradores, pois pararam algum tempo para nós olhar, mas provavelmente desistiram por favor estarem a procura da senadora, que usava um vestido de festa e não uma mulher que estava usando um casaco colegial e beijando um homem em um beco.
Ficamos um bom tempo assim, eu estava atento a nossa volta, para agir se precisasse e quando a adrenalina passou eu a soltei.
Olhei bem para o rosto da senadora e ela estava sorrindo e mordendo o lábio inferior e eu fiquei vermelho imediatamente.
— Isso foi muito melhor do que eu imaginava. — ela disse, me fazendo desviar o olhar.
— Foi para… você sabe? Foi para despistar os sequestradores.
— Sim, foi só por isso, Rick. Foi horrível, não é?
— Não foi horrível!
— Então foi melhor do que eu imaginava! Vamos, você é o especialista em se livrar de sequestradores daqui. Como vamos sair daqui.
Olhei para o varal novamente e disse:
— Troque de roupas. Vai ser melhor para você.
Arranquei minha camisa e peguei uma camisa e uma calça que estava no varal, por sorte a roupa servia em mim, apesar de ter ficado um pouco curto.
A senadora também vestiu outras roupas e continuou com o casaco colegial, já que ele tinha um capuz e podia cobrir seus cabelos.
— Estou pronta, e agora?
— Agora vamos andar por aí normalmente. Finja que ninguém está te perseguindo, não corra somente ande.
— Certo, posso fazer isso… — ela fez uma pausa e após disse — Podemos fingir que somos namorados?
— Ah, bem… senadora, você não deveria brincar tanto assim comigo.
— Não estou brincando com você. Estou te levando muito a sério. Vamos! Seja bonzinho e me dê a mão. Não me trate como a senadora por agora, só me trate como a Sara, uma mulher solteira que não tem nada que a impeça de ter um namorado fofo e gostoso.
O que eu podia fazer?
Peguei em sua mão e saímos do beco, caminhando de mãos dadas. Não reconheci bem aquela rua, mas já havia memorizado a direção em que passamos por uma avenida.
Enquanto caminhávamos, perguntei:
— Onde aprendeu essas coisas?
— O judô? Ou pilotar motos?
— Os dois.
— Bem, o meu pai é dono de uma fábrica de automóveis, Rick! Eu cresci indo na fábrica dele e é claro que aprendi a dirigir cedo, inclusive motos. Lá na fábrica dele tem uma pista de corridas particular só para testar os carros. É muito divertido, vou te levar para conhecer um dia desses.
Não digo nada, ainda era estranho essa ideia que uma mulher rica está interessada por mim, alguém que não pode lhe dar nada. Provavelmente o que ela sente é só algum tipo de fetiche, algo que vai passar logo.
— Ah, sobre eu ser faixa preta de judô é porque meu pai também é. Ele incentivou a todos os filhos praticarem esportes, porque essa era uma coisa dele, sabe? Meu pai e minha mãe são um casal engraçado, eles são diferentes, mas ao mesmo tempo combinam muito, meu pai é carismático e gosta muito de praticar esportes e minha mãe é um pouco mais calada e gosta muito de ler e estudar. Eles são como eu e você. Você é todo calado e eu gosto de falar, chego a ser tagarela as vezes, não acha? Você se irrita?
— Não, você geralmente fala coisas coerentes.
— Está vendo? Eu e você combinamos, percebi isso na primeira vez que nós vimos.
— Não acha que combina com alguém a sua altura?
— Hamm? À minha altura, como assim, Rick?
— Humm… sabe, alguém rico… enfim, vamos pegar o ônibus e depois conversamos mais sobre isso. Você deve estar com fome e cansada.
— Certo… — ela diz baixo — Estou com fome e cansada mesmo.
Pegamos um ônibus e desembarcamos no ponto próximo da minha casa e finalmente a apresentei onde eu morava. Um apartamento em um conjunto popular do governo, com mofo nas paredes e com janelas viradas para outra parede.
Os cômodos eram apenas a cozinha, uma sala e um quarto, talvez o tamanho desse apartamento seja do mesmo tamanho da sala dela.
Ela caminhou um pouco e olhou tudo em volta e eu fiquei em silêncio, lhe deixando ver tudo. Ver como nós dois éramos de mundos diferentes e não combinamos como ela pensava.
— Essa aqui é a sua casa? — ela pergunta.
— Sim, moro aqui desde a minha adolescência. Mas já morei em outros lugares menores, pagando aluguel.
— Certo… e, onde eu posso tomar um banho, sabe? Estou me sentindo nojenta, grudando a suor.
— Bem, eu vou pegar algumas coisas para você.
Fui até o quarto da minha mãe e voltei logo com algumas coisas nas mãos e dizendo:
— Bem, aqui tem toalhas limpas, sabonete e eu peguei um pijama que é da minha mãe. Não do seu tamanho e vai ficar larga, mas é só o suficiente para você não sentir frio.
— Trouxe meias? — ela perguntou sorrindo.
— Hamm… não, mas posso te dar quando sair do banho.
— Você é um homem especial, diferente, sabia? — ela diz e aperta a minha bochecha, me deixando um pouco constrangido. — Mas não tem algo mais fresco do que um pijama, eu sinto muito calor.
— Humm… pode ser que sinta porque o aquecedor do seu apartamento é muito bom, o daqui é não funciona muito bem. A boa notícia é que o aquecedor do chuveiro funciona bem, então vai poder tomar um banho quente tranquilo. Veste o pijama e se sentir incômodo eu encontro outra coisa para você.
— Ok. Eu vou vestir o pijama. — ela diz, me dá um beijo no rosto, pega as coisas e vai para o banheiro.
Enquanto ela tomava banho, fui a cozinha e percebi que não tinha muitas coisas na geladeira e no armário. Um homem sozinho acaba esquecendo de comprar coisas e quem sempre se lembrava de fazer as compras era minha mãe.
Nesse momento me perguntei o que eu estava fazendo, estou bem aqui, protegendo a mulher que eu deveria matar e dar uma chance de vida melhor para minha mãe. Me sinto um péssimo filho por isso.
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Atualizado até capítulo 31
Comments
Jucileide Gonçalves
Como gosto de você Sarinha e do Rick também.💜💜💜💜💜❣️❣️❣️❣️❣️❣️
2025-03-28
0
Fatima Gonçalves
ELE IRIA MORRER DE QUALQUER JEITI
2025-03-18
0
🦋bianna🦋
poxa ele podia contar pra ela.
E ser o guarda costa dela.
2025-01-28
0