Capítulo 8

— Rick! — antes que eu me afaste, ela se joga em cima de mim. — Estou presa!

Sim, de alguma forma ela estava presa e eu me sinto culpado por ter transformado uma mulher tão maravilhosa em uma estúpida.

Olho para o lado, evitando olhar para o corpo dela e pego em suas mãos e não sei como consegui segurar, pois minha mão suava e eu estava mais nervoso do que como fiquei no meu primeiro trabalho.

Consegui soltar a mão dela, quando sinto a camisa cair no chão.

— Vá tomar banho assim mesmo, senadora. — digo a apressando, não esperando que ela tirasse a saia na minha frente. Só o desenho do seu corpo através de sua roupa já me deixa inquieto e só de imaginar… — Por favor, Sara! Vá para a banheira! — digo, quando ela me abraça, encostando o seu seio em mim e me deixando mais nervoso.

Eu não queria deixar minhas impressões digitais no banheiro dela e tinha que sair dali o mais rápido possível.

— As crianças, Rick. Você prometeu. — ela diz, com os olhos fechados. Eu sabia que tinha pouco tempo, a qualquer momento ela iria apagar de vez.

— Eu vou fazer, mas você tem que me soltar.

Ela hesitou, mas acabou me soltando e indo para a porta ao fundo, que provavelmente era o banheiro da sua suite.

Tentei respirar aliviado, mas não me sentia bem com aquele trabalho. Até agora eu só matei pessoas que só faziam merda nesse mundo, ainda não havia recebido a proposta de matar um inocente.

Bem que o meu padrinho me disse que um dia isso iria acontecer e nesse dia eu iria me transformar em um homem de verdade.

Estou tentando buscar esse sentimento, pois a cada segundo que passo ao lado da senadora sinto que ao terminar o trabalho vou me sentir um merda.

Saio do quarto, decidido a deixar o apartamento e deixar que tudo ocorra naturalmente. Muito provavelmente ela iria se afogar na banheira, pessoas fazem isso com mais frequência do que você pode imaginar.

Antes de sair olho para o lado e vejo o laptop da senadora e me pergunto o que eu iria encontrar lá, o que era tão importante para ela que mesmo drogada ela insistia em lembrar.

Abri e olhei suas anotações e droga! É claro! Eu mesmo a ajudei a transcrever sua agenda, mas estava tão focado em minha missão que tratei tudo apenas como meros compromissos.

Me senti pior do que estava me sentindo.

O compromisso tão importante para ela não era nenhum encontro com alguém poderoso e importante, era uma visita na ala infantil de um hospital especializado em tratamento de câncer.

“Crianças com câncer, senadora? Você sabe jogar e está jogando pesado comigo.”

Soltei o ar e fechei meus olhos, não acreditando no que estava prestes a fazer. O rosto das crianças chorando porque não receberam a visita da senadora e com a notícia de que ela não estava viva não saia da minha mente.

— Merda! — grito me levantando.

Vou direto para a banheira e como imaginei ela estava lá, já se afogando.

A pego e coloco no chão, percebendo que havia entrado água em seus pulmões, pois ela parecia não estar conseguindo respirar.

Faço as compressões em seu peito até ela começar a cuspir a água de seus pulmões e voltar a respirar.

Ela tosse e após cai no chão, apagada.

A partir daí eu sabia que tinha que limpar a bagunça.

Já era tarde quando saí do apartamento da senadora. Dei a ela um antídoto da droga, portanto amanhã ela vai acordar se sentindo bem. Limpei todo o chão molhado e tive que resistir aos meus instintos ao vesti-la. Terminei também o discurso que ela estava fazendo para o compromisso de amanhã. Usei inteligência artificial e acho que ficou bom. Espero que ela não perceba.

Estou exausto. A senadora está me dando mais trabalho do que eu imaginava. Se eu soubesse antes, não teria pegado esse trabalho… é difícil admitir, mas talvez, eu tenha a minha primeira falha desde que me tornei um assassino de aluguel.

Ao abrir a porta de saída, dei de cara com o guarda-costas da senadora.

— Ela está dormindo. Se quiser pode verificar. — digo e vou embora, enquanto aquele brutamontes encarava minhas costas.

Guarda-costas são sempre úteis, mas não são tão bons assim contra assassinos treinados. Se fossem, grandes figuras públicas não teriam sofrido atentado.

Enfim… pessoas boas nunca acreditam que alguém teria coragem de atacá-las, por pensarem que a lei do retorno funciona. Eu digo, não funciona, pessoas boas estão sempre sofrendo o tempo todo.

Me senti um inútil.

Liguei para o meu padrinho, assim que cheguei em casa.

— Sou eu. — digo sucintamente.

— Está com problemas?

— Estou pensando em desistir. Você tem algum outro trabalho que pague bem como esse?

— Garoto… como está Amélie?

— Pior do que deveria.

— Não desista, não quero te colocar em coisa pior. Os que pagam melhor é coisa de gente ruim.

— Eu posso, você sabe. Eu não sou um homem bom.

— Rick, o homem nasce bom. São as coisas da vida que corrompe o homem. Você quer sair disso um dia, não é? Não mergulhe fundo nesse negócio, você não vai conseguir sair.

— Eu discordo, tem pessoas que nascem ruim sim, padrinho. Não pode ser bom alguém que paga tão caro para assassinarem uma mulher que não fez nada para ninguém.

— Garoto… não quebre as regras. Não vou conseguir te salvar mais uma vez.

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Comments

Jucileide Gonçalves

Jucileide Gonçalves

Coitado! tomara que ela além de não morrer ainda ajude ele a salvar a sua mãe.

2025-03-27

0

Vanda Farias de Oliveira

Vanda Farias de Oliveira

Isso que ele fez com a droga já era

2025-03-28

0

Fatima Gonçalves

Fatima Gonçalves

autora o que é isso

2025-03-18

0

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