Capítulo 10

Eu estava muito apreensiva sobre o meu apagão de memória, se Rick tinha algo a ver com isso, porém, quando ele me pediu demissão, tudo ficou claro.

Ele está com vergonha.

É óbvio que ele me viu nua e agora não sabe onde enfiar a cara de tanta vergonha.

Reviro meus olhos só de imaginar.

Nunca conheci um homem como ele, é jovem e é bem atraente e sei que é pouco tempo para ter uma impressão sobre ele, mas não sei, o sinto muito solitário.

Esses mistérios sobre ele e a forma que ele age comigo me deixa curiosa sobre o verdadeiro Rick.

O verdadeiro é do tipo que se importa que os pés de sua patroa fiquem frios ou ele é só um mestre da enganação?

Enfim, ainda tenho muitas dúvidas sobre ele e só uma certeza, ele não vai se demitir… pelo menos espero que não, pois assim que cheguei no prédio do governo, Rick não estava me esperando, como o combinado.

Ele falou sério mesmo? Está mesmo querendo se demitir? E lá vou eu novamente atrás de um novo secretário.

Pedi ao motorista para me levar ao nosso compromisso e no caminho resolvi terminar de escrever o discurso. Quando abri fiquei pasma, meu discurso estava completo. Era óbvio que não fui eu que escrevi aquilo e me senti pior percebendo que eu estava perdendo um ótimo secretário, tudo só porque provavelmente ele viu a minha bunda.

Cheguei ao local, determinada a continuar, esse compromisso era muito importante para mim, pois sou de uma família ligada a área da saúde e vindo aqui, não só estou espalhando minhas idéias, mas estou também mostrando que continuo seguindo os ideais da minha família.

Tinham alguns repórteres na porta, fazendo perguntas uma atrás da outra. Eu apenas acenei e sorri, não queria dizer nada antes da coletiva de imprensa.

O guarda-costas me ajudou, afastando os repórteres e logo entrei. Algumas pessoas apareceram, me cumprimentando e me guiando, e logo eu já estava na coletiva de imprensa.

Fiquei nervosa, estava sozinha ali, sem um secretário e tendo que me virar sozinha pegando meu notebook e anotações.

Respirei fundo e comecei falar o porquê da minha visita.

Aquele hospital não era o Santa Maria dos meus pais, era um com preços mais acessíveis utilizado pelo governo para projetos sociais. Aquele lugar estava problemático, estava precisando de reformas, equipamentos novos e estava faltando medicamentos.

Meu discurso foi sobre isso, sobre como eu já estava a par da situação e sobre como a minha luta tera legítima, pois do jeito que estava não podia continuar.

Assim que terminei fomos para as perguntas. As primeiras foram leves, mas logo começaram os ataques.

— Senadora, você é filha de bilionários. Se quisesse resolver mesmo a situação dos hospitais era só tirar do próprio bolso! Devolva o seu cargo para alguém que realmente quer fazer algo pela população, você é só uma rica mimada que quer atenção.

Respirei fundo, para não jogar o microfone no repórter.

— Boa pergunta, mas…

— Já vem começar com o mesmo discurso de corrupção, blá, blá, blá! Todo mundo já está cheio dos seus discursos.

— Eu vim aqui para responder perguntas, se você está incomodado com os meus discursos, é só sair. — digo, instantâneamente.

— Você ficou brava, senadora? É por isso que mulher não deveria entrar na política, leva tudo pela emoção.

Meu queixo caiu, aquele idiota era pior do que eu imaginava. Após a fala dele começou uma confusão. Quem concordava e quem discordava dele começaram a discutir. Eu estava perdida, pois essa coletiva estava sendo um fracasso.

— Humhum! — o microfone ao meu lado ressoa, e com um susto eu olho para o meu lado e as pessoas também param de brigar — Isso aqui ainda é um hospital, pessoal. Tenham mais respeito.

Fiquei sem reação por um instante, com Rick dizendo e se sentando ao meu lado.

Espera? Ele não tinha se demitido?

— Desculpe o atraso, senadora. — ele sussurrou, só para eu ouvir e um pouco desnorteada acenei em positivo.

Me preparei e disse:

— Bem, respondendo a pergunta do repórter do canal 2, sim, meus pais são bilionários e sim, se eu pedisse a eles para resolverem os problemas desse hospital eles resolveriam. Porém, senhores, isso resolveria mesmo? E as verbas que deveriam ter vindo para esse hospital, para onde foram? E de onde saiu o dinheiro das verbas? Não foi do bolso de vocês? Vocês estão mesmo supondo que aceitam que sejam roubados desde que bilionários resolvam os problemas? Se vocês aceitam, ok, mas meus pais não aceitam, até porque os valores de impostos que eles pagam seria o suficiente para resolver os problemas desse hospital e de muitos outros.

Todos ficaram em silêncio e olhei para o Rick disfarçadamente e ele acenou em positivo quase imperceptivelmente.

Me levantei, e encarei o repórter, dizendo:

— Sim, sou filha de bilionários e todo mundo está cansado de saber disso. E eu acho que você está na época errada, não estamos mais no passado e vivemos em uma democracia, onde todo mundo pode se candidatar a cargos públicos e ser eleito. Não importa se sejam brancos ou negros, pobres ou ricos, homens e olha que surpresa, mulheres também podem se canditar. Enfim, minha candidatura e eleição é legítima e se alguém tiver alguma pergunta que não seja sobre isso, eu vou responder, mas se for, eu sugiro que saia.

Me sentei e o silêncio se fez, por fim consegui terminar.

Como sempre, o pior vem primeiro, o melhor vem para o final.

A coletiva terminou e finalmente eu pude ir visitar as crianças, levar presentes e conversar um pouco com elas. Minha mãe me dizia que algumas pessoas tinham receio de se aproximar de pessoas doentes e por isso esse compromisso era tão importante para mim. Era o momento de me recarregar de energias boas com o sorriso dos pequenos e me lembrar que não podia desistir da minha luta, por eles.

Já estava anoitecendo, quando finalmente fomos embora. E assim, eu e Rick estávamos sozinhos no carro e eu pude dizer o que queria.

— Obrigada.

— Hum? Está falando comigo?

— Claro, tem outra pessoa aqui?

— O motorista?

Revirou meus olhos e digo:

— Sim, estou agradecendo a você. Finalmente eu acho que tenho ao meu lado alguém que defende as minhas ideias.

— Não totalmente, senadora. Eu sei que você tem os seus ideiais e eles são muito bonitos… mas… até resolver, algumas daquelas crianças podem… sabe? Elas não terão o mesmo tempo das suas mudanças.

— Você acha mesmo que eu não vou fazer nada, Rick? Entenda, existem coisas que não se deve fazer na frente dos holofotes, incluindo, ajudar pessoas.

— Não faz sentido. Ajudar pessoas sem ninguém saber. Você precisa se promover, não é?

— Sim, eu preciso promover minhas idéias como senadora e não como filantropa. Rick, existem muitas coisas envolvendo filantropia, a maioria das pessoas envolvidas com isso não estão para ajudar os outros e sim, para ganhar algo com isso. Eu não quero ganhar nada com isso e nem os meus pais que já são bilionários. Por isso, você não os vê por aí apertando a mão de políticos e inaugurando instituições de caridade.

Espero ele dizer mais alguma coisa, mas ele olha para fora em silêncio.

— Vamos ser parceiros?

Rick fica pensativo por alguns instantes, até que diz:

— Ok, eu vou te ajudar.

— Ótimo, então me ajude a descobrir como conseguiram me dopar na noite passada.

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Comments

Jucileide Gonçalves

Jucileide Gonçalves

É ajuda ela a descobrir Rick kkkkkkk.

2025-03-27

0

Fatima Gonçalves

Fatima Gonçalves

CARAMBA E AGORA COMO VAI SER

2025-03-18

0

Vanda Farias de Oliveira

Vanda Farias de Oliveira

É complicado

2025-03-28

0

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