Após derrotar um grupo de Trolls, Azrael e Eriel avançaram pelo labirinto até uma grande área aberta. O local parecia um vazio tranquilo, sem monstros à vista, mas ambos sentiram uma presença inquietante no ar. Algo muito mais perigoso do que qualquer criatura conhecida os aguardava nas sombras.
No centro da sala, uma figura familiar se revelou: a mesma mulher que haviam encontrado mais cedo. Seus olhos azuis, marcados com o símbolo do infinito, refletiam uma confiança perturbadora. Ela sorriu quando notou sua chegada, o som de sua voz suave ecoando pela sala.
"Ielong perdeu para você... interessante," disse ela, examinando Azrael de cima a baixo. "Sua magia não parece impressionante, mas se conseguiu derrotá-lo, você pode ser um adversário digno."
Azrael não parecia intimidado, mas o cansaço começava a pesar em seus ombros. Ele exalou um suspiro, tentando controlar a irritação. "Vocês aparecem um atrás do outro, sem dar trégua. Poderiam ao menos nos deixar respirar."
A mulher ignorou o comentário, retirando seu manto de forma graciosa. Debaixo dele, uma armadura leve e intricada reluzia à luz suave da sala. Era branca, com detalhes dourados e a imagem de um dragão esculpido que serpenteava pela superfície. A cabeça do dragão repousava sobre uma runa no centro do peito, algo que Eriel não conseguia decifrar.
Eriel franziu o cenho. Ela não conseguia sentir absolutamente nada emanando da mulher, nem magia, nem presença. Ou ela era forte demais para ser percebida, ou estava ocultando seu verdadeiro poder de uma maneira impecável.
"Ielong te subestimou," continuou a mulher, com um sorriso sádico se formando em seus lábios. "Mas eu não cometerei o mesmo erro."
Antes que Azrael pudesse responder, orbes de luz branca começaram a materializar-se ao redor da mulher, brilhando como pequenas estrelas. Ela estendeu a mão, enviando os orbes com uma velocidade absurda. Azrael, em um reflexo rápido, saltou para o lado, desviando por pouco. Os orbes colidiram com as paredes ao redor, explodindo com um estrondo ensurdecedor, abrindo buracos profundos nas superfícies de pedra.
Azrael mal teve tempo de se recompor quando a mulher disparou em sua direção, tão rápida que o ar ao seu redor parecia distorcer. Eriel ficou momentaneamente atordoada pela velocidade absurda da oponente, seus sentidos girando enquanto tentava processar o que estava acontecendo.
A mulher atingiu Azrael com uma sequência brutal de golpes. O primeiro foi um soco poderoso no queixo, seguido imediatamente por um chute no estômago. Azrael foi arremessado para trás com o impacto, mas, com uma agilidade feroz, girou no ar e recuperou o equilíbrio, pousando no chão com um baque surdo.
“Já enfrentei vampiros mais rápidos que você,” rosnou Azrael, limpando o sangue do canto da boca, antes de contra-atacar.
Ele avançou, girando o corpo em um movimento fluido e certeiro, acertando um chute devastador no rosto da mulher. Ela cambaleou para trás com o impacto, mas se recuperou com uma velocidade sobre-humana, sua expressão mudando para algo muito mais perigoso.
"Nem mesmo o Panteão dos Deuses ousaria me comparar com um simples vampiro," ela murmurou com desdém. "Eu estava me contendo... Mas acho que está na hora de começar o verdadeiro jogo."
Foi nesse momento que sua aparência começou a mudar. O corpo adulto da mulher se transformou, assumindo uma forma muito mais jovem e esguia. Seus cabelos e olhos, antes marcados pela cor, tornaram-se completamente brancos como a neve, e ela passou a aparentar ter pouco mais de 19 anos. Seu rosto, agora angelical, exalava uma perfeição quase sobrenatural, como uma boneca esculpida por mãos divinas. Sua armadura se dissolveu, substituída por um vestido leve em tons de azul e branco, e uma aura de poder irradiava dela, como se toda a sua verdadeira força estivesse finalmente sendo revelada.
"Agora sim... vamos nos divertir," disse a mulher, sua voz agora suave e quase infantil, contrastando com a imensa energia que a envolvia. O sorriso em seus lábios não demonstrava qualquer piedade.
Antes que Azrael pudesse reagir, ela avançou com uma velocidade devastadora. O impacto de seus pés no chão abriu uma cratera onde ela estava, e, em menos de um segundo, ela já estava atrás dele. O primeiro golpe atingiu Azrael com uma força destruidora, lançando-o contra uma parede. Mas antes que ele pudesse sequer tocar a superfície, a mulher apareceu ao seu lado e o atingiu novamente, desta vez com um chute que o jogou no ar como uma boneca de trapo.
A cada movimento dela, Azrael era arremessado para uma nova direção, incapaz de se defender. Cada golpe era uma tempestade de força que deixava seu corpo cada vez mais ferido, o sangue manchando suas roupas. O chão rachava sob o impacto de suas quedas, criando crateras por onde ele passava.
"Você é lento," a mulher zombou, observando-o no chão, seu corpo tremendo de dor.
Eriel, observando a luta com olhos arregalados, de repente reconheceu algo na maneira como a mulher se movia. A energia ao redor dela, a velocidade absurda… aquilo não era apenas velocidade.
Azrael, sentindo o peso esmagador da batalha, se levantou lentamente, sangue escorrendo por suas feridas. Ele ofegava, mas havia uma chama nos seus olhos que não se apagava.
"Então é assim que você luta?" murmurou ele, a respiração pesada. "Mostre-me... se isso é tudo o que você tem."
A mulher riu, uma risada leve e quase inocente, enquanto seu corpo novamente parecia brilhar com a luz da sua própria mana, preparando-se para desferir o golpe final.
"Aceleraçãode movimento..." sussurrou Eriel para si mesma, chocada. A mulher estava manipulando o tempo ao seu favor, o que explicava por que seus movimentos eram impossíveis de acompanhar.
A voz de Eriel alcançou os ouvidos da mulher à sua frente, que a olhou com um sorriso curioso e um brilho enigmático nos olhos.
“Oh? Garotinha esperta. Você conhece essa habilidade?” A voz da mulher carregava uma leve provocação, misturada com curiosidade genuína.
"Tenho uma ideia de como funciona," respondeu Eriel, esforçando-se para manter a calma diante da presença opressiva que a estranha exalava.
A mulher avançou com passos lentos e controlados, mas antes que pudesse se aproximar ainda mais, Noir, uma pequena garota de olhos afiados e postura protetora, se colocou entre as duas, bloqueando o caminho com uma determinação feroz.
"Está tudo bem, Noir..." Eriel falou suavemente, acalmando a garota. Embora hesitante, Noir saiu do caminho, mas ainda manteve seus olhos fixos na mulher, atenta a qualquer sinal de perigo.
“Que rude de minha parte,” disse a estranha, seu olhar agora focado em Eriel com mais atenção. “Meu nome é Aion… e o seu?”
"Eriel," respondeu ela, direta e sem hesitação.
“Interessante…” Aion a observava como se estivesse avaliando cada detalhe. “Você poderia me dizer como funciona a habilidade ‘Aceleração de Movimento’?”
Eriel respirou fundo, organizando seus pensamentos antes de responder. “É uma habilidade derivada do ‘Lorde do Tempo’. Ela permite ao usuário mover-se em uma velocidade muito superior à do ambiente ao redor, fazendo com que tudo à sua volta pareça congelado. Para o usuário, o mundo se move lentamente, mas para os outros, tudo acontece rápido demais para ser acompanhado.”
Aion sorriu, satisfeita com a resposta. "Correto. Parece que você é mais interessante do que imaginei."
Antes que pudesse continuar, um impacto súbito interrompeu sua fala. Azrael avançou sem aviso, seu punho cortando o ar em direção ao rosto de Aion. Contudo, ela desviou com a facilidade de quem estava acostumada a lidar com o perigo, como se o ataque fosse algo trivial.
"Eu deveria parar o tempo para conversar com você tranquilamente?", ela disse em tom de brincadeira, recuando alguns passos para evitar mais golpes.
“Isso não vai funcionar!” A voz de Azrael estava carregada de determinação enquanto ele se posicionava diante de Eriel, um leve sorriso surgindo em seus lábios. Ele parecia ter percebido algo importante. "Mesmo sabendo da minha habilidade, você não consegue acompanhar meus movimentos," provocou Aion, com uma confiança inabalável.
Azrael não recuou diante da provocação. "Isso não é verdade. Seu poder deriva do tempo, e não afeta outros usuários do tempo," respondeu ele com uma segurança que fez Aion arquear as sobrancelhas, ligeiramente surpresa.
Então, algo mudou. Nos olhos de Azrael, uma runa antiga começou a brilhar, concentrando toda a sua mana em um único ponto. Por um momento, o rosto de Aion expressou surpresa ao reconhecer o poder por trás das runas.
“Esses olhos…” murmurou ela, surpresa, percebendo a força que Azrael agora carregava.
"Me empreste um pouco do seu poder, Eriel," pediu Azrael com um sorriso confiante.
Sem hesitar, Eriel deixou sua mana fluir até ele, ampliando sua força. Azrael avançou mais uma vez, mas desta vez, algo estranho e familiar aconteceu. A sensação que Eriel sentiu ao ver Aion usando sua habilidade retornou, mas agora era Azrael quem estava no controle. Ele não estava usando a 'Aceleração de Movimento', mas algo muito mais complexo.
O movimento de Azrael parecia lento, exageradamente calculado, como se estivesse se movendo dentro de uma bolha temporal. Seu punho subiu de maneira deliberada, e mesmo assim, atingiu o rosto de Aion com uma força devastadora. O impacto ecoou pela sala, e por um instante, tudo parecia acontecer em câmera lenta.
Aion teve tempo de desviar. Ela poderia ter evitado o golpe, mas algo a impediu.
"Distorção Temporal..." Eriel murmurou, reconhecendo a habilidade que Azrael utilizava. Era uma técnica rara e poderosa, capaz de alterar completamente a percepção do tempo ao redor do usuário, criando uma ilusão de lentidão quando, na verdade, ele se movia rápido demais para ser seguido.
Ao contrário da 'Aceleração de Movimento', que simplesmente fazia o usuário se mover mais rápido que o mundo ao seu redor, a 'Distorção Temporal' manipulava a própria percepção do tempo, tornando impossível para o inimigo reagir da maneira correta. Mesmo que Aion fosse uma usuária do tempo, ela não podia escapar completamente do efeito dessa habilidade.
A batalha havia mudado de rumo. Azrael não só tinha neutralizado o domínio de Aion sobre o tempo, mas agora tinha virado o jogo a seu favor. Aion, por mais poderosa que fosse, estava em uma posição difícil. Eriel observava com cautela, sabendo que o próximo movimento seria decisivo.
Eriel observava a batalha com atenção enquanto o desenrolar frenético entre Azrael e Aion se intensificava. O poder de ambos era impressionante, e a própria presença de Aion, envolta em uma aura de domínio temporal, fazia o ar ao redor vibrar com uma energia densa. Contudo, o golpe de Azrael, tão rápido e devastador que parecia ultrapassar as leis do tempo, foi algo que ela jamais esperava testemunhar.
Aion, que sempre se manteve confiante, parecia atordoada com o golpe direto. Mesmo com sua habilidade temporal, ela não conseguiria reagir a tempo. Eriel notou a mudança súbita na expressão de Aion — o sorriso mantinha-se em seus lábios, mas havia algo diferente, algo mais vulnerável.
"Azrael, você pode usar o ‘Tempo’?" A pergunta escapou de seus lábios antes que pudesse se conter.
Azrael virou-se em sua direção, os olhos ainda brilhando com a intensidade da batalha. “Digamos que sim, mas não. É complicado, mas por hora eu também sou um usuário do tempo.” Sua resposta foi evasiva, quase confusa, como se sua mente estivesse dividida entre o combate e algo mais profundo.
Aion, no entanto, não se deixou abater por muito tempo. "Mortal, você ousa usar minhas habilidades contra mim? Seu destino é a morte!" Sua voz soou como uma sentença implacável.
Azrael, sem se deixar intimidar, retirou sua espada negra do espaço dimensional, uma arma que exalava pura escuridão. “{Desperte, senhora da escuridão}.”
A lâmina negra emitiu um brilho ameaçador, e Azrael avançou com uma série de cortes rápidos e precisos, cada golpe poderoso demais para ser evitado por alguém sem reflexos sobre-humanos. "{Técnica divina: Mil cortes}."
Aion tentou se defender, mas o ataque foi esmagador. Cada corte penetrava suas defesas, e em questão de segundos, ela foi forçada a recuar, recebendo cada golpe sem ter tempo de reagir. Porém, no último movimento de Azrael, algo inesperado aconteceu — Aion conseguiu segurar a espada de Azrael, bloqueando-a com a mão.
“{Perfurar!}” A lâmina atravessou sua mão, quase atingindo seu pescoço. Sangue escorreu, mas Aion manteve a calma e aproveitou a oportunidade para conjurar uma pequena orbe branca na palma de sua mão livre, a qual lançou contra Azrael.
Mas, para sua surpresa, a orbe desapareceu no momento em que tocou o ar ao redor dele.
"{Cancelar}." A magia de Aion foi anulada, e ela olhou para Azrael, boquiaberta. “Como!?”
Azrael, aproveitando a confusão momentânea, cortou o braço de Aion com sua lâmina sombria. Ela gritou de dor, mas ainda manteve um sorriso nervoso. “Porra! Ielong não mencionou essas técnicas!” Suas palavras revelaram sua frustração.
Azrael, implacável, preparou outro ataque. "{Punho do deus do vento}." O ar ao redor de seus punhos começou a se comprimir, formando um vácuo mortal. Ele golpeou o rosto de Aion com toda a força, enviando-a ao chão com um estrondo.
Aion, agora no chão, olhou para Azrael incrédula. Sua habilidade temporal não funcionava mais. Ela tentava desesperadamente entender o que estava acontecendo, mas era como se a própria realidade estivesse desmoronando ao seu redor. “Desgraçado!” murmurou ela, tentando se levantar.
Mas Azrael não lhe deu tempo. Sua lâmina desceu sobre o braço de Aion, decepando-o com um único golpe. O medo finalmente apareceu nos olhos dela, enquanto observava o sangue escorrer pelo chão. “Isso é... impossível. Você estava escondendo isso!”
Azrael a encarou, seus olhos frios e inabaláveis. "Se me contar onde estão meus companheiros, pouparei sua vida." Sua lâmina já estava posicionada no pescoço de Aion, pronta para acabar com tudo. Eriel observava a cena com apreensão. Ela nunca havia visto Azrael tão impiedoso. Seus olhos estavam sedentos por sangue, a raiva transbordando de cada movimento.
Aion, com medo claro nos olhos, apontou para uma parede. “Eles estão em uma sala por esse caminho! Se for por esse caminho, vai encontrá-los.” Sua voz tremia.
Azrael agradeceu brevemente antes de mover a lâmina para decapitar Aion, mas, no último momento, ele parou. Uma nova presença surgiu no ambiente.
"Quem é você?" A voz de Azrael era fria, mas atenta.
Uma figura encapuzada, vestindo um sobretudo negro e com uma runa estranha nas costas, segurou a lâmina de Azrael sem esforço. Seu rosto estava coberto por uma máscara, e sua voz, distorcida, ecoou pela caverna. “Você estaria morta se eu não estivesse aqui.”
Eriel sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Essa nova presença era sufocante, muito mais poderosa do que qualquer coisa que ela já havia sentido antes. O olhar da figura mascarada era enigmático, mas aterrorizante. Azrael tentou falar, mas antes que pudesse fazer qualquer movimento, ele caiu inconsciente no chão, sem aviso.
A figura mascarada pegou o corpo de Azrael e o jogou sobre seus ombros com facilidade. "Não permitirei!" Noir, a pequena guardiã, avançou, tentando deter a figura, mas em segundos foi derrubada, seu corpo caindo pesadamente no chão.
"Minha magia ‘Fome’ tira todas as forças do seu corpo. Não permitirei mais interferências," disse a figura, os olhos sombrios fixos em Eriel.
Ela tentou reagir, mas tudo ao seu redor começou a escurecer. Sua visão tornou-se turva, e as últimas palavras que ouviu foram da voz fria da figura: “Ela não é útil, vamos deixá-la morrer aqui.”
"Entendido," respondeu outra voz, antes de Eriel sucumbir à escuridão.
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Atualizado até capítulo 30
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