Capítulo 13 — Guerra

O clima pesado que permeava o ambiente deixava tudo sufocante. O desaparecimento de Zenith já se estendia por tempo demais, e o silêncio era quase ensurdecedor. Azrael, habitualmente expressivo, estava imóvel e taciturno, o que apenas intensificava a tensão. Até mesmo Nain, geralmente o mais animado e despreocupado do grupo, permanecia calado, observando seu líder em silêncio respeitoso.

Nain, percebendo a estranheza da atmosfera, decidiu quebrar o gelo, talvez com a esperança de aliviar o peso que pairava sobre todos.

"Veja pelo lado bom, agora temos mais comida", comentou com um sorriso nervoso.

A tentativa de humor, no entanto, saiu pela culatra. Azrael, sem mover um músculo, dirigiu a ele um olhar gélido, carregado de uma sede de sangue quase palpável. O sorriso de Nain sumiu instantaneamente.

"Não está mais aqui quem falou..." murmurou, levantando as mãos em rendição, claramente arrependida de sua tentativa.

Azrael, no entanto, não parecia disposto a continuar com a exploração da masmorra, apesar da obrigação que tinham. Ele estava visivelmente incomodado, mas a ideia de voltar sem Zenith não era uma opção.

Zenith estava em algum lugar naquela masmorra. Não a deixariam para trás.

"Chefe, não deveríamos voltar e pedir ajuda aos Humanos?" sugeriu Nain, quebrando o silêncio cautelosamente.

"Eu não sairei daqui sem a Zenith. Ela faria o mesmo por você", respondeu Azrael, com uma firmeza que deixou claro que não havia espaço para discussão.

Era exatamente como Eriel havia imaginado; abandonar Zenith não era uma opção para ele. Mas havia um problema maior. O inimigo que enfrentavam ainda era um mistério. Tudo o que sabiam era que ele possuía garras afiadas e uma magia de portal incomum.

"Mesmo assim, acho melhor chamarmos reforços", Naara insistiu, sua voz ponderada. "Um inimigo que conseguiu escapar da sua percepção não é normal."

"Pedir ajuda aos humanos, você diz?" Azrael arqueou uma sobrancelha. "Não acho que vá adiantar de nada. Se há alguém que não conseguimos lidar, os humanos só atrapalhariam... Sem ofensas."

Ao terminar a frase, ele olhou diretamente para Eriel. Ela apenas balançou a cabeça.

"Não me ofendi."

Embora não quisesse admitir, ela sabia que ele tinha razão. O único humano que poderia realmente fazer a diferença seria o líder da facção, mas ele não estava disponível. Ethan, o irmão de Eriel, estava em uma missão há dias e ninguém sabia de seu paradeiro exato.

"Então vamos ficar aqui até pensarmos em algo?" Nain perguntou, com um tom impaciente.

Azrael suspirou profundamente. "Você está certo, mas..."

Ele hesitou por um momento, algo que Eriel raramente via. Mesmo sem saber exatamente o que se passava em sua mente, ela pôde intuir que ele estava lutando com algo.

"Não se preocupe comigo", Eriel interrompeu suavemente. "Estou bem."

"Não é sobre isso... Não sabemos que tipo de inimigo enfrentaremos. Você pode se machucar. Posso pedir para Sonne te levar até..."

"Sei que sou fraca, mas posso ajudar", Eriel cortou, sua voz firme. Ela sabia que não podia simplesmente abandonar o grupo. Se não conseguisse se proteger, seu poder não teria valor.

Azrael a encarou por um longo momento antes de ceder.

"Tudo bem... Então, aqui vai uma ordem para todos. Protejam Eriel com suas vidas."

"Entendido!" responderam em uníssono, com seriedade.

Eriel ficou tentada a questioná-lo. Não havia necessidade de tanto alarde em protegê-la.

"Esse é meu único pedido. Pode simplesmente aceitar?" Azrael perguntou, sua voz um tanto mais suave.

"... Tudo bem..." Eriel finalmente respondeu, decidindo não insistir. Ela não conhecia a dinâmica de todos no grupo, mas era evidente que confiavam cegamente em Azrael.

"Proteger alguém com a minha vida... Faz tempo que não ouço você dizer algo assim", disse Nain, quebrando o momento de silêncio com uma risada leve. "Quando foi a última vez? Ah, sim! No ataque ao castelo. Você me pediu para proteger aquela bela mulher. Como era o nome dela mesmo?"

Os olhos de Azrael se arregalaram por um breve segundo, e ele lançou a Nain um olhar severo, que o outro pareceu não notar.

"Mana! Isso mesmo. A jovem princesa Mana."

"Nain..." Azrael murmurou, sua voz baixa, carregada de uma advertência silenciosa.

Nain finalmente percebeu o erro e suspirou, olhando para o líder com arrependimento.

"Hmm… De qualquer forma. Estamos autorizados a ir com tudo?" Nain disse, enquanto se alongava levemente, um sorriso crescente em seu rosto.

Azrael hesitou por um instante antes de responder, seus olhos fixos na espada que segurava e, em seguida, se voltava para Noir. Parecia ponderar suas opções antes de finalmente dar uma resposta.

"Sim. Vamos com tudo."

A sensação de antecipação que tomou conta de Eriel era indescritível. Testemunhar o verdadeiro poder de Azrael, que sempre parecia ocultar sua força, a enchia de um silêncio silencioso. Poder ver esse poder em ação, bem diante de seus olhos, era algo que ela jamais esqueceria.

"Isso é bom. Posso finalmente me entreter", Nain murmurou, começando a se preparar. O ar ao redor dele parecia vibrar com energia crescente. Ao lado, Naara observava com interesse, seus olhos brilhando.

"Então não tem problema congelar os fracos?" Naara perguntou, em um tom brincalhão.

“Sim, mas você não pode congelar o Nain”, respondeu Azrael com uma leve advertência, seus olhos afiados.

"Tsk! Tudo bem…" Naara bufou, claramente insatisfeita, mas aceitou as ordens com relutância.

"Vamos." Azrael deu a ordem, e o grupo começou a se mover, todos em alerta total. O erro anterior, que resultaria no desaparecimento do Zenith, não poderia se repetir.

Desde que entrou na masmorra, os únicos oponentes que encontraram foram lobos, mas Azrael estava certo de que aquilo não era o fim. Esses monstros não passaram de meros obstáculos iniciais, e o verdadeiro perigo estava à espera mais à frente. Eriel tentou imaginar o que mais poderia surgir, mas nada parecia tão assustador quanto a figura que eles já haviam descoberto: a criatura de olhos vermelhos. Ela podia se mover por portais, aparecendo e desaparecendo à vontade. Era uma ameaça que oferecia extremo cuidado. Se essa criatura não fosse o líder, quem seria o mestre de um ser tão poderoso?

Essa pergunta deixou Eriel inquieta. Se aquele ser de sombras não era o chefe da masmorra, então o verdadeiro comandante deveria ser algo além de sua compreensão. A aura que ele emanava era assustadoramente poderosa, superando em muito a de todos os presentes. Nem mesmo Naara, com sua vasta reserva de mana, poderia se comparar àquela ser sombria.

De repente, Azrael parou, levantando a mão em um gesto silencioso que alertou a todos para o perigo iminente.

O som de passos ecoava pela caverna. Inimigos estavam se aproximando. O tenso silêncio do grupo permitiu que eles localizassem a posição exata dos oponentes. Em questão de segundos, as figuras surgiram a emergir das sombras, bloqueando completamente o caminho à frente. Como Azrael suspeitava, não eram lobos. Eram esqueletos de diversos tamanhos e tipos, alguns empunhando espadas e escudos, enquanto outros seguravam arcos e lanças. Cada um parecia preparado para a batalha que se aproximava.

“Naara, congele todos os esqueletos,” ordenou Azrael, com uma voz fria e controlada.

O ar ao redor imediatamente se tornou gélido, e em um instante, toda a caverna foi envolta por gelo. Cristais de gelo brilharam, transformando o ambiente em um campo traiçoeiro. O chão escorregadio e irregular tornava qualquer movimento perigoso. Todos os esqueletos foram congelados, ou assim pareciam.

No entanto, algo começou a dar errado. Naara foi a primeira a notar.

“O gelo está se quebrando?” ela disse, surpresa, enquanto observava as primeiras rachaduras se formarem.

Ela estava certa. O som nítido do gelo estilhaçando ecoava pela caverna, e, em pouco tempo, todos os esqueletos ficaram livres da prisão de gelo.

“Sua magia é eficaz contra seres vivos. Ela os mata, mas eles não estão vivos…” Azrael comentou, compreendendo rapidamente o motivo pelo qual a magia de Naara havia falhado.

"Então teremos que usar a força bruta?" Nain disse, empunhando sua espada com um sorriso largo no rosto.

“Deixo isso com você. Quanto mais energia economizarmos agora, melhores serão nossas condições mais tarde”, respondeu Azrael, com uma expressão calculista.

A estratégia de Azrael era clara: preservar as forças do grupo ao máximo. Enquanto Naara descansava, Nain seria o próximo a enfrentar os inimigos, e sua animação era evidente. Ele avançou com determinação, o sorriso em seu rosto demonstrando sua motivação pela batalha que estava por vir.

Os esqueletos reagiram imediatamente ao avanço de Nain. Flechas foram disparadas em sua direção, mas Nain, com uma destreza impressionante, usou sua grande espada para se defender, bloqueando cada uma delas enquanto avançava.

Ao notar que apenas se defender não seria suficiente, Nain balançou sua espada com força, e o movimento gerou uma onda de choque que atingiu vários esqueletos. Os corpos frágeis das criaturas foram arremessados contra as paredes da caverna, quebrando-se no impacto. Ele aproveitou a oportunidade e, como um bárbaro em batalha, avançou com animação, balançando sua espada com vigor e prazer visível.

Foi então que algo incomum chamou a atenção de Eriel. Os esqueletos começaram a lutar entre si, como se tivessem esquecido que Nain era o verdadeiro inimigo. As lanças e flechas que antes eram direcionadas ao grupo agora atingiam seus próprios aliados, em uma confusão de ataques. Um por um, os esqueletos se destruíam, enquanto Nain continuava a se divertir na luta, com um sorriso estampado no rosto.

Em cerca de vinte minutos, o último esqueleto caiu ao chão.

O que diabos aconteceu?, pensou Eriel, perplexa.

Notando a expressão de curiosidade em seu rosto, Azrael suspirou e explicou, com a calma habitual.

"Uma das habilidades de Nain é a ‘Guerra’. Ele influencia todos ao seu redor a lutarem entre si. É uma habilidade assustadora que lhe dá — quase um poder absoluto — em um campo de batalha."

"Realmente assustador…" refletiu Eriel. Aquilo parecia uma habilidade que deveria ser proibida. Nain poderia virar o curso de uma guerra sozinho, apenas ativando essa habilidade em meio a um exército inimigo.

"Mas eu não posso usar essa habilidade de maneira descuidada, princesinha," Nain comentou, ouvindo aparentemente a explicação de Azrael e decidindo adicionar mais detalhes.

"Essa habilidade faz com que todos os atingidos não saibam diferenciar inimigos de aliados. E eu tenho que estar no campo de batalha também, ou seja, posso acabar sendo alvo dos inimigos."

As palavras de Nain faziam sentido. Ele tinha que ser cauteloso. Se enfrentasse inimigos mais fortes, a habilidade poderia virar contra ele, e lutar contra muitos adversários em um campo de batalha poderia ser perigoso. A habilidade, ao mesmo tempo poderosa, era uma verdadeira faca de dois gumes.

"Isso também vale para meus aliados. Todos no alcance da minha habilidade são afetados, então não posso ficar perto de vocês no momento da ativação."

Além de colocar-se em risco ao usar essa habilidade, Nain poderia, sem querer, colocar seus aliados em perigo se estivessem muito próximos. Um poder que tornava qualquer um nas proximidades em um inimigo... Eriel compreendia agora o quão perigosa era aquela técnica.

"Como tudo ocorreu bem, devemos seguir," Azrael disse, sem perder tempo.

O grupo retomou a caminhada, sabendo que o tempo estava contra eles. Pelos ferimentos que Eriel tinha visto em Zenith momentos antes dela desaparecer, era provável que ela tivesse perdido muito sangue, e isso na melhor das hipóteses. Se demorassem muito para encontrá-la, talvez não houvesse mais nada a fazer.

Precisamos encontrá-la rápido… antes que seja tarde demais, pensou Eriel, sentindo o peso da urgência em seu coração.

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