Capítulo 14 — Novo inimigo

Após várias horas de exploração na masmorra, Eriel e o grupo decidiram por uma pausa. O ambiente sombrio e opressivo começava a afetar até os mais fortes entre eles. As paredes de pedra áspera e a escuridão impenetrável só pioravam a sensação de cansaço. Um lanche para repor as energias era a escolha mais sensata. Ela sabia que, sem um descanso, não poderiam continuar lutando com a mesma eficiência.

Azrael, sempre perceptivo, foi o primeiro a sugerir a pausa. Mesmo com o desespero para trazer Zenith de volta, ele não se deixa dominar pela raiva, Eriel pensou, observando-o com admiração. O fato de ele manter a calma e o raciocínio afiado mostrava porque ele era o líder. Eriel se sentia aliviada por ter alguém como Azrael no comando.

Enquanto todos se preparavam para a refeição, Eriel refletiu sobre as batalhas até o momento. Os lobos não foram nenhum desafio para nós, pensou. O grupo era composto por combatentes extremamente habilidosos, cada um dominando técnicas impressionantes. Eles haviam enfrentado uma infinidade de esqueletos e outras criaturas ao longo do caminho, mas a masmorra parecia infinita. Não importava o quanto andassem, não havia fim à vista. Eriel, graças ao seu treinamento com o relógio, estimava o tempo vagamente, mas naquele lugar, as horas eram apenas uma ilusão.

Azrael, sempre cuidadoso, acendeu a fogueira e ergueu uma barreira ao redor do grupo para protegê-los de quaisquer ameaças externas. Era um momento de paz, pelo menos por enquanto. Seria tão melhor se Zenith estivesse aqui conosco, aproveitando esse breve respiro, Eriel pensou com um aperto no peito. Mas ela sabia que não havia o que fazer quanto a isso — não ainda.

Enquanto todos comiam, Azrael de repente parou e fixou seu olhar em um ponto na escuridão. Algo estava se movendo. Sua expressão não demonstrava preocupação, apenas uma calma mortal.

"Naara, você pode cuidar deles? Não quero interromper minha refeição." Sua voz era fria, quase indiferente.

Naara assentiu com um simples "Entendido..." e se levantou, caminhando em direção ao local onde Azrael havia percebido a movimentação.

"Ela vai usar aquilo?" perguntou Nain, com um brilho de expectativa nos olhos.

"Oh? Isso vai ser interessante", comentou Sonne, já antecipando o espetáculo.

Eriel observou com atenção enquanto Naara se aproximava do grupo de criaturas que começava a cercá-la. Elas pareciam formigas, mas eram grotescas, com mais de um metro de altura, bloqueando o caminho como um enxame de horrores. Com sua foice, Naara começou a cortar as criaturas com uma precisão letal. Seus movimentos eram fluidos, quase como uma dança mortal, em perfeita harmonia com a lâmina afiada. As formigas que estavam mais distantes foram congeladas instantaneamente, e as que ousaram se aproximar foram destruídas sem esforço.

De repente, um círculo mágico âmbar se formou diante dela. O ar ao redor pareceu vibrar com a presença da magia. O símbolo no centro do círculo era uma runa de poder, mas havia algo errado com ela, um detalhe que a tornava única.

"A runa da Morte...", murmurou Sonne, como se estivesse lendo os pensamentos de Eriel.

Eriel observava em silêncio enquanto as criaturas caíam ao chão, seus corpos convulsionando em agonia. A runa parecia emitir uma energia opressiva, e o poder da morte envolvia tudo ao seu redor. Era uma magia avassaladora.

"Essa runa cria ilusões com base nos maiores medos de suas vítimas", explicou Sonne, com um brilho de fascínio em seus olhos. "Ela provoca uma dor excruciante antes de finalmente matar. É uma runa derivada da habilidade 'Maldição'."

Azrael, que até então mantinha-se em silêncio, acrescentou: "Sim, é uma runa aterrorizante. Assim como a runa de Guerra do Nain. Ela não pode ser usada perto de aliados."

As palavras dele despertaram uma dúvida em Eriel. "Então... Naara também é afetada pela própria runa?"

Azrael a olhou por um momento antes de responder. "Não. Naara tem uma afinidade natural com a morte. Para ela, a runa apenas aumenta seu poder. Mas para nós, qualquer um que se aproxime demais poderia ser afetado."

Eriel sentiu um alívio imediato ao saber que Naara não sofria com o efeito de sua própria magia. É um poder assustador, mas ao menos Naara está no controle....

Assim que o último inimigo caiu, Naara voltou para junto do grupo e, sem qualquer cerimônia, continuou sua refeição como se nada tivesse acontecido. Tudo havia terminado rápido, quase rápido demais.

O tempo era curto, e a pressão sobre o grupo aumentava a cada minuto. Eriel não sabia quanto tempo Zenith ainda tinha, ou se ela sequer tinha mais tempo. Cada segundo perdido pesava na mente de todos.

De repente, uma voz estranha cortou o silêncio. "Nossa, que habilidade interessante você tem~~" A voz era fria, quase melódica, mas carregada de algo sinistro. Eriel sentiu os pelos de sua nuca se eriçarem, o medo invadindo seus sentidos.

O grupo inteiro ficou alerta, todos os olhares se voltando na direção de onde o som havia surgido. Eriel sentiu o sangue gelar em suas veias ao ver uma figura surgir das sombras, como se tivesse sempre estado ali, observando.

"Sim, você está certa... Ela é realmente perigosa", disse a voz, com um tom quase divertido.

Eriel não reconhecia a figura, mas sentiu um calafrio atravessar seu corpo.

Azrael pulou para o lado de Eriel, arrastando Noir junto. Naara e Nain se posicionaram em defesa, observando atentamente as duas figuras que haviam entrado na barreira sem serem notadas. Eram uma mulher e um homem, ambos cobertos por vestes que ocultavam seus corpos, deixando apenas os rostos expostos.

A mulher possuía uma beleza notável, aparentando ter pouco mais de 27 anos. Seus olhos azuis brilhavam intensamente com um símbolo que lembrava o infinito. Curiosamente, Eriel não conseguia sentir nenhum traço de poder vindo dela, mas algo em sua aura trazia à tona a memória do ser misterioso que haviam encontrado mais cedo.

O homem ao lado dela, com cabelos negros e uma barba por fazer, aparentava cerca de 29 anos. Sua aparência desleixada e relaxada, com um olhar meio sonolento, escondia intenções perigosas. Assim como a mulher, ele tinha um símbolo peculiar nos olhos, uma estrela de cor verde, e sua aura, como a da mulher, era insondável, deixando claro que ele estava em um nível incompreensível para os presentes.

"Quem são vocês, e como entraram na minha barreira?" Azrael perguntou, sua voz carregada de autoridade.

A mulher olhou diretamente para ele, e seu sorriso se alargou de orelha a orelha. "Oh? Uma criança que fala bastante. Querido, o que deveríamos fazer em uma situação como essa?"

O homem deu de ombros, relaxado. "Não sei, querida. Posso destruí-los todos, se for o que deseja."

Ela riu, quase despreocupada. "Não, não. Vamos ter um pouco de entretenimento agradável."

Eles conversavam entre si como se os outros fossem irrelevantes, provocando a tensão no ar.

"Vocês estão com Zenith?" Azrael insistiu, tentando obter informações.

Dessa vez, os dois voltaram sua atenção para ele. "Entendo... Zenith, é? Ela é uma gracinha. Pergunto-me quanto tempo levará até quebrar— Oh?"

Antes que pudessem continuar, Azrael disparou na direção deles, sua espada indo em direção ao pescoço da mulher. No entanto, em um movimento quase imperceptível, o homem ao lado dela interceptou a lâmina com um simples dedo.

"Veja, querido. Ele tentou me matar", disse a mulher com um sorriso malicioso.

O homem suspirou, casual. "Acho que ele precisa de uma lição."

Num piscar de olhos, o corpo de Azrael foi arremessado contra a parede com tal força que pedras caíram sobre ele.

"Chefe!" Nain gritou, correndo para ajudar Azrael, enquanto Naara, empunhando sua gadanha, avançava ferozmente contra o homem.

Ela balançou sua arma com toda a força, mas a cada golpe cortava apenas o ar. Não importava o quanto acelerasse, nenhum de seus ataques conseguia acertá-lo.

"Criança, você não deveria brincar com algo tão perigoso", disse o homem, parando a gadanha com uma mão e, em um movimento rápido, arrancando-a das mãos de Naara. Num golpe devastador, ele perfurou o estômago dela com uma mão e, com a outra, a atingiu na nuca, deixando-a inconsciente.

Sem cerimônia, ele entregou Naara à mulher. "Levaremos ela."

"Sim. Ela é muito problemática", respondeu a mulher com um sorriso satisfeito.

"Eu... não vou... permitir!" A voz de Azrael ressoou enquanto sua aura explodia, dissipando as pedras ao redor e avançando com fúria para resgatar Naara.

"Querido, cuide dele enquanto eu coloco ela com a outra", disse a mulher, criando um portal e desaparecendo por ele.

"Claro, meu amor. Até mais tarde", respondeu o homem, parando o avanço de Azrael com um sorriso desdenhoso.

Sem perder tempo, Azrael e Nain atacaram ao mesmo tempo. "Venha, Amaterasu!" A espada dourada que estava nas mãos de Eriel desapareceu e reapareceu com Azrael. Agora, empunhando duas espadas, ele desferia uma série de golpes rápidos, forçando o inimigo a se concentrar em desviar.

{Desperte, senhora da escuridão.}

A lâmina negra começou a absorver toda a mana no corpo de Azrael. As runas brilhavam intensamente, e a espada, embora menor, agora conferia uma velocidade avassaladora a seus ataques.

{Desperte, senhora do Sol.}

A espada dourada brilhou intensamente, mudando de cor de dourado para vermelho, e então azul, liberando uma quantidade imensa de calor que fez o ar ao redor começar a ferver. Sonne, percebendo o aumento de temperatura, rapidamente criou um escudo protetor ao redor de Eriel, para protegê-la e aliviar a preocupação de Azrael.

Nain se juntou ao combate, sincronizando seus movimentos com os de Azrael. A luta dos três parecia uma coreografia perfeita, com o inimigo mal conseguindo desviar dos golpes de Azrael, sendo forçado a enfrentar Nain logo em seguida.

Eriel, observando a luta, percebeu que não conseguia acompanhar a velocidade e intensidade dos movimentos. Era como se os ataques fossem rápidos demais para seus olhos perceberem.

Em um momento de recuo, o inimigo conseguiu ganhar alguma distância, estudando os padrões de ataque de Azrael e Nain. Quando Azrael atacou novamente, ele desviou, mas Nain, aproveitando a brecha, desferiu um golpe surpresa. Porém, o oponente, já antecipando o movimento, usou o braço para bloquear a espada de Nain.

A surpresa de Nain durou um instante — tempo suficiente para o inimigo impulsionar seu corpo e desferir um golpe devastador, lançando Nain em direção a Azrael, ambos sendo arremessados contra a parede da caverna.

"Subestimei vocês... mas isso não acontecerá novamente", disse o homem, avançando. Ele agarrou Nain pelo pescoço com uma facilidade assustadora, como se o peso do guerreiro fosse insignificante.

Uma orbe negra se formou na mão livre do homem, e ele a usou para atingir o rosto de Nain, que caiu inconsciente no chão.

"Eu deveria simplesmente matá-lo. Minha querida adoraria receber a cabeça de um oponente tão interessante..."

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