Capítulo 4 — Deusa do Sol

Azrael

Azrael estava imerso em seus pensamentos, refletindo sobre a situação delicada que envolvia Eriel. Um pesar profundo invadiu seu peito enquanto ele considerava o que havia feito. Ele planejava expor Eriel ao verdadeiro terror de um campo de batalha, esperando que isso levasse Eriel a desistir de se juntar ao clã humano. Contudo, a teimosia de Eriel o pegara de surpresa. "Como ela pôde ser tão obstinada?", Azrael pensava, frustrado. Tudo o que ele havia planejado parecia desmoronar.

O sentimento de culpa pesava sobre seus ombros, quando um som suave interrompeu seus pensamentos. "Toc..." O leve toque na mesa trouxe-o de volta à realidade. Era Alice, tentando chamar sua atenção. Azrael relutava em encarar sua expressão, pois sabia o que estava por vir.

"Eu já pedi desculpas...", murmurou, com a voz carregada de arrependimento, embora soubesse que desculpas não seriam suficientes para corrigir a situação.

"Desculpas? Sério?" Alice respondeu com um tom cético que ele conhecia bem. Ela não estava disposta a deixar a situação passar tão facilmente. "Você sabe que isso não vai resolver nada, Az."

Azrael suspirou, resignado. "Por que eu achava que ela deixaria isso passar?", pensou, enquanto decidia apenas ficar em silêncio e ouvir o sermão que estava prestes a receber. No entanto, Alice não demorou a perceber suas intenções.

"Vamos lá, Az. Você sabe que ela é apenas uma humana. Você não deveria ter exagerado", disse Alice, com um olhar que alternava entre repreensão e preocupação. Ela olhou para Naara e Noir, que estavam recolhidas no canto da sala, observando a cena em silêncio. Embora presentes, nenhuma das duas demonstrava qualquer intenção de apoiar Azrael.

"Noir, você não deveria ter permitido que a situação saísse do controle", acrescentou Alice, voltando seu olhar para a outra mulher. Noir tentou falar, mas hesitou, abaixando a cabeça em sinal de submissão.

Azrael sentiu um peso em seu peito ao perceber que Noir estava sendo injustamente repreendida. "Não é justo que elas levem a culpa pelo que eu fiz", pensou. Ele sabia que havia sido irresponsável, ciente de que as coisas poderiam sair do controle, mas mesmo assim permitira que isso acontecesse.

"Por favor, Alice, eu sou o único responsável por isso", declarou Azrael, virando-se em direção à irmã. Ele evitava encarar os olhos repreensivos de Alice, mas sabia que precisava assumir a culpa.

"Eu sei! Você acha que eu vou simplesmente deixar isso passar? Você terá uma punição", afirmou Alice, seu tom sério e implacável. Ela conhecia bem a aversão de Azrael a desculpas vazias e sabia que só palavras não bastariam.

"Está bem, estou disposto a aceitar o castigo", respondeu Azrael, já convencido de que qualquer coisa seria melhor do que ficar preso em um ciclo de arrependimento e desculpas sem fim.

"Oh? Agora, meu querido irmãozinho, finalmente aceitará seu castigo?" Alice perguntou, com uma mistura de desaprovação e satisfação. Era claro que ela já havia decidido o que faria.

"Como se eu tivesse escolha...", pensou Azrael, sentindo o peso das consequências se aproximando.

"Lembre-se, você não possui mais seu poder completo. Se por algum motivo você entrasse em confronto com a aliança, o que faria?" Alice questionou, trazendo à tona a situação perigosa envolvendo a aliança.

A menção à aliança fez uma onda de raiva percorrer todo o corpo de Azrael. "A aliança... Eles acham que podem desafiar meu poder?", pensou com fúria crescente.

"Eu não hesitaria em eliminar qualquer um que se autodenomine parte da aliança", respondeu Azrael, sua voz fria e determinada.

"Você ainda tem poder suficiente para isso? Não estou perguntando à toa", retrucou Alice, conhecendo bem a extensão do poder de Azrael, mesmo com parte dele selado. Ela sabia que a força ainda estava com ele, mas também entendia que apenas força não era suficiente.

"Deixe-me reformular minha pergunta: você acredita que pode enfrentar a aliança com o poder que possui agora?"

O silêncio de Azrael foi resposta suficiente. Ele não queria admitir, mas sabia que as palavras de Alice tinham peso. Ela captou os pensamentos não ditos de Azrael e um sorriso leve curvou seus lábios.

"Eu já decidi qual será o seu castigo", disse ela de forma conclusiva, confirmando as suspeitas de Azrael.

"Como eu pensava...", murmurou Azrael para si mesmo, ciente de que a conversa estava chegando ao seu clímax.

"Você treinará Eriel. E não é só isso, claro. Pensarei em outra coisa depois, mas por enquanto, isso será suficiente. Certifique-se de treiná-la adequadamente", Alice declarou com uma voz firme.

"Como você desejar", respondeu Azrael, aceitando a decisão de Alice, mesmo que não estivesse totalmente convencido. "Treinar Eriel... Isso pode ser complicado", ele ponderou.

"E você, Naara, volte ao castelo e colete mais informações sobre o assunto que te pedi", ordenou Alice, voltando sua atenção para Naara, que claramente se irritava por receber ordens da irmã de Azrael. Azrael acenou para Naara em confirmação, tentando acalmá-la com um olhar que dizia "Isso é necessário, confie em mim."

Naara hesitou por um momento, mas acabou assentindo, embora a contragosto. Alice observou a cena em silêncio, satisfeita com o rumo que as coisas tomaram.

"Agora, vamos ver o que o futuro nos reserva", pensou Azrael, ciente de que as consequências de suas ações estavam apenas começando a se desdobrar.

Um assunto complicado e de difícil resolução estava em jogo, mas Azrael estava lá para enfrentá-lo. Ele sabia que não podia simplesmente retornar ao palácio sem concluir sua missão. Tinha uma promessa a cumprir e, mesmo que não gostasse, sabia que precisava terminar o treinamento de Eriel o mais rápido possível para então poder retornar.

"O que aconteceu no palácio?", indagou Alice, querendo entender mais sobre a situação. Naara, que estava presente no local, era a melhor pessoa para fornecer informações.

"Como eu expliquei a Azrael, tudo aconteceu muito rápido...", começou Naara a relatar novamente cada detalhe do evento que havia ocorrido no palácio.

Um evento que estava sendo realizado no palácio havia se transformado em um atentado, resultando na morte da rainha. Não houve outras vítimas além dela, mas sua morte deixara o rei enlutado. Dois dias atrás, o rei desaparecera de seus aposentos e, até agora, não havia sido encontrado, apesar das buscas intensas. Com o rei ausente, o conselho estava assumindo as responsabilidades até o retorno do príncipe herdeiro.

"Malditos anciãos...", murmurou Azrael, sem conseguir conter a frustração. Alice percebeu seu tom.

"Precisamos agir, Az", disse ela com firmeza.

"Eu sei. Logo terei que voltar para casa", admitiu ele, embora com relutância. A situação não era a que ele desejava. Azrael tinha esperanças de continuar na Terra por mais algum tempo, mas sabia que isso era impossível. No entanto, o desejo persistia, mesmo que fosse inútil.

O peso das palavras de Naara trouxe à tona uma angústia que Azrael não queria enfrentar naquele momento. A dor da perda estava mais uma vez diante dele, como uma ferida que nunca cicatrizava.

"Quantas pessoas ainda vou perder?", ele se questionou, refletindo sobre a fragilidade da vida e a inevitabilidade do destino. Mas não podia culpar o destino, pois sabia que era ele quem o moldava com suas próprias mãos.

Com seu poder, ele poderia ter salvado sua mãe, mas a promessa que havia feito o impediu de agir.

"Preciso sair um pouco...", declarou Azrael, sentindo a necessidade de se afastar da sala. Ele deixou Alice e Naara discutindo sobre os eventos no palácio e saiu sem olhar para trás. Alice não tentou detê-lo; ela sabia que ele precisava de um momento sozinho.

No último andar da mansão, Azrael se deitou em uma das cadeiras sob o guarda-sol, buscando um breve momento de paz.

"Você pode aparecer agora", ele disse em um tom calmo.

Um círculo mágico dourado surgiu à sua frente, suas runas brilhando enquanto uma figura feminina emergia da abertura. Ela parecia jovem, aparentando ter cerca de 25 anos em termos humanos, e sua beleza era capaz de derreter até os corações mais frios. O rosto dela era uma obra-prima de traços delicados, e seus olhos dourados combinavam perfeitamente com os longos cabelos que quase tocavam o chão. Uma tiara de ouro adornava sua cabeça, refletindo o símbolo do sol, que brilhava em harmonia com sua beleza radiante. Ela usava um vestido de seda branca, realçado por uma fina camada de tecido dourado que envolvia seu pescoço e contornava sua cintura, um traje majestoso que refletia sua nobreza.

Ela ergueu a mão em um gesto de saudação, sorrindo tanto para Azrael quanto para Noir, que permanecia indiferente, como se a deslumbrante beleza da figura diante dela não tivesse qualquer efeito.

A mulher observou Azrael por um momento, seus olhos penetrantes examinando-o minuciosamente. O sorriso continuava, mas ele percebeu que não era o mesmo sorriso que ela havia direcionado a Noir.

"Você não parece estar bem", observou ela.

"Isso é algo que te agrada?", respondeu Azrael, deixando transparecer o sarcasmo em sua voz.

Percebendo o tom ácido, a mulher apenas sorriu gentilmente e se sentou ao lado dele.

"Fico me perguntando...", ela começou, tentando acariciar a cabeça de Noir, mas a pequena afastou sua mão abruptamente.

"Kyaaa! Minha irmãzinha é tão fofa!", exclamou a mulher, ignorando o gesto de Noir e divertindo-se com a situação.

Com um simples gesto, suas roupas extravagantes transformaram-se em um vestido curto e uma camiseta branca. Agora, vestida de forma mais casual, ela parecia mais descontraída.

"Então?", seus olhos se voltaram para Azrael, buscando o motivo pelo qual ele a tinha chamado.

"Preciso da sua ajuda...", respondeu Azrael, e o silêncio que se seguiu era incomum vindo dela.

Sonne observou Azrael atentamente, a preocupação evidente em seus olhos dourados.

"Você é meu mestre. Não precisa pedir permissão para usar meu poder", lembrou ela com suavidade. Azrael tentou esboçar um sorriso, mas desistiu ao notar a expressão de desgosto que se formou no rosto dela.

"Sabe... Eu, a grandiosa divindade do Sol, vou permitir que meu amado... mestre?", provocou Sonne, fazendo uma pausa intencional enquanto questionava o título.

"Isso foi uma pergunta?", retrucou Azrael, arqueando uma sobrancelha em leve confusão.

Enquanto isso, Noir se acomodou no peito de Azrael, parecendo um tanto sonolenta. Azrael pensou que o comportamento dela era usual, mas percebeu a forma como Sonne mordia os lábios com força, claramente incomodada com a afeição que Noir demonstrava por ele.

"Como ela pode ser tão carinhosa com você? Sou sua irmã, ela não deveria agir de forma fria comigo...", lamentou Sonne, cruzando os braços em um gesto infantil de insatisfação.

"Não se preocupe com isso", respondeu Azrael calmamente, tentando minimizar o desconforto dela.

"Mas eu me preocupo!", insistiu Sonne, seu tom carregado de frustração.

Azrael não pôde deixar de sorrir diante da cena. Era curioso ver a poderosa deusa do Sol, Amaterasu, agindo como uma criança em busca da atenção de sua irmã mais nova.

"Que tal visitar Sophia?", sugeriu ele, mudando habilmente o assunto.

Os olhos de Sonne brilharam com a menção do nome. "Claro! Ela faz doces deliciosos...", respondeu com animação, mas sua expressão rapidamente mudou para uma de contemplação. "Espere, Eriel... Ela veio até a sua casa, certo? Ela era tão adorável quando criança, parecia tão diferente da versão adulta."

O rosto de Sonne empalideceu ao perceber o que havia dito. Ela olhou para Azrael com uma mistura de apreensão e culpa, como uma criança que temia ser repreendida por um deslize.

"Não se preocupe, Sonne. Não precisa se incomodar com isso", disse Azrael, tentando tranquilizá-la.

Sonne baixou o olhar, a voz saindo em um sussurro arrependido. "Cometi um erro e mereço um castigo..."

Azrael soltou uma leve risada, tentando aliviar a tensão. "Eu poderia fazer algo ruim com você, sabia?"

Sonne ergueu o olhar, um brilho travesso surgindo em seus olhos enquanto ela inclinava a cabeça de lado. "O quê? Beijar-me?", provocou, lançando-lhe um olhar malicioso.

Azrael ficou momentaneamente surpreso pela ousadia da resposta, sem saber se deveria sentir-se ofendido ou simplesmente aceitar a brincadeira. Optou por ignorar, balançando a cabeça com um sorriso contido.

"Notei algo diferente em você, mas o que é?", questionou ela de repente, examinando-o com curiosidade renovada.

"Deveria saber?", respondeu Azrael, tentando soar casual enquanto acariciava distraidamente os cabelos de Noir.

Noir, percebendo a direção da conversa, apontou para o rosto de Azrael com uma de suas pequenas mãos. Sonne observou atentamente, e uma expressão de confusão cruzou seu rosto antes de se transformar em compreensão.

"Oh? Está passando por uma fase rebelde? Pintar o cabelo e usar lentes de contato é comum na sua idade?", brincou ela, um sorriso divertido curvando seus lábios.

Azrael arqueou as sobrancelhas, surpreso por ela ter notado a mudança em sua aparência apenas naquele momento. "Idiota, em um mundo onde a magia é usada livremente, qual é o sentido de pintar o cabelo?", retrucou com um tom levemente exasperado.

Sonne soltou uma risadinha, fingindo inocência. "Eu já sabia..."

"Claro que sabia", respondeu Azrael, revirando os olhos discretamente.

Sonne inclinou a cabeça, ainda examinando-o com curiosidade. "Qual é o motivo para mudar sua aparência? Está tentando se esconder? Isso não faz sentido, você sempre está procurando encrenca... Ser rebelde só levará você a uma vida de crimes...", continuou ela, seu tom meio sério, meio brincalhão.

Azrael suspirou, percebendo que seria difícil desviar do interrogatório. "Mudei minha aparência para não interferir no selo que coloquei em Eriel", explicou com paciência.

Sonne pareceu ponderar sobre a explicação por um momento antes de responder, ainda um pouco confusa. "Claro, você selou Eriel...?"

"As memórias dela, idiota. Você estava lá, como é possível não lembrar?", retrucou Azrael, soltando uma risada suave ao ver a expressão perdida dela.

Sonne enrubesceu levemente, dando de ombros. "Às vezes são tantos eventos que fica difícil acompanhar...", justificou-se, desviando o olhar.

Decidindo não prolongar o assunto, Azrael voltou sua atenção para o horizonte, onde o sol começava a se pôr, tingindo o céu com tons de laranja e rosa. Após alguns instantes de silêncio confortável, ele declarou:

"De qualquer forma, vamos logo. Não quero estar aqui quando Eriel acordar."

Apesar da culpa que pesava em seu coração, Azrael sabia que precisava manter o foco em seu plano. Se Eriel não aprendesse a controlar sua habilidade latente, continuaria sendo uma presa fácil, e usar seu poder indiscriminadamente revelaria sua localização para aqueles que não deveriam encontrá-la.

Sentiu o olhar atento de Noir sobre si e notou um leve sorriso se formando nos lábios dela.

"Também quer me dar um sermão?", perguntou Azrael de maneira brincalhona, buscando aliviar a tensão que pairava no ar.

Noir balançou a cabeça de um lado para o outro, seus olhos violetas brilhando com compreensão. "Não, você já está se sentindo culpado, isso é suficiente", respondeu ela com uma voz suave.

Azrael sentiu uma onda de alívio percorrer seu corpo. Saber que Noir conseguia entender seus sentimentos apenas observando suas expressões era reconfortante. Ter alguém que o compreendia sem a necessidade de palavras era um consolo em meio ao caos que sua vida havia se tornado.

Com cuidado, Azrael se levantou da cadeira, cuidando para não perturbar Noir, que repousava em seu peito. Ela parecia estar exausta nos últimos dias, algo que ele compreendia perfeitamente. O peso das batalhas e responsabilidades, além do vínculo que os unia, começava a afetá-la também.

Enquanto Noir se aproximava de Sonne, a deusa do Sol imediatamente tentou envolvê-la em um abraço caloroso, mas, mais uma vez, Noir se esquivou com agilidade. Azrael observou a interação com um meio sorriso, ciente de que esse era um jogo familiar entre as duas.

Com um gesto suave, Azrael estendeu as mãos para as duas, e elas as seguraram sem hesitação. Sonne, percebendo a necessidade de seu mestre, começou a transferir uma parte de sua energia mágica para ele, uma corrente de poder quente e vibrante que percorreu o corpo de Azrael, restaurando parte de suas forças.

Fechando os olhos, Azrael se concentrou no destino que tinha em mente. O lugar era familiar, seguro, um refúgio necessário para o que estava por vir. Sua mente visualizou cada detalhe do local, e ele começou a liberar uma parte da energia mágica que havia recebido de Sonne, somada à sua própria reserva, agora revitalizada.

A energia começou a pulsar ao seu redor, e um círculo mágico se formou sob seus pés, brilhando intensamente com runas intricadas que flutuavam e giravam ao redor deles. O círculo era grande, suficiente para transportar até cinco pessoas, mas Azrael sabia que, dadas suas condições atuais, o processo demandaria uma quantidade significativa de energia.

Ele não podia se dar ao luxo de falhar.

Com um suspiro profundo, Azrael ativou o círculo de teletransporte. Quase instantaneamente, o ambiente ao redor começou a distorcer, e uma sensação de leveza os envolveu. O espaço ao redor parecia se dobrar e, em questão de segundos, eles desapareceram do lugar onde estavam, deixando para trás apenas o eco do círculo mágico que lentamente desaparecia.

Quando o mundo ao redor se estabilizou, Azrael, Sonne, e Noir se encontravam no local que ele havia cuidadosamente planejado. A paisagem era serena, mas ao mesmo tempo carregava a gravidade do momento. Ali, longe dos olhos curiosos e dos perigos iminentes, eles poderiam se preparar para o próximo desafio que aguardava no horizonte.

Azrael soltou as mãos das duas e observou o lugar com um olhar atento, satisfeito por ter chegado com segurança. Mas, no fundo de sua mente, ele sabia que isso era apenas o começo de algo muito maior.

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