A presença que emanava do dragão era avassaladora. Cada olhar que lançava em sua direção parecia penetrar até o âmago de sua alma, e Eriel sentia-se pequena diante da grandiosidade daquela criatura. Havia algo ancestral e divino em sua postura, um poder que fazia o ar ao redor vibrar com uma tensão quase tangível. A vastidão de seu corpo, antes imóvel como uma montanha, transmitia uma sensação de perigo iminente, como se ele estivesse prestes a se mover com uma força catastrófica.
Ainda assim, no meio da opressão, Eriel encontrava um ponto de calma. As palavras que o dragão havia dito anteriormente, prometendo cuidar dela, traziam uma estranha sensação de segurança. Embora a incerteza sobre suas intenções ainda pairasse no ar, ela sabia que precisava manter a compostura.
“Olá?”, tentou Eriel, com uma voz hesitante, mal audível diante da magnitude do ser à sua frente.
Para sua surpresa, o dragão, que parecia tão imponente, começou a sorrir. Era um sorriso enigmático, mas não ameaçador. Algo sobre ele a fez sentir que, apesar de tudo, não estava em perigo imediato.
"A nova pessoa, sempre com as mesmas dúvidas", disse o dragão, sua voz ecoando com um tom quase divertido, enquanto sua forma colossal começou a brilhar suavemente, envolta por círculos mágicos intricados que giravam ao seu redor.
Esses círculos de luz brilhavam como estrelas em uma noite sem nuvens, e à medida que aumentavam de intensidade, o dragão começou a mudar. Sua forma massiva e escamosa se dissolveu em feixes de luz, moldando-se em algo novo e inesperado. Diante dos olhos de Eriel, o dragão branco tornou-se uma figura humana. Quando a luz finalmente se dissipou, o que restava era uma mulher deslumbrante, de beleza sobrenatural.
Seus cabelos prateados caíam como um manto etéreo sobre os ombros, e seus olhos prateados, profundos como um céu estrelado, revelavam uma sabedoria que transcendia eras. Ela vestia um elegante vestido vermelho que ressaltava sua figura esguia e poderosa, adornado com detalhes que sugeriam uma origem divina. Havia uma dignidade em seus movimentos, uma graça que Eriel nunca havia visto antes.
Mas o que realmente chocou Eriel foi o rosto da mulher. Era o seu próprio rosto.
O espelho perfeito de sua própria aparência estava diante dela, mas com uma aura de divindade e majestade que ela nunca poderia ter imaginado. A figura à sua frente não era uma simples cópia; ela era algo além, uma versão de si mesma que parecia pertencer a um plano superior de existência.
"Você parece surpresa", a mulher disse, sua voz suave e melodiosa, como o som de uma brisa gentil ao passar pelas árvores.
"Como não ficaria?", respondeu Eriel, ainda tentando processar o que estava vendo.
A mulher riu levemente, um som que soava como sinos ao longe. "Entendo a confusão. Meu nome é Zoe. Eu sou você, ou melhor, fui você, em outra vida."
A revelação caiu sobre Eriel como um peso. Zoe, a primeira Eriel, uma versão anterior de si mesma, reencarnada como um dragão. Tudo começou a fazer sentido, embora a vastidão daquela ideia ainda fosse difícil de compreender.
"Eu sou a primeira encarnação de Eriel, um dos seis grandes dragões extintos na guerra contra os deuses. Meu espírito, e parte do meu poder, foi passado para você. E agora, estamos conectadas novamente."
Eriel olhou para Zoe, incrédula, enquanto tentava entender o que tudo aquilo significava. Ela era, de alguma forma, uma continuação daquele ser lendário? A ideia de carregar consigo o legado de uma entidade tão antiga e poderosa era avassaladora.
“Por favor, sente-se”, Zoe disse, enquanto, com um gesto delicado de sua mão, uma mesa de mana se materializava ao lado de uma majestosa árvore que se erguia ao céu.
Eriel seguiu o comando, ainda atordoada, e se acomodou na cadeira etérea. Ao seu redor, doces finos e xícaras de chá surgiam na mesa como se fossem feitos de pura magia. Zoe pegou uma xícara, e ao beber um gole, o ambiente pareceu se acalmar ainda mais.
"Eu sei que é muita informação", Zoe continuou, seus olhos prateados observando cada reação de Eriel. "Mas esse é o seu destino. Você herdou o poder do 'Dragão do Tempo'. Agora, você está aqui para entender seu verdadeiro potencial."
Eriel olhou para a xícara em suas mãos, tentando processar as palavras de Zoe. Dragão do Tempo. Aquelas palavras ecoavam com um peso ancestral, como se fossem a chave de algo muito maior do que ela poderia imaginar.
Zoe sorriu, percebendo o turbilhão de pensamentos na mente de Eriel. "Mas não se preocupe. Este é apenas o começo. Há muito o que aprender e muito o que dominar. O tempo, Eriel, é sua maior arma. E juntos, vamos explorar cada faceta desse poder."
Eriel sentiu uma onda de determinação crescer dentro de si. Se aquele era realmente seu destino, ela o abraçaria de corpo e alma. Estava pronta para descobrir o que o futuro – e o tempo – lhe reservavam. Mas, mesmo em meio àquele turbilhão de emoções, uma nova revelação a surpreenderia ainda mais.
"Sou Zoe", disse a mulher à sua frente com graça e serenidade. "A primeira 'versão' do ser conhecido como 'Eriel', ou seja, você."
As palavras de Zoe ecoaram na mente de Eriel como um trovão distante, desencadeando uma enxurrada de pensamentos e memórias desconexas. Era como se peças de um quebra-cabeça esquecido há muito tempo começassem a se encaixar. Cada conexão trazia à tona uma sensação de reconhecimento, de que aquela verdade estava sempre latente, escondida nas profundezas de seu ser.
"Eriel..." O nome escapou dos lábios de Eriel em um sussurro. Ela experimentou a palavra, sentindo-a vibrar em seu íntimo, como um chamado ancestral que finalmente fazia sentido. Havia uma profundidade naquele nome, uma identidade oculta que começava a emergir da névoa de seu esquecimento.
A revelação de Zoe pesou em sua mente, uma afirmação que carregava o fardo de um passado inimaginável: Eriel era a reencarnação de um dos seis grandes dragões extintos na guerra contra os deuses. Esse fato reverberava em sua consciência, misturando-se com as histórias fragmentadas que havia lido ao longo dos anos, sobre as grandes batalhas que abalaram o universo.
Enquanto Zoe bebericava calmamente seu chá, Eriel se lembrou dos livros que lia nas bibliotecas da mansão. Lembrou-se das crônicas sobre as duas guerras que mudaram o curso da criação, os conflitos entre deuses e dragões, o genocídio das criaturas míticas. E agora, diante de Zoe, aquela figura lendária que encarnava um poder antigo, todas aquelas lendas tomavam uma forma mais palpável e real.
"Então... Você é um dos seis dragões. E eu... Sua reencarnação?" Eriel pronunciou as palavras lentamente, tentando absorver o impacto daquela revelação.
Zoe sorriu com suavidade, percebendo o turbilhão de pensamentos na mente de Eriel. "Exatamente. Você está atualmente no 'Mundo Interno', um lugar reservado apenas aos dragões. É aqui que seu treinamento acontecerá."
A confusão ainda reinava nos pensamentos de Eriel, mas ela estava determinada a entender e absorver cada palavra, como se estivesse entrando em um épico de proporções mitológicas. "Tudo isso parece tão... surreal. Um dia atrás, eu estava preocupada com um relógio. Agora, estou aqui, diante de uma mulher que é, na verdade, um dragão... Como posso compreender tudo isso?"
Zoe percebeu o desconforto de Eriel e respondeu com paciência, guiando-a pelas camadas da verdade que começavam a se desvelar.
"Você, como minha reencarnação, carrega o mesmo poder que eu tinha em vida. O 'Tempo'. E este lugar será seu refúgio e campo de treinamento. O 'Mundo Interno' é um espaço onde nossa raça pode manipular o fluxo do tempo e moldar a realidade conforme nossa vontade."
As palavras de Zoe acenderam mais uma fagulha de memória em Eriel. "Então, o 'Tempo' era a sua habilidade?" ela perguntou, começando a juntar as peças daquele enigma ancestral.
Zoe assentiu, satisfeita com a compreensão que surgia aos poucos. "Sim, o 'Tempo' é nossa essência. E agora, como minha reencarnação, você também possui esse poder."
Enquanto Zoe falava, a árvore atrás dela começou a brilhar com uma luz dourada intensa. Círculos mágicos flutuavam ao redor do tronco, girando em sincronia como se fossem engrenagens de um mecanismo cósmico. O próprio ambiente parecia reagir àquelas palavras, dobrando-se à vontade do tempo e do espaço.
"O treinamento que você realizará aqui será crucial para dominar sua habilidade", continuou Zoe, seus gestos suaves acompanhando suas palavras com uma graça quase sobrenatural. "Aqui, você poderá explorar os limites do tempo, aprender a controlá-lo, compreender suas nuances e perigos. Como herdeira dos dragões, você é capaz de moldar o mundo de maneiras que os outros seres jamais poderiam imaginar."
Eriel observava Zoe com um misto de reverência e fascínio. A aura que emanava dela irradiava serenidade, como um farol de sabedoria que a guiaria em sua jornada. O chamado de Zoe era claro: abraçar sua herança, mergulhar nas profundezas do poder que lhe fora concedido, e emergir como a guardiã do tempo.
Ao redor delas, o 'Mundo Interno' parecia pulsar com uma energia viva, respondendo à conexão entre Eriel e Zoe. Cada detalhe daquele espaço etéreo trazia uma nova camada de mistério e revelação. A árvore brilhante, os círculos de luz, o campo vasto e silencioso, tudo parecia existir em perfeita harmonia com a ideia de eternidade e controle do tempo.
Zoe olhou para Eriel com um sorriso encorajador, reafirmando seu papel como guia naquela jornada. "O caminho à sua frente é longo, mas eu estarei ao seu lado. Seu poder sobre o tempo é vasto, e juntos exploraremos todas as suas facetas. Este é apenas o começo da sua jornada."
Eriel respirou fundo, seus olhos brilhando com renovada determinação. Se aquele era realmente seu destino, ela o abraçaria de coração aberto. Estava pronta para dominar o tempo e descobrir o verdadeiro potencial que habitava dentro de si.
Enquanto as palavras de Eriel ecoavam pelo ambiente, Zoe a observava com um sorriso gentil, acompanhando cada uma das suas expressões enquanto Eriel tentava processar a enxurrada de informações e emoções que a envolviam. A presença de Zoe, tranquila e segura, era uma âncora em meio à tempestade de descobertas que Eriel estava vivenciando.
"Sim, depois da guerra celestial, o anjo que possuía esse poder foi morto... e com isso, o 'Tempo' escolheu um novo usuário," Zoe explicou calmamente, seus olhos revelando uma profundidade antiga enquanto relembrava o passado. "Eu fui escolhida por esse poder, e treinei durante anos para aperfeiçoá-lo. Agora, como minha reencarnação, esse poder continua com você."
As palavras de Zoe ressoavam dentro de Eriel, enquanto suas próprias memórias e as revelações se entrelaçavam, compondo um quadro mais claro da história ancestral que a envolvia. Ser a reencarnação de um dos seis grandes dragões e herdeira de uma habilidade tão poderosa quanto o 'Tempo' era algo que desafiava a lógica, mas, ao mesmo tempo, conferia um senso de propósito grandioso.
Zoe mencionou a limitação do mundo exterior devido ao consumo de mana, e Eriel percebeu que sua permanência no Mundo Interno era uma oportunidade única e valiosa para dominar sua habilidade. Ela sentia que estava sendo guiada por forças maiores, como se seu destino já tivesse sido traçado pelas estrelas.
Quando Eriel mencionou o nome de Azrael, a reação de Zoe foi imediata. Surpresa, ela fixou o olhar em Eriel por um breve momento, antes de sua expressão se suavizar e se tornar distante, como se estivesse buscando memórias há muito enterradas. "O desejo de chamá-lo de 'Az' pode ser reflexo dos seus próprios sentimentos," Zoe disse, com um sorriso de quem sabia mais do que deixava transparecer. O rubor nas bochechas de Eriel denunciou sua confusão, mas Zoe apenas sorriu, com um tom brincalhão.
Mesmo enquanto Eriel tentava negar rapidamente, Zoe continuou com sua provocação suave, fazendo-a se sentir ainda mais embaraçada. Porém, logo o assunto mudou, quando Zoe perguntou se Eriel gostaria de ter Azrael ali para auxiliá-la em seu treinamento. Embora confusa com sua relação com Azrael, Eriel sabia que sua ajuda seria inestimável, especialmente naquele ambiente onde o controle sobre o tempo era tão vital.
Quando Eriel confirmou sua escolha, Zoe estalou os dedos e, de repente, uma porta branca surgiu atrás dela, cercada por runas vermelhas que brilhavam com uma intensa quantidade de mana. A própria presença da porta parecia emanar um poder arcano e misterioso. A expectativa de ver Azrael do outro lado crescia, mas, para sua surpresa, ele não apareceu imediatamente através da porta. Em vez disso, Azrael surgiu a uma certa distância, como se tivesse sido transportado diretamente para aquela realidade, mantendo-se em uma postura imponente.
No entanto, algo incomodava Eriel enquanto observava a cena. Zoe e Azrael estavam próximos, como se tivessem acabado de compartilhar uma conversa íntima, o que levantou novas questões sobre a verdadeira natureza da relação entre eles. Aquele momento trouxe à tona sentimentos que Eriel ainda não sabia como decifrar, mas, ao mesmo tempo, ela não podia negar a emoção crescente de ter Azrael ao seu lado naquele treinamento.
Conforme a dinâmica entre Zoe, Azrael e Noir se desenrolava diante de seus olhos, as dúvidas e curiosidades de Eriel começavam a se acumular. Eriel não resistiu e deixou sua frustração escapar. A surpresa foi ainda maior quando Zoe revelou que conseguia ler seus pensamentos com facilidade. Isso a deixou envergonhada, sabendo que seus pensamentos mais íntimos estavam completamente expostos para Zoe, o que aumentava o rubor em seu rosto.
O diálogo entre Zoe e Azrael continuava, revelando como ele conhecia o Mundo Interno e a natureza da habilidade de Eriel. Azrael explicou que havia identificado o poder do 'Tempo' em Eriel usando sua própria mana para ativar o relógio que ela havia encontrado, o qual absorveu sua mana e confirmou a existência da habilidade. A explicação era ao mesmo tempo, intrigante e um tanto assustadora, mostrando como as interações entre mana e objetos mágicos podiam desvendar segredos tão profundos.
Zoe respirou fundo antes de continuar, cada palavra sendo cuidadosamente escolhida para revelar verdades ocultas. "Antes de avançarmos, é importante que você saiba a verdade completa", disse ela, sua expressão carregada de seriedade e compreensão. "O usuário anterior do Mundo Interno, que eu conheci, também era um dos seis grandes dragões que lutaram na guerra dos deuses. Ele escolheu viver isolado no mundo interno como forma de redenção pelos eventos da guerra."
A revelação caiu sobre mim como um peso enorme, cada palavra reverberando com uma profundidade emocional que me fazia perceber a grandiosidade da situação. Eu sabia que o poder que havia herdado era único, mas não compreendia até aquele momento o quão entrelaçado ele estava com o destino de outros seres poderosos.
"Seu nome era Drakon", continuou Zoe, seus olhos fixos nos meus, como se compartilhasse um segredo antigo e valioso. "Ele se tornou o guardião do Mundo Interno e das habilidades primordiais. Após a guerra, ele decidiu se esconder e proteger o equilíbrio dessas habilidades, assegurando que não caíssem em mãos erradas. Sua reclusão foi uma escolha dolorosa, mas necessária."
As palavras de Zoe tocavam em algo profundo, como se a própria história de Drakon estivesse conectada de maneira íntima com minha jornada. O papel de guardião que ele havia assumido era vital para a preservação do equilíbrio entre os dragões e os deuses, um equilíbrio que agora parecia estar ligado ao que eu deveria fazer.
Zoe prosseguiu: "Ele viveu no mundo interno, longe dos olhos da maioria, e seu nome é quase desconhecido hoje. Por isso, a interação com ele não seria apropriada para o seu treinamento. Sua presença no mundo interno ainda é uma constante, mas ele escolheu permanecer oculto, apenas observando."
Minha mente estava a mil. O guardião do mundo interno, o peso da redenção e do equilíbrio—todas essas peças começavam a se encaixar lentamente, mas ainda deixavam muitas perguntas no ar. Eu virei-me para Azrael, em busca de mais respostas ou pelo menos uma confirmação.
Azrael suspirou profundamente antes de falar. "Eu sabia da conexão, Eriel. Não era meu desejo esconder isso de você, mas achei que não estava pronta para saber sobre Drakon e seu papel. Ele foi meu aliado por um tempo, e sua história é cheia de nuances que só são compreendidas com o tempo. O caminho que ele escolheu, de redenção e proteção, moldou o mundo interno como o conhecemos hoje."
As palavras de Azrael trouxeram clareza e, ao mesmo tempo, mais complexidade à situação. Drakon não era apenas uma figura distante do passado; ele era parte ativa da preservação do equilíbrio de poderes, e agora eu, como sua herdeira, estava envolvida nisso.
Zoe olhou para mim com um olhar gentil, mas firme. "O mundo interno é apenas o começo, Eriel. É onde você vai treinar, aprender e crescer. Com Azrael ao seu lado, você desvendará os segredos do 'Tempo' e entenderá a verdadeira natureza do poder que você herdou como uma descendente dos dragões."
A intensidade das palavras de Zoe despertou um novo sentimento dentro de mim — determinação. Eu olhava para ela, Azrael, e Noir, sentindo que aquele era o momento de iniciar uma nova fase na minha jornada. Eu sabia que desvendar o 'Tempo' era mais do que apenas uma habilidade; era sobre compreender meu papel no vasto tecido que conectava todos esses seres e histórias.
De repente, o cenário ao nosso redor começou a se transformar. O campo ao nosso redor se remodelava para um espaço de treinamento, com bonecos de treino posicionados estrategicamente à distância. Zoe havia dito que o próximo passo seria intensivo, e estava claro que o treinamento estava prestes a começar.
"Observe Azrael," Zoe instruiu, com um leve sorriso no rosto. "Ele vai mostrar como funciona."
Azrael, sem hesitar, convocou sua espada negra, que brilhou com uma energia sombria e densa. Ele estava cercado por uma aura poderosa de mana, e com um simples movimento de sua mão, uma fenda dimensional se abriu, de onde ele retirou a arma. Em um instante, seu corpo desapareceu da minha vista, movendo-se com uma velocidade tão extrema que mal pude acompanhar.
Quando o vi novamente, os bonecos de treino já estavam destruídos, cortados ao meio com uma precisão absurda. As marcas dos cortes emitiam um leve brilho residual de mana, como se a própria lâmina tivesse moldado a energia ao seu redor.
A exibição de Azrael ainda pulsava na minha mente como um eco persistente. O poder avassalador que ele havia demonstrado usando o Lorde do Tempo parecia inalcançável naquele momento, mas, ao mesmo tempo, despertava uma determinação dentro de mim que não poderia ignorar. Zoe, com sua postura sempre firme e maternal, acompanhava cada uma de minhas reações, pronta para me guiar.
"Agora é a sua vez, Eriel," ela repetiu, com uma calma que contrastava com a tempestade de emoções que eu sentia por dentro.
O ambiente ao meu redor parecia mais vivo. O campo de treinamento, antes tão vasto e silencioso, agora parecia me observar, aguardando minha ação. Eu respirei fundo, tentando encontrar algum foco. As palavras de Zoe soavam novamente em minha cabeça: "Você já possui a base necessária. Agora, é uma questão de aprimorá-la..."
Azrael deu um passo à frente, seus olhos tranquilos, mas intensos, me oferecendo apoio silencioso. "O truque não está na força ou na velocidade em si", ele disse, sua voz baixa, mas carregada de conhecimento. "É sobre como você sente o tempo e como você o molda ao seu redor. O controle do Lorde do Tempo não é algo que se impõe, mas algo que se harmoniza com sua própria existência."
Essas palavras, mesmo carregadas de uma simplicidade enganadora, tinham um significado profundo. Ele estava me dizendo para não lutar contra o fluxo do tempo, mas para permitir que ele fluísse através de mim, como se fosse uma extensão da minha própria vontade. Eu ainda não entendia totalmente o conceito, mas sabia que a resposta estava lá, esperando para ser descoberta.
"Comece devagar," Zoe aconselhou, sua voz um ponto de ancoragem para minha mente em turbilhão. "Sinta o tempo ao seu redor. Não tente replicar o que Azrael fez. Você tem seu próprio ritmo, sua própria relação com o tempo. Sinta-o, e depois, comece a movê-lo."
Eu fechei os olhos e deixei que tudo ao meu redor se apagasse. Respirei profundamente, tentando sincronizar minha mente e corpo. Senti o mana dentro de mim fluir lentamente, a princípio hesitante, mas gradualmente se tornando mais consistente. Era como se eu estivesse tocando um campo invisível que pulsava ao meu redor.
O tempo. Sempre esteve lá, sempre fluindo, mas agora, pela primeira vez, eu começava a senti-lo de uma forma que nunca havia experimentado antes. Ele não era apenas uma linha contínua; ele tinha curvas, dobras, e eu podia, de alguma maneira, interagir com elas.
"Boa," ouvi a voz suave de Zoe, mesmo sem abrir os olhos. "Continue assim, apenas sinta. Agora, tente focar esse fluxo em um único ponto. Algo que você pode controlar."
Eu abri os olhos lentamente, focando em um dos bonecos de treino à minha frente. O mundo parecia diferente, quase como se cada movimento ao meu redor estivesse desacelerado, como se eu estivesse no centro de um vórtice de tempo. Eu estendi a mão e, com um único pensamento, concentrei o mana ao meu redor.
Um passo. Um movimento rápido. O boneco à minha frente estava partido ao meio antes que eu percebesse o que havia feito. Minha respiração se acelerou, e meu coração batia forte. Eu não havia controlado o Lorde do Tempo com a mesma maestria que Azrael, mas havia feito algo — um primeiro passo. A sensação de controlar o fluxo ao meu redor, mesmo que por um momento, era indescritível.
"Você conseguiu," Zoe sorriu, com orgulho visível em seus olhos. "Esse é apenas o começo, mas foi um grande primeiro passo. Sinta-se orgulhosa."
Azrael se aproximou, colocando uma mão gentil em meu ombro. "Agora que você tocou o poder, tudo se tornará mais claro. Leva tempo para dominar completamente, mas você está no caminho certo."
Minha mente ainda girava, mas agora era diferente. Não era mais sobre dúvidas ou medos, mas sobre possibilidades. Eu olhei para Zoe, Azrael e Noir, e pela primeira vez, uma nova sensação emergia dentro de mim: esperança. Eu poderia fazer isso.
O treinamento havia começado, e o caminho à frente era longo, mas eu sabia que, com o tempo, eu me tornaria mais forte do que jamais imaginei.
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Atualizado até capítulo 30
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