Capítulo 11 — Masmorra

Eriel

Logo após o dia de descanso, Eriel encontrou-se com Azrael, cuja expressão misteriosa indicava que algo importante estava por vir. Ele mencionou a ideia de um treinamento em grupo, algo que parecia promissor. A proposta era para um treinamento em uma masmorra antiga localizada fora do planeta, além dos limites do sistema solar. A ideia de ganhar experiência e se divertir ao mesmo tempo, a motivou a se preparar com afinco.

Quando seus companheiros de equipe chegaram, a noção de diversão prometida por Azrael começou a desvanecer. O grupo não parecia ser fácil de se adaptar. Um círculo mágico se formou no centro da sala, e dele surgiram três figuras imponentes.

A primeira era Zenith, uma presença familiar para Eriel, mas que estava ausente da mansão por um longo tempo. Alice havia mencionado que ela estava em uma missão especial. Sua presença, embora inesperada, era reconfortante em comparação com a segunda pessoa que surgiu.

Naara apareceu com um olhar sombrio, diferente da Naara que Eriel conhecia antes. Seus olhos estavam carregados de uma ameaça palpável, e sua aura parecia ter mudado completamente.

A terceira pessoa a emergir do círculo mágico era um homem imponente, com pouco mais de dois metros de altura e um físico robusto que fazia suas roupas parecerem apertadas. Seu sobretudo vermelho ostentava o símbolo de uma espada nas costas, e uma cicatriz pequena perto do olho direito completava seu visual. Seus olhos amarelos percorreram rapidamente a sala, pousando em Eriel com um sorriso amigável.

“Oh? A princesa vai participar?” Sua voz, apesar de imponente, soava sarcástica, mas Eriel percebeu que era apenas seu jeito usual de falar.

“Nain, mandei um resumo do treinamento… você não leu?”, questionou Azrael.

O homem chamado Nain sorriu sem jeito, o que provocou um pequeno suspiro de Azrael.

“Não leu... Zenith, ainda temos alguns minutos, então passe os detalhes para o Nain.”

“Entendido!”, respondeu Zenith, enquanto Nain envolvia o braço direito ao redor do pescoço de Azrael.

“Vamos, chefe. Estamos os quatro reunidos apenas para um treinamento? Isso é difícil de acreditar. Não é sempre que podemos atuar juntos. Que merda está para acontecer?”, disse Nain.

Eriel percebeu que não apenas Azrael, mas os três novos integrantes tinham uma aura similar ou superior à do líder da facção humana. Estavam todos no mesmo nível de poder, o que indicava que o treinamento — se realmente fosse apenas isso — não seria fácil.

“Apenas um treinamento, ou passeio, se preferir.”

“Eh! Sério? Nem um monstro mitológico, deus ou indivíduos com poder divino? Vamos apenas treinar?”, Nain parecia desapontado.

Azrael suspirou ao ver a expressão triste de Nain. Se o desejo de Nain era enfrentar adversários poderosos, o treinamento de Eriel estava se tornando ainda mais desafiador.

“Sim, apenas treinamento... Os detalhes estão com Zenith.”

Azrael reiterou para que Nain buscasse os detalhes do treinamento com Zenith, mas Eriel também não recebeu essas informações.

“Tudo bem, tudo bem. Vou deixar você em paz, chefe.” Nain dirigiu-se para Zenith, e os dois começaram a conversar. Naara se aproximou de Azrael para obter mais informações sobre a masmorra antiga.

Enquanto todos se preparavam à sua maneira, Eriel decidiu seguir o exemplo. O tempo passou até o café da manhã, e, após a refeição, todos os participantes do treinamento se dirigiram ao telhado da mansão.

Os participantes eram Azrael, Naara, Noir, Zenith, Sonne e Nain. Eriel notou que, juntos, eles superavam até mesmo os mais fortes da facção humana. Um treinamento com indivíduos tão poderosos parecia ameaçador. Não conseguia imaginar um desafio digno para alguém com esse nível de poder.

“Estão todos prontos?” A voz de Azrael ecoou no telhado, marcando o início do que prometia ser um desafio significativo.

Com a confirmação de todos, Azrael começou a canalizar sua mana em um ponto específico, criando um círculo mágico de teleporte. Ele explicou que essa era a maneira mais eficiente de teleportar todos com o mínimo de gasto de mana. Para garantir o sucesso da magia, todos deveriam dar as mãos, unindo suas energias.

Eriel observava com curiosidade. O teleporte era uma experiência que ainda não havia vivenciado, e a possibilidade de testemunhar uma magia tão avançada despertava sua expectativa. Azrael detalhou que um teleporte requer uma quantidade significativa de mana e habilidade, algo acessível apenas a usuários muito experientes.

Enquanto Eriel sentia a mana de Azrael fluindo por seu corpo, a realidade ao seu redor começou a distorcer. Seu campo de visão se transformou em um borrão de cores e formas que se entrelaçavam em um espetáculo indescritível. A sensação de transição era similar àquela que sentira ao adentrar no mundo interno pela primeira vez, uma mistura de excitação e desorientação.

Finalmente, o teleporte terminou, e Eriel encontrou-se em um ambiente completamente diferente. À sua frente, se estendia um planeta desconhecido, com uma atmosfera que parecia mais leve. O céu estava coberto por nuvens densas e cinzentas, e a temperatura era, em torno dos 27 °C. Apesar da aparência ameaçadora do céu, o ambiente não parecia hostil.

Nain quebrou o silêncio com um comentário. “Esse local parece sombrio…” Sua voz soava de maneira natural, mas Eriel percebeu um tom de desdém na forma como observava o novo cenário. Todos estavam se dirigindo para uma caverna próxima, que se destacava como um enorme buraco na paisagem.

Eles desceram pelas escadas que levavam ao interior da caverna, uma jornada que pareceu durar mais de trinta minutos para Eriel. O ambiente escuro era iluminado apenas por tochas imbuídas de magia, que permaneciam acesas sem se apagar. Embora a luz fosse suficiente para guiá-los, muitas áreas permaneciam envoltas em sombras profundas, aumentando a sensação de mistério.

“Chegamos,” anunciou Azrael, a voz ecoando nas paredes da caverna.

“Finalmente!” Nain exclamou, claramente aliviado e animado com a conclusão da longa caminhada.

Noir, que parecia ter sofrido um ligeiro cansaço durante a jornada, agora se mostrava mais animada. “Az, quanto tempo vai durar o… treinamento?” O tom de Noir indicava uma mistura de cansaço e expectativa.

Azrael hesitou, como se ponderasse sobre a melhor resposta. “Isso depende,” ele finalmente respondeu, “mas, de qualquer forma, você se divertirá.”

Zenith, que estava mantendo uma expressão inexpressiva, deixou transparecer um brilho de animação em seus olhos. “Azrael, você poderia abrir a porta?”

Zenith se aproximou de uma grande porta de pedra, que parecia estar imersa em magia antiga. Seu gesto revelava uma confiança tranquila, e o clima de antecipação aumentava à medida que todos se preparavam para o que estava por vir.

Azrael estendeu a mão em direção à porta, e um brilho mágico começou a se formar ao redor dela. Eriel sentiu um misto de nervosismo e empolgação. A expectativa do que estava por vir a enchia de energia, e ela se perguntou que desafios aguardavam dentro da caverna.

Com um som retumbante, a porta lentamente começou a se abrir, revelando o que estava oculto por trás dela. O grupo estava prestes a enfrentar um novo capítulo em sua jornada, e Eriel estava ansiosa para descobrir o que o treinamento na masmorra antiga reservava para eles.

Azrael avançou em direção à grande porta, que se erguia imponente com pouco mais de três metros de altura. Coberta com várias runas antigas e intrigantes, a porta parecia pulsar com uma energia misteriosa. Ao abri-la, um vento gélido envolveu Eriel, fazendo a temperatura cair bruscamente para 19°C. A sensação de frio era quase palpável, contrastando fortemente com o calor do ambiente exterior.

“A partir deste ponto, vocês devem se preparar,” instruiu Azrael, sua voz firme e autoritária. O grupo começou imediatamente a se preparar conforme as instruções. Azrael, com uma precisão meticulosa, retirou três armas de seu espaço dimensional.

A primeira arma foi destinada a Naara. Era uma Foice negra, adornada com runas douradas que brilhavam com uma aura poderosa. A ponta do cabo exibia uma caveira com olhos de diamantes, e a lâmina estava gravada com uma runa de poder. Essa runa, quando ativada pela mana do usuário, aumentava o poder de corte e a durabilidade da arma, permitindo uma conexão mais profunda e uma maestria aprimorada.

Para Zenith, Azrael retirou um arco recurvo de madeira antiga, pintado de branco. A mesma runa de poder encontrada na gadanha de Naara estava presente neste arco também. A madeira parecia moldada perfeitamente para a mão de Zenith, como se fosse uma extensão natural de seu próprio ser.

Nain recebeu, por último, uma imponente espada longa, com um tom vermelho profundo que sugeria um peso significativo. Apesar de seu físico robusto, ele lutou para segurar a espada com uma mão, optando por apoiá-la em seu ombro para facilitar o transporte.

“Muito bem! Agora… Eriel,” Azrael chamou. Ele retirou duas espadas de seu espaço dimensional, uma dourada e uma negra. Entregou a espada dourada a Eriel e colocou a espada negra em sua própria cintura.

“Você pode usar Amaterasu, mas só ativará seu poder se for absolutamente necessário. Diferente do mundo interno, este local não repõe a mana que você perder ao usar a espada,” explicou Azrael. Eriel notou o olhar curioso de Naara ao mencionar o mundo interno, mas decidiu não se deixar distrair.

“Às duas vão continuar em suas formas normais. Vocês apenas assistirão, sem interferir,” ordenou Azrael.

“Entendido!” responderam Noir e Sonne em uníssono, aceitando os termos sem hesitação.

Com todos prontos, o treinamento estava prestes a começar. Eriel sentia uma mistura de emoção e nervosismo. A exploração da masmorra era uma experiência que ela não imaginava viver tão cedo. Esperava que a experiência aprimorasse suas habilidades e proporcionasse um aprendizado valioso.

“Estejam preparados,” alertou Azrael. O grupo avançou além da grande porta, adentrando mais profundamente na masmorra. À medida que progrediam, Eriel notou que o ambiente mudava constantemente. A temperatura variava drasticamente, alternando entre calor e frio, enquanto o ar parecia ficar cada vez mais pesado.

Com a ajuda de Sonne, Eriel sentiu que o frio não afetava sua resistência. Naara usou suas habilidades para ajustar o calor ao ambiente, tornando-o um pouco mais confortável, conforme as instruções de Azrael.

A caminhada continuou, e o ambiente se transformava em um labirinto interminável, suas paredes parecendo mudar de forma conforme avançavam. Eriel notou que alguns locais pareciam familiares, como se já tivessem passado por ali antes. A sensação era desconcertante, mas também intrigante.

A formação do grupo era clara: Azrael, Noir e Naara na linha de frente; Zenith e Sonne no meio; e Eriel e Nain na retaguarda. Azrael liderava o grupo com confiança, enquanto Eriel e Nain eram responsáveis por proteger a retaguarda, garantindo a segurança do grupo.

Nain, visivelmente entediado com a caminhada, decidiu iniciar uma conversa. “Sabe, princesinha? Observar o chefe é interessante…”

“Sério?” Eriel perguntou, curiosa.

“Sim. Veja, Naara está lá na frente com o chefe. Você sabe por que nossa formação é assim?” Nain parecia genuinamente interessado em explicar.

Eriel refletiu sobre a pergunta. Pensara que Azrael simplesmente estava dividindo o grupo para garantir a segurança de todos, sem sobrecarregar ninguém.

“Naara está com o chefe porque ele confia nela mais do que em qualquer outra pessoa. Estar ao seu lado é a maior prova de confiança,” explicou Nain.

Eriel ponderou sobre o significado disso. “Isso significa que ele não confia em quem está atrás?”

“Não é bem assim. Naara é leal e extremamente capaz, mas a retaguarda tem um papel crucial. Se sofrermos uma emboscada, a retaguarda deve ser protegida a todo custo. Azrael deixou essa tarefa para os mais aptos,” Nain continuou, seu tom de voz informativo e despretensioso.

O reconhecimento de sua importância era confortante para Eriel. Trabalhar ao lado de Nain, alguém com vasta experiência, era uma oportunidade valiosa para aprender e crescer.

Naim sorriu ligeiramente. “Ele confia em você, princesinha, por isso está ao meu lado. É interessante ver o chefe confiando em alguém, já que ele é bastante reservado.”

A afirmação de Nain trouxe um sentimento de realização para Eriel. Saber que Azrael confiava em suas habilidades era um alívio e uma motivação adicional.

“Prepare-se, princesinha. Temos um visitante inesperado,” Naim avisou, olhando em uma direção específica.

Eriel seguiu o olhar de Nain e viu que Azrael havia notado algo na escuridão da caverna. Algo que se escondia nas sombras, longe da luz das tochas. A presença oculta, com olhos vermelhos e uma aura ameaçadora, era inconfundível.

“Preparem-se!” Azrael gritou.

O primeiro combate real de Eriel estava prestes a começar, e sua excitação não diminuía. Mas, de repente, a presença que haviam detectado desapareceu, dando lugar a várias outras presenças, como se um grupo inteiro tivesse se materializado na escuridão.

“Isso é…” Eriel começou, tentando compreender a situação à medida que a tensão crescia.

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