No mesmo dia que Min me disse aquilo eu fui a casa de Hannah e terminei o "namoro" com ela. Ela foi muito compreensiva, apenas me aconselhou a falar com o Dei o mais rápido possível. Até podia ser um amor unilateral, mas se eu tirasse de mim esse peso todo eu ia ficar em paz comigo mesmo e Dei nunca iria contar a ninguém o que eu lhe dissesse, pois para ele seria uma vergomha enorme ter alguém como eu a ter sentimentos por ele.
Nos dias seguintes preparei-me psicologicamente para a conversa que eu ia ter com ele, eu não queria estar a esconder dele o que eu sentia, mas no dia em que eu tinha decidido ser o dia certo para o fazer, o meu pai largou a "bomba": como nos dávamos mal, a partir do dia seguinte o Dei ia-se mudar para o meu quarto. Tinha sido uma decisão tomada pelos meus pais, mas até hoje desconfio que Min teve uma certa influência nessa parte.
Lembro-me como se fosse hoje, que o Dei regiu muito mal á notícia. Ele chorou, atirou com o capacete da mota dele pela janela do quarto dele, rasgou quase as minhas roupas todas para provar que estarmos no mesmo quarto era impossível e eu percebi que não valia a pena sequer mostrar-lhe o quanto eu estava disposto a sacrificar-me por ele, pelo nosso amor.
No dia em que ele mudou para o meu quarto eu decidi que ia ficar calado, não ia falar nada com ele sobre o que eu sentia e que eu ia continuar a ser o irmão que ele tanto odiava, mas isso não queria dizer que eu não o pudesse proteger sem ele saber.
Os negócios do meu pai estavam cada vez a crescer mais e nem Lei dava conta do recado. Havia sempre algum membro do gangue que decidia atraiçoar-nos, alguma mercadoria que não era entregue a tempo, alguma reunião onde ele não poderia estar por estar noutro lado. Por isso, um dia quando ele puxou o assunto de querer que Dei o começasse a acompanhar para ver como eram conduzidos os negócios eu fiquei em pânico: vezes sem conta em pequeno eu via o meu pai chegar ferido a casa, ou ficar mesmo em alguma clinica privada por ter sido atacado por algum faquista (membros do gangue especializados em luta com facas), ou até mesmo sofrer atentados por quererem enfraquecer o gangue.
- Não, deixa, eu vou. - eu disse-lhe enchendo o meu pai de orgulho.
- Mas o Dei tem de começar a aprender a gerir alguma parte do negócio. - disse Hao pensativo enquanto se servia de whisky.
- Ele ainda nem terminou o ensino fundamental. Deixa ele primeiro fazer isso. - pedi-lhe.
Eu conhecia o Dei bem demais ao ponto de saber que na opinião dele a escola não lhe fazia falta, pois dado o ramo de negócio da família ele não ia propriamente ensinar nada do que estava a aprender na escola aos membros do gangue. Por isso, ele estava sempre a faltar á escola, e chumbava frequentemente. Ainda ia demorar alguns anos até ele se juntar a nós. Eu consegui entrar na universidade e ele ainda estava a terminar o ensino fundamental muito a custo.
Passei assim a ser um dos homens de confiança do meu pai. Passei a ter de me dividir entre a universidade e as reuniões de negócios do meu pai. Eu já mal parava em casa e quando chegava á noite a maior parte das vezes Dei já estava a durmir ou estava agarrado á consola. Era melhor assim. Eu podia continuar a ser o irmão mau para ele.
Os meses foram passando e veio o jantar com o pai de Hannah.Nesse dia tive várias surpresas: a primeira foi ver as roupas que Dei me tinha comprado, ele sabia exatamente os meus gostos e embora ele dissesse que apenas tinha comprado as roupas a mando de Min eu gostava de me iludir e pensar que era um gesto de carinho que ele tinha por mim. Eu sei, eu sempre sonhei alto, mas agora que sei o que se passava na cabeça dele começo a ver que isso poderia até ser real.A segunda surpresa foi saber que Hannah afinal ia ao jantar com o pai dela: eu não a tinha visto mais desde que tínhamos terminado embora falássemos por mensagem sempre que podíamos para saber como o casal maravilha estava, mas naquele dia com a presença dela no jantar eu sabia que o assunto do término do namoro ia ser puxado para a mesa de jantar.
Devo falar do olhar que Dei fez mal a viu chegar? Parecia que ele a queria comer viva ou mastigá-la e dar ela de comer aos cães. Juro que o olhar dele meteu-me medo naquele momento.
Todo o jantar foi uma sessão de tortura para mim e para Hannah: o meu pai estava já a ficar cansado que o pai dela estivesse sempre a tocar no mesmo assunto e quando Lei lhe disse que ele tinha de ir a uma reunião com o novo líder com quem andávamos a tentar negociar território eu voluntariei-me para ir. Eu tinha de sair dali o mais rápido possível.
Já no local, a negociação com Han não correu como eu esperava e acabei por me envolver numa luta corpo a corpo com ele ficando ferido: ele era mais velho que eu alguns anos, mas quem olhasse para nós ia pensar que tinhamos a mesma idade. Era arrogante e pensava que bastava estalar os dedos que teria tudo a seus pés. Por isso quando ele avançou sobre mim com a ideia que eu tinha sido enviado pelo meu pai como um "presente" para ele eu perdi a restante paciência que eu tinha reservada para lidar com Dei. Ao ver que eu não estava nada receptivo aos avanços dele, Han acabou por se desculpar comigo, mas o seu guarda costas não teve a mesma reação golpeando-me no meu antebraço. O golpe era profundo. Quando saí da reunião mal conseguia ver por onde ia quanto mais conseguir conduzir a minha mota que exigia alguma força, pois como era uma mota de corrida tinha uma alta cilindrada e eu sabia que ia ter sérias dificuldades para chegar a casa.
Foi quando mandei mensagem ao Dei: eu sabia que ele a bem ou a mal ia conseguir arranjar maneira de me ajudar, porque se Lei viesse a saber o meu pai também ia saber e ia rebentar uma guerra.
Era justo pedir ajuda ao Dei? Não, nem por isso. Eu tinha assumido os riscos todos por minha conta e não tinha nada que o meter nos meus assuntos, mas naquele momento, nem que fosse por um minuto eu queria ele perto de mim nem que fosse para ralhar comigo.
Cheguei a minha casa nem sei como, juro que cheguei a pensar que devia ter um anjo da guarda de um tamanho gigantesco. Caí da mota mal a estacionei a agarrado ao braço que sangrava cada vez mais subi até ao meu quarto onde me atirei para a cama de Dei e lá fiquei á espera que ele viesse.
Ele cuidou de mim, esteve lá quando eu precisei, mas também foi esse o dia em que mais chorei por ele. No momento em que ele me beijou.
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Atualizado até capítulo 60
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