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Alguém tinha de me explicar o que se estava a passar,porque eu até podia ter uma memória de peixe, mas se tivesse beijado mesmo Xiang eu tinha-me lembrado.

- Nunca te beijei.- disse dando mais uma garfada no bolo, mas Xiang agarrou na minha mão antes que eu levasse o bolo à boca.

- Não te lembras?- ele perguntou olhando para mim à espera de uma resposta.

-Juro que nunca o fiz!- voltei a dizer tentando que ele me soltasse. Aquela conversa estava a seguir um rumo que eu não estava a gostar. - Achas que te ia beijar alguma vez? Só de pensar nisso perco o apetite...

-No dia em que eu fui ferido. No jardim à noite...- ele disse.

Larguei o garfo no prato e tapei a boca com a minha mão do choque.

-Não pode!- exclamei em negação. Ele riu.

- Pode.Naquela noite fiquei com a impressão que estavas a sonhar com alguém, por isso não toquei no assunto. Estavas a sonhar com quem?

Eu deveria dizer que era com ele? Fugir dali seria a decisão certa a tomar?

- Era contigo.- saiu-me de repente e muito sinceramente nesse momento deixei de me importar com isso. - Satisfeito com a resposta?- peguei no prato do bolo e meti no meu colo deixando em cima da cama o garfo dele. - É preciso falar da quantidade de vezes que te minto quando digo que te odeio ou que cada vez que vou com a mãe às compras a minha prioridade és sempre tu? Penso que não. - falei já com a boca cheia de bolo sem olhar para ele. Parecia que uma força qualquer tinha-me dado coragem para falar tudo aquilo. Até podia ser que dali a algumas horas eu não me lembrasse de nada, mas pelo menos naquele momento eu tinha liberdade para falar. Voltei a beber champanhe, mas reparei que ele ainda nem tinha tocado no copo dele.

- Não bebes?

- Não me apetece. Vou acabar por vomitar depois de ter bebido tanto sumo de laranja...

- Vamos brindar!-eu disse entusiasmado.- A minha vida até pode ir pelo cano hoje, mas quero celebrar o facto de não ter de te esconder mais o que sinto! Amo-te, sempre amei, odeio-te por não veres isso, mas no final das contas estou aqui sempre para ti!- de seguida apaguei completamente. Xiang pegou no prato e no meu copo e tapou-me com um cobertor leve.

- O que é que eu vou fazer contigo?- disse preocupado.

O telemóvel dele vibrou e ele atendeu.

- Então mano, a droga funcionou?- Sheng perguntou ansioso.

- Que nem mil maravilhas. Amplificou o efeito do álcool dez vezes. Bastou beber um gole e já estava bêbado.

- Não gravaste? Adorava ver as figuras da tua cobaia!

- Não, não gravei.- ele disse enquanto se sentava ao meu lado na cama.

- A propósito: testaste em quem?

- Num dos funcionários que estavam na festa. Amanhã digo ao meu pai os resultados desta experiência, mas penso que não devemos para já vender isto. Se for usado em demasia pode matar alguém.

- Lá nisso tens razão...- disse Sheng.- Vamos deixar ele decidir.- E o Dei? Já dorme? Achei parvo ele ter ido embora e nem ter cantado os parabéns...

- Não te preocupes, nós já celebramos...

Depois de se ter despedido deitou-se ao meu lado acabando por adormecer agarrado a mim.

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Comments

Valdileia Silva Castro

Valdileia Silva Castro

nossa que maldade ele fez com o próprio irmão tadinho

2025-01-30

0

Eunice Alves Moreira Fernandes

Eunice Alves Moreira Fernandes

ele não drogou o irmão, drogou um funcionário

2025-03-25

0

jujuba

jujuba

é oque

2024-10-26

1

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