Eu tinha a mais perfeita noção que o álcool estava a fazer efeito, por isso tentei ao máximo não responder mal a Xiang á frente dos nossos pais. Tirei os braços dele de cima de mim e fui até á mesa onde estavam os presentes. Tirei a caixa onde estava o capacete e deixei-a no chão aos pés dele.
- Feliz aniversário, espero que continues a ser a pessoa que és e que nunca mudes. Continua na minha vida durante muito mais anos, seja de que maneira for. - respirei fundo quando senti que as lágrimas estavam a ameaçar sair e subi as escadas para o meu quarto deixando os meus pais surpresos.
- Ele escolheu especialmente para ti. - ouvi Min dizer-lhe.
Entrei dentro do meu quarto quase aos tropeções. Tranquei a porta para que ninguém me fosse chamar para cantar parabéns e por mim eu só ia sair de lá no dia seguinte, estava cansado, ligeiramente, senão muito bêbado e não era boa ideia eu estar perto dele naquele momento. Deitei-me na cama dele e agarrei-me á almofada dele enterrando a cara na almofada: já podia chorar sem que ninguém me perguntasse o que se passava.
O meu telemóvel vibrou e vi o nome de Xaing.
- Não, eu não te vou sequer responder, demasiado perigoso. - disse ao abrir a mensagem.
" Obrigado pelo capacete, continua sempre a tomar conta de mim, mesmo que seja "sem eu saber" maninho."
Maninho...sim, era o que eu era para ele e para toda a gente que nos conhecia. Li várias vezes a maldita palavra com as lágrimas sem pararem de cair. Lá em baixo na festa tinha chegado a hora de cantar os parabéns: um monte de gente cantava os parabéns á pessoa que eu mais amava nesta vida, mas eu não estava lá. Com a voz trémula, baixa, arrastada, cantei também os parabéns, enquanto limpava as lágrimas que não paravam de cair.
Acabei por adormecer na cama dele agarrado á almofado lavado em lágrimas, acordei de madrugada com ele a bater á porta do quarto.
- Podes deixar-me entrar?- ele pediu calmamente. Esfreguei os olhos e levantei-me da cama, ainda era muito cedo e ele provavelmente ainda não tinha durmido. Abri a porta e ele entrou com uma garrafa de champanhe e um prato com uma fatia de bolo enorme com dois garfos. Olhei para trás dele, pensei que ele devia ter companhia com ele, mas quando o vi sentar-se na minha cama percebi que aquilo era para nós.
- Não quero a parte dos parabéns. - ele disse pousando o prato do bolo na cama estendendo um garfo para mim.- Isto basta.- ainda na defensiva, mas com o coração pequenino e apertado pelo gesto que ele estava a ter peguei na garrafa de champanhe e procurei dentro do nosso armário por copos e arranjei dois copos grandes de plástico vermelhos.
- Bebeste lá em baixo? - perguntei-lhe para saber se ele estava sóbrio.
- Nop, não fazia sentido. Só brindei com os pais e depois com o Sheng. De resto bebi a noite toda sumos.
- E agora vens cá para cima apanhar a piela. - comentei. Enchi o copo dele de champanhe e depois o meu. Sentei-me na cama e dei uma garfada no bolo.
- Delicioso! Amo bolo red velvet! - falei com a boca cheia de bolo, ele riu. Era tão estranho ver ele ali comigo a celebrar o aniversário dele, estranho, mas bom. Aquilo era a única coisa que eu queria dele e ele como que por mágica tinha-me concedido.
- Amei o capacete. - ele disse-me enquanto bebia champanhe e comia alegrememente o bolo como se fosse a melhor iguaria do mundo.
- Eu vi a tua mensagem. - anunciei, mas depois calei-me logo de seguida quando vi a cara dele.
- Não me respondeste porquê?
- Estava bêbado. Sabes que eu nessas alturas só digo coisas sem nexo...
- Sei...mas mesmo a durmir as fazes...
- Como assim?
- Como na noite em que me beijaste. Não sei ainda porque o fizeste.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 60
Comments
Lara Beatriz
isso só pode ser brincadeira..
2024-12-10
1
Maria19
meu deus, meu deus, meu deus ele não estava sonhando /Grin//Smirk//Smirk/
2024-11-30
1