Ignorei a mensagem de Xiang: parecia qua aquilo tinha sido uma maneira de me fazer amolecer e de não querer entrar nos negócios da família. Para ele, o melhor que eu fazia era estar sempre perto da nossa mãe como um autêntico cão de guarda, mas eu queria mais da minha vida.
Eu já tinha tentado vários empregos, mas acabava sempre por desistir: ou não tinha as qualificações necessárias, ou não tinha acatado as ordens dos supervisores. Sempre fui rebelde e mandarem em mim nunca tinha sido uma opção.
- De certeza que não queres voltar a estudar?- perguntou-me Min um dia enquanto estávamos num shopping a comprar prendas de aniversário para Xiang.
- Não, não vale a pena. - respondi distraído enquanto me tentava lembrar onde ficava a loja onde tinha um capacete que Xiang me tinha dito que queria comprar. Era a prenda perfeita, eu sabia que ele ia adorar.
- Estás á procura do quê? - ela perguntou enquanto olhava um casaco de peles que estava exposto na sua loja de roupas favorita.
- Sabes onde é a loja onde o Xiang costuma ir comprar os artigos para a mota dele?
- Ali á frente. - ela apontou enquanto as empregadas da loja vinham á porta cheias de sorrisos falsos para que ela fosse gastar rios de dinheiro lá dentro.- Eu vou ver se encontro um vestido decente para a festa dele e depois vou lá ter contigo... -ela disse enquanto literalmente uma das funcionárias a puxava para dentro da loja.
Andei apenas alguns metros até ter encontrado a loja que eu queria. O dono da loja reconheceu-me mal entrei.
- Dei, já não vinhas cá á imenso tempo! - ele cumprimentou-me.
- Tenho estado sempre ocupado, mas prometo cá vir mais vezes. Vi que tens na tua loja online um capacete - abri a página da loja online e procurei o capacete que tinha visto o Xiang andar a ver - e quero saber se posso comprar aqui na tua loja ou se tenho de encomendar online. Não é para mim e a pessoa vai fazer anos daqui a uns dias, tenho medo que não chegue a tempo.
O dono da loja olhou para o capacete e depois olhou para as prateleiras.
- Venho já, penso que chegaram alguns esta semana...- ele desapareceu por detrás do balcão voltando minutos depois com uma caixa onde eu sabia que estava o capacete dos sonhos de Xiang.- Vê se é este. - ele pediu-me enquanto abria a caixa e tirava o capacete de dentro de um saco preto de tecido.
O capacete era todo preto, tinha alguns detalhes a vermelho e prateado, eu sabia que Xiang amava coisas simples e aquele capacete sem dúvida ia deixá-lo contente.
- Vou levar. - disse ao dono da loja contente. Ele acentiu com a cabeça.
- Queres que faça um embrulho?
- Sim,obrigado.
Saí da loja com a caixa nos braços a tempo de ver a minha mãe sair da loja carregada com sacos de papel de compras.
- Deus mãe, estás sempre a comprar coisas que não te fazem falta! - exclamei mal cheguei ao pé dela.
- Tinha de ajudar as meninas, elas têm os objetivos lá na loja, senão atingirem não recebem o extra no final do mês...
- Tens um coração de manteiga, mas já vou carregado com a caixa do capacete, vais ter de carregar os sacos...
- Não, não vou, - ela disse sorrindo ligando para Lei. Pouco tempo depois Lei veio ter connosco para nos ajudar com as compras.
- Eu levo a caixa.- disse mal ele ma tentou tirar.- Ajuda a minha mãe, disto trato eu.
Chegámos a casa e eu subi de imediato até ao escritório do meu pai: ele tinha uma sala de pânico dentro do escritório dele, onde ele costumava guardar várias relíquias e era onde ele tinha o cofre. Entrei no escritório e ele estava a durmir sentado no sofá.
- Pai. - chamei enquanto pousava a caixa em cima da secretária. Ele tinha um sono leve, abriu logo os olhos e sorriu ao ver-me.
- Chegaste das compras?
- Sim, posso usar o teu cofre? Preciso de lá guardar a prenda do Xiang, não quero que ela a veja.
- Claro. - ele respondeu sorridente aproximando-se da caixa curioso. - O que compraste?
- Um capacete que ele andava a namorar. Não posso mostrar senão vou estragar o embrulho, mas ele vai gostar. - o meu pai olhou para mim e sorriu passando a mão na minha cabeça.
- Fico feliz que se estejam a dar melhor, a decisaão de vos ter metido aos dois a dividirem quarto finalmente está a dar frutos...
- Calma pai, é só porque ele vai fazer anos, senão era a mesma coisa se sempre. - comentei fazendo o meu ar de indiferente em relação a Xiang como sempre, mas o meu pai soltou uma gargalhada enquanto marcava o código de entrada na sala de pânico.
- Para mim qualquer migalha vossa chega! Não quero ver os meus filhos de costas voltadas um ao outro, sabes que o que mais valorizo é a nossa família...
Um gosto amargo veio á minha boca quando ouvi aquelas palavras.
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Atualizado até capítulo 60
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