A caminho de casa, a minha mãe decidiu que íamos buscar o Xiang á universidade, ele estava a sair da última aula de economia e era o momento ideal para esperar por ele.
- Ele já saiu, mas não me atende. - disse-me Min, a minha mãe.
- Deve estar ainda em aula, ás vezes o professor que ele tem é demasiado tagarela. - suspirei enquanto abria a janela do carro para poder ver melhor.
Xiang vinha a sair, ao lado dele vinha um rapaz com a mesma estatura que ele: moreno, de cabelo preto, corpo musculado, mas sem ser em exagero, olhos castanhos escuros. Eles vinham a conversar animadamente, Xiang parou no cimo das escadas da entrada da universidade e continuaram a falar, mas no último momento o outro rapaz tocou-lhe no braço em tom de despedida.
No mesmo instante saí do carro. Eu não o queria fazer, aliás nem dei por tê-lo feito, mas limitei-me a fechar a porta e ficar encostado de braços cruzados a olhar para eles, eles tinham de saber que eu estava ali.
- O teu irmão está ali. - disse-lhe o rapaz. Xiang deixou finalmente de olhar para ele e deu pela minha presença olhando depois para o carro.
- A minha mãe deve ter vindo também. Depois falamos. - ele despediu-se e desceu as escadas sempre com o olhar focado em mim. Desviei o olhar, odiava quando ele fazia isso. Quem ele pensava que era para me olhar daquela maneira? Ás vezes até me chegava a dar arrepios na barriga!
- A mãe está lá dentro. - eu disse descruzando os braços para lhe abrir a porta.
- Certo. - ele respondeu friamente enquanto passava por mim e entrava no carro.
Como sempre, a minha mãe mimava muito ele, ele era o favorito. O meu pai tinha um orgulho enorme nele, por ele estar ainda a estudar e saber que no futuro ia poder contar com ele na parte da administração de empresas. O meu objectivo era outro: assim que conseguisse juntar o dinheiro que chegasse aquela família não me ia voltar a ver, eu ia sair de casa, arranjar algum trabalho que desse para me sustentar, quanto mais longe eu estivesse de Xiang melhor.
- O Dei comprou-te roupa nova. - disse Min muito alegre. - O vosso pai vai sair do escritório daqui a pouco e já deu ordem que preparassem os carros.
- Porque não vamos na van? - Xiang perguntou enquanto pegava num dos sacos para ver o que eu tinha comprado, abriu o saco e viu um par de camisas axadrezadas e olhou para mim.
- Só porque me achas nerd não quer dizer que eu tenha de vestir as coisas sempre com o mesmo padrão, chega a ser enjoativo.
Aquele comentário fez-me serrar os punhos: ele era mal agradecido, arrogante, gostava de meter defeitos nas coisas que eu fazia e eu tinha sempre de aguentar por não querer magoar a minha mãe.
- Chega Xiang. - disse Min com um ar sério, toda a sua alegria tinha desaparecido. - O Dei podia não ter trazido nada para ti, mas ele trouxe. Por isso, se fazes favor, agradece-lhe. Não quero ouvir mais nenhum tipo de respostas como a que acabaste de dar. Não foi essa a educação que te passei.
Xiang suspirou, parecia estar chateado por ter de me pedir desculpas e eu francamente estava a ponto de lhe dar uma surra, mas ao ver o ar da minha mãe de desiludido pus o meu ar mais amável de sempre, o mais falso aliás.
- Deixa mãe, ele tem razão. As pessoas podem querer mudar de hábitos de vestir. Para a próxima eu ligo para ele e ele diz o que quer que eu traga.
- Não te metas Dei. - repreendeu-me sem desviar o olhar de Xiang. - Estou á espera. - disse a Xiang.
- Desculpa. - ele murmurou. Mas foi aquele pedido de desculpas que eu sabia que não era sincero.
O assunto morreu ali, tive a noção que a minha mãe tinha ficado magoada pela frieza de Xiang, mas não quis continuar a conversa, pois como em todas as conversas que eu começava com Xiang havia o perigo de virar uma discussão.
Chegámos a casa e fomos direto para o nosso quarto. Mal entrei, agarrei Xiang pela gola do casaco e atirei-o contra a porta do nosso guarda-roupa. Ele deixou-se ficar encostado á porta sem se mexer, mas eu sabia que aquela era a maneira que ele tinha de se defender, porque dessa maneira eu nunca iria saber quando é que ia ripostar.
- Não podias ter ficado calado?! Já te avisei para estares calado e quando tens algo a falar, falas direto comigo, a mãe já tem mais com que se preocupar, não precisa de assistir ás nossas discussões.
- Já disse que não quero nada teu.
- Eu avisei que ia comprar roupa, se não querias tinhas avisado, não havia necessidade de responderes daquela maneira! - Xiang continuou encostado á porta do guarda-roupa quieto.
- Já parou o ataque de chihuahua? - perguntou tirando o casaco para o atirar para cima da cama. - Estou cansado e quero descansar antes de irmos para o "circo".
- Eu vou ignorar o que me chamaste...senão isto não vai acabar bem, deves pensar que por teres a designação e meu irmão que eu tenho de te tratar mesmo como meu irmão, mas não tenho!
Xiang bateu as palmas sarcasticamente enquanto se deitava na cama dele e me virava as costas como se eu não estivesse ali.
Deus! Como o odeio!
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Maria Das Graças Reis
Estes neninos não se não
2024-10-06
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