Com a cabeça a doer, acordei no dia seguinte já perto da hora de almoço. Olhei para a cama de Xiang e ele já não estava lá. Pensei que ele tinha ido provavelmente para a universidade, mas só depois é que me lembrei que era fim de semana. Levantei-me e fui para a casa de banho e tomei um banho de água quente: estive debaixo de água ainda bastante tempo, o sonho da noite passada tinha-me dado esperanças para continuar. Podia ser só em sonhos, mas pelo menos em sonho eu conseguia tê-lo nos meus braços.
Não tive paciência para vestir nada muito elaborado,por isso acabei por vestir uma camisola de manga comprida preta e uma calções pretos. Olhei para o espelho e assustei-me quando a porta do quarto abriu de repente e Xiang entrou.
- Estás acordado. - ele disse olhando para mim. Ele parecia estranho, havia ali alguma coisa que não estava bem, mas eu não queria mostrar que me importava com ele de maneira nenhuma.
- O que foi agora...?- perguntei desviando o olhar do espelho encarando ele.
- Nada.- ele respondeu enquanto se sentava na cama dele e tirava da gaveta dele um livro de banda desenhada para ler.
- Okay.- respondi olhando para ele. Xiang não voltou a falar nada nem a olhar para mim, por isso eu acabei por voltar a olhar para o espelho.
- Não vais contar nada ao pai, pois não?
- Sobre?- perguntei voltando a olhar para ele.
- O outro ter avançado sobre mim...- ele disse sem desviar o olhar da banda desenhada.
- Não, não ia contar. Sabes que o nosso pai pode ser muito liberal em certas coisas, mas haver algum homem interessado num de nós para ele isso é o mesmo que entrar numa guerra.
- Eu sei.- ele respondeu. Xiang fechou o livro e atirou-o para o fundo da cama.- Mas ele nisso pode estar descansado comigo, eu não gosto de homens. É uma coisa na qual nunca iria pensar.
- Bom para ti.- respondi saindo do quarto o mais rápido que consegui. Mais uma vez ele tinha-me magoado, mais uma vez ele tinha dito que nunca ia gostar de um homem, mais uma vez ele tinha atirado as minhas esperanças por terra.
Eu não me importava que o nosso pai fosse conservador nesse sentido, porque no final de contas ele ia ter de acabar por aceitar, nós não éramos irmãos de sangue, a única coisa que nos unia era o nome de família, por isso ele ia acabar por nos aceitar, mas eu não podia mudar os gostos de Xiang. Isso eu nunca ia conseguir mudar.
Entrei na sala de estar e vi Min sentada a folhear uma revista de moda. Sentei-me ao pé dela e encostei a minha cabeça no ombro dela.
- Que tens meu bebé?- ela perguntou enquanto me passava a mão pela cabeça.
- Nada, apenas estou em dia não. Ontem devo ter exagerado no álcool. - menti-lhe enquanto via através das paredes de vidro da nossa sala Lei a lavar o mazaratti favorito do meu pai.
- O teu irmão também deve ter exagerado. Está com a mesma disposição que tu...- ela comentou enquanto parava de folhear a revista para seguir o meu olhar até lá fora.
- O teu pai vai oferecer aquele carro ao Xiang quando ele terminar o curso. Que achas?
- Ele prefere as motas. Que lhe dê uma ducatti...- resmunguei ainda a tentar acalmar a raiva que ele me tinha feito sentir antes. Min riu e encolheu os ombros fazendo-me levantar a cabeça.
- Eu disse o mesmo ao teu pai, mas ele disse que ele tem de se habituar a andar de carro, afinal a empresa no futuro vai estar nas mãos dele.
- Mãe, e se eu decidir que quero ajudar?- perguntei num murmúrio.Ela olhou para mim incrédula.
- Tu? Bem, isso tinhamos de falar com o teu pai, mas tens a certeza disso?
- Ainda não pensei no assunto. Só não quero que sobre tudo para o Xiang. Apenas isso.
- Logo falo com o teu pai e vemos isso. Mas pensa bem antes de tomares qualquer decisão, porque quando entras neste mundo já não tens grande escapatória.
Eu acenti com a cabeça e saí para o jardim, o sol estava bom como eu gostava, meti os meus óculos de sol quando me deitei no sofá e fiz dos meus braços almofada. Não dei pela chegada dele quando ele me arrancou os óculos de sol e me agarrava pela camisola.
- Vais ouvir o que te vou dizer, e é bom que me percebas à primeira: não te metas no meu caminho! Não vais entrar nos negócios de família, mantém-te como o cão fiel da mãe,apenas isso!
Os meus óculos de sol foram atirados para o chão e ele largou-me finalmente, mas confesso que eu estava tão em choque com aquela atitude dele que nem ripostei.Apenas fiquei ali parado, deitado no sofá a olhar para o vazio enquanto ele montava na mota dele e partia a alta velocidade.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Danielle Pereira
que escroto esse irmão dele Cruzes
2024-09-29
3