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Acabei de cozer Xiang sem falar sobre mais nada. Ele esteve sempre com os olhos pregados em mim enquanto eu o cozia, sem dizer também uma palavra. Lei teve de acabar por sair pois o meu pai deu pela sua falta e ele teve de arranjar uma desculpa que não fosse suspeita.

- Já está.- respondi friamente enquanto metia no lixo a agulha e o resto da linha que tinha sobrado junto com a gase e as compressas. - Nos próximos dias anda de casaco e de camisa de manga comprida, vou ver se arranjo alguma medicação para as dores. - avisei-o enquanto me preparava para levar o lixo comigo e sair.

- Obrigado.- ele disse de repente- Eu sei que não me suportas, mas agradeço a tua ajuda.

- Não te suporto?- perguntei franzindo a sobrolho olhando para ele.- Quem te disse isso?

- Vejo isso pelas tuas atitudes. Sempre a reclamares comigo por tudo e por nada. Parece que te fiz algum mal.

- Não. Deves ter percebido mal.- eu respondi saindo do quarto sem falar mais nada.

Quando cheguei ao hall de entrada vi que Lei já tinha limpo o sangue,era menos trabalho para mim, por isso depois de despejar o lixo deitei-me no sofá que havia no jardim feito de verga e fiquei a olhar para as estrelas até adormecer.

Era um sonho: eu estava deitado no sofá no jardim e Xiang com o braço todo ligado tinha vindo ter comigo. Ele tinha estado ao pé de mim e tinha-me tocado no rosto. Não era um toque de irmão,de agradecimento...Não, aquilo era um toque de quem ama aquela pessoa. Era daquela maneira que eu o queria tocar, por isso, já que era um sonho levantei-me e agarrei nele pelo colarinho fazendo ele baixar a cabeça e beijei-o. Eu beijei ele naquele sonho maravilhoso e ele respondeu ao beijo agarrando-me com a mão livre. Eu não queria acordar. Eu não queria ter de o enfrentar no dia seguinte. Quando nos separámos eu vi que ele estava surpreso.

- Mas...eu não percebo...- ele começou a dizer, mas não tinha coragem de ter aquela conversa com ele, mesmo sendo um sonho.

- Vai, depois falamos.- disse-lhe ensonado enquanto voltava ao sofá feliz por ter conseguido o que eu desejava à anos. Podia ter sido um sonho, mas eu podia jurar que tinha sentido mesmo o gosto dos lábios dele. Ele acabou por desaparecer do meu campo de visão sem antes olhar para mim em estado de choque. Viessem mais sonhos vivídos como aquele!

No resto da noite não voltei a sonhar. A meio da noite acordei cheio de frio e acabei por voltar para o meu quarto: Xiang já não estava na minha cama, tinha voltado para a dele e eu aproveitei o cheiro dele na almofada para conseguir voltar a durmir,desta vez eu quase rezei para voltar a ter o mesmo sonho, mas lá no fundo eu sabia que não ia ter essa sorte. No outro lado do quarto, Xiang estava em silêncio, mostrando-me que ainda não estava a durmir, mas eu não ia falar nada nem dizer nada. Se ele continuasse a pensar que eu o odiava era até uma boa coisa, porque dessa maneira nunca iria desconfiar que eu o amava.

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Comments

Erica Diniz

Erica Diniz

Esse sonho parece pura realidade.

2024-10-19

3

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