— Por que está calado? — desafiou Damon, um sorriso carregado de arrogância curvando seus lábios, enquanto seu tom era tão afiado quanto o fio de uma faca —. Está com raiva porque quero os nossos filhos depois do divórcio?
O ar entre eles ficou tenso, denso pelo peso daquelas palavras. Ilán sentiu um nó se formar em seu peito, suas mãos tremendo de raiva contida. Seus olhos, normalmente tranquilos, agora brilhavam com uma mistura de fúria e dor.
— Você...! — apontou para Damon com o dedo, seus olhos cravados nos do alfa, como se pudesse perfurá-lo com o olhar.
O cheiro dos feromônios de Ilán, carregados de frustração e raiva, inundou a sala, tornando a tensão ainda mais palpável. Ilán não podia acreditar na falta de vergonha na cara de Damon. Aquele homem, aquele alfa arrogante, estava mudando os termos do acordo sem mais nem menos, exigindo ficar com Gio como se ele fosse um simples objeto.
— Você deve se lembrar do acordo! — exclamou Ilán, sua voz tremendo entre a raiva e o desespero —. Depois que o bebê nascer, vamos nos separar e você pode levar o recém-nascido, mas Gio fica comigo.
— O quê? — a incredulidade se refletiu no rosto de Damon, sua expressão endurecida pela surpresa.
Ele balançou a cabeça, incapaz de processar o que acabara de ouvir. O aroma dominante dos feromônios de Damon, uma mistura de confusão e desejo reprimido, preencheu o ambiente. Como Ilán podia falar com tanta frieza? Tão facilmente ele estava disposto a entregar o bebê que eles nem sequer haviam concebido ainda? Damon sentiu um nó no estômago, uma sensação amarga ao perceber que o desprezo de Ilán por ele era tão grande que ele nem queria o filho que em breve cresceria em seu ventre.
— Então faça logo! — continuou Ilán, suas palavras frias como gelo, mas com um tremor que revelava o esgotamento emocional que sentia —. Me engravide logo porque não quero perder mais tempo só para…
As palavras de Ilán ficaram presas em sua garganta quando Damon o calou abruptamente, esmagando seus lábios contra os dele em um beijo feroz, sem compaixão ou ternura. Damon o empurrou sobre a cama com uma força implacável, seu aperto firme, sem nenhum traço de gentileza. O colchão rangeu sob o peso de ambos, enquanto o ar no quarto se tornava sufocante, carregado com o aroma inebriante de seus feromônios em pleno descontrole.
O calor do alfa era palpável, sua pele irradiava uma intensidade quase febril, mas não havia amor em suas carícias. Apenas uma necessidade crua e bestial que consumia Damon por dentro, suas mãos percorrendo o corpo de Ilán com uma urgência implacável. O ato que em outras circunstâncias poderia ter sido um momento de conexão íntima entre um casal, agora não era nada mais do que uma troca febril de corpos, um ciclo de suor e desejo sufocante. Ilán sentia a semente de Damon preenchendo seu corpo, o calor invadindo seu ventre, mas em seu coração, tudo parecia vazio.
Quando o ato exaustivo finalmente terminou, Damon se levantou sem dizer uma palavra, se afastando bruscamente. O frio que ele deixou na cama foi imediato. Ilán, ainda nu, se enrolou no lençol que mal cobria sua pele perolada de suor, o silêncio opressivo preenchendo o quarto.
— Sim, assim é melhor, Damon — murmurou Ilán para si mesmo, seus olhos fixos no teto, enquanto a amargura se espalhava como uma sombra sobre seu coração —. Não deve haver amor entre nós, especialmente da minha parte. Eu não quero ser ferido novamente por te amar.
.
.
.
.
Depois daquela manhã quente, a relação entre Damon e Ilán voltou ao seu habitual estado de frieza, uma camada de gelo que cobria cada interação entre eles. Eles trocavam apenas as palavras necessárias, e somente na frente de Gio, como se todo o resto fosse irrelevante. As noites, longe de serem momentos de intimidade, eram agora uma simples obrigação, uma rotina mecânica destinada a cumprir o único propósito de que Ilán engravidasse.
Assim que terminavam, ambos davam as costas um para o outro na cama, o peso do silêncio preenchendo o espaço entre eles. Nenhum dos dois ousava quebrar aquela barreira invisível que os mantinha separados. Não havia conversas noturnas, nem palavras suaves trocadas sob os lençóis, como um casal normal faria. Só restava a distância.
Aquela manhã não foi diferente. Damon, Ilán e seu filho Gio estavam sentados à mesa da sala de jantar, o som dos talheres batendo nos pratos sendo o único ruído que quebrava o silêncio constrangedor. A atmosfera forçada de cordialidade era palpável, uma tentativa fraca de manter uma fachada de normalidade pelo bem de Gio, que, alheio à tensão entre seus pais, só buscava um momento de paz.
— Papai, eu posso voltar para a escola? — perguntou Gio, sua voz cheia de uma esperança infantil que quebrou o silêncio como um eco na sala.
O pequeno alfa estava cansado de passar tantos dias trancado em casa. Embora vivessem em uma mansão enorme, onde não faltava nada material, Gio se sentia sozinho. Damon passava longas horas no escritório, enquanto Ilán cuidava da confeitaria, e embora ambos se preocupassem com ele, a criança sentia falta da agitação da escola, de seus amigos e das brincadeiras despreocupadas.
Damon ergueu o olhar e o dirigiu a Ilán, esperando que fosse ele quem respondesse ao pedido do filho. Ele sabia que Gio precisava voltar para a escola, precisava daquela normalidade que lhe havia sido tirada, mas também temia que o frágil estado de saúde de seu filho pudesse piorar se ele se esforçasse demais.
— Querido, você poderá voltar para a escola quando se sentir melhor — disse Ilán, sua voz suave, embora carregada de preocupação.
Ele sabia o quanto Gio queria voltar à rotina das aulas, mas também entendia o perigo que isso representava. Gio havia sido matriculado no jardim de infância antes que sua vida fosse abruptamente interrompida pela leucemia mieloide que lhe foi diagnosticada, uma sombra escura que havia mudado tudo.
— Quando eu vou me sentir melhor? — perguntou Gio, sua voz trêmula e triste, enquanto brincava distraidamente com a colher em seu prato.
Ele sabia que seu corpo não era o mesmo. Ele se cansava facilmente, e as visitas ao hospital eram tão comuns quanto os dias ensolarados. Os remédios e os tratamentos faziam parte de sua vida diária, e embora tentasse ser forte, a dor e a fadiga às vezes o dominavam.
Ilán e Damon trocaram um olhar silencioso, a tristeza refletida nos olhos de ambos. Nenhum dos dois tinha uma resposta que não partisse o coração de seu filho, então, em vez de responder, Damon tomou uma decisão. Naquele dia, ele chegaria atrasado ao trabalho. Ele decidiu que levaria Gio para brincar um pouco, mesmo que fosse apenas por alguns momentos, para que ele pudesse se esquecer, ainda que brevemente, da doença que o afligia.
...
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 38
Comments
Clesiane Paulino
situação difícil 🥺😥
2024-12-23
1
Ester
que sem graça nenhuma
2024-11-27
0