—Mas Ilán, você não sabe que toda noite o Gio... —
—Chega, mano! Eu não quero mais falar sobre isso! — interrompeu Ilán, sua voz carregada de emoções. Os feromônios de angústia se intensificaram no ar, um aroma doce e amargo ao mesmo tempo, impregnando o ambiente. —Há algo que você precisa se lembrar: aquele alfa maldito nunca nos quis — acrescentou, com a voz embargada.
Sem conseguir evitar, lágrimas começaram a rolar por suas bochechas pálidas, relembrando o desprezo com que seu ex-parceiro os havia tratado. Damon nunca quis sua família. Mesmo no momento mais crucial de sua vida, quando Ilán estava prestes a dar à luz, Damon havia escolhido ir embora com sua amante em vez de ficar ao seu lado. O aroma amargo dos feromônios de Ilán se misturava ao ar, refletindo a profunda dor de suas lembranças.
—Ei, não chore... — disse Hesti, aproximando-se para abraçar seu melhor amigo, deixando que seu aroma de menta fresca tentasse acalmar as emoções alteradas de Ilán. — Sinto muito. Não queria te fazer se sentir assim.
Ilán assentiu enquanto secava as lágrimas apressadamente. —Me perdoe também... me deixei levar pelas minhas emoções — respondeu com um sussurro, sua voz ainda trêmula.
Hesti dedicou-lhe um pequeno sorriso, mas logo sua expressão se tornou séria ao se lembrar do que havia acontecido no dia anterior. Ela havia ficado cara a cara com o novo diretor da empresa em que trabalhava, um homem que havia sido enviado da matriz em Paris há quase dois meses.
—Ele está em Jacarta — disse Hesti de repente, quebrando o silêncio.
—Quem? — perguntou Ilán, confuso.
—Aquele alfa maldito.
Embora Hesti nunca tivesse visto Damon pessoalmente, ela conhecia seu rosto. Ilán costumava guardar uma foto dele, daqueles dias em que ainda estavam juntos, antes que tudo desmoronasse.
—Você... você está falando do Damon? — Ilán sentiu seu peito apertar ao ouvir aquele nome, seu coração acelerando enquanto os feromônios de ansiedade se infiltravam no ar.
Hesti assentiu.
O corpo de Ilán se contraiu imediatamente. Ele não podia acreditar que Damon estava na mesma cidade. Seus punhos se fecharam com força, tentando controlar a onda de raiva e medo que o invadia.
—Cuide do Gio... Se não quiser que seu ex descubra a existência dele — advertiu Hesti, em tom grave, enquanto seu olhar se dirigia à criança que se aproximava correndo em direção a eles.
—Papai, estou com sede — disse Gio com sua voz suave, interrompendo o ambiente tenso.
Ilán reagiu rápido, forçando um sorriso enquanto entregava uma garrafa de água ao filho. Embora sua mente estivesse em desordem com a notícia de que Damon estava por perto, ele tentava não deixar sua angústia transparecer para Gio. Enquanto Gio bebia, o aroma calmante de Ilán tentava preencher o espaço com uma doçura que não conseguia ocultar sua preocupação.
Hesti, por outro lado, observava Gio com olhos ternos. O pequeno era a imagem viva de seu papai, um reflexo da dor e da força de Ilán. Enquanto acariciava o cabelo da criança, algo chamou sua atenção.
—Ilán... o que é isto? — perguntou Hesti, olhando para uma marca no braço de Gio, uma leve, mas evidente contusão.
Ilán franziu a testa enquanto inspecionava atentamente a pequena marca no braço de seu filho. Ele já tinha visto aquelas contusões antes, mas não havia dado muita importância a elas.
—Eu não sei... — respondeu, sua voz cheia de preocupação. — Está doendo, querido? — perguntou suavemente, acariciando a pele de Gio com cuidado.
Gio balançou a cabeça e, como se nada tivesse acontecido, saiu correndo novamente em direção aos seus amigos. No entanto, ele não havia dado mais do que alguns passos quando, de repente, seu pequeno corpo caiu no chão, inerte.
—Gio! — gritou Ilán, correndo em sua direção, seu coração batendo forte e descontroladamente enquanto o medo o envolvia completamente.
.
.
.
.
No hospital:
—Senhor Ilán, o senhor poderia me acompanhar até a minha sala? — perguntou o médico, que acabava de terminar de examinar Gio. O cheiro estéril do hospital e o aroma de feromônios de tensão enchiam o ar, fazendo com que o espaço parecesse frio e sufocante.
Hesti, que havia estado ao seu lado o tempo todo, deu-lhe um aperto no ombro. —Vá. Eu fico cuidando do Gio — disse ela com firmeza.
Ilán assentiu lentamente, com o peito apertado de angústia. Caminhou em direção à sala do médico, sentindo seus passos se tornarem pesados. O médico lhe fez várias perguntas sobre a saúde de Gio, o que só aumentou a ansiedade de Ilán. E então, o golpe da verdade o atingiu como uma tempestade.
—Sinto muito, senhor Ilán. Tudo indica que seu filho pode ter... — o médico fez uma pausa, vendo como Ilán começava a tremer. — Leucemia Mieloide.
O mundo de Ilán parou.
—De-desculpe, doutor, o senhor quer dizer que meu filho...? — Ilán tentou continuar, mas as palavras ficaram presas em sua garganta. Sua voz falhou, e seus lábios começaram a tremer enquanto ele tentava conter as lágrimas. — Não... Não entendo...
Todo o seu ser negava as palavras do médico. Gio sempre pareceu estar bem. Sim, às vezes ele tinha febre, ou se sentia cansado, ou apareciam hematomas sem explicação. Mas Ilán pensava que eram coisas normais em uma criança. Jamais teria imaginado algo tão grave.
—A Leucemia Mieloide é difícil de detectar. Os sintomas geralmente se parecem com os de um resfriado, e com medicamentos podem desaparecer temporariamente — explicou o médico, em tom grave e paciente.
Crack.
Era como se um trovão tivesse caído de repente em um céu claro. As palavras do médico ecoaram na mente de Ilán repetidamente, fazendo-o se sentir como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés. Seu corpo começou a tremer, e o ar ao seu redor ficou denso, como se de repente fosse impossível respirar.
—Não pode ser... — murmurou em voz baixa, sua visão se nublando. Se não fosse pela enfermeira que o segurou, ele provavelmente teria desabado ali mesmo.
O aroma de seus feromônios, antes calmo e doce, se transformou em uma mistura amarga de desespero, inundando a sala como uma onda de dor impossível de conter.
....
...ΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩ...
Informação:
A leucemia mieloide é um tipo de câncer que afeta as células-tronco da medula óssea, onde as células sanguíneas são produzidas. Nessa doença, as células mieloides, que normalmente se desenvolvem em vários tipos de células sanguíneas maduras (como glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas), crescem de forma anormal e descontrolada, afetando a produção de células saudáveis. Existem duas formas principais: a leucemia mieloide aguda (LMA), de progressão rápida, e a leucemia mieloide crônica (LMC), de evolução mais lenta. Os sintomas comuns incluem fadiga, infecções frequentes e hematomas fáceis, e o tratamento varia de acordo com o tipo e estágio, podendo incluir quimioterapia, terapia direcionada ou transplante de medula óssea.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 38
Comments
solealua566~ jikooka ~
queria sim e olha se eu fosse tu eu parava de falar com esse tipo de amizade
2024-12-24
0
Clesiane Paulino
eita 🥺🥺🥺🥺
2024-12-23
0
Elenilda Soares
eita e agora/Frown/
2024-11-29
0