Enquanto isso, em um lugar diferente, em Bali para ser preciso, Damon observava fixamente uma casa de dois andares do outro lado da rua, onde seu carro havia parado. A casa havia mudado muito desde a última vez que ele tinha posto os pés naquele lugar.
"Como você está, Ilan? Você ainda mora aí com seu pai?", Damon se perguntou em silêncio, enquanto se lembrava do casamento que compartilhou com Ilan. Um casamento forçado pela gravidez do ômega e pelas pressões tanto de Ven quanto de Áries.
Depois de tantos anos, Damon finalmente havia reunido coragem para voltar à casa da família de Ilan, na esperança de ver o ômega, mesmo que fosse apenas de longe. Desde que seus sonhos com a menina que os visitava haviam desaparecido, seu desejo de reencontrar Ilan havia crescido inexplicavelmente. Seus pensamentos eram um turbilhão desordenado, e os feromônios alfa de Damon enchiam o ar, saturados de melancolia e saudade.
—Espero que você esteja bem… e espero que possamos nos ver de novo, embora eu saiba que não será fácil — murmurou Damon, seus olhos fixos na casa de dois andares, agora um vestígio do passado que compartilhou com Ilan.
—Senhor, não acha que seria melhor entrar? — perguntou Zack do banco do motorista, dando uma olhada para seu chefe, que permanecia imóvel depois de tanto tempo.
Damon negou com a cabeça, desviando o olhar da casa. —Será melhor irmos direto para o hotel. Não quero fazer o senhor Imanuel esperar.
—Entendido, senhor.
Zack ligou o motor e o carro se pôs em marcha, se afastando da casa que havia consumido os pensamentos de Damon. Durante o trajeto, o alfa permaneceu em silêncio, imerso em suas lembranças. Embora tivesse passado tanto tempo, o aroma de feromônios ômega de Ilan ainda parecia envolvê-lo em sua mente, doce, mas carregado de amargura, como uma lembrança que ele não podia desterrar.
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Durante os dois dias que Damon esteve em Bali, ele voltou várias vezes à casa da família de Ilan, embora sempre ficasse observando à distância. Mas naquela noite, antes de retornar a Jacarta, ele decidiu criar coragem e entrar. Não tinha certeza do que encontraria, mas a necessidade de ver Ilan, de se certificar de que ele estava bem, o impulsionou a agir.
Ele tocou a campainha e foi recebido por Theo, o pai de Ilan. O homem o olhou com uma mistura de surpresa e desdém, cruzando os braços sobre o peito. A tensão no ar era densa, os feromônios alfa de Theo exalavam autoridade e hostilidade, preenchendo o ambiente com uma pressão quase tangível.
—O que você está fazendo aqui? — perguntou Theo friamente, sua voz ressoando com uma dureza que Damon não havia esquecido.
Damon engoliu em seco, sentindo o peso do olhar severo de seu ex-sogro. A tensão entre ambos era palpável, seus feromônios alfa se enfrentando em um silencioso duelo de poder. Theo sempre havia sido uma figura dominante na vida de Ilan, e agora não parecia ser diferente.
No fundo, Theo estava contente em ver Damon, com a esperança de que talvez Ilan estivesse com ele. Fazia anos que ele não via seu filho, a quem havia rejeitado após o escândalo de sua gravidez. As palavras de sua nova esposa o haviam convencido de que se livrar de Ilan era a melhor coisa a se fazer, mas no fundo, ele sempre havia lamentado sua decisão. Embora seu rosto não demonstrasse, o desejo de se redimir com seu filho o corroía.
—Senhor… Eu só queria—.
—Se você veio me pedir para perdoar Ilan e aceitá-lo de volta nesta família, diga a ele para vir me ver ele mesmo. Só assim pensarei em perdoá-lo.
As palavras de Theo atingiram Damon como um soco no estômago. O coração do alfa se afundou, porque aquelas palavras implicavam algo que Damon não esperava. Ilan não estava morando com sua família, não havia voltado para casa após a separação.
—A que você se refere? — perguntou Damon, franzindo a testa, sua preocupação aumentando a cada segundo.
—Acaso eu não fui claro? — disse Theo, sua voz carregada de desprezo. — Diga a Ilan para vir aqui e me encarar ele mesmo. Só então ouvirei seu pedido de desculpas.
Damon não respondeu. Uma sensação de angústia começou a tomar conta dele. As palavras de Theo confirmavam o que ele temia: ele não sabia nada de Ilan há anos. Não tinha ideia de onde ele estava ou com quem morava. E agora, a preocupação se agarrava a ele como um veneno lento. Ilan não tinha outros familiares próximos, e Damon não conseguia parar de se perguntar como seu ex-parceiro teria sobrevivido depois que eles se separaram.
—Ah, e não se esqueça de trazer minha neta também. Quero conhecê-la — acrescentou Theo de repente, como se fosse algo insignificante.
O silêncio caiu entre os dois. Damon cerrou os punhos, sentindo o ar se tornar pesado e opressivo. Os feromônios de culpa e desespero começaram a fluir dele, envolvendo o ambiente em uma maré densa de emoções reprimidas. Ele não podia contar a verdade. Não podia dizer que sua neta, a filha de Damon e Ilan, não estava mais viva. E muito menos podia mencionar que ele e Ilan haviam se distanciado há anos. Damon não havia procurado Ilan após a separação, e agora aquela decisão pesava sobre ele como um fardo insuportável.
—Eu farei… — murmurou Damon, sem ousar manter contato visual com Theo.
Enquanto Theo o olhava com uma mistura de desaprovação e indiferença, Damon percebeu o quanto havia falhado com Ilan. Ele havia deixado o ômega desaparecer de sua vida sem lhe dar uma segunda chance, e agora aquela decisão o atormentava mais do que nunca.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Monica Souza
Como um marido pode largar seu esposo após perder um filho, sem olhar para trás e ter que perdoa - lo , aff, não dá.
2025-01-23
0
Clesiane Paulino
como um pai pode abandonar um filho no momento que ele mais precisa😡😡😡😡😡
2024-12-23
0
Elenilda Soares
agora que se arrependeu sei não viu
2024-11-29
1