No entanto, a esperança de Ilán desmoronou-se no dia seguinte, quando o doutor Harir confirmou o diagnóstico da doença de Gio. O médico também lhe explicou que o seu filho precisava de tratamento urgente, apresentando como única opção viável um transplante de medula óssea.
Ilán já não sabia quantas lágrimas tinha derramado em frente ao doutor Harir, que o olhava com compaixão ao ver a sua tristeza. Mas então, no meio da sua dor, algo no seu interior quebrou-se e fortaleceu-se ao mesmo tempo. Percebeu que chorar não mudaria nada. Não podia dar-se ao luxo de ser fraco, não quando Gio precisava dele mais forte do que nunca.
— Então, para curar a sua doença… — a sua voz tremia, mas os seus olhos brilhavam com determinação —, o Gio só precisa de um transplante de medula, certo?
— Assim é — respondeu o doutor Harir, num tom suave mas firme —. Não haverá complicações se encontrarmos um dador compatível.
— Sendo seu pai, a minha medula deverá ser compatível — afirmou Ilán com segurança, ignorando a ansiedade que brotava no ambiente, misturando-se com as feromonas que emanavam do seu corpo em vagas incontroláveis.
— Faremos os testes necessários para confirmar — assentiu o médico, tentando manter a calma perante a intensa presença emocional de Ilán.
Com a esperança renovada, Ilán seguiu o doutor Harir para se submeter aos testes. Durante todo o processo, rezou em silêncio, pedindo que a compatibilidade fosse perfeita, que o seu corpo pudesse salvar o seu filho. Mas, como se o destino quisesse continuar a castigá-lo, os resultados mostraram o que mais temia: a sua medula não era compatível.
A devastação foi absoluta. Tinha esperado durante dias, agarrado à esperança, para descobrir que o seu esforço não serviria de nada. O tempo continuava a correr, e a saúde de Gio piorava. Agora, a única solução era recorrer ao único outro possível dador: Damon, o alfa que tinha sido o seu parceiro, o pai biológico de Gio.
Mas como enfrentá-lo? Como olhar de novo nos olhos aquele homem que tanto o tinha magoado?
— Não tens outra opção, Ilán — disse Hesti com firmeza, a sua voz carregada de seriedade e preocupação. As suas feromonas de ómega impregnavam a divisão, tentando acalmar a angústia de Ilán —. Tens de falar com o Damon o mais breve possível.
Ilán olhou para o seu amigo, o seu peito oprimido pelo medo e pela dor. A ideia de enfrentar Damon, o alfa que o tinha abandonado, parecia-lhe aterradora. Ilán duvidava que ele quisesse ajudar.
— Não sei se o Damon estará disposto a doar a sua medula para o Gio — respondeu Ilán, o seu olhar caindo sobre o filho, que desenhava tranquilamente na sala sem suspeitar de nada. Cada traço de lápis no papel parecia uma lembrança cruel do tempo que corria. A sua fragrância de ómega intensificava-se, envolvendo a divisão na sua desesperança.
No dia anterior, Gio tinha tido alta, embora ainda precisasse de controlos regulares e não se pudesse dar ao luxo de se cansar.
— Ilán, pelo amor de Deus — retorquiu Hesti, num tom mais agudo, os seus olhos brilhando com ferocidade —. O Damon é o pai do Gio! Claro que o vai ajudar!
Mas Ilán deixou escapar um riso amargo e cansado. — O Damon nunca quis o Gio.
Ilán lembrava-se com clareza da indiferença de Damon durante toda a gravidez. Nunca demonstrou qualquer interesse pelo seu estado, nem mesmo quando Ilán fingia estar doente para chamar a sua atenção. Damon nem sequer sabia que tinham tido gémeos.
Naqueles dias, Ilán tinha feito tudo o que estava ao seu alcance para conquistar o seu amor. Tinha-se agarrado à ideia de que Damon mudaria, mas as noites terminavam sempre da mesma maneira: com Damon rodeado de outros ómegas, ignorando-o completamente.
— Isso foi no passado, Ilán — insistiu Hesti, aproximando-se e pousando uma mão no seu ombro, tentando transmitir-lhe segurança através do contacto físico e do aroma tranquilizador que emanava como ómega —. As coisas são diferentes agora. O Gio está doente e só o Damon o pode ajudar. Não podes deixar que o teu orgulho te impeça. Não queres ver o teu filho são outra vez?
Ilán sentiu um nó a formar-se na sua garganta, obrigando-o a engolir a dor. Assentiu lentamente, as lágrimas ameaçando brotar novamente. — Claro que quero ver o Gio são… mas, e se o Damon se recusar? E se ele ficar furioso por eu lhe ter escondido a existência do Gio durante todo este tempo?
Ilán temia que Damon explodisse de fúria ao descobrir que tinha sido mantido no escuro em relação ao seu próprio filho. Durante anos, tinha ocultado a verdade, protegendo Gio de qualquer contacto com ele.
— Não saberás enquanto não tentares — disse Hesti, olhando-o nos olhos com seriedade —. E se o Damon ficar furioso, terás de o suportar. Não por ti, mas pelo Gio. Ele vale tudo.
Houve um longo silêncio na divisão, apenas quebrado pelo som suave dos lápis de cor que Gio continuava a usar no seu desenho. Ilán inspirou profundamente, deixando que o ar lhe enchesse os pulmões enquanto tomava a decisão mais difícil da sua vida.
— Tens razão — disse finalmente, com voz firme mas embargada —. Fá-lo-ei. Mesmo que tenha de me ajoelhar perante o Damon, fá-lo-ei. Farei o que for preciso para que ele doe a sua medula e salve o Gio.
As suas feromonas de ómega, agora uma mistura de resolução e angústia, encheram a divisão enquanto Hesti o abraçava, dando-lhe o apoio de que precisava para o que estava para vir.
Ilán sabia que enfrentar Damon não seria fácil, mas pelo seu filho, estava disposto a tudo.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Clesiane Paulino
orgulho não cabe quando se trata da saúde de quem amamos 🥺🥺🥺🥺
2024-12-23
0
solealua566~ jikooka ~
hesti é o cão menino
2024-12-24
0
Elenilda Soares
vai te bora peste tenta e por teu filho
2024-11-29
0