O vento soprava suavemente entre as árvores altas e escuras da floresta, enquanto Damon caminhava incansavelmente. O som sussurrante de uma voz infantil tinha-o guiado até ali. Vez após outra, essa mesma frase repetida, "Papai, vem aqui!", atraía-o, fazendo-o adentrar-se cada vez mais na densidade da floresta. Damon não sentia medo, apenas uma estranha sensação de urgência, como se algo importante estivesse à sua espera.
Depois do que pareceram horas, Damon finalmente parou, seus passos se tornaram mais lentos até que ele parou completamente ao ver uma pequena menina de uns quatro ou cinco anos. Sua pele era pálida, quase translúcida, e seu vestido branco contrastava com a escuridão ao seu redor. Havia algo inegavelmente familiar em seu rosto, mas Damon não conseguia lembrar quem ela era. Sua mente o traía.
A menina o olhou diretamente nos olhos, sua expressão era serena, mas ao mesmo tempo, carregada de tristeza. Damon sentiu uma pontada no peito, e sem pensar, levantou a mão para acariciar seu cabelo fino e macio. Seu corpo reagia por instinto, como se tivesse feito esse gesto milhares de vezes antes.
—O que você faz aqui, sozinha? —perguntou Damon, sua voz carregada de preocupação. Sentia a urgência de protegê-la, apesar de não entender o motivo.
A menina o olhou com uma calma perturbadora, como se seus olhos grandes soubessem mais do que estavam dispostos a revelar.
—Estou esperando... pelo meu papai.
—Papai? —Damon franziu a testa, incapaz de compreender completamente o que estava acontecendo. O coração batia fortemente em seu peito, e um leve aroma doce, que não havia notado antes, começou a se misturar com o ar frio da floresta. Feromônios. Seu corpo reagia, mas não estava seguro do motivo.
A pequena assentiu e, com uma delicadeza quase etérea, fez um gesto para que ele se inclinasse em sua direção. Damon obedeceu, quase sem pensar, e a menina apoiou suavemente sua mão sobre seu peito, bem sobre seu coração.
—Você é meu papai.
O ar parou nos pulmões de Damon. A proximidade da menina o sobrecarregava, como se uma parte dele soubesse que isso era verdade, embora sua mente não pudesse aceitar.
—Eu? Mas… —começou a dizer, antes que as palavras ficassem presas em sua garganta. De repente, a menina começou a afastar-se, dando pequenos passos em direção à floresta profunda e escura.
—Espere! Para onde você vai? —gritou Damon enquanto começava a correr atrás dela, seu corpo inteiro cheio de adrenalina e confusão. Sentia como o aroma doce dos feromônios da menina se esvaía a cada passo que ela dava, fazendo-o correr mais rápido, desesperado para não perdê-la.
No entanto, quanto mais corria, mais distante parecia estar a menina. O suor cobria sua testa, e sua respiração tornava-se errática. Seu corpo, apesar de forte, não conseguia acompanhar o ritmo. Ele parou, incapaz de continuar, suas mãos nos joelhos enquanto tentava recuperar o fôlego.
—Espere... por favor —murmurou, sua voz apenas um sussurro abafado pelo cansaço.
Como se respondesse ao seu pedido, a menina apareceu novamente, desta vez de pé bem à sua frente, como se nunca tivesse se movido. Damon levantou o olhar, incapaz de acreditar no que via. Era impossível que ela tivesse percorrido tal distância em tão pouco tempo. Mas ali estava ela, com a mesma expressão tranquila e esse ar misterioso.
—Estarei te esperando, papai —disse a menina num sussurro. Sua voz ecoou no ar, envolvendo-o como um eco suave. Depois, olhando-o nos olhos, acrescentou—: Mas agora tenho que ir. Cuide do papai e do meu irmãozinho antes de estarmos juntos novamente.
Damon sentiu como seu coração batia violentamente contra seu peito. As palavras "papai" e "irmãozinho" o confundiram ainda mais. Queria perguntar, queria exigir respostas, mas as palavras se recusavam a sair de sua boca.
—Papai? Irmãozinho? Quem são eles? —perguntou, finalmente, sua voz trêmula pela confusão e desespero.
Mas a menina não respondeu. Em vez disso, começou a andar novamente, e desta vez, seu corpo desvaneceu lentamente numa nuvem de fumaça branca que foi arrastada pelo vento.
Antes de desaparecer por completo, a suave voz da menina foi ouvida uma última vez:
—Eu te perdoei, papai. Viva feliz.
Damon sentiu como seu coração se partia em mil pedaços ao ouvir essas palavras, e antes que pudesse se conter, as lágrimas começaram a cair por seu rosto. A dor em seu peito era insuportável, uma pressão que não conseguia entender. Por que sentia tanto dor? Por que essas palavras o afetavam tanto?
—Espere! Não vá! —gritou Damon, abrindo os olhos de repente, apenas para se encontrar em seu escritório, sentado diante de sua mesa.
O sonho o havia abandonado abruptamente, mas a dor em seu peito ainda estava presente. As lágrimas ainda caíam por seu rosto. Damon levou as mãos aos olhos, esfregando-os com força, como se quisesse apagar os vestígios desse estranho sonho que o perseguia noite após noite desde que havia voltado a Jacarta.
—Droga! —grunhiu, batendo na mesa com frustração. Sua respiração ainda estava agitada, e a sensação de perda o envolvia. O aroma de feromônios ainda flutuava no ar, como um vestígio do que havia experimentado no sonho. Damon sabia que aquele aroma não era real, mas seu corpo continuava reagindo, cada vez mais perturbado.
—Só precisa descobrir o que esse sonho significa —disse uma voz repentina do canto da sala.
Damon deu um pulo, surpreso por não estar sozinho. Virou a cabeça rapidamente e viu Zack, seu assistente, parado junto à porta.
—Caramba, Zack! Quase me matou de susto —bufou Damon, levando uma mão ao peito para acalmar seu coração acelerado—. O que você está fazendo aqui?
—Só faço meu trabalho, esqueceu? Você me pediu para ficar até tarde —respondeu Zack com tranquilidade.
Damon soltou um suspiro pesado, lembrando-se de que, de fato, havia pedido que Zack ficasse para terminar uns relatórios. Ultimamente, sua mente não estava no lugar. Os sonhos, os feromônios, tudo o fazia sentir-se fora de si, como se estivesse perdido em um mar de incerteza e confusão. Não conseguia se concentrar em nada, nem mesmo no trabalho.
—Desculpe. Eu esqueci completamente.
Zack o observou em silêncio por alguns momentos, notando o rastro de lágrimas nos olhos de Damon.
—Sonhou com a menina novamente, não é?
Damon assentiu, esfregando o rosto com as mãos numa tentativa desesperada de livrar-se da angústia. O aroma a feromônios intensificava-se ao seu redor, uma mistura de confusão e dor que enchia o ambiente.
—Sim. E cada vez ela me chama... de pai.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Clesiane Paulino
é a filhinha dele que morreu... ela perdoou ele🥺🥺🥺🥺
2024-12-23
0
Santos 💗
🤧🥺😭😭😭😭😭
2025-02-07
0
Elenilda Soares
a filha quê morreu
2024-11-28
0