Ilán e Damon estavam sentados em frente ao doutor Harir, o ambiente carregado de tensão enquanto ambos aguardavam com nervosismo os resultados que o médico estava prestes a ler. As feromonas de Ilán, um Ômega profundamente afetado, enchiam o ar com uma mistura de desespero e tristeza.
—O que diz, doutor? O resultado é negativo? — perguntou Damon, seu tom incrédulo enquanto a angústia começava a tomar conta de seu peito.
Ilán, sentado ao seu lado, sentiu que seu corpo se debilitava. Todo seu mundo desabava ao saber que a única esperança para salvar Gio não era viável. O aroma de suas feromonas se intensificou, criando uma nuvem de angústia e desespero que impactou diretamente em Damon, que sentiu como seus instintos de alfa se ativavam, lutando para manter a calma.
—Segundo os resultados, somente um de seus antígenos é compatível com o de Gio — explicou o doutor Harir—. Isso significa que dos oito necessários, apenas um coincide. Não teria sentido realizar um transplante nessas condições.
—Mas como é possível, doutor? — a voz de Damon se quebrou, seu olhar fixo no médico—. Sou seu pai biológico, não deveria ser compatível?
O doutor Harir suspirou, ajustando os óculos enquanto falava com tom paciente.
—A compatibilidade entre pais e filhos é de apenas cinco por cento. A possibilidade de encontrar uma compatibilidade melhor é maior entre irmãos, em torno de vinte e cinco por cento. Mas no caso de Gio, ele é filho único.
A notícia caiu sobre ambos como um peso impossível de suportar. Damon e Ilán se entreolharam, seus olhos cheios de uma mistura de impotência e dor. O ar estava carregado de feromonas tensas, as emoções de ambos agitadas e entrelaçadas naquela pequena sala.
—Não há outra forma de salvar Gio? — perguntou Ilán, sua voz apenas um sussurro enquanto as lágrimas começavam a encher seus olhos.
—Devemos buscar outro doador, mas pode ser difícil e tomará tempo — respondeu o doutor, seu tom sombrio.
—Não... — Ilán negou com a cabeça, as lágrimas rolando por seu rosto—. Não pode ser, tem que haver outra forma, uma mais rápida. Por favor, doutor! — implorou entre soluços, seu aroma inundando a sala com uma intensidade dilacerante.
Damon observava como Ilán se quebrava em sua frente, seu corpo vibrando com a necessidade de consolá-lo, mas suas mãos permaneciam imóveis. Queria abraçá-lo, queria protegê-lo, mas a culpa o detinha, congelando-o em seu lugar. Desde que se casaram, Damon havia sido o causador de muitas das lágrimas de Ilán. Primeiro, a perda de sua filha. E agora, a doença que consumia Gio.
—Já consideraram ter outro filho? — perguntou o doutor de repente.
O coração de Damon parou por um momento. Ele e Ilán trocaram olhares cheios de surpresa, sem saber como processar o que acabavam de escutar.
—Para poder obter o sangue do cordão umbilical — esclareceu o doutor, seu olhar tranquilo.
—Sangue do cordão umbilical? — repetiu Damon, claramente confuso.
O doutor Harir assentiu.
—O sangue do cordão umbilical de um irmão mais novo de Gio poderia ser a chave para salvá-lo.
O silêncio preencheu a sala novamente, as palavras do doutor reverberando em suas mentes enquanto saíam do consultório. Não havia mais nada a dizer, ambos estavam oprimidos pela incerteza. Finalmente, o corpo de Ilán cedeu e ele se deixou cair no chão do hospital, as lágrimas fluindo incontrolavelmente.
—Ilán… — exclamou Damon, surpreso, correndo em sua direção para ajudá-lo a se levantar.
—Não me toque! — gritou Ilán, sua voz cheia de fúria enquanto empurrava Damon com força—. Vá embora! Você não tem que estar aqui! Vá! — Seguiu empurrando-o com desespero, até que ambos caíram no chão, exaustos. Ilán soluçava, seu corpo tremendo de dor—. Meu Deus, por que tem que ser meu filho a sofrer com essa doença?! Por que não ele?! É ele quem causou tudo isso, Damon! Ele fez meu filho sofrer desde o ventre! — Ilán o apontou, seu dedo tremendo enquanto o acusava com um ódio profundo.
Damon esboçou um sorriso amargo, negando lentamente com a cabeça.
—Sim… por que não eu? — murmurou com amargura—. Sou eu quem causou tudo isso.
Mas Ilán não escutava. Seguia chorando, desabafando toda a dor que o estava destruindo por dentro. As feromonas de ambos se entrelaçaram no ar, refletindo a tormenta emocional que compartilhavam. Apesar da fúria e do rancor, se agarraram um ao outro, chorando juntos no chão do hospital, ignorando as pessoas que passavam ao redor.
—Tudo isso é culpa sua, Damon. Tudo… — murmurou Ilán, suas forças agotadas por tanta dor—. E agora? O que vamos fazer com Gio? Como vamos salvá-lo?
—Case-se comigo outra vez — interrompeu Damon de repente, sua voz baixa, porém firme, enquanto seus olhos buscavam os de Ilán com intensidade—. Case-se comigo, Ilán.
—O quê…? — Ilán o olhou, incrédulo, sem saber se havia escutado bem.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Clesiane Paulino
eita lasqueira... eu não pensaria duas vezes... eu teria pego ele e levado pra um quarto pra fazer um irmão pro Gio,nem precisa casar 🥺🥺🥺
2024-12-23
1
Elenilda Soares
eita eita eita e agora
2024-11-29
1