Capítulo 10

—Ilán... — sussurrou Damon, incrédulo.

O ômega que ele havia procurado com tanto afinco, o mesmo que havia preenchido seus pensamentos dia e noite, agora estava ali, à sua frente. Não havia necessidade de mais buscas desesperadas, nem de pagar fortunas a investigadores. Ilán, seu ex-marido, estava de pé a poucos metros, tão real quanto as batidas aceleradas no peito de Damon. Uma torrente de emoções o invadiu de repente: nostalgia, culpa e um profundo anseio que ele havia tentado reprimir por tanto tempo. Seus feromônios começaram a transbordar, enchendo o ar com uma mistura de desejo e arrependimento.

—Você... como?

—Podemos conversar um momento? — interrompeu Ilán, em um tom urgente, ignorando as palavras de Damon. O ômega parecia agitado, e seus feromônios emitiam um pedido urgente de ajuda. Não havia tempo para sentimentalismos; havia algo muito mais importante que o havia levado até ali.

Ilán precisava de ajuda. Gio, seu filho, havia tido uma recaída e estava novamente hospitalizado. A notícia havia abalado seu mundo, e em um arroubo de desespero, Ilán havia decidido recorrer a Damon, seu único recurso, depois de saber por Hesti que Damon havia chegado a Jacarta no dia anterior.

—Claro... — respondeu Damon, tentando sorrir, mas sua mente já estava cheia de perguntas. O que Ilán estava fazendo ali? Por que o procurava depois de tanto tempo de distanciamento? A tensão no ar aumentava, seus feromônios revelavam um sutil nervosismo que ele não conseguia controlar. Damon sabia que Ilán não apareceria sem um motivo poderoso, especialmente considerando como o desprezava após tudo o que havia acontecido.

—Siga-me — disse Damon, com um movimento decidido em direção ao elevador.

Ilán o seguiu em silêncio, seus passos carregados de urgência, enquanto Zack, que havia permanecido em silêncio o tempo todo, se juntou a eles. Dentro do elevador, os feromônios de ambos encheram o espaço reduzido com uma tensão palpável. Nenhum dos três disse uma palavra enquanto as portas se fechavam, mas o ambiente estava carregado com a energia de algo iminente.

Uma vez dentro do escritório particular de Damon, o silêncio continuou pesando sobre eles. Damon se virou para Ilán, buscando oferecer-lhe uma trégua.

—Por favor, sente-se. Quer beber alguma coisa? — começou a oferecer, mas suas palavras foram interrompidas de repente.

Ilán, o orgulhoso ômega que nunca se dobrava diante de ninguém, de repente caiu de joelhos à sua frente. Lágrimas começaram a rolar por seu rosto enquanto seu corpo tremia. Até mesmo Zack, que estava acostumado a lidar com situações desconfortáveis, ficou paralisado pela surpresa.

—Ilán! O que você está fazendo? — perguntou Damon, aproximando-se rapidamente, seu coração batendo violentamente em seu peito. Ver o ômega, o mesmo a quem ele havia ferido tanto, suplicando à sua frente o deixou completamente desconcertado. Os feromônios de Damon se espalharam, enchendo a sala com uma mistura de preocupação e angústia. Ele não suportava ver Ilán daquele jeito.

—Por favor, Damon. Eu lhe imploro, me ajude — soluçou Ilán, sem levantar o olhar, sua voz sufocada pelo choro.

—Não faça isso, levante-se! — disse Damon, abaixando-se para ajudá-lo a se levantar, sentindo a suavidade da pele do ômega sob suas mãos, o calor de seu corpo ainda tão familiar, apesar dos anos que haviam se passado.

Mas Ilán balançou a cabeça negativamente, seu cabelo branco caindo como um manto que cobria seus olhos. —Não, não vou me levantar até que você me prometa que vai me ajudar — insistiu com desespero.

Damon congelou. Ele sabia que devia ser algo sério, mas não imaginava que Ilán chegaria a esse ponto. Ele sempre havia sido tão forte, tão independente. Mas agora, seus feromônios revelavam sua vulnerabilidade, um grito silencioso de socorro. Damon engoliu em seco com dificuldade. Ilán sabia o quanto ele detestava a ideia de ter filhos, como havia fugido dessa responsabilidade. E por isso, Damon se perguntava se ele estaria casado com outro alfa, se teria formado uma nova vida, uma nova família.

—Eu vou te ajudar — prometeu Damon finalmente, seus feromônios agora emitindo um leve rastro de proteção e arrependimento. Ele não podia deixá-lo assim. Faria o que fosse necessário para compensar o dano que lhe havia causado. Apesar de tudo, ele ainda sentia falta de Ilán, mais do que estava disposto a admitir.

Com delicadeza, Damon o levantou do chão e o conduziu até um dos sofás de couro que adornavam seu escritório. Zack, ainda impactado pelo que havia testemunhado, aproximou-se rapidamente.

—Zack, saia. Não deixe ninguém nos interromper até que terminemos de conversar — ordenou Damon sem tirar os olhos de Ilán.

—Sim, senhor — respondeu Zack, saindo da sala com uma expressão de incerteza no rosto.

Uma vez que estavam sozinhos, o silêncio voltou a cair sobre a sala, interrompido apenas pelos soluços suaves de Ilán. Damon o observou, seu coração doendo ao ver o ômega em um estado tão vulnerável. Os feromônios de Ilán estavam impregnados de desespero, um eco de seu sofrimento, e Damon, pela primeira vez em muito tempo, não soube como reagir.

—O que aconteceu, Ilán? — perguntou Damon suavemente, esperando que suas palavras o acalmassem.

—A..ajude-me a salvar meu filho — respondeu Ilán com a voz trêmula, seus olhos cheios de súplica.

O coração de Damon parou por um instante. A palavra "filho" ecoou em sua mente como um estrondo ensurdecedor. Ilán havia tido um filho? Havia se casado novamente e formado uma família? Os feromônios de Damon começaram a oscilar entre a confusão e a dor. Ele não suportava a ideia de que outro alfa tivesse ocupado seu lugar, de que Ilán tivesse seguido em frente sem ele.

Uma torrente de emoções o dominou. Não, ele não podia aceitar isso. O egoísmo que ele tanto havia tentado suprimir voltou à superfície. Ele não podia permitir que Ilán pertencesse a outro, embora soubesse que não tinha o direito de exigi-lo. Sim, embora parecesse muito egoísta. Damon queria que Ilán voltasse para ele para que pudessem começar uma nova vida e ele pudesse expiar sua culpa pela perda de seu bebê.

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Comments

Vera Lucia Valério

Vera Lucia Valério

AFF será que a autora sabe o significado de feromônios,pq vcê repete essa palavra acordo o momento

2025-01-10

0

Clesiane Paulino

Clesiane Paulino

eita que meu coração quase sai pela boca😥😥😥😥

2024-12-23

0

Elenilda Soares

Elenilda Soares

excelente história parabéns

2024-11-29

1

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