—Mas doutor, meu filho é tão pequeno... — disse Ilán entre soluços, com as lágrimas que havia contido por todo esse tempo finalmente transbordando e escorrendo por suas bochechas em torrentes impossíveis de parar —. Não é possível que Gio tenha essa doença...
O médico permaneceu em silêncio por alguns segundos, deixando escapar um suspiro antes de falar. —Faremos mais exames para confirmar o diagnóstico, senhor Ilán, mas não podemos ignorar os sintomas.
Ilán não conseguiu responder. Estava paralisado, sua mente nublada pela notícia devastadora. A placa com o nome "Dr. Harir" no peito do médico parecia brilhar sob a luz fria do hospital, enquanto as palavras ecoavam em sua cabeça sem sentido. Quando finalmente saiu do consultório, suas pernas falharam e ele caiu no chão, seus joelhos batendo no piso com um som seco. As lágrimas agora corriam livremente, encharcando seu rosto enquanto seu corpo tremia de dor.
—Meu Deus... o que eu fiz para merecer isso? — sussurrou com um fio de voz. Sua fragrância de ômega vulnerável, impregnada de tristeza e desespero, preenchia o ambiente ao seu redor. Os olhares dos outros na sala de espera pousaram sobre ele, mas Ilán estava muito destruído para notar qualquer coisa.
Ilán havia passado por tanto em sua vida, e cada novo golpe o havia destruído um pouco mais. Desde que seu pai se casou novamente, a vida havia se tornado um inferno. Sua juventude roubada por um alfa desconhecido em sua fuga de casa, um casamento forçado por sua gravidez, e então, quando finalmente começou a amar Damon, aquele alfa a quem estava destinado, ele o havia abandonado cruelmente. E para piorar, perdeu uma de suas gêmeas no mesmo dia em que Gio nasceu. Toda aquela dor o havia arrastado até este ponto. E agora... seu amado filho, a criança pela qual havia lutado, protegido e escondido do mundo, estava doente.
" Por que, Deus? Por que Gio? " gritava em sua mente, sentindo como se seu coração se partisse em mil pedaços.
Chorou em silêncio por um longo tempo, sem ousar entrar no quarto onde Gio estava descansando. Não queria que seu filho o visse naquele estado, quebrado e derrotado. Sabia que Gio era forte, e não queria transmitir-lhe seu medo. Finalmente, depois de um tempo, ele se levantou, suas pernas tremendo, e foi até o banheiro do hospital para lavar o rosto. Precisava se acalmar antes de voltar para perto de seu filho. Seu aroma ainda estava impregnado de dor, mas tentou suprimi-lo, controlá-lo da melhor maneira que pôde. Quando finalmente se sentiu forte o suficiente para enfrentar a situação, saiu do banheiro e voltou para o quarto de Gio.
—Por que demorou tanto? — perguntou Hesti assim que o viu entrar.
A preocupação era evidente no rosto de Hesti. Embora tentasse se manter firme, o leve aroma azedo de sua ansiedade se infiltrava no ar. Sabia que algo estava errado. Gio continuava inconsciente, e a longa conversa de Ilán com o médico havia alimentado seus piores medos.
—Saí para procurar algo para beber primeiro — mentiu Ilán, forçando um sorriso enquanto acariciava suavemente o rosto de Gio, tentando evitar que as lágrimas brotassem novamente.
Mas a opressão em seu peito era muito forte. Cada vez que olhava para seu filho, seu coração se partia um pouco mais. O aroma de Ilán, carregado de tristeza, preenchia o quarto. Apesar de seus esforços para se manter forte, não conseguiu evitar que as lágrimas começassem a cair novamente, deslizando silenciosamente por suas bochechas.
—Lán, por que você está chorando? — perguntou Hesti, alarmado, aproximando-se rapidamente. Sabia que algo grave estava acontecendo, mesmo antes de Ilán responder. O tom de sua voz, os olhos vermelhos e inchados de seu amigo, indicavam que havia más notícias.
—Meu filho, Hesti... o médico disse que... — Ilán não conseguiu terminar a frase. Sua voz se quebrou e ele cobriu a boca com as mãos, tentando conter o soluço que ameaçava escapar.
—O que Gio tem? O que o médico disse? — insistiu Hesti, agora ainda mais preocupado.
Finalmente, Ilán contou tudo o que o médico havia dito, sussurrando as palavras como se ao pronunciá-las em voz alta se tornassem mais reais e dolorosas. Explicou o diagnóstico, a terrível doença que o médico temia que seu filho pudesse ter.
—Leucemia mieloide...? — sussurrou Hesti, incrédulo, seu corpo tenso diante da revelação. Não conseguia entender. Como uma criança tão pequena, que sempre parecia estar bem, poderia estar sofrendo de uma doença tão devastadora?
Ilán assentiu, sentindo que o chão desabava sob seus pés. —Vão fazer mais exames... mas estou com medo, Hesti. Estou com tanto medo de que... — sua voz se desvaneceu, incapaz de terminar a frase. Não conseguia nem pensar na possibilidade de perder Gio.
—Não tenha medo, Ilán — interrompeu Hesti, envolvendo Ilán em um abraço reconfortante, deixando que seu aroma calmante o rodeasse, tentando oferecer-lhe um pouco de paz —. Estou aqui com você. Vamos rezar juntos, ok? Os próximos exames podem mostrar que está tudo bem, que é só cansaço. Gio é forte, você sabe. Tudo vai ficar bem.
Ilán fechou os olhos, deixando que o abraço de Hesti e seu aroma o envolvessem completamente, dando-lhe um pequeno respiro de sua dor. —Sim... espero que sim. Sei que Gio é forte... — disse Ilán, sua voz carregada de oração enquanto inclinava a cabeça para beijar a testa de seu filho.
O pequeno ômega se agarrava àquela esperança desesperadamente, rezando em silêncio para que seu filho pudesse superar esta provação, para que o destino não fosse tão cruel mais uma vez.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Clesiane Paulino
amando a história... tadinho de Gio 🥺🥺🥺
2024-12-23
0
Elenilda Soares
show 👏 👏 👏 👏 parabéns autora arrasou demais
2024-11-29
0
Rosilane Candeia
Muito ruim esse livro
2024-12-19
0