Maria Elisa Mattos
Estou no escritório de Amélia, ela me pediu para estar aqui ao meio-dia, e estou esperando por pelo menos uma hora. A porta se abriu e ela entrou.
— Maria Elisa, temos que conversar.
Assenti, eu sabia que meus termos colidiriam, alguma hora, com os dela.
— Quero saber o que você quer com tudo isso? Me diga!
Ela se sentou ao meu lado, não na sua habitual poltrona, ela está diferente, talvez esteja querendo se fazer de humana, mas se esqueceu que sei o tipo de pessoa que ela é!
— Quero Juliana livre! E sei que falta três anos para o contrato dela acabar, gostaria de ajudar a pagar o tempo que falta.
Ela assentiu e segurou minha mão que estava no braço da cadeira estofada.
— Você tem um contrato de exclusividade, já assinado, o homem mais poderoso da França está disposto a pagar para você dançar apenas para ele.
Minha boca secou, seria quase como se eu estivesse vendida.
— Ele ficou muito contente com sábado a noite, e quer repetir. Então o faça feliz, ele é um homem muito importante aqui na França. O senhor Richard tem muita influência em vários países.
Forcei minha respiração e puxei minha mão.
— E tenho um favor para te pedir, uma despedida de solteiro. O filho de um homem muito importante, na Itália, vai se casar, e me pediu você. O pai dele te viu na sexta-feira, e ficou encantado com seus dotes. Claro que será muito bem remunerada.
Sem acreditar eu não conseguia me mexer. Está acontecendo, tudo isso está realmente acontecendo e fui eu que comecei, agora tenho que ir até o final.
— Quanto tempo?
Ela me encarou e sua boca se abriu, mas não saiu, sim, e acho que se não fosse o Botox suas sobrancelhas estariam juntas agora.
— Quanto tempo, o quê?
Ela realmente perguntou isso?
— Quanto tempo teremos que dançar para você?
Ela se levantou e deu a volta na sua mesa, se sentou em sua poltrona e bateu as unhas vermelhas, dessa vez, na mesa.
— Preciso fazer uns cálculos, não posso te responder agora, mas prometo que logo terá sua resposta.
Assenti
— Quando é a despedida de solteiro? E esse contrato de exclusividade, isso não vai contra alguma cláusula?
Ela sorriu
— Só se ele souber. E você não vai sozinha, mandarei mais três garotas. Quanto a despedida, será em um mês.
Assenti, e nos despedimos.
Sai do escritório direto para a sala de fantasias, preciso pensar. Qual música escolho, o que usar, como usar, como tirar, e principalmente, como agirei durante toda a dança.
— Oi, Malí, não é?
A voz doce de Cami ressoou ao fundo do grande closet, é isso que isso parece para mim
— Me chame de Maria Elisa, eu vim dar uma olhada no que posso usar.
Ela sorriu e abriu uma porta ao lado dela atrás do balcão.
— Aqui tem umas peças com seu nome.
Estranhei, mas mesmo assim a segui.
— O que é isso tudo?
Havia algumas caixas com o meu nome, todas de marcas caras e famosas.
— O senhor que reservou sua agenda, mandou entregar essas coisas para você usar para ele.
Isso é assustador. Comecei a vasculhar as caixas da Victória's Secret'S lingeries lindíssimas e muito sensuais.
— Que tipo de homem faz isso?
Ela estava com uma lingerie linda, branca, que tinha asas e parecia ser de anjo
— Um com muito dinheiro, e bom gosto. É difícil, mas ele pode ser o tipo certo.
Fiquei curiosa, o que ela estava falando?
— Que tipo?
Perguntei, separando uma preta, com detalhes em vermelho.
— Parece até lenda, mas o cara certo, pode te tirar dessa vida. Olha a Rosane, engravidou e teve a sorte dele estar muito apaixonado.
Agora entendo, o pai de Emilly pagou pelo contrato.
— Um conselho, tome muito cuidado com as garotas daqui. Tem algumas que realmente gostam dessa vida, e veem as novatas como concorrência.
Assenti, guardando cada palavra dela.
— Você só trabalha aqui escondida?
Perguntei e ela assentiu
— Minha mãe me vendeu quando eu tinha quatorze anos, estou aqui desde então, não tenho do que reclamar, tenho mais do que tive em toda minha vida.
Fiquei surpresa, suas palavras me chocaram. Vendida?
— Sinto muito!
Ela negou e sorriu
— A senhora Amélia, cuida de mim. Ela só teve um filho, mas ele quase não vem para casa.
— Obrigada, Cami.
Tenho algumas horas até o momento de encontrar o senhor Richard.
— Ora, olha o que temos aqui? Um brinquedo novo!
Uma morena de olhos azuis, alta e magra me cerca no corredor, com uma ruiva.
— Acha que ela sabe chupar um pau?
A ruiva perguntou. Fiquei acuada, as duas mulheres bem mais altas que eu, me fizeram lembrar do tempo de escola.
— Essa deve é dar esse rabo brasileiro, toda brasileira gosta de dar o cu!
A morena disse, mas foi a ruiva que apertou minha bunda.
Perdi o controle, e acertei um tapa no rosto dela.
— Olha só, a safada quer brigar. Dá o que ela quer, Briana!
A morena instigou, e a ruiva partiu para cima de mim, agarrou em meus cabelos com as duas mãos, e eu agarrei seus braços com minhas unhas.
— Vadia, me solta!
Ela soltou uma mão do meu cabelo e arranhou meu rosto, senti suas unhas arrastando pela minha bochecha.
— Quero ver quem vai ter tesão nessa carinha de biscate de puteiro de quinta!
Eu gritei. Logo senti mãos fortes em mim.
— Caralho!
Jason esbravejou, e a ruiva o encarou com medo.
— Desculpa, não vai mais acontecer!
Ela disse e saiu correndo. Eu me abaixei para pegar as embalagens que estavam na minha mão, mas agora estavam espalhadas pelo corredor.
— Tem uma enfermaria no estacionamento, vá até lá. Seu rosto está horrível!
Assenti. Senti o gosto de sangue na boca, imagino ela que tenha feito um estrago.
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Atualizado até capítulo 83
Comments
Nerina Martins Rodrigues Lopes
autora Mali tem que conversar com Richard pra ele descobrir que a velha tá ficando com todo dinheiro e vendendo ela sem exclusividade
2025-01-27
1
Elis Alves
3° erro
Está deixando tudo nas mãos da vadia. Não está recebendo nada e está fazendo tudo que a velha quer, sem se proteger de nada
2025-01-08
2
Silvania Assis
seu serviço pela liberdade das duas,vc esta se enrolando pior que ela
2025-01-18
1