Em video chamada no meu quarto, com Juliana, hoje é dia de shopping de novo, minha tia e prima saíram há cinco minutos, nunca fui muito disso.
— Ju, tem uma semana que quero te contar uma coisa
ela está linda, maquiada, roupa toda chique
— Não contou nas outras vezes que falamos, por quê?
estou sorrindo, e tenho certeza que pareço o coringa
— Não acredito, mentira!
ela praticamente grita
— Então, adeus lacre?
perguntou e fez um barulho com a boca, e riu
— Ele foi tão carinhoso, foi tudo perfeito!
ela coçou a cabeça. Ela não gostava muito dele, achava muito velho para mim.
— E como estão as coisas por aí, agora?
pareceu preocupada
— Normal, hoje ele vem para cá, depois do jogo.
dei de ombros, não entendi o que ela quis dizer com a pergunta
Ouvi um barulho vindo da cozinha, mas podia jurar que estava sozinha.
— Que foi? Por que essa cara?
Juliana me perguntou, deve ser pela minha cara de espanto
— Ouvi um barulho, mas estou sozinha.
sussurrei para ela
— Chama a polícia, tranca a porta do seu quarto.
eu me levantei
— Estou num apartamento, no sétimo andar, por que invadiram justamente este? Não faz sentido!
abri a porta e andei pelo apartamento, com o celular na mão, não vi nada, nem ninguém
— Deve ter sido o vento, ou sei lá. Minha imaginação, talvez
sorri para ela e voltei para meu quarto.
— Você me assustou, sabe que morro de medo dessas coisas, queria tanto passar um tempo com você, uma visitinha sua, quem sabe. Estou com tanta saudade.
ela fez beicinho e piscou seus longos cílios bem torneados e pintados de preto
— Aonde vai toda produzida? Tá maior gata!
ela sorriu e fez um bico de beijo
— Vou sair para dançar, rebolar meu rabo brasileiro!
ri da minha melhor amiga, que morro de saudade de ter por perto
— Então, vai lá e dance por mim, hoje eu vou namorar.
nos despedimos. Sempre amei a dança, sou bailarina, estou há um tempo sem praticar, assim que comecei a faculdade. Resolvi ir tomar um banho para esperar Sam.
Acabei dormindo esperando por ele. E ele não apareceu, mas mandou uma mensagem, dizendo que tinha um imprevisto.
...
Acordei no dia seguinte com uma mensagem de Sam, me pedindo desculpas e dizendo que um paciente que precisava dele com urgência.
— Maria, você vai mesmo sair hoje?
minha tia perguntou na mesa do café
— Sim, tia. Preciso fazer um trabalho em grupo, vou à biblioteca da faculdade.
ele assentiu. Virgínia estava com cara de ressaca, com a cara na geladeira.
— Vou dormir o resto do dia, mãe. Se precisar de mim, sabe onde me encontrar.
ela pegou a garrafa de suco de laranja e levou para o quarto
— Estou indo.
minha tia é gerente bancária, é bonita e elegante, a herança dos meus avós ajudaram. As dos meus pais, eu peguei quando completei dezoito.
Me arrumei e sai, fui à biblioteca encontrar minhas colegas da faculdade.
Aproveite para fazer um relatório, mas nada de ninguém chegar.
Peguei meu celular para ligar para elas, e não tinha me atentado que ele estava no silencioso, quatro ligações perdidas, e várias mensagens das meninas pedindo desculpas e dizendo que não daria certo de irem hoje, e remarcando para amanhã.
Juntei todo o meu material e voltei para casa.
...
Nada me preparou para o que vi, quando abria a porta para entrar em casa.
A minha prima Virgínia, estava nua com os joelhos no sofá, e as mãos no encosto. Sam, que estava atrás dela, estava agarrando seu cabelo e investindo contra ela, ela gemia e ele batia em suas nádegas.
Fechei a porta sem que me vissem, não conseguia respirar, corri até o elevador, que me levou até o terraço.
Meu celular tocou, eu havia tirado do silencioso. Era Juliana.
— Ju!
atendi, e assim que meus olhos encontraram os dela eu chorei
— O que está acontecendo? Fala comigo, Mali!
me chamou como costumava me chamar quando éramos crianças
— O Sam, a Virgínia. Eu não acredito nisso!
Eu me agachei e apertei minha barriga
— Calma Mali, onde você está? Você está no terraço? O que está fazendo aí?
neguei com a cabeça, chorando copiosas.
— Eu queria que estivesse aqui! O que eu faço? Eu não quero olhar na cara deles nunca mais, eles estão transando nesse exato momento, no meio da sala!
Consegui enfim dizer, só que com raiva e ódio, é isso que sinto agora, rasgando minha garganta.
— Respira, calma, o que quer fazer?
ela me perguntou. E eu não sei.
— Eu me entreguei aquele desgraçado. E ele está agora, lá dentro com aquela vagabunda!
eu tentei respirar, para me acalmar, preciso me acalmar e pensar, mas não consigo. Dói, os dois me traíram.
— Já sei, eu vou comprar a sua passagem. Espera ele ir embora, pega seus documentos e, pega o avião e vem, você não precisa de ninguém daí, sua tia é uma vaca mesmo, e pariu aquela puta!
Eu sorri, mesmo em meio às lágrimas, ela me chama para ir morar com ela tem um ano, toda ligação ela diz o mesmo.
— Está propondo que eu fuja?
ela assentiu e sorriu como o gato Félix da Alice
— Você é maior e não deve satisfação para essas pessoas horríveis que te rodeiam, deixem eles loucos pensando que você sumiu!
deu de ombros, ela me acalmou, ela sempre foi minha metade mais louca
— O que eu faria sem você?
perguntei manhosa
— Não queira saber, meu bem! Já estou vendo, tem uma passagem para hoje, meia-noite.
ela está com o notebook aberto na mesa
— Ainda bem que te convenci a fazer o seu passaporte, e tirar o visto, imagina se você tem que ir atrás disso tudo.
sorri, ela fez mesmo. Eu não queria, achei que não seria necessário, mas olha só, me fez sempre deixar em dia a documentação.
Passamos mais um tempo conversando, sobre tudo e nada.
— Será que eles terminaram?
perguntei a ela, com vontade de chorar de novo, mas eu me segurei
— Fica aqui comigo, respira, e se acalma, eles não merecem nada de você!
eu me sentei no banco e esperei por mais meia hora. Juliana ficou comigo na chamada de vídeo, me dando a força que eu precisava no momento.
— Vou lá, não desligue!
ela assentiu e ficou comigo.
A chamada de vídeo ficou ruim no elevador, mas voltou ao normal assim que sai no meu andar.
Fiz barulho na porta antes de abrir, e nada, não havia nada na sala. Nem parecia estar rolando uma cena de filme porno aqui.
Fui direto para meu quarto, separei minhas roupas, enchi minhas malas e peguei todos os meus documentos.
Juliana assistiu tudo.
— Preciso sair antes da minha tia chegar. Espero no aeroporto, vou direto para lá!
ela assentiu
— Você tem dinheiro?
abri minha carteira
— Tenho cem reais em dinheiro, e tenho a minha conta particular.
ela assentiu
— Vou ver se a minha priminha não está em casa!
sai e deixei meu celular no quarto
Fui até o quarto de Virgínia, ela está no banho, e pelo que a conheço, ela vai demorar muito.
Voltei correndo e peguei tudo que juntei, e sai, deixei a chave na mesa, para nunca mais voltar.
...
— Vôo 347, destino Paris. Portão 3
anunciando no microfone faltavam dez minutos para a meia-noite.
É o mundo novo, o desconhecido. E eu não voltarei!
Entrei pelo corredor, até entrar no avião, a aeromoça me indicou o assento da primeira classe.
Juliana está doida? Como gastou desse jeito com uma passagem de avião para mim? Ela foi para lá, trabalhar!
Me sentei ao lado de uma senhora, ela parecia resfriada.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 83
Comments
Terezinha Gouveia
ela fez certinho, não brigou vida que segue mesmo chateada
2025-01-29
1
Elis Alves
Sei, consegui né?!
2025-01-08
1
Alis
gostei demais 👏👏👏
2024-12-28
1