Maria Elisa Mattos
Ainda não entendo, não foi do jeito que pensei que aconteceria. Ele não me tocou.
Dancei e fiz como Juliana me ensinou, esse homem pagou meio milhão de euros, apenas para me ver dançar? Apesar que ele acabou com um final feliz, mesmo sem encostar suas mãos em mim.
Enquanto estava dançando, em seu colo, sentir o seu desejo por mim fez algo irreal surgir, eu não poderia ter ficado como fiquei, mas não comendava mais minhas ações, meu corpo já estava em chamas, eu precisava daquilo.
Senti seus músculos tensos e sua respiração que estava difícil, me fez querer ser tocada, me fez querer mais.
Seu autocontrole e seu desespero por me tocar, não me passou despercebido, ele agarrou tão forte o braço da cadeira, que os nós dos dedos dele estavam brancos, livre de qualquer resquício de sangue.
— Chegamos!
Jason foi meu motorista, não me perguntou nada, e não pronunciou nenhuma palavra, isso foi ótimo. O caminho de volta eu só conseguia pensar nas sensações de ter seu corpo junto ao meu.
Eu saí do carro e corri até a entrada do prédio;
Quando entrei no chuveiro, o cheiro daquele homem estava em todo lugar, como se estivesse empregado em mim. Seus olhos azuis fitaram os meus e me senti mais exposta do que nunca.
...
— Mali, vamos ao parque, acorda!
Juliana estava puxando meu edredom e falando toda manhosa.
— Tão cedo?
Perguntei, sem abrir os olhos.
— Maria Elisa, já passa das onze e eu preciso conversar com a minha amiga
Ergui a cabeça e abri os olhos, ela ainda estava falando de um jeito estranho.
— O que aconteceu?
Perguntei preocupada, não sei que tipo de coisas costumam acontecer no meio que estamos envolvidas agora.
— Tenho um cliente fixo, e preciso falar dele!
Ela disse rápido e tapou a boca, como se fosse possível impedir de sair às palavras que saíram.
Eu me sentei e observei ela se ajeitar sentada na minha cama, e fiz sinal para ela continuar, sem interrupções.
— Ontem, ele pediu uma sala sem o segurança. Ele nunca fez isso.
Meu coração acelerou, tive medo do que ia dizer, ela é um ano mais velha que eu, somos apenas meninas num país onde não conhecemos nada.
— Tive receio, eu nunca fiz programa, mas não era isso que ele queria. Ele queria me conhecer, conversar comigo!
Ela disse e eu a observei, ela sorri e pareceu ter gostado da conversa.
— E como ele é?
Ela desviou os olhos de mim e pareceu estar em uma lembrança.
— Ele é gentil, nós conversamos por uma hora. Ele nem imagina o que acontece naquele lugar. Mali, estou com medo por você, eu ficaria feliz se você voltasse para o Brasil.
Ela me encarou e vi o semblante de contente se transformar em medo.
— O que você sabe? Me conta, eu preciso saber de tudo!
Ela se mexeu incomodada
— Já ouvi histórias de meninas que desapareceram, vendidas para quem pagar mais.
Minha respiração cessou, eu preciso ter muito cuidado, eles são perigosos, e eu posso me ferrar se der um passo em falso.
— Vamos com muita calma.
Ela assentiu.
Posso tentar juntar provas para formalizar uma denúncia, essas pessoas não podem sair impunes pelos seus crimes.
— Vamos ao parque, ele pediu para me encontrar com ele.
Ela me olhou ansiosa
— Juliana, eu vou, mas ficarei a distância, apenas para ficar de olho em você.
Ela sorriu e se levantou num pulo.
— Pois trate de se levantar e vamos, marquei ao meio-dia.
...
Ela está sentada ao lado de um belo homem, alto e forte. Estou com um livro nas mãos, mas não consegui ler nenhuma página.
A noite passada continua em meus poros, não sabia que era possível sentir esse tipo de poder, ele estava a minha mercê e eu poderia ter feito o que eu quisesse, ele se conteve o máximo, senti quando ele gozou, seus rosnados furiosos me fizeram explodir, roçando em seu pau grosso.
— Que tipo de homem faz isso?
É o que eu não consegui parar de me perguntar. A curiosidade de saber quem é o lindo homem viril que se conteve debaixo de mim, aguçou algo estranho nas minhas entranhas.
O rapaz acabou de tocar o rosto de Juliana, e eu tenho medo que ela se machuque ainda mais.
Ela sempre foi cheia de sonhos, veio para a França em busca de emprego, ela uma vez disse querer abrir um Estúdio, adorava fotografia, eu devia ter percebido que ela não falava mais sobre o assunto, apenas perguntava sobra a minha vida.
Fui muito ingênua e estava presa na minha bolha, Samuel, Virgínia e minha tia, todos eles não se importavam, e não são mais nada para mim, são ecos de um passado que não importa mais.
Eles se levantaram e agora estão caminhando em minha direção.
— Eu disse que não queria me envolver, nem queria conhecer o rapaz.
Teimosa
— Olá, Maria Elisa, como vai?
Ele estendeu a mão e eu segurei, mas querendo jogar meu livro nela.
— Olá, Robert!
Sorri sem mostrar os dentes.
— Vim mostrar a senhorita, que sou um cara do bem, só quero conhecer de verdade a Juliana.
Ele disse e minha confiança em caras bonzinhos não existe mais.
— Se a machucar, eu o machuco com mais força!
As palavras simplesmente saíram, e a única coisa que sei é que não menti em nenhuma delas.
Ele ficou desconcertado, puxou a mão para soltar da minha, e eu segurei mais uns segundos.
— Eu entendo!
Eles se viraram para voltar para onde estavam, Juliana me encarou por cima dos ombros e seus lábios se moveram sem som.
— Que foi isso?
Dei de ombros e pisquei para ela, que sorriu satisfeita.
— Prometo que vou cuidar de você!
Maria Elisa
Juliana Monroe
Robert Henri
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Atualizado até capítulo 83
Comments
Giselda Cristina De Carvalho Costa
Livro muito envolvente, relatando uma realidade através da ficção/Heart//Heart//Heart//Heart/
2024-12-10
2
Iara Barbosa Silva
amando , parabéns autora
2025-02-15
0
Joana D'arc Da Silva
estou amando parabéns autora
2025-01-06
1