Depois de uns amassos muito bem dados, precisei ver o estrago que ele fez à minha maquiagem e fui ao toalete.
Juliana entrou atrás de mim e tocou em meu braço.
— Você está bem? — eu sorri largamente.
— Eu estou ótima! — ela pareceu aliviada, acho que nunca pensou que me veria beijar um cara de quem nem sei o nome.
— Você viu o cara? Ele é enorme e um tremendo gato! — ela pegou um lenço na bolsa e limpou o canto da minha boca.
— Ele é um segurança, era segurança da Josie. O nome dele é Jason.
Me olhei no espelho. Não estou tão bagunçada.
— Ele é o senhor educado? — Eu ri. Me lembrei de uma ligação dele que atendi. Ela ficou olhando para a minha cara sem entender nada.
— Não é nada. Vamos, quero mais tequila e mais beijos quentes do grandão! — disse, abrindo a porta.
Voltei para a pista de dança, mas não o encontrei. Me aproximei do bar e tomei mais duas tequilas. O avistei na área VIP, com a Amélia.
Voltei para a pista de dança e comecei a dançar. Logo o DJ colocou umas músicas de funk, e eu, desinibida pelo álcool, me juntei a Juliana. Dançamos e requebramos muito. A noite não podia estar mais perfeita.
Estávamos entrando no elevador quando Jason reapareceu.
— Ei, Maria Elisa, posso falar com você? — Eu assenti para ele, e as portas se fecharam. A cara de decepção que ele fez quando dei um tchauzinho foi épica. Quem mandou me deixar sozinha na pista de dança?
— Você está bem para dirigir? — perguntei para Juliana, que estava rindo da cara de tacho de Jason.
— Marcos é quem vai dirigir. Ele ganha para cuidar de mim, ele que lute — disse, rindo alto. Não entendi a parte de cuidar dela.
As portas do elevador abriram e ele estava encostado no carro. Não trocaram nenhuma palavra, só entraram no carro, e eu fiz o mesmo.
O caminho foi silencioso, eles não trocaram nenhuma palavra. Não pareciam mais tão íntimos como antes.
Não queria abrir os olhos, minha cabeça estava latejando. Ressaca de tequila. Isso entra na minha lista do que não quero repetir.
Me mexi na cama, mas sem coragem de me levantar. Gemi uns palavrões.
— Maria, eu te trouxe um kit pós-festa.
Abri os olhos, e Juliana estava de pijama, com um copo de suco, talvez de laranja, e três comprimidos. Não faço ideia do que sejam, mas também nem quero saber.
Coloquei os comprimidos na boca e tomei o suco, que descobri ser de tangerina com alguma coisa, talvez limão.
— O que aconteceu? Você e o saradão brigaram? Parecia que estava brava com ele. — Ela desviou o olhar de mim e respirou fundo.
— Não é nada. Nós estamos bem, ele é só um amigo — respondeu, pegou o copo e se levantou.
— Quem era aquela mulher, a Amélia? — Ela estava se virando para sair, mas voltou e me encarou, talvez um pouco assustada.
— Ela é a dona da boate. — Eu segurei sua mão e a puxei para que se sentasse.
— O que você não está me contando? Por que você não fala sobre o seu trabalho misterioso? Você é uma garota de programa? — Enfim, a pergunta que estava presa na minha garganta.
— Sabe que eu nunca, em minha vida, iria julgar alguma decisão sua. Eu te amo! — Ela sorriu e me abraçou.
— Eu também te amo. Eu sou só uma dançarina stripper, não uma prostituta!
Ela respirou fundo e pareceu um pouco desconfortável.
— Esse apartamento é da boate. As garotas que dançam lá moram aqui. O carro também. Eu até ganho uma grana boa, mas não posso deixar o país. Meu passaporte está com ela. Tenho um contrato de trabalho de cinco anos.
Minhas sobrancelhas com certeza estavam se transformando em uma só.
— Como assim? Ela é tipo, sua chefe/dona? Então, quando você dizia que iria me buscar no Brasil, você estava falando da boca pra fora? — Ela franziu os lábios e assentiu.
— Depois de cinco anos, você pode ir para casa? — Ela me encarou com tristeza.
— Eu não sei. A única que conheço que foi embora foi a Josie, e o cara dela pagou muito dinheiro pelo contrato dela. — Fiquei de boca aberta. Já tinha ouvido falar desse tipo de coisa, mas a gente acha que é invenção, que isso não existe.
— Tem algo que a gente pode fazer para te livrar desse contrato? Você quer se livrar desse contrato? — Ela assentiu, e vi seus olhos se encherem de lágrimas.
— Eu quero ir para casa. Quero minha mãe! — Ela me abraçou e chorou.
Não acredito que minha amiga está passando por isso. Preciso pensar em como ajudá-la.
— Não posso chorar, meus olhos vão ficar inchados e vou ficar horrorosa à noite, ela não vai gostar.
Ela limpou as lágrimas e engoliu o choro, como eu acho que tem feito há um bom tempo.
Não sei o que seria de mim sem ela. Ela me ajudou quando precisei e, agora, bom, agora eu preciso e vou ajudá-la, porque ela precisa de mim.
Preciso bolar um plano para tirar as garras daquela mulher de cima da minha amiga.
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Atualizado até capítulo 83
Comments
Eneida Gomes
NOSSA QUE VIDA HORROROSAS.
2025-01-07
1
Hebe
Viciante 📖🙌
2024-09-21
1