— Aeromoça!
a senhora, a chamou, sendo atendida de imediato
— Será que não tem outro assento vago? Estou resfriada, não quero incomodar a jovem.
— Sim, a senhora pode vir comigo?
fiz um sinal para ela
— Ela pode ficar, eu posso ir para outro, não tem problema. Descanse!
ela sorriu. E eu me levantei e segui a aeromoça mais para frente, ainda na primeira classe.
— Aqui, por favor
assenti e me sentei
— Muito obrigada!
me sentei ao lado de um homem com a cara de mal-humorado, parece que não gostou. É bonito o danado.
Ele fez sinal para a aeromoça, e ela voltou.
— "J'ai fait un cahier des charges, je n'aime pas la compagnie en voyage!"
— Eu fiz especificações, eu não gosto de companhia durante a viagem!
disse em francês com a aeromoça, deve pensar que não entendo
— Désolé, mais nous avons besoin de ce siège. Et il n'était pas payé !
— Desculpe, mas precisamos deste assento. E ele não foi pago!
ela foi tão fofa e educada, que eu ri. Até devia ter outro assento, aonde ela iria levar a senhora? Mas ele não foi educado e nem tentou ser razoável com ela, bem feito!
Ele me encarou pela primeira vez, e suas sobrancelhas tensas se aliviaram. Não o encarei, mas percebi estar sendo.
— Você me entendeu?
ele perguntou em português, cheio de sotaque
— Oui!
— Sim!
respondi em francês
Ele bateu a mão na testa.
— Me desculpe, meus modos!
disse ainda em português
— Tudo bem! _ afivelei o cinto e procurava os fones de ouvidos, quando uma lágrima inconveniente escapou
— Parece triste! _ ele puxou conversa
— Não é nada! _ limpei e coloquei o fone, e coloquei músicas para relaxar, já que são doze horas de viajem.
Adormeci ao som de Billie Eilish.
...
— Senhorita. Deseja comer ou beber alguma coisa? _ a aeromoça me acordou, e eu olhei no relógio, já estava dormindo a pelo menos seis horas.
— Uma água, por favor! _ ela assentiu e pegou no carrinho.
— Devia comer alguma coisa! _ a voz do francês ao meu lado me fez lembrar que eu estava dormindo ao lado de um estranho.
Me endireitei na poltrona, e continuei evitando contato.
— Não vai me perdoar mesmo? _ ele perguntou
— Oui! _ ele pareceu sorrir, mas eu não. Não estou no clima para paquerar ou azarar ninguém, mesmo o cara sendo um gato.
Acabei de deixar tudo que eu acreditava para trás, eu sonhei feito uma boba inocente com uma vida de mentira.
— Coração partido?
ele perguntou, e eu o olhei de canto de olho.
— Você é uma menina, faz parte da vida. Quebrará muito a cara até conhecer alguém que balance seu coração!
ele disse e eu deitei novamente meu banco
— Vou dormir até isso acontecer, assim o tempo passa mais rápido!
ouvi apenas a risada dele
Voltei os fones nos ouvidos e dormi, é tudo muito doloroso, é isso que preciso, dormir para esquecer.
...
Quando acordei novamente, o banco do meu lado estava vazio, estavam todos ficando de pé.
A aeromoça estava vindo em minha direção.
— Chegamos ao seu destino. Seu companheiro de viagem deixou o casaco para a senhorita. E acredito que vá precisar, está muito frio lá fora.
Eu vesti o sobretudo preto, e peguei minha bagagem de mão, e sai da aeronave.
Quando saia do corredor já avistava os balões coloridos e a placa com o meu nome, nas mãos de Juliana.
Corri e a abracei forte, chorei sentindo o cheiro da minha melhor amiga.
— Não acredito que você está aqui!
ela me apertou e beijou meu cabelo
— Vamos pegar sua bagagem, e ir para o meu apartamento. Que casaco é esse? Tem cheiro de grana _ eu ri, ela nem imagina.
— Se te conto, você não vai acreditar, uma cara que não sei o nome viajou do meu lado, na primeira classe deixou para mim. E que negócio é esse, de primeira classe?
perguntei pegando uma mala
— Minha melhor amiga, bom, vou corrigir, minha irmã merece!
ela pegou a outra
— Só trouxe isso?
perguntou. E eu assenti.
— Precisamos fazer compras, ou vai virar um picolé! _ saímos do aeroporto e entrar num BMW, que ela dirigiu até um prédio chique
— Amiga, está vendendo droga?
ela gargalhou
— É doida? Nunca! _ respondeu entrando no elevador espelhado, que subiu até o décimo andar
— E sua amiga, que ganhou bebê. Ainda precisa de babá?
ela sorriu e assentiu
— Sim, com certeza, e ela vai amar você. Ela trabalha comigo e mora no andar de baixo do nosso.
O elevador abriu e saímos, a porta foi aberta com a digital dela, e eu não me lembro de ver esse tipo de tranca.
Ela foi até um tipo de painel do lado da porta e digitou uns números.
— Vem, vou cadastrar sua digital para a porta e para o prédio também.
Tudo moderno, nada se compara com o Brasil.
— Deve estar cansada, vou te mostrar seu quarto. _ eu a segui. Quando ela abriu a porta, quase caí para trás.
— Esse é de visita? Acho que quero o seu!
disse e ela riu
— Só o melhor para você. Eu estava me preparando para quando você viesse.
eu me virei para ela e seus olhos estavam inundados
— Eu também te amo, Ju!
a abracei forte.
— Sinto muito que tenha acontecido algo tão ruim para você vir, mas amo ter você aqui de qualquer jeito!
disse, me apertou mais um pouco e me soltou
— Amanhã vou te apresentar Josie, ela é a mãe da bebê mais linda do mundo. Agora dorme um pouco.
ela jogou um beijo e saiu do quarto
Entrei no banheiro e era tão luxuoso quando o resto do apartamento
— Trabalhar de bar tender dá dinheiro assim? Porque tenho um pouco, mas não é nada perto disso!
tirei minha roupa e tomei um banho quente, com o frio que faz aqui, o banho tem que ser de pelar o couro mesmo
— Por que não descobri sobre eles antes de transar com ele? _ voltei a chorar debaixo do chuveiro
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Atualizado até capítulo 83
Comments
FRANCIELLY SILVA
deve ser acompanhante de luxo ou Dançarina
2025-01-24
4
🤡~ℙ𝕆ℙ𝔼𝔼~🤡
Me fez pensar.
2024-09-20
1