...ISABELLA...
Luzes piscaram. Multidões gritaram. Sorrisos deslumbrados. Estávamos no meio de um tapete vermelho para o Jubileu de Prata e eu mal conseguia ver direito. Havia tantos flashes quanto membros da imprensa aqui.
Para onde quer que eu me virasse, alguém gritava comigo.
“Sra. Knight! Quem desenhou esse vestido?!”
“Sra. Knight! Você pode posar com seu marido?!”
“Sra. Knight! O que tem a dizer aos seus fãs?!”
Fãs? Desde quando eu tenho fãs? Christian estava sorrindo e acenando, claramente acostumado com isso, vestido com um smoking elegante. Eu, entretanto, usava um vestido cocktail de chiffon com um glamoroso detalhe dourado, que eu sabia que brilharia na pista de dança.
Mesmo que Christian insistisse que eu parecia vestir ‘um milhão de dólares’, eu me sentia deslocada e extremamente nervosa. Não era só porque eu estava prestes a dançar na frente de uma multidão enorme de pessoas importantes.
Foi por causa daqueles textos estranhos que recebi. Eu não tinha pensado em quem poderia estar tentando mexer comigo por um tempo. A ultima vez que recebi uma mensagem como essa foi depois do ultimo ensaio em casa para o baile.
Achei que poderia ser o que Dustin havia dito: ‘apenas palavras’. Agora eu não tinha tanta certeza. Parecia haver uma ameaça oculta nas palavras, uma promessa de que algo terrível estava pra acontecer. Eu não conseguia tirar a ultima frase da minha cabeça. ‘Ninguém me diz não’.
Ele, quem quer que fosse, havia dito isso da ultima vez também. Foi tão assustador. As ameaças permearam meu ser, fazendo-me sentir como se minhas mãos fossem de gelo e minhas pernas de gelatina. Como eu poderia dançar de forma coordenada esta noite depois de receber mensagens como essa?
“Ei”, eu ouvi uma voz rouca sussurrar ao meu lado. “Você está bem?”
Virei-me pra ver Christian, parecendo preocupado. Acho que não estava escondendo meu nervosismo muito bem. Tentei fingir um sorriso. “Tudo bem!”, eu disse. “Devíamos sorrir pra uma foto, certo?”
“Isabella, se você não quiser, não precisamos. Já temos tarefas demais esta noite”.
Ele estava sendo tão legal, tão apoiador. Eu mal podia acreditar que este era o mesmo Christian que uma vez me chamou de puta oportunista, entre outras coisas.
“Você tem certeza?” Eu perguntei. “Parece que é o que se espera de nós”.
“Vamos”. Christian pegou minha mão e me levou pra dentro do enorme salão de baile sem dizer qualquer palavra. Fiquei extremamente grata por estar longe das câmeras.
Mas agora haviam novos obstáculos pra enfrentar. Os ricos convidados do Jubileu de Prata, que incluía membros da Knight Enterprises e outros empresários importantes. Christian tentou escapar da maioria das cordialidades e nos levar o mais rápido possível aos nossos lugares, mas alguma conversa fiada foi necessária.
Quando chegamos à nossa mesa, eu estava sem fôlego. “Aqui, sente-se”, ele disse. “Vou pegar um pouco de água pra nós”.
“Quando começa a competição?” Eu perguntei.
Eu só queria acabar com isso logo. Ele colocou a mão no meu ombro nu. A sensação de sua pele áspera na minha me fez estremecer de excitação. “Assim que todos estiverem dentro, Isabella. Não se preocupe. Está no papo”.
Nós conseguimos. Eu queria gravar essas palavras em meu cérebro. Elas eram tão casuais e reconfortantes, exatamente o que eu precisava. Com isso, Christian se virou pra nos encontrar um pouco de água.
Eu sorri um pouco, tentando deixar aquelas mensagens assustadoras pra trás. Eu tinha um novo mantra pra preencher esse espaço. ‘Nós conseguimos”, pensei, isso mesmo.
...****...
“Por favor, sejam bem-vindos ao palco, Sr. e Sra. Knight!”
A multidão aplaudiu descontroladamente quando Christian e eu nos levantamos e nos aproximamos da pista de dança. Eu podia me sentir suando de ansiedade. Eu estava tanto assustada quanto animada.
Finalmente, quando chegamos ao meio da pista de dança, os aplausos cessaram e tudo ficou quieto, Christian me puxou pra perto e sussurrou no meu ouvido. “É só você e eu, Isabella. Nada mais importa. Não agora. Ok?”
Aqueles olhos escuros nunca pareceram tão cheios de luz. Eu quase engasguei. Ele era tão lindo. Eu sei, é estranho chamar um homem de belo, mas foi assim que Christian apareceu naquele momento.
Como uma espécie de deus grego, elevando-se acima de mim, oferecendo-me sua mão perfeitamente esculpida. Oferecia pra mim, um nada, um ninguém, uma camponesa. Ele queria me levantar, mostrar ao mundo que eu era dele, que, naquele momento, éramos tudo o que importava. E eu queria dizer ‘sim’ a tudo.
O bolero começou, o violão espanhol dedilhando suavemente, fazendo-nos balançar e deslizar em torno um do outro como uma imagem no espelho... vagamente, eu podia sentir centenas de olhos nos seguindo, mas havia apenas dois olhos que me deixaram em transe. E esses olhos eram de Christian.
A intensidade daquele olhar era diferente de tudo que eu já tinha visto. Enquanto ele me girava, eu podia sentir a força de seus músculos fortes me impulsionando. Quando ele me puxou pra perto, senti seu hálito quente contra minha bochecha pálida.
Cada movimento seu era dominante. E, ainda assim, nós circulamos em perfeita sincronia, nossa dança era mais do que uma dança. Era uma conversa que estávamos tendo desde o primeiro momento em que nos conhecemos, o momento em que ele me xingou.
Foi, ao mesmo tempo, assustador e seguro. Zangado e calmo. Sexy e doce. Eram todos os opostos do mundo reunido em um.
Enquanto ele me levantada no ar, com as mãos em volta da minha cintura, percebi que muito dessa dança parecia exatamente como o sonho que eu tive com Christian. Os holofotes. A sensação de que estávamos totalmente sozinhos. A música sensual.
Só faltou a cama de almofadas e, quanto ao que se seguiu, nem acreditei que fui até lá no meio desta dança. Não parava de pensar nisso. O sonho sexual. Mas eu podia ver nos olhos vorazes de Christian. Ele estava sentindo o mesmo. A tensão sexual, a necessidade de liberação.
Mas eu não poderia dar a ele, não é? Pra Christian Knight? Depois de tudo que ele fez comigo? Eu poderia realmente fingir que estava tudo bem, que nosso casamento era um casamento normal e que agora era esperado que fizéssemos sexo? Quando a dança terminasse, quem seria Christian e eu?
A ultima etapa, a pose final. Em seguida, a sala estava em pé, cobrindo-nos de aplausos. Eu olhei pra Christian, sorrindo, seus olhos brilhando, e eu sabia que não aguentaria. Assim que saímos da pista de dança, não parei na mesa. Fui direto para as portas e corri do salão de baile pra noite o mais rápido que meus pés conseguiram.
Estava nevando, a primeira neve do ano, e eu não tinha casado, mas não me importei eu precisava fugir. Dele. De mim. De tudo.
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Atualizado até capítulo 36
Comments
Rosa Santos
será que a vai ser sequestra agora o que tá por vi😍😍😍😍😲🤔🤔🤔🤔🤯🤯🤯🤯🤯
2024-08-03
7