Capítulo 19

...ISABELLA...

Eu estava de costas pro balcão, mas o pânico me prendeu no lugar, incapaz de me virar pra confirmar se minhas suspeitas estavam corretas.

“Um mocha frappuccino grande com granulado extra, baixo teor de gordura e chantili?” Mal ouvi a resposta da mulher com as batidas do meu coração, mas uma pontada de familiaridade ecoou ao som de sua voz também.

“E um croissant de chocolate?” O homem perguntou com seu forte sotaque francês.

“Não, Jacques, já é o bastante”.

Meu estomago embrulhou. Eu tinha razão. Era Jacques, o homem de Paris. Minha respiração parou e fechei os olhos com força. Eu podia sentir o fantasma de suas mãos em minhas coxas, seus lábios em meu pescoço.

Eu precisava sair daqui.

“Deixe-me mimá-la, Mon Coeur. Ninguém me diz não”.

Foi como se um balde de água fria tivesse sido jogado sobre minha cabeça. Antes que eu pudesse conter, minha cabeça girou pra encarar o casal. Os olhos de Jacques estavam fixos em mim, um sorriso malicioso abria em seu rosto.

A mulher em seu braço era Penny. Penny, que esteve em casa há apenas alguns dias. Penny que Christian tinha... eu estava com náuseas. Seguindo o olhar de Jacques, os olhos de Penny pousaram em mim.

“Oh, meu Deus, Isabella!”

“Bella?” Ouvi baixinho Emily sussurrar.

Ela provavelmente se perguntou quem era essas pessoas, porque minha pelo ficou branca como a neve. Penny me puxou pra um breve abraço. “Jacques, esta é Isabella, uma... amiga. Isabella, este é meu amigo, Jacques. Ele é da França”.

“Somos apenas amigos, agora, mon cheri?” Ele beijou a mão de Penny, ela corou e desviou o olhar.

“S-sim”, ela gaguejou, soando totalmente não convincente. “Amigos” Ela olhou entre mim e Jacques. “Vocês dois se conhecem?”

Jacques sorriu pra mim como um lobo sorriria pra uma ovelha. “Nós nos encontramos brevemente. No baile de gala em Paris, não é?”

Ele pegou a mão de Penny. “Como vocês se conheceram?” Ele esperava uma resposta, mas eu não conseguia falar, não conseguia me mover.

Penny sabia o que ele fazia? Como ele era? Ela tinha hematomas como eu tive depois da ultima vez que encontrei seu namorado? Era por ele que ela estava chorando da ultima vez que a vi?

“Ah...” Penny se atrapalhou, percebendo seu erro. “Eu acho que foi na festa sazonal do Iate Clube?”

Eu não tinha ideia sobre qualquer tipo de iate clube, mas me encontrei confirmando com a cabeça. “O que você está fazendo aqui?” Eu finalmente consegui falar.

“Só visitando. Tanto pra negócios como pra lazer”. Jacques piscou.

“Uma mocha frappuccino grande com granulado extra, baixo teor de gordura e chantili, com um croissant de chocolate para... Jock?” Dustin chamou.

“Desculpa, estamos com um pouco de pressa. Que bom ver você, Isabella!” Penny puxou Jacques em direção ao balcão, onde o pedido estava esperando. Houve outra rajada de vento frio e então eles se foram.

Abaixei minha cabeça em minhas mãos e tentei acalmar minha respiração frenética.

“Bella? Isabella? O que há de errado?” Emily colocou sua mão fria na minha nuca.

“Aquele homem...” Eu balancei minha cabeça. Aquelas palavras... eram iguais às mensagens que me foram enviadas.

Eu estava errada. As mensagens não eram do Sr. Lemor, que estava na prisão.

Elas eram de Jacques. Jacques, que agora estava em Nova York...

...****...

“O que está cozinhando, filhinha? Cheira muito bem!” Papai enfiou a cabeça na cozinha,

“Lasanha”, Eu sorri, passando manteiga numa fatia de baguete.

“Bem, lembre-me de agradecer ao seu marido por trabalhar neste fim de semana. não diga a Danny, mas não vejo comida tão boa há semanas”.

Papai pegou uma fatia de pão de alho que eu estava preparando. Eu bati na sua mão. “Sem manteiga. Ordens médicas, lembra?”

“Nosso segredinho?” Papai piscou e mudou de assunto. “Como está aquele seu marido”.

“O Christian? Está bem”.

“Bem? Nenhuma filha minha teria se conformado com muito bem” Papai brincou, indo buscar outro pedaço de pão. Eu deslizei a tigela de salada pra ele.

Uma ovação irrompeu da TV na outra sala. “Os gritos da torcida” Papai colocou o pão na boca, correndo em direção ao som. Eu ri, ouvindo seu canto de vitória. Os Giants devem ter marcado.

Sorrindo, coloquei o pão de alho no forno pra torrar. Era bom estar de volta à pequena casa em que cresci. Fiquei feliz por ter aceitado a oferta de Emily pra visitar minha cidade natal com o pretexto de verificar alguns locais de casamento. Isso me tirou da cidade e me deu algum tempo para me reagrupar e descobrir o que fazer com Jacques.

Eu tinha enviado uma mensagem pra Christian antes, deixando-o saber que eu estaria fora. Eu sabia que ele trabalharia o fim de semana todo e não queria ficar sozinha no apartamento.

Claro, talvez eu estivesse fugindo dos meus problemas, mas não queria preocupar Christian, ou meu pai e irmãos, que já eram excessivamente cautelosos comigo depois do que tinha acontecido com o Sr. Lemor.

Outra ovação da TV. “Que besteira. Foi o outro time”, papai relatou quando reapareceu na porta da cozinha. “Desculpa, filhinha, o que você estava dizendo?”

“Nada, Christian e eu estamos indo muito bem”.

“Bem, fico feliz em ouvir isso, querida, mas gostaria de ouvir um pouco mais do que ‘ótimo’. Já vai fazer um ano que você se casou em breve, e eu mal conheci o cara. Você quase nunca fala sobre ele”.

A única desvantagem de ter o papai de volta era que ele estava de volta ao normal. Ele não perdia um detalhe sequer, como quando éramos crianças. “É sério, papai...”

“Olha, filhinha, você tem estado quieta desde que você chegou aqui. Há algo de errado? Está tudo bem entre vocês dois?”

Eu não sei o que me fez dizer isso. Talvez eu estivesse preocupada em contar a ele sobre Jacques se continuasse a ser pressionada, ou talvez tantos meses guardando segredos de meu pai tenham desgastado minha determinação, mas me peguei dizendo: “Eu disse a Christian que gostaria de me divorciar”.

Os olhos do meu pai se arregalaram. “O que ele fez pra você?”

“Nada”, eu disse, rapidamente recuando.

“Isso não é verdade”, papai disse, esfregando minhas costas. “Ninguém quer terminar um casamento por nada. O que foi, filha?”

De repente, eu sabia que era a hora. Eu precisava contar a verdade ao meu pai. Eu valorizava seu conselho acima de tudo. Ele me apoiou durante toda a minha vida. Se alguém pudesse me ajudar a resolver as coisas complicadas que eu estava sentindo por Christian, seria ele.

“Olha, papai, preciso te contar uma coisa, mas acho que você deveria se sentar”.

“Você está me deixando nervoso aqui, Bella”. Ele riu desconfortavelmente enquanto eu o levava pro sofá.

“Por favor, deixe-me dizer tudo antes de falar e tente manter a mente aberta, ok?” Ele assentiu. “Eu não conheci Christian numa loja de bolinhos. Não éramos perdidamente apaixonados um pelo outro. Os Knights concordaram em pagar as contas do seu hospital se Christian e eu nos casássemos”.

Pronto. Eu disse. A verdade foi revelada. Sentindo-me como se tivesse cinco anos de novo e tivesse roubado um biscoito antes do jantar, mordi minha bochecha e esperei pelo veredito do meu pai.

“Eu sei”.

Eu pisquei. “O quê?”

“Eu sei, minha filha”.

“Como?”

“Emily me contou”, papai admitiu.

Meu queixo caiu. “Emily fez o quê?”

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Comments

Luzia Nogueira

Luzia Nogueira

ela não pode esconder as coisas de David, bem que eu acho que David sabe de tudo que ela faz KKK porq quando aconteceu o episódio com Jacque ele foi atrás do Christian e foram pra onde ela tava, acho que ele sabe

2024-08-31

0

Rita do Socorro Caldas Silva

Rita do Socorro Caldas Silva

Ela tem que falar pro David ou Pro Cristian, sobre o Jacque. Ela tem que se unir a Penny, pra juntas prendê-lo tbm.

2024-07-16

9

Guiomar Morais

Guiomar Morais

Que nada aconteça com ela por favor dá um jeito no velho Nojento 🤮

2024-07-14

2

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