Capítulo 05

...CHRISTIAN...

Senti mãos me agarrando, puxando e rasgando, tentando me fazer parar. Mas não consegui. Eu queria fazer o desgraçado sofrer pelas palavras sujas que saíram de sua boca.

“CHRISTIAN. JÁ CHEGA!”. Eu congelei no meio de um soco, erguendo os olhos pra ver meu pai me encarando, horrorizado.

“Ele...”, eu disse, ofegante. “Você não ouviu o que ele disse sobre a Isabella”.

Henry era uma poça de sangue deitado no chão e segurando o nariz. “Meu Deus, acho que está quebrado. Idiota!”

“Oh, cale a boca, Henry”, sua mãe, Stella, repreendeu. “Todos nós sabemos que você mesmo causou isso”.

“Não é desculpa”, disse David, olhando pra mim com severidade. “Alguém o ajude a se levantar. Tire-o daqui”.

Ethan, irmão de Henry, chamou a ajuda, que correu e levou Henry embora. Ele me lançou um último olhar de ódio antes de ser levado pra dentro de casa. Eu me virei pro meu pai. “O quê?”

“Quer saber, Christian”, ele disse, fervendo. “Essa sua raiva vai ser a sua morte, eu juro”.

“Ele a chamou...”

“Eu não me importo como ele a chamou. Pelo que Marco me contou, sei que você também a chama de algumas coisas bastante cruéis”.

Eu olhei pra baixo, com vergonha. Sempre me esqueço que Marco costumava levar meu pai de carro também e que às vezes eles conversavam em particular. Enfim, era verdade. Eu já chamei Isabella de puta. Prostituta. Vadia. Até de monstro.

Eu a chamei de nomes muito piores do que qualquer um que escapou da boca de Henry, com certeza. Talvez, eu pensei, quando eu estava dando um soco nele, eu estava realmente imaginando como seria dar um soco em mim mesmo.

Ser punido por ser tão nojento, tão cruel. “Olhe pra sua esposa, Christian”, disse meu pai. “Olhe pro rosto dela”.

Eu me virei e olhei pra Isabella. O que vi fez meu coração doer, um coração que eu não sabia que era capaz de doer. Apenas a raiva e a amargura haviam inflamado ali por anos. Mas agora, quando olhei pra Isabella, vi como toda a minha raiva, minha violência, a estava afetando. Eu tinha aterrorizado a menina.

Ela estava se encolhendo como se eu tivesse agredido fisicamente ela, não Henry. Ela era tão empática ou simplesmente tão traumatizada? Ela tinha sido fisicamente ferida antes? Eu não queria que ela me visse assim. Agora não. Nunca.

Meus dedos estavam ensanguentados e manchas do sangue de Henry cobriam minha camisa. “Eu...”, eu disse, sem saber o que dizer ao meu pai. “Eu vou me trocar”.

“Faça isso”, disse David. “Troque-se, Christian, pelo amor de Isabella”.

Eu olhei mais uma vez pra Isabella, que estava sendo consolada pela Tia Heather agora, e então me virei. O que diabos aconteceu comigo? Desde quando eu me importava o suficiente com a garota pra defender sua honra?

...ISABELLA...

Eu estava com medo de jantar. A ideia de ter que sentar ao lado de Christian e fingir que o amava depois de vê-lo bater na cara de alguém era estranha demais. Mas depois que Tia Heather e David me garantiram que Christian estava simplesmente exagerando, que Henry ficaria bem e que eu não gostaria de perder uma comida tão ridiculamente boa, confortei-me um pouco e segui adiante com o planejado.

Basta passar o fim de semana. Em seguida, aguarde mais uma semana de aulas de dança. Depois, atravessa o Jubileu de Prata. Por David. E acabou. Então, era o fim. Eu disse a mim mesma.

De alguma forma, eu sabia que era uma ilusão, que meu acordo com Christian se estenderia por mais tempo. Sempre haveria algo a seguir. Algum evento. Alguma reunião de familia. Algum motivo pra manter a questão suspensa.

A não ser que eu colocasse o pé no chão e dissesse que já não dava mais, isso duraria pra sempre. Eu não sabia quanto mais raiva e pressão meu coração poderia aguentar. Mas, pelo menos esta noite, para David, eu continuaria a desempenhar o papel de esposa amorosa de Christian, mesmo se tivesse medo dele.

Quando entramos na sala de jantar, uma linda sala que parecia poder acomodar cem pessoas, não apenas as vinte ou mais que estavam aqui, vi que Christian já estava sentado, esperando por mim.

Ele usava um smoking e parecia que tinha se barbeado pela primeira vez, sem barba por fazer. Ele se limpou muito bem, eu tinha que admitir, embora seus nós dos dedos, já machucados, falassem a verdade.

Sentei-me ao lado dele e mantive meus olhos grudados no meu prato vazio. Contanto que eu não tivesse que interagir muito com ele, estaria tudo bem.

“Ei”, ele disse, mas eu não olhei pra cima. “Sobre hoje, eu só queria dizer...”. Agora eu não pude deixar de olhar pra ele. Eu precisava saber. Christian Knight estava realmente prestes a se desculpar? “Eu... não queria te assustar, Isabella. Meu primo, ele pode me irritar e...”

Ele não iria se desculpar. Ele provavelmente nunca o fez sua vida adulta inteira. Afinal, ele era um Knight. Mas isso foi o mais perto que chegou disso, e o fato de que ele estava tentando me comoveu de alguma forma.

Sua expressão, dolorida e frustrada como estava, mostrava que ele se importava o suficiente pra tentar. “Está tudo bem, Christian”, eu disse, e eu realmente quis dizer isso. “Eu não sei a história toda de qualquer maneira. Quem sou eu pra julgar?”

A maneira como ele olhou pra mim foi estranha. Quase como se ele estivesse sentindo verdadeira devoção por mim. Quase como se... ele pudesse me beijar. Deve ser coisa da minha cabeça, certo?

“O jantar está servido”. Um grupo de garçons entrou na sala e todos se sentaram, prontos pra comer o que parecia ser uma refeição incrível. Nunca tinha visto tantos pratos na minha vida.

Até Henry, com o nariz enfaixado, estava sentado em um smoking, levando uma garfada de comida à boca e comendo em um silêncio carrancudo. Depois de um tempo, Christian se virou pra mim, sussurrando: “Você notou?”

“O quê?”. Eu perguntei, confusa. “Quão boa é a comida? Seu pai não estava brincando”.

“Não, boba”, ele disse. “Que todo mundo está nos observando”.

Dei uma olhada ao redor da sala. Era verdade. Embora eles tenham feito um bom trabalho escondendo isso, usando conversa fiada e sua comida como disfarce, todos continuavam olhando pra nós.

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Comments

Eliana Fernandes

Eliana Fernandes

que nojo!

2024-12-18

0

Eliandra Leal

Eliandra Leal

que mulher sem atitude, sem amor próprio pra aturar tudo isso.

2024-08-26

2

Ver todos

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