...ISABELLA...
Nunca tínhamos nos tocado tanto fisicamente. Mesmo que nenhuma das danças fosse realmente pra nós, ainda era emocionante.
“Sra. Knight, por favor, tente se soltar”, Kiki repreendeu.
Estávamos no meio de uma valsa e me senti uma idiota. Um, dois, três. Um, dois, três. Um, dois, três. Era repetitivo e minha mente não parava de vagar. Claramente, Kiki notava porque ela estava estalando a língua, com os braços cruzados.
Corei, dando um passo pra trás de Christian e colocando a mão no meu pescoço. “podemos tentar outro... tipo?”
“Você precisa dominar os passos básicos de toda dança de salão se deseja aprender bem uma”, respondeu Kiki.
Mas, pra minha surpresa, Christian se virou pra Kiki. “Na verdade, eu concordo com minha esposa. Eu também não gosto de valsa. Qual é o próximo?”
Kiki olhou pro lado, surpresa e frustrada, e então se aproximou do cara que comandava a música. Eu dei a Christian um pequeno sorriso como se quisesse agradecer. Ele enxugou a testa.
Eu não tinha percebido como ele estava suado até agora, mas não era nojento pra mim. Foi viril. Sua pele parecia brilhar, cada um de seus músculos mais claramente definidos do que eu já tinha visto. Isso me fez imaginar o que ele era capaz de fora da dança...
“Isabella?”, ele perguntou, sorrindo um pouco.
Eu desviei o olhar, corando. “Desculpe, acabei me distraindo”.
“Eu notei”, ele respondeu com um sorriso.
A música mudou, felizmente, e o assunto também. Estávamos experimentando o tango agora. Mas, Jesus, isso era muito difícil. Era muito sexy, e cada vez que Christian agarrava minha perna ou me puxava pro seu peito, minha resposta era corar e enrijecer.
Depois disso, veio o balanço. Foi emocionante e divertido, mas Christian e eu não conseguimos acertar o tempo, que era extremamente rápido. Kiki parecia que estava prestes a enlouquecer conosco. Seu corpo ridiculamente esguio, seu rosto estreito, de repente não pareciam mais tão intimidantes pra mim.
Não quando Christian parecia ter olhos apenas pra mim. “Tudo bem”, ela disse, batendo palmas. “Vamos experimentar o bolero. Eu vou acompanhar vocês dois. Passo a passo. Mesmo se você não precisar da minha ajuda, Christian”.
Quando ela falou com Christian, sua voz normalmente estridente e comandante tornou-se suave e amanteigada. As técnicas de sedução dela poderiam ser mais transparentes?
Mas então a musica espanhola sensual começou a tocar, e eu senti a mão de Christian pressionar contra minhas costas, e todos os pensamentos negativos deixaram minha mente. O ritmo lento, os movimentos sensuais deliberados, os olhos fixos um no outro. Eu estava hipnotizada.
De alguma forma, meu corpo começou a se mover por conta própria, encontrando o ritmo, movendo-se em sintonia com o de Christian. Parecia tão natural e certo. Por um momento, parecia que não havia ninguém na sala além de nós.
Sem Kiki. Nenhum outro dançarino profissional. Só Christian e eu... então eu vi uma mão estranha vagar pelo bíceps protuberante de Christian, e minha fantasia foi destruída. “Bom, Christian”, Kiki sussurrou. “Não tenha medo de assumir o comando. Esta dança é sobre dominação, sobre tomar o que é seu... sobre ser um homem”.
Lentamente, Kiki trouxe suas mãos pra onde as nossas estavam entrelaçadas, e ela deslizou entre nós, fazendo de nós um estranho trio giratório. Christian olhou pra ela de cima a baixo, e eu poderia jurar que o vi lamber os lábios.
Como se ter duas mulheres em cima dele fosse o melhor presente que um homem pudesse receber. Idiota. Eu queria sair da dança. Eu queria ir embora, mas a música, suave, melódica e atraente, não me deixava ir.
Senti o calor do corpo de Christian contra o meu, a frieza da mãozinha frágil de Kiki. A cada movimento, seus olhos pareciam passar rapidamente dela pra mim, como se ele não pudesse decidir qual parceiro preferia.
“Nunca tenha medo de fazer uma escolha, Christian”, Kiki sussurrou. “esta dança, ao contrário das outras, pode até ser executada sozinha...”. Eu entendi o que ela estava dizendo. Ela queria que Christian me colocasse de lado, pra me deixar na pista de dança sozinha.
Ela estava louca? A competição deveria ser sobre nós dois mostrando à companhia de Christian o quão forte éramos como um casal. Eu precisava colocar meus sentimentos de lado, por mais confusos que fossem, e considerar isso de uma perspectiva puramente profissional.
Como dançar com Kiki ajudaria Christian? Ele não pareceu se importar. Não agora. Ele sorriu e a girou, claramente apreciando a maneira como o corpo dela balançava em direção ao dele com total abandono, com paixão.
Devo ter parecido um bloco de tetris em comparação, encaixando no lugar certo, mas um quadrado sem graça. “Isabella”, disse Christian, me pegando de surpresa, “você tem o dom pra coisa”.
Agora ele estava me girando. O que diabos estava acontecendo? Ele me queria ou Kiki o nós duas? Uma vez playboy, sempre playboy, eu acho. Quando a música finalmente terminou, eu recuei abruptamente, respirando fundo, tentando recompor meus pensamentos.
Kiki continuou segurando Christian por alguns segundos a mais. Mais uma vez, fiquei chateada, consumida por uma raiva ciumenta que mal conseguia entender. Não era como se Christian e eu fossemos um casal de verdade. Ele poderia olhar e tocar a garota que quisesse.
Talvez eu tenha sido enganada por uma falsa sensação de segurança. Só porque estávamos gostando de estar perto um do outro não significava que Christian tivesse algum sentimento por mim. Claro que não, Isabella. Ele nunca se importou com você.
Com esse pensamento constante em minha mente, me virei e me dirigi para a porta. Eu ia tomar banho, me trocar e tentar não pensar naqueles primeiros belos momentos do bolero, onde fomos só eu e o Christian. E mais ninguém no mundo.
...CHRISTIAN...
Eu nunca pensei que Isabella conseguiria. Quando meu pai nos pediu pela primeira vez pra fazer esta competição de dança, eu estava com medo. A ideia de ter que dançar com alguém tão claramente inocente e desacostumada a ser tocada parecia terrível.
Como ela seria capaz de dançar se mal conseguia segurar a porra da minha mão sem tremer? Quando começamos, eu senti como se tivesse provado que estava certo. A garota era descoordenada demais, pisando nos meus pés, dizendo ‘desculpa’ a cada segundo como uma idiota.
Mas então o bolero começou e... era como se eu tivesse dançado com outra mulher. Quando Kiki se juntou a nós, eu me diverti com a reação da Isabella. Ela claramente não gostou da nossa instrutora de dança, e você poderia culpa-la?
Kiki era magra como um graveto, com cabelo descolorido de Khaleesi e tinha os movimentos furtivos de um gato. Ela era a concepção de beleza pura de muitos homens, mas não minha.
Não, sinceramente, achei Kiki totalmente repulsiva, especialmente a maneira como ela se agarrou a mim. Mas eu entretive suas provocações desagradáveis porque eu gostava de ver o quão incomodada e brava isso deixava minha esposa.
Isso foi cruel? Talvez um pouco. O ciúme era uma cor nova no rosto tão angelical da Isabella. Isso mexeu comigo. A ideia de que faríamos essa dança novamente na frente de centenas de pessoas me excitou além da medida.
No caminho pra casa, me perguntei se deveria dizer a Isabella o quanto gostava de dançar com ela, mas decidi não fazer isso. Sempre mantive minhas cartas perto do meu peito quando se tratava de cortejar alguém.
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Atualizado até capítulo 36
Comments
Lu e a Estante de Sonhos
Ciúmes a gente sente de irmão, de colegas, animais de estimação, .de programa de tv,... que dirá de um parceiro de contrato
2024-08-22
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