...ISABELLA...
Joguei meu telefone de lado como se estivesse em chamas. Eu escorreguei pra trás na minha cadeira. Eu não conseguia respirar. Minhas mãos tremiam. Meus dentes batiam. Meus dedos do pé estavam dormentes.
Eu estava apavorada. Não poderia ser ele, poderia?
“Isabella?”. Eu virei minha cabeça, os olhos arregalados, certa de que estava prestes a vê-lo se materializar. Mas era apenas o Dustin. Ele parecia preocupado. “Isabella, qual é o problema? Você parece ter visto um fantasma”.
“Eu... eu...”, gaguejei, incapaz de falar com coerência. “Ele me mandou uma mensagem, Dustin”.
“Quem? Christian?”
Eu neguei com a cabeça. Eu mal conseguia pronunciar seu nome em voz alta. Era como aquela brincadeira de infância da loira do banheiro, dizer o nome no espelho três vezes e ela aparecer e me agarrar?
Eu estava enlouquecendo, mas não sabia de que outra forma poderia estar agora. “Isabella, fala comigo!”. Dustin disse, sentando na minha frente, agarrando as minhas mãos.
“Eu acho que é o... Sr. Lemor”
O rosto de Dustin ficou pálido. Eu tinha contado a ele tudo sobre meu antigo chefe, como ele fez da missão de sua vida me destruir, para garantir que eu nunca fosse contratada por nenhuma empresa novamente. Tudo porque ousei rejeitá-lo.
Depois que o David o prendeu naquela armadilha, alguns meses atrás, pensei que nunca mais teria que ouvir ou pensar em seu nome novamente. Ele estava na prisão agora. Como ele poderia me mandar mensagens?
...****...
Corri de volta pra casa, sentindo-me cafeinada, rejuvenescida e pronta pra enfrentar o mundo, com as garantias de Dustin repetindo-se em minha cabeça. Parecia uma frase que eu poderia aplicar a quase qualquer situação. Mesmo se Emily estiver me dizendo detalhes íntimos demais sobre ela e meu irmão? Apenas palavras.
Mesmo se nosso médico estivesse descrevendo ainda mais coisas que poderiam dar erra com meu pai? Apenas palavras.
Se Christian estava gritando comigo? Apenas palavras. Apenas palavras. Apenas palavras.
Então, quando as portas do elevador se abriram, me senti preparada pra qualquer que fosse seu último ataque. Imagine minha surpresa quando o vi rolando uma mala em minha direção. Oh, meu Deus. Ele está... se mudando?
“Finalmente você chegou”, disse Christian. “Apresse-se e tome um banho”.
“Espere”, eu perguntei, confusa. “O que está acontecendo?”
“Arrume suas malas. Estamos saindo para o fim de semana”. Saindo? Pra onde?
De repente, percebi que havia apenas um problema com o mantra do Dustin. Apenas palavras não ajudavam quando uma ação era necessária.
“Onde estamos indo?”. Perguntei a Christian quando ele passou por mim, entrando no elevador.
Ele me olhou e deu um meio sorriso, dando de ombros. “E estragar a surpresa? Onde está a diversão nisso?”
...****...
A bela paisagem estava passando por nós enquanto caminhávamos ao longo da rodovia Sunrise. Eu nunca fui aos Hamptons na minha vinda, mas tinha ouvido tantas histórias sobre a área ao longo dos anos que tive uma imagem mental de como a área poderia ser.
Meus sonhos mais loucos não poderiam ter me preparado para a visão. As praias, as fazendas, as casas de cascalho do século XVIII, todas gigantescas e imaculadamente cuidadas, eram coisas demais para processar pra uma garota de cidade pequena como eu.
Eu olhei pro Christian. Ele estava dirigindo, o que era uma novidade. Ele decidiu dar a Marco uma merecida folga, algo que me pareceu estranhamente caridoso. Não que eu estivesse questionando isso. Se alguém merecia um tempo com sua familia, era Marco. Talvez ele fosse o meu favorito da equipe pessoal de Christian.
Christian estava usando luvas de dirigir e óculos escuros de grife, tão focado na estrada que mal parecia notar nossos arredores deslumbrantes. Acho que ele estava acostumado com eles.
Mas então ele percebeu que eu o observava e me lançou um olhar divertido. “Tem algo em mente, Isabella?”
“Ah, não. Eu só estava... admirando como é lindo aqui”.
“Você realmente quer saber pra onde estamos indo, não é?”. Eu concordei. Na verdade, o suspense estava me matando. As surpresas com Christian raramente eram boas. “Tudo bem, pra que não nos envergonhemos andando às cegas, vou te falar”, disse Christian, sorrindo. “Desta vez”.
Foi esta a sua tentativa de flertar? Eu não sabia o que fazer com isso. Só espere que ele me dissesse pra onde estávamos indo. “Não sei se você se lembra da Tia Heather. Eles são minha grande familia. Você os conheceu no casamento”.
Isso explica tudo. Poucos dias eu conseguia me lembrar com menos clareza do que o dia do meu casamento. Tinha sido um borrão de excitação, horror e confusão. Todos os rostos, os nomes, nenhum deles ficou comigo.
Apenas as palavras de Christian pra mim no altar eram o que eu conseguia lembrar: ‘Eu sou um homem poderoso. Eu consigo o que quero. E o que eu quero é arruinar você'. Estremeci só de pensar nisso.
Christian percebeu minha expressão, porque ele tirou os óculos e olhou pra mim de perto. “Ei”, ele disse, “não há nada pra se preocupar. Meus parentes são legais. Um pouco exagerados, mas, legais. Tenho certeza que eles gostam de você. Muito”.
Diferente de você, pensei, mas fiquei muito surpresa com o quão legal ele estava sendo, pra variar. “Lembre-se”, ele disse, voltando-se pra estrada, “eles pensam que somos casados. Casados de verdade. Então, vamos ter que brincar um pouco. Acha que dá conta?”
Eu confirmei com a cabeça, mas estava nervosa. Eu odiava ter que fingir qualquer coisa. Isso ia contra a minha natureza. E fingir que se ama um homem que não me ama parecia especialmente difícil.
“Sabe”, ele disse, pensando. “Sei que você não é a pior pessoa do mundo, Isabella. Eu costumava pensar assim. Mas agora...”
Isso abateu meus pensamentos negativos. Christian estava realmente tentando ser decente pela primeira vez. Talvez só pra que ele pudesse me levar nessa viagem ridícula. Mas ainda assim.
“Eu ainda não te entendo. Não entendo por que uma mulher se casaria com um estranho. De qualquer maneira, não importa. Está feito. Somos um casal, então temos que agir como um”.
Agora, ele não estava me chamando de puta oportunista, mas acho que ainda estava pensando nisso. Grande melhoria. A chicotada que eu estava experimentando agora não podia nem ser colocada em palavras. Ele foi bom em num segundo e frio no outro.
Ele era lindo, sexy e flertava comigo por um momento, e então ele era um idiota. Em vez de comentar sobre isso, eu apenas acenei com a cabeça solenemente.
“Eu entendo, Christian”, eu disse, lembrando que ainda tinha uma carta na manga. Eu ainda poderia encerrar o acordo, se fosse necessário.
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Atualizado até capítulo 36
Comments
Cassia Ferre
pelo que eu já li o segundo livro vai ser a mesma chatice
2024-08-26
1
Eliandra Leal
pensei que ela ia ser fria com ele, mas vejo que ainda tá uma merda a estória, pelo jeito ainda vai continuar sendo besta. aff
2024-08-26
0
Jorgete Das Chagas Scramignon (Gete)
Continua a chatice de nenhum se explicar para o outro? Quanta falta de diálogo!!
2024-08-23
7