...ISABELLA...
Christian: Ei, você está em casa?
Isabella: Sim, por quê?
Christian: Isso pode parecer loucura, mas eu tenho uma surpresa
Isabella: Você quer dizer pra mim?
Christian: Não, pra Lucille. Claro que é pra você! Marco estará pronto com o carro em 30 minutos. Vista algo legal, ok? ;-)
Isabella: Hum... ok!
Eu encarei meu celular sem acreditar. O mundo deve ter virado de cabeça pra baixo enquanto eu dormia, porque ele não se parecia nem um pouco com o homem a quem chamava de meu marido. Desde que soube das notícias maravilhosas sobre a saúde do meu pai, quase não conseguia pensar direito.
Voltei pra casa e passei o dia andando pra lá e pra cá, limpando, tentando me acalmar. Mas não podia acreditar. O acordo valeu a pena, e agora meu pai estava bem de saúde. Isso significava que ele estava seguro, ele viveria, ele continuaria a cozinhar o peru ridiculamente gorduroso todos os anos, mas também significava...
Meu casamento com Christian, finalmente, poderia acabar. Não havia necessidade de continuar a fingir, não se meu pai continuasse saudável. Quanto às contas medicas, eu mesma poderia pagá-las com o tempo, imaginei.
Certamente David entenderia, mas e quanto a Christian? Eu não sabia como falar com ele. Eu tinha certeza de que ele ficaria louco de raiva. Eu precisava me preparar e colocar qualquer armadura mental que me restava para resistir ao que com certeza seria um xingamento e um insulto atrás do outro.
Aí esse texto apareceu, me surpreendendo ainda mais. Que surpresa Christian estava planejando pra esta noite? Mesmo que tivesse que dar más notícias, estava decidido a ir com uma boa aparência. Afinal, ele me disse pra me vestir bem.
Então, vasculhando meu armário, escolhi um vestido que Dustin escolheu pra mim pessoalmente.
Um vestido vintage Christian Dior de 1990 feito de seda preta e branca com botas pretas impressionante. Era possivelmente a roupa mais ousada que eu já vi, uma que eu tinha certeza que não poderia usar.
Finalmente, quando terminei de aplicar a maquiagem, uma mistura minimalista de sombra lavanda e uma pitada de rímel, saí e me aproximei do carro. Marco segurou a porta aberta e acenou com a cabeça, grunhindo. Foi o mais próximo que ele chegou de um sorriso.
Ele fechou a porta quando entrei. Na hora em que ele se sentou no banco do motorista, inclinei-me pra frente. “Será que meu marido lhe disse aonde está me levando?”
Marco me olhou com cautela pelo retrovisor. “Você sabe que eu não posso te dizer isso, Sra. Knight”.
Suspirei e recostei-me no banco. “Valeu a tentativa”.
Observei o carro nos levar por Manhattan e fiquei surpresa quando deslizamos tão perto do rio ao longo da 29ª. O céu noturno estava se tornando um lindo tom de azul e, ao nosso redor, as luzes da cidade estavam piscando.
“Marco, você tem certeza de que está certo?”. Eu perguntei quando ele estacionou ao lado de um grande restaurante chique.
“Apenas cumprindo ordens, Sra. Knight”. Ele saiu e abriu a porta pra mim.
O que está acontecendo? Este lugar parecia um lugar onde você poderia levar um... encontro, não a esposa com quem você foi forçado a se casar. “Isabella, aqui está você”. Virei-me, surpresa ao ver Christian sentado num banco, vestido com um de seus melhores ternos. Ele se levantou e se aproximou, sorrindo. “Espero que você esteja com fome”.
“Você quer dizer que... nós vamos pra lá...”
“Para comer, obviamente. Isso é surpreendente?”
Certamente, foi. Eu não sabia o que dizer. Eu apenas olhei pra Christian como se ele fosse um estranho, uma pessoa completamente nova. E, de certa forma, era isso que ele parecia. Havia uma suavidade por trás de seus olhos escuros que eu nunca tinha reconhecido. Ele pegou minha mão e me levou em direção à porta.
“Vamos lá, mal posso esperar pra você ver a vista”.
...****...
O restaurante era um dos espaços mais bonitos e ornamentados em que já estive. A vista do East River, juntamente com a decoração chique e moderna do próprio restaurante era absolutamente deslumbrante.
Não havia uma única pessoa sentada além de Christian e eu e quando os garçons nos cumprimentaram e nos levaram pra nossa mesa, tive a suspeita de que ela, de fato, um encontro.
“Christian”, eu disse enquanto chegávamos a nossos lugares. “Isso é muito bom, mas o que está acontecendo?”
“Um marido não pode levar a esposa pra uma boa refeição?”
Eu corei. Por mais gentil que fosse o sentimento, também era extremamente estranho. Eu entendia que nós fingíamos ser casados na frente de sua familia e amigos, mas por que isso quando éramos apenas nós dois?
Estávamos cercados por velas acesas e flores frescas. Excessivamente romântico, quase falso. Assim como nosso casamento.
Eu olhei pro menu. Tudo estava em francês e impossível de entender. Eu abaixei e respire fundo. “Eu realmente aprecio que você esteja, hum, sendo tão legal, mas...”
“O que há de errado?”
“Eu simplesmente não entendo por que de repente...”
“Você está certa”, ele disse, me interrompendo. “Você merece uma explicação. Isabella. Há muito que quero dizer, mas acho que vou começar dizendo que...”. Ele está prestes a se desculpar? O rosto de Christian parecia em conflito. Era claramente contra todos os seus instintos ser tão autoconsciente. “Percebi que nunca agradeci de verdade por ter salvado minha vida, Isabella. Na ilha”.
“Por favor”, eu disse, olhando pra baixo. “Eu só fiz o que qualquer um faria”.
“Não”, Christian exclamou ferozmente e, em seguida, novamente com mais suavidade. “Não, Isabella. Eu não acho que isso seja verdade. Acho que você é a pessoa mais altruísta que já conheci”.
UAL. De onde está vindo isso? Eu me senti oprimida, e o ambiente, por mais bonito que fosse, certamente não estava ajudando. “E tudo isso?” Eu perguntei.
“Achei que seria uma boa maneira de retribuir. É apenas o começo, mas...”
“Christian”, eu disse, balançando minha cabeça. “Isso é muito gentil de sua parte, mas você mal me conhece. Se você me conhecesse, saberia que não me sinto confortável em grandes restaurantes chiques”.
“Oh... você não quer?”
Eu balancei minha cabeça. Não tive a intenção de ignorar o que era claramente a ideia romântica de Christian, mas ele tinha o direito de saber. “Se você realmente parasse pra conversar comigo”, eu disse baixinho, “saberia que o que eu realmente gosto são coisas simples. Como uma pizzaria de última geração”.
Christian acenou com a cabeça, compreendendo, seus olhos brilhando com uma ideia. O que ele estava pensando agora? Eu estava muito nervosa pra perguntar. O garçom, se aproximou. “Senhor, madame, vocês decidiram o que gostariam de comer?”
“Nada”, disse Christian, levantando-se e jogando o guardanapo na mesa. “Vamos, Isabella”.
Ele ofereceu sua mão e eu encarei, estupefata. O garçom parecia igualmente confuso. “Sr. Knight, me perdoa. Há alo errado? Vocês pagaram para ter todo o restaurante só pra vocês esta noite”.
“Estou ciente”, ele disse com um sorriso.
“Aproveite uma noite de folga. É por mina conta. Isabella”.
Antes que eu percebesse, Christian pegou meu braço e estávamos saindo pela porta. “O que estamos fazendo?” Eu perguntei, envergonhada.
Christian piscou. “Você gosta de pizza. Vamos comer pizza”.
E com isso, ele me levou até o carro. Marco ligou o motor e deixamos o restaurante chique à beira do rio pra trás. Eu odiava admitir, mas foi talvez a coisa mais espontânea e romântica que alguém já fez por mim.
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Atualizado até capítulo 36
Comments
Marlene Souza
😍😍😍😍
2024-08-26
3
De
Nossa até que em fim afff
2024-07-24
9
Guiomar Morais
obrigada estava ansiosa 😊
2024-07-11
2