Capítulo 09

...CHRISTIAN...

Bati na porta do escritório do meu pai. Ele estava localizado num canto de vidro maciço do quadragésimo terceiro antar, com uma vista deslumbrante do centro de Manhattan. Quando eu entrei, ele estava terminando uma ligação com seu típico comportamento horrível à vista de todos.

Era a arma secreta do homem, a capacidade de desarmar qualquer pessoa com seu charme direto. Não havia jogos, não havia besteira quando se tratava de David Knight. Ele era o herdeiro negócio. E sua gentileza, junto com a mente de um capitalista calculista, fez dele o CEO mais poderoso de toda a cidade.

Murdoch, Soros, Musk, eles não tinham nada contra meu pai. Às vezes eu me perguntava por que não havia herdado o gene ‘bom’. Por que eu sempre fui um desgraçado mal-humorado o tempo todo?

Isso me serviu bem nos negócios, não me entenda mal, mas onde estava o coração aberto do meu pai? Tinha sido esmagado, junto com tudo o mais, naquele acidente de carro há mais de um ano?

“Filho, estou feliz que você esteja aqui”, disse meu pai, jogando o telefone de lado. “Queria perguntar como vão as aulas de dança”.

Eu revirei meus olhos. “Por favor, podemos falar sobre qualquer coisa além da minha vida privada pelo menos uma vez??”

“Temos uma reunião às cinco da tarde pra falar de negócios. Então, o que mais isso poderia ser?”. Como de costume, ele sagaz demais. Suspirei e me sentei em uma cadeira, de frente pra ele.

“Eu queria te perguntar... sobre a mamãe”.

Meu pai franziu a testa, surpreso. Este foi um assunto que evitávamos a todo custo. Eu sabia que ele queria falar comigo sobre ela, mas foi pra isso também que ele pagava três terapeutas.

David Knight e Christian Knight não conversavam sobre sentimento, não normalmente. “O que tem ela?”, ele perguntou. “Vá em frente. Você pode me perguntar qualquer coisa”.

“Como... como você soube que ela era a mulher da sua vida?”

Eu quase fiz essa pergunta ao meu pai uma vez antes, mas felizmente, eu resisti. A mulher por quem eu estava apaixonado não era digna de comparação. Mas Isabella...

De alguma forma, ultimamente, eu estava ficando cada vez mais obcecado por ela. Eu queria saber se isso era apenas algum efeito colateral ridículo, se isso estava de acordo com o casamento mais estranho da história ou... ou era algo de verdade. Meu pai sorriu gentilmente.

“Filho, eu soube no momento em que coloquei os olhos nela”.

“Mesmo?” Eu perguntei, surpreso. “Você sabia que era a mamãe desde o primeiro segundo?”. Era difícil de acreditar, como um conto de fadas estupido. Amor à primeira vista. Só de pensar nessas palavras me deu vontade de vomitar um arco-íris.

“Não”, meu pai balançou a cabeça. “Eu não estava falando sobre Amelia”.

“Você quer dizer...”

Ele assentiu. Ele soube desde o primeiro momento em que pôs os olhos na Isabella que ela era a pessoa certa pra mim?! Eu queria zombar. Eu queria me levantar e sair furioso de seu escritório. Eu sento como se ele estivesse zombando de mim. Pela expressão sincera que ele tinha, eu sabia que não era o caso.

“Amelia e eu, demoramos pra nos aproximarmos. Todos os casais verdadeiros, os que duram, também demoram. Às vezes era difícil, mas quando finalmente nos vimos como realmente éramos, isso fez toda a diferença no mundo”.

Eu me perguntei se o mesmo poderia ser verdade pra Isabella e eu. Nossa história foi como a do meu pai e minha mãe, um lento desenvolvimento construído em mal-entendidos, raiva e desconfiança?

“Pai, estou muito confuso sobre como me sinto agora”, admiti. “Nunca acreditei realmente que pudesse... hum... de novo”.

Eu não queria dizer a palavra que ficava entre ‘poderia’ e ‘de novo’. Dizer amor em voz alta tornaria isso real. E ainda havia muita incerteza. Por que ela teria se casado comigo pelo meu dinheiro se valia a pena amar? Finalmente fiz a meu pai a pergunta que estava morrendo de vontade de fazer há semanas.

“Onde você a encontrou, pai?”. Meu pai parou de olhar pela janela, com seus olhos nadando em sentimentos.

“Nós tínhamos um acordo, ela e eu. Não devíamos falar sobre isso. Mas... acho que é hora de você saber”.

“Saber o que?” Eu perguntei, franzindo a testa. “Que acordo?”

“Filho... Isabela não se casou com você por sua fortuna. Ela não concordou em se casar com um estranho porque você era um Knight. Ela se casou com você porque o pai dela estava doente e eu me ofereci pra ajudar a pagar suas contas medicas em troca”.

Meu queixo caiu. Meus olhos saltaram. Meu estomago parecia estar se revirando. Isso não podia ser verdade, não é? O tempo todo... Isabella agia com um desejo altruísta de salvar seu próprio pai? E meu pai escondeu isso de mim?!

“Diga-me que isso não é verdade”, eu disse, com a voz baixa. “Você não faria isso”.

“Eu fiz, Christian”, disse meu pai, encontrando meu olhar. “E eu sinto muito por enganar você. Mas eu sabia que se você fosse informado, você teria visto isso como caridade e nunca teria dado a ela um momento sequer. Eu tive que mentir pra você. Pra que você possa aprender a amar novamente”.

Eu me levantei. Minha cabeça estava girando. Tudo ao meu redor parecia derreter. Todas as vezes que gritei com Isabella voltaram correndo pra mim. Todas as coisas horríveis de que a chamei. Por nada.

“Como você pôde fazer isso?” Eu perguntei, e então senti minha voz se elevar. “COMO DIABOS VOCÊ PÔDE FAZER ISSO COMIGO?!”

Eu nunca tinha gritado com meu pai na minha vida. Isso ia contra a minha própria natureza. A raiva estava reservada pros meus inimigos, não pra minha família, mas nunca me senti tão traído por ninguém em minha vida. E pensar que... todo esse tempo, Isabella realmente era um anjo.

“Eu sei que você está com raiva”, ele disse. “Você tem todo o direito de estar assim”.

“Eu não consigo nem olhar pra você!”. Eu soltei, jogando minhas mais na minha cabeça. “Como você pode fazer isso comigo? Com ela? Você sabe o quão cruel eu tenho sido com ela? O que eu já disse a ela?”

“Eu imaginei”, ele disse, balançando a cabeça tristemente. “Mas eu sabia que ela iria ficar. Porque eu sabia que ela era pura e cuidaria de você, apesar de tudo. Você não entende, filho? Isso é o que é amor”.

Eu me virei pra porta. Eu precisava ir pra Isabella. Eu precisava consertar isso, mas parei quando minha mão encontrou a fechadura. “Como...”, eu comecei. “Como vou ganhar a Isabella, pai?”

Eu me virei e olhei pro meu pai mais uma vez. Eu não queria seu conselho. Não acreditei em uma palavra que ele diria, mas também sabia que, sem ele, estava condenado. Ele sorriu e encolheu os ombros, como se o que estava prestes a dizer fosse a tarefa mais simples do mundo.

“Se você a quiser, Christian”, ele disse. “Diga a ela como se sente”.

Eu não tinha a menor ideia de como conseguiria fazer isso. Mas eu sabia que precisava tentar. Isabella merecia muito. Abri a porta e corri pra fora do escritório sem dizer outra palavra.

Eu não quis dizer isso, Isabella. Perdoe-me, Isabella. Estou apaixonado por você, Isabella. Mas ela acreditaria em mim?

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Comments

Katia Caldas

Katia Caldas

ela deve pedi o divórcio e ele enlouquecer e se rastejar pedindo perdão

2024-08-24

9

Cicera Santos

Cicera Santos

hum acho que a Isa vai pedir o divórcio depois do jubileu

2024-07-10

10

Guiomar Morais

Guiomar Morais

nossa estou ansiosa

2024-07-10

1

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