— Chegamos! — Disse ela.
Nemesis e William estavam ao lado de um grande chafariz que tinha uma iluminação própria em tom azul e dourado, graças a um mago habilidoso que conseguiu atribuir suas habilidades de luz com diversas gemas que eram capazes de gerar luz automaticamente logo no início da penumbra. Aquele lugar era o grande jardim do palácio, nele podia ser encontrado diversos exemplares de flores, rosas das mais variadas cores, tulipas, jasmins, além de flores que para o antigo mundo de William eram desconhecidas, como a Flor Noturna também conhecida como Alegria Noturna, que se assemelhava a uma tulipa, porém está tinha cinco pétalas azuis que emanava uma baixa iluminação branca. Claro, o local também possuía bancos para que pudessem admirar a noite, e um local especial onde Jade costumava sentar-se para tomar chá, com assentos confortáveis adornados além de uma mesa toda delicada feita de madeiras ricas. No fim aquele lugar era excelente, calmo e livre de qualquer perturbação externa.
— Vamos sentar um pouco — disse Nemesis ao seu amado.
— Sim, vamos, precisamos conversar — respondeu William conduzindo-a até um banco próximo.
Os dois sentaram-se.
— Sinto que quer me falar alguma coisa. O que seria? — disse ela bem junto dele como se não importasse mais que alguém os visse.
— Sim — ele ficou pensativo enquanto ela colocava a cabeça sobre o ombro dele — amanhã ficarei mais velho, a tradição diz que temos o dever de ir reino místico e lutar para receber a proteção das criaturas ancestrais ou seja os espíritos celestes abaixo do firmamento, não sei quanto tempo isso irá durar talvez dias, semanas, meses não sei, mas a única coisa que sei é que isso é necessário, para que todos recebam a minha marca e me reconheçam como seu legítimo rei, é pelo povo não por mim — disse ele
Nemesis ficava pensativa sobre as palavras dele, de alguma forma ela entendia bem o que ele sentia, era como se ela própria estivesse no corpo dele para comprovar isso, mas ao mesmo tempo que sentia-se assim ela também tinha sua opinião e claro que ela era totalmente contra ceder a esse tipo de capricho para provar a força.
— Hoje restaurei o palácio que será nossa casa a partir de agora, também restaurei outras construções para que o próprio povo pudesse retornar gradualmente. Por isso estou esgotado, talvez por isso eu perdi tanto sangue naquele momento — ele disse essa parte com naturalidade ao ponto de não perceber que Nemesis nem precisou escutar os detalhes para ficar chocada.
Nêmesis levou a mão no peito.
— William, não vou gritar, para não estragar o momento, mas por favor não se mate. Antes, pense em mim — disse ela se esforçando para conter o medo que sentia — não vou conseguir viver sem você e sabe disso. Então pense em mim antes de fazer essas loucuras.
William riu.
— Não farei isso novamente, quero tê-la ao meu lado, além disso, quem será a mãe de meus filhos? — Disse ele, deixando-a nervosa.
— Para, não fala essas coisas ainda — ela ficou tímida instantaneamente — e depois sei que não será somente eu a esposa, haverá outras. Pensa que não sei seus costumes, estudei muito sobre vocês, porque sabia que um dia nos encontraríamos.
— Você sabe que é única, não é? — perguntou ele.
Nemesis olhou para ele um pouco confusa sobre o que responder.
— Não entendi
— Então não se preocupe, com tempo você vai perceber o porquê de ser a única. — Respondeu ele acariciando o cabelo dela.
Ela nada entendeu, mas preferiu deixar da maneira como estava, só que aquele momento ela guardaria em suas memórias, pois talvez no futuro ela lembraria as razões daquelas palavras.
— Naquele mundo, você se chamava por um nome estranho, eu vi através de uma das lembranças que me deu — ela mirava os olhos vermelhos nele com certa vergonha de tocar nesse assunto, porém essa também era a melhor forma de fugir daquele assunto — acho que era Fe… Fe… li — ela gaguejava muito para pronunciar, pois o idioma era outro apesar dela ter o conhecimento.
— Felipe, Felipe Henrique Moura. Esse era o meu nome naquele mundo — disse ele — Mas esse homem está morto, quem você vê diante de seus olhos é William Oceanus.
Nemesis de algumas forma sentia dor naquelas palavras, parecia que algo muito obscuro que sobrou daquele mundo ainda incomodava ele da mesma forma que uma cicatriz de um ferimento profundo incomodava uma pessoa.
— Calma meu amor. Eu estou aqui agora, lembre-se disso. — Disse ela vendo o quão nervoso ele ficou.
William mirou os olhos no céu, naquele momento e percebeu o quão cintilantes eram, uma vez que eles refletiam o brilho das estrelas.
— Sabe Nemesis, quando completei cinco anos tive um sonho — ele começava a relatar o que via em um de seus maiores segredos — a noite estava como essa, estrelada. Minha mãe após o jantar me levou até quarto onde me contou uma história, eu estava fascinado com a história dos espíritos celestes e tudo mais, mas naquela noite comecei a sonhar com um lugar. — Ele fez uma pausa. — Bom, eu acho que pode se dizer que aquilo é um lugar, frio, escuro e vazio era só o que existia ali, mas por um momento me vi em um bosque, aquele sonho não era tão bom assim, mas enquanto permanecia naquele lugar, com uma tristeza em meu coração, vi uma luz correr sorridente por entre as árvores, uma luz que me chamava com alegria, uma luz de cabelos brancos e olhos semelhantes aos rubis, era você Nêmesis — disse ele deixando-a mais nervosa — mas eu sempre tive medo de me aproximar, afinal… deixa pra lá — disse ele.
Nêmesis estava feliz de poder escutar aquilo, mas aflita por não saber quais razões levaram ao medo dele.
— Eu não sairei de seu lado por nada, mas vamos mudar o assunto. E sua Relíquia Celeste? — Ela tentou mudar o clima tenso.
William olhou para o braço e mostrou a ela sua Relíquia Celeste, a jóia em forma de pulseira.
— Ela é linda. Mas que forma tem? — Nemesis ainda tentava fazer ele esquecer aqueles pensamentos ruins.
— Ela possui duas formas, a primeira uma espada simples, mas digna de um rei, a segunda forma digna, para aquele que possui um desejo ardente de destruir tudo ou de construir — disse ele passando a mão sobre a pulseira. — Nemesis, acho que nunca te falei o significado de seu nome naquele mundo que vivi.
Nemesis mirou seus olhos no rapaz.
— Não. O que significa? — Perguntou ela.
— Vingança. Era o nome de uma deusa mitológica que representava a vingança…
Nesse momento Nemesis surpreendeu-se com as palavras dele apesar de não acreditar que em um outro mundo seu nome significasse algo tão desagradável, a garota também duvidava que o menino mentia para ela.
— Esse será o nome dessa espada. Nemesis, porque com ela trarei a vingança ao meu povo — dizia ela enquanto a menina olhava para ele.
Nemesis não sabia como reagir em uma situação nova como aquela, afinal nunca namorou na vida esperando o dia de encontrar William pessoalmente, enquanto esse tempo não chegava a garota se dedicava aos seus estudos e treinos com espada, ao ponto de criar seu próprio esquadrão. A garota de cabelos brancos na lógica, só sabia lidar com seus soldados e com William ela buscava aprender aos poucos, por essa razão sempre buscava escutá-lo primeiro, analisar suas palavras e determinar uma conclusão mais lícita, podia se dizer que aquele comportamento seu era mecânico, mas com o tempo ela sabia que seria natural.
— Vingança! É uma palavra forte William. Nesse mundo meu nome significa Justiça — ela respirou fundo — talvez seja uma questão de interpretação ou perspectiva, não sei. Mas sabe, não acho que seja necessário e também, nem quero que você alimente isso dentro de você, não quero vê-lo se destruir. Seus pais com certeza não querem vê-lo sofrer. Além disso, alimentar algo tão ruim em nosso peito machuca, e eu me machuco, esqueceu que somos um?
William levou seus olhos ao encontro dos olhos dela e imaginou o que poderia ter feito naquela noite, assim quando o ataque inimigo iniciou, de como viu seus irmãos um a um sendo tragado pelas grandes esferas de fogo ardente que traspassaram os terraços e corredores do castelo, os gritos do povo e a fuga de muitos que morriam pelo caminho.
— É difícil, Nemesis…
Nemesis apenas viu uma lágrima correr pelo rosto do rapaz.
Aquela era a primeira vez que a menina de longos cabelos brancos via uma real fraqueza da pessoa que amava, e naquele momento não sabia o que fazer, todavia um desejo ardente para fazer aquela dor passar nascia em seu peito.
— Eu sei, eu sei. Que dói, dói muito. Eu sinto em mim sua dor, mas eu já disse que estou aqui, não vou deixar isso se repetir mais — ela passava a mão no rosto dele.
Naquele momento William pode desabar de verdade mais vez, ali sem "ninguém" por perto "apenas" na presença de sua amada era necessário.
— Calma, eu estou aqui e não deixarei mais nada e nem ninguém te tocar, mesmo que eu precise destruir tudo e todos — nesse momento as imagens daquele ataque surgiu na mente dela como fragmentos, nesse momento seu semblante mudou e um desejo ardente de pegar sua espada e fulminar o Império Negro cresceu.
Palácio Rosa Branca 5º Ciclo de Luna (22h da noite)
— Queria levar você amanhã comigo, mas não posso — disse William sentado sobre a cama de seu quarto, referindo-se a missão que com certeza receberia após sua cerimônia.
Todos já começavam a se recolher no palácio e claro também no império, já que estava tarde para quem esteve todo um dia de trabalho, principalmente para aqueles que tinham afazeres como William que se sentia no auge do esgotamento.
— Eu sei. Você não sabe o quão eu queria estar contigo também. Mas existem protocolos e nós dois somos as últimas pessoas a ter que quebrar — ela parecia entediada de ter que lembrar disso.
Ele riu.
— Vai dormir hoje aqui? — Questionou William vendo-a próxima a janela de vestido para dormir.
Nemesis olhou para ele com um rosto bem corado, porém para não perder a pose a garota preferiu entrar na brincadeira.
— Hoje, você quer que eu durma aqui? — Ela perguntou de forma bem convidativa.
William olhou para o lado tentando esconder o rosto completamente vermelho. Nemesis ao ver a reação dele começou a rir.
— Bom, não é como se fossemos fazer alguma coisa, não é? — Revelou William.
Nemesis estava trajando um vestido negro de alças finas rendadas até a altura dos joelhos, o que incomodava William ali era o decote detalhadamente trabalhado em rendas parecia até um vestido nupcial que por sinal revelava a rosa arcana acima dos seios dela.
— Onde está William? E o que fez com ele? — Ela caminhou na direção do menino que estava ficando mais nervoso do que antes.
Na realidade os dois estavam se controlando da forma como podiam, pois assim como Nemesis revelava algumas partes de seu corpo William também fazia o mesmo com uma blusa sem mangas e aberta sobre o peitoral, revelando a Nêmesis um pouco do corpo de quem ela amava.
— Nemesis, Nemesis não brinca com isso não — ele se deitou sobre a cama enquanto seu coração queria pular fora.
Nemesis então se aproximou e deitou-se ao seu lado, para testar algo que em sua mente agora parecia tão natural quanto respirar.
— Por que queria que eu dormisse ao seu lado William? — Ela tentou usar telepatia para assustar William.
William olhou rapidamente para ela ao escutar a voz dela dentro da cabeça de sua cabeça. Todavia, era de se esperar que um dia isso fosse acontecer, afinal essa também era uma característica desse poder, compartilhamento absoluto entre o casal.
— Ah! Não, sei. Eu só queria isso, não sei quanto tempo ficarei fora. Aliás, mudando de assunto. Aquela garota, Leona Sanatiel, conseguiu um passe único, ela foi escolhida por Mahara para ser uma guardiã desse poder que tenho, esqueci de falar sobre isso com você mais cedo no jardim — ele dizia isso de forma preocupado.
— Bem que eu desconfiava disso quando a vi pela primeira vez, senti um pouco de você nela. Bom, agora imagino que seja irreversível, não é? — Questionava ela com a mão sobre o peito dele.
William mirou seus olhos roxos nela.
— Não acho que podemos fazer alguma coisa nessa altura, mas também não acho que seja problema, afinal se ela tentar algo, tudo de ruim cairá sobre ela própria.
Nêmesis não sabia se sentia-se feliz com as palavras de William ou triste imaginando quais desgraças poderia assolar a vida de Leona se ela decidisse usar esse poder para o mal.
— Bom, é melhor deixarmos pra lá William. Estamos cansados, o dia foi longo, vamos dormir e melhor meu querido, deixemos essas coisas complicadas para depois. Amanhã completaremos aniversário juntos, quero me despedir de você e conhecer seus amigos — disse ela abraçando ele.
— É verdade, amanhã você os conhecerá. Eles são boas pessoas, você gostará deles — Ele passava a mão no cabelo dela — amanhã tudo começa.
— Sim, mas a única coisa que importa, é que você fique bem — sussurrou ela tocando o rosto dele com sua testa.
Naquele momento os dois dormiram instantaneamente como se mais nada importasse, como se nada pudesse afligi-los novamente, como se suas vidas tivessem sido levadas a um mundo de paz incondicional.
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Atualizado até capítulo 44
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