Pináculo da torre central 4º ciclo solar (08h03)
— Bom, como realmente faremos isso jovem príncipe? — Questionou Leona ainda trajada em suas roupas de serviçal, porém ao invés de carregar consigo uma bandeja ou toalha a jovem a mulher carregava uma espada estilo sabre básica, ela também carregava uma adaga de cor preta que um dos soldados que a acompanhou até a sala de armas lhe deu.
William mirou seus olhos nela riu, pois não gostava de ser chamado de príncipe.
— Me trate como igual, Leona. Sou William Oceanus, mas me chame de William apenas — comentou ele.
Ela mirou seus olhos roxos nele lembrando de como era seu pai enquanto era vivo, pois o via em William.
— Sim, sem problemas, senhor William — disse ela se portando como um bom soldado que não busca assuntar trivialidades, como buscar intimidade com o seu chefe — como iremos até sua terra natal?
Todos na família de Leona nasciam com o propósito de servir, essa basicamente era uma lei do antigo clã Sonata, uma lei incondicional, que todos em sua casa obedeciam a risca, mesmo que nesse caso seu senhor pertencesse a outra nação. Essa também era uma razão pela qual seu clã foi um dos que mais tiveram sobreviventes, já que estava enraizado esse "costume" de servir.
— Bom, essa é uma pergunta interessante, minha jovem — riu ele do próprio comentário — mas antes. Você me acompanhará vestida assim? Não que me importe, mas acredito que deva ter suas próprias vestimentas, e depois não sei se te incomoda essas roupas, mas é um pouco estranho sair por aí vestida assim, ainda mais alguém como você que está em uma posição de guarda, mas claro a opção é sua.
William mirou os olhos de cima abaixo e viu as roupas da menina que estava um pouco sujas pela limpeza do café da manhã e da mesa que havia colocado, e imaginou como ela conseguiria eventualmente entrar em combate com tudo aquilo lhe atrapalhando, mas não queria perder tempo com isso, tão pouco importava na realidade. Leona por sua vez, sentia-se envergonhada por vê que o príncipe até nisso dava uma atenção, nos detalhes de como ela se sentia, se estava bem ou mal com aquela situação, no fim ela chegou a conclusão de que havia encontrado a pessoa certa para jurar sua lealdade.
— Não, não, está tudo bem, são manchas pequenas, assim que voltarmos farei a devida limpeza, não precisa se importar muito comigo jovem príncipe estou aqui para servi-lo apenas. Se precisar entrar em combate não se preocupe posso lhe proteger assim mesmo — disse ela.
O príncipe então mirou seus olhos nos olhos da menina que se retraiu instantaneamente ao perceber a troca imediata de olhares, afinal para ela uma troca de olhares não era algo tão simples quanto a relação entre outras pessoas que apenas se conheciam.
— Entendi, tudo bem, então vamos. Outra coisa — ele mirou seu indicador nela — William, me chamo William — riu ele para a surpresa dela.
Os dois estavam no ponto mais elevado da torre principal do palácio da Rosa Branca, dali William sentia-se melhor para usar seus dons, afinal caso desse errado não era de sua intenção ferir alguém.
Dalí, William podia acessar todos os canais dimensionais que combinado com sua inteligência e habilidade lhe permitiria viajar para vários lugares diferentes, pelo menos era esse o cálculo que havia feito para que pudesse navegar entre uma dimensão e outra.
— Recapitulando, sua missão é me proteger — Ele mirou os olhos na espada cujo o fio exposto parecia estar falho — Você está ciente que não posso lutar, fato é que não estou carregando armas comigo, porém não acredito que chegaremos a tanto, pois as tropas do exército dourado da Imperatriz Jade estão naquele lugar. A missão é a seguinte. Iremos apenas averiguar as condições atuais do local onde era minha cidade, suas ruas, casas e etc, obteremos informações também, não acredito de forma alguma que entraremos em combate, mas fique atenta. Muito ainda precisa ser visto, mas isso veremos com o passar do tempo, afinal a partir de agora irei com mais frequência para Aquaria. Outra coisa, não precisa procurar por corpos, já recuperamos todos. Por fim, não se afaste muito ou te deixarei para trás — tentou ele brincar para esconder suas tristezas.
— Sim senhor — respondeu ela observando a tristeza que o garoto sentia.
— Muito bem, vamos! — Disse ele erguendo a mão na direção leste do caminho que levava a Aquaria.
Por um período de um minuto e alguns segundos William fechou seus olhos mentalizando o lugar de onde veio e as possíveis fendas dimensionais falhas que podia usar para realizar seus saltos com a jovem mulher que iria acompanhá-lo no trajeto. Naqueles poucos momentos Leona pode ver a expressão do menino mudar bruscamente, o rosto e mãos pingando o suor gelado que corria o corpo dele revelando o quão doloroso era usar aquilo, por um momento, Leona teve medo dos poderes do menino, afinal usar suas habilidades era algo tão natural quanto respirar, acordar ou comer, era algo que ela sabia desde a infância e ver o príncipe passar por aquilo lhe fazia questionar sobre a segurança nessa viagem.
— Leona está pronto, coloque a mão no meu ombro, por favor faça isso logo está meio cansativo aguentar — disse ele rindo claramente ofegante.
Leona estava assustada, pois pela primeira vez presenciava algo que mexia de forma extrema e negativa com ela, a mulher não sabia o que fazer, porém a melhor opção era fazer o que William dizia.
— Entendi, estou indo — disse ela se aproximando o mais rápido possível de William.
— Vamos...
— Jovem William! Espere por mim! — Berrou a voz rígida e grossa do homem de quase meia idade trajado em uma armadura reluzente de cor carmim que tinha como adorno lenços brancos detalhado a um mineral dourado que corria as extremidades do tecido de seda.
Acompanhado da princesa Nêmesis, Leônidas se aproximava usando uma espada claymore, que em razão do seu tamanho a arma não possuía uma bainha, para que durante suas batalhas não viessem lhe atrapalhar na hora de empunhar, todavia ela flutuava através de uma pedra rúnica, para que ela não se desprendesse, porém o seu fio finíssimo era encoberto a fim de não ferir ninguém, com uma habilidade elementar de Leônidas, o Fogo Eterno, que não causava danos ao objeto e tão pouco a alguém que Leônidas não considerava o seu inimigo.
— Mas será possível? — disse o menino vendo os dois se aproximando — Do que precisam?
— Ora, vou com você. Como disse a imperatriz, você é um tesouro importante para o império, se é assim então vamos, e essa é minha função, proteger coisas importantes para o Imperador Branco — disse ele de forma ávida, diferente do que sentia o garoto, que via suas forças se esvair a cada milésimo de segundos que passava.
William mirou seus olhos no homem e viu sua empolgação com a possível participação na missão, e pôde entender que não valeria a pena discutir com ele, o único jeito seria aceitar seus caprichos.
— Sim, sem problemas senhor Leônidas, mas por favor seja breve — disse ele, mirando seus olhos em Nemesis que parecia sentir sua dor só de olhar — que foi? Ficarei bem.
— Eu sei, mas isso não é suficiente. Só não irei junto com você, porque sentiriam falta de mim no palácio hoje — disse ela.
Ele então se aproximou dela para a surpresa de Leona que ainda não sabia daquele clima que todos próximo a realeza já haviam percebido. Obviamente que ela tinha suas dúvidas a respeito da relação deles como qualquer outro ali dentro, mas agora ela tinha certeza. Leônidas por sua vez, já acostumado com aquela situação, entrava em um dilema consigo mesmo, uma vez que se perguntava se havia algo que deixou de viver no passado na sua juventude ao ver o romance entre os dois.
— Olha como está suado — dizia ela passando a mão no rosto dele — se eu pudesse carregar esse fardo com você — disse ela.
— Cuidado menina, com o que deseja — ele riu — Não se preocupe, eu irei voltar, um pouco mais cansado, mas irei voltar. Espere por mim — finalizou ele se afastando dela.
— E então nem parece que o jovem príncipe está se esgotando, será que ver pessoas amadas realmente nos fortalece? — Brincou Leônidas com os braços cruzados ao lado da menina que só observava em silêncio.
Nemesis deu um passo para trás com o rosto corado. William por sua vez olhou de canto com um sorriso sem jeito para o homem que o afrontava.
— Vamos logo está difícil manter isso, além disso cuidado com os ouvidos — essas palavras ecoavam de sua mente, contudo, quando os dois se aproximaram do garoto colocando sobre seus ombros a mão, enquanto Nemesis olhava para ele com as mãos sobre o peito, os três puderam ver os lábios do menino se mover para falar, algo bem surpreendente para eles que ainda não haviam visto de tão perto. Naquele momento um som estridente saiu de seus lábios, um som que rasgou os céus de toda a cidade de uma ponta a outra, um ruído jamais escutado naquelas terras, um ruído que assustou pessoas e animais ali perto, um ruído doloroso que fazia os pulmões de William machucar dolorosamente, como se suas cordas vocais estivessem abrindo novamente. Por fim, um ruído mais baixo ecoou de seus lábios, era sua voz citando suas primeiras palavras depois de um tempo — ABRA! – Disse ele com uma voz rouca e cansada, como de uma pessoa de idade avançada em seus últimos dias.
Era a primeira vez que escutavam a voz do menino e aquilo mexia com eles, pois escutar a voz cansada e fatídica do menino realmente causava desconforto no corpo. Embora Nêmesis estivesse assustada com o ruído que aquela voz causou, ela também sentia em seu coração que aquilo era tão assombroso e doloroso pra ele, quanto era pra ela.
Por outro lado, todos na cidade imperial estavam assustados imaginando que aquele seria algum ataque de dragões ou a ira de seus criadores, ainda não estava certo para eles de onde vinha aquilo, mas mesmo assim todos estavam buscando entender o que era aquele som, inclusive os soldados leigos aquilo. Só não sabiam eles que aquele barulho era pouco, considerando o fato de que o garoto estava prestes a fazer algo mais surpreendente. Assim a garota de cabelos brancos, a princesa Imperial teria a oportunidade de ver uma pequena fração do potencial do poder usado pelo menino que havia salvado.
— O que é isso? — Questionou Nemesis — parece minha habilidade, mas está diferente, está mais instável.
— Isso é a nossa carona e ele não está instável, ele está se abrindo — revelou William por meio de sua telepatia para surpresa de todos que não esperava que ele voltasse a ficar mudo.
— Jovem príncipe, isso é seguro? Já vi outros usuários de habilidades espaço-tempo, mas nunca vi algo se manifestar assim — revelou o homem o medo que sentia.
Todos puderam ver uma forma esférica em tons azul e preto que parecia ter pontos luminosos por toda as extremidades lembrando estrelas, mas que eram partículas de Éter que mantinha a singularidade sob controle, para que nenhum acidente fosse causado, por fim ao redor podiam ver uma espécie de distorção, em seguida para a surpresa de todos a esfera se expandiu em um portão cujo o interior podia-se ver raios no firmamento e camadas que parecia o chão, mas não eram, que parecia um teto, mas não eram, que pareciam paredes, mas não eram, na verdade era o tecido da realidade completamente distorcido, um vácuo escuro e brilhante, um lugar estranho que aparentemente não existia, mas que levava quem quer que fosse a qualquer lugar baseado em seus cálculos.
— Sim, é seguro, vamos logo, lembre-se que estou gastando energia. Não é de meu interesse desmaiar no meio da missão, ou vocês querem ficar presos aqui dentro — respondeu ele com sorriso de canto — agora vamos, até entrarmos não soltem meu ombro ou ficarão perdidos eternamente, porque as coordenadas estão comigo. Envolverei vocês com éter ligado ao ar para que não sofram com a falta de oxigênio. Vamos! — Concluiu ele.
— Sim — responderam os dois segurando o ombro dele cada um.
Eles entraram
— Senhorita Leona, você sabe o quê é oxigênio? — Leônidas estava confuso.
— Não, senhor general…
William caminhou cuidadosamente, pois cada passo que avançava parecia que os dois que o acompanhava apertavam ainda mais os seus ombros, claro era isso o que estava acontecendo, baseado no medo que sentiam ao passar pelas dimensões.
Para o jovem príncipe era de se esperar que todos à sua volta tivessem medo de suas habilidades, mesmo na antiga Aquaria havia aqueles leais ao rei e a rainha que temia sua existência, então por que no Império seria diferente? Seus poderes ocultos, sua habilidade de copiar e ampliar outras habilidades era um segredo para todos, como também a chave de muitas outras coisas.
— Até mais William — disse Nemesis bem baixinho enquanto escutava o som dos passos dos soldados subir atrasados as escadas da torre.
Nemesis foi deixada para trás no momento em que os três passaram o portão, mas o que restou naquele lugar foi uma bruma luminosa de energia Etérea que parecia dançar entre si, por outro lado Nemesis se assustou ao ver diversos pontos de energia como "pequenos" glóbulos flutuantes que brilhavam em todas as cores, azul e vermelho, verde e amarelo, rosa e roxo, uma variedade de cores que alternavam entre si. Aquele fenômeno corria em uma espécie de linha reta, por todo o caminho que levava a Aquaria e concluiu que aquele era o caminho que o jovem rapaz usava para chegar mais rápido.
— Senhora! Senhora! Está tudo bem? Escutamos um som terrível vindo da torre — Relatou o soldado puxando o fôlego assim como os outros atrás dele.
A menina se virou e mirou seus olhos no homem que estava ofegante, em seguida mirou seus olhos nos soldados logo atrás, em seguida virou suas costas para eles novamente.
— Está tudo bem. Tomem fôlego e depois voltem às suas posições — disse ela voltando ao interior do prédio.
Nêmesis tinha um longo dia pela frente e não poderia perder mais tempo, afinal a família de muitos que a aguardava já estavam começando a chegar naquela altura, seria impossível para ela continuar ali parada.
Por outro lado, os soldados nada entenderam e era melhor que fosse assim. Então todos apenas tornaram aos seus postos em silêncio, logo atrás da menina de longos cabelos brancos, que já descia o caminho para se encaminhar a sala do trono, pois a sua missão naquele dia seria uma das mais difíceis, uma missão que toda jovem em sua idade era obrigada a passar naquele Império, a escolha de um pretendente.
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Atualizado até capítulo 44
Comments
Tōshirō Hitsugaya
Já li muitos livros, mas esse certamente é um dos melhores que já tive o prazer de ler. Parabéns, autora!
2024-04-21
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