Império Vale Elíseos, Capital imperial Cidade Branca 1º ciclo de Solus (5h da manhã)
— Já amanheceu? — Acordava calmamente Nemesis ao lado do rapaz que mirava os olhos nela.
— Eh, parece que sim, e vamos levantar porque você passou a noite aqui e com todo respeito, eu sou macho, é melhor sair logo — concordou ele pegando-a pelo colo.
Nemesis assustou-se com a reação do rapaz, pois aquelas atitudes não eram comuns entre "amigos" apenas, tal atitude como aquela era como situações entre casais, mas honestamente, por que imaginar que aquilo só acontecia entre casais? Visto que, ela própria já compartilhou a cama com William na noite anterior.
— W… William, o que é isso? — Questionou ela surpresa com a atitude do rapaz.
Ele expressava um sorriso de canto.
— O quê? Estou indo lhe deixar no seu quarto. E já que você disse que vamos ficar juntos, estou tirando uma casquinha — respondeu ele rindo de suas próprias palavras.
William demonstrava muitos costumes de sua outra vida naquele mundo, apesar de não se importar com aquela vida que viveu. Contudo, suas atitudes deixava todos intrigados principalmente quando ele decidia se expressar propositalmente, já que apesar de tudo, suas lembranças de uma vida anterior eram tão fortes e intensas que talvez ninguém nunca saberia as razões pela qual ele agia assim.
— O que é isso? Você e essa maneira de falar — replicou ela com a mão no rosto pela vergonha que sentia ao ser carregada.
— Obrigado por confiar em mim quando mais ninguém confiou — disse ele à garota — Abra! — após falar isso suas palavras se converteram em ação e algo semelhante a um portal se abriu no quarto do menino.
Nemesis olhou com olhos de desdém para aquela pequena esfera de energia que se formava em algo semelhante a um portão. A verdade era que aquela era uma cópia perfeita ou superior a sua habilidade espacial, caracterizada como classe Ordem Negra, por ser uma classe distinta. Porém, aquilo também era uma surpresa para ela, pois por mais excepcional que fosse ver William usar aqueles poderes aquilo o esgotava muito.
— Assim é fácil — comentou a garota — e ainda pergunta como posso entrar aqui e passar a noite? Da forma que você usa minhas habilidades acho difícil alguém saber que passo as noites aqui.
Ele riu e passou pelo portão que criou.
— Mas não se acostume com isso — replicou ele passando pelo portal que acessava ao quarto da garota — agora se troque. Pelo menos por enquanto finja que não tem vindo aos meus aposentos à noite. Hoje será o dia "daquela" celebração tradicional de seu reino.
Ele a sentou cuidadosamente sobre a cama dela e apesar do nível de intimidade e hormônios a loucura, o garoto de cabelos negros viu o brilho dos olhos da menina sumir ao lembrá-la daquela celebração.
— Mas fique bem, espere por mim. Tenho que admitir que você está certa sobre tudo o que disse ontem, você sabe o que há dentro de mim por você. Então não posso deixar outro homem se aproximar de você — ele pegou delicadamente no queixo dela.
Ela ficou feliz de escutar aquilo em sua mente.
— Assim você me constrange, mas para onde vai? — Disse ela engolindo em seco, pois sabia que não podia impedi-lo em nada, além disso sabia que passaria uma boa parte daquele dia só, enfrentando aqueles problemas.
Ele se afastou dela.
— Não se preocupe, depois esse tempo reuni forças necessária para desafiar aquilo, mas enfim, vou erguer o palácio de Corais novamente — disse ele com muita leveza o que ele faria.
Ela mirou seus olhos aflita com as palavras dele e da maneira como ele falava.
— William está louco, como planeja fazer isso? — Disse ela nervosa.
Ele começou a caminhar de um lado a outro com sorriso de canto.
— Aí... aí… vejo que preciso explicar tudo — ele levou a mão no rosto como um psicopata.
Ela mudou o humor drasticamente quando o viu naquela encenação, sentiu-se ofendida.
— Vou usar a pedra Arcana no centro da praça real como gatilho para refazer o palácio e algumas construções, em seguida vou reivindicar o trono, mas para isso preciso conquistar minha Relíquia na pedra. Aqueles ratos malditos, a única coisa que não destruíram foi a pedra Arcana, aqueles miseráveis até pareciam esperar que eu sobrevivesse — ele cerrou os punhos.
— William, eu sei que você é forte, mas o problema é seu corpo desde aquele dia, acho que ele ficou mais frágil. Pelo que sei, desafiar pedra Arcana exige muita energia Etérea. Lembra daquele dia? — Relatou ela lembrando de uma situação em que passaram nas áreas de campinas do Império. Naquele dia algumas pessoas, entre eles e Roseta, a maga imperial, vislumbraram um fenômeno jamais visto.
— É verdade, mas está tudo bem. Afinal esqueceu que sou um guerreiro também? — Replicou ele.
Ela riu.
— Preferia que não fosse, só para você não ter que passar por isso — revelou ela.
Ele golpeou levemente a cabeça dela.
— Bom, ser dependente de você? Nunca, jamais. Aquaria é um povo guerreiro, como vocês são, esse pedido me ofende. E depois é de nossa casa que estamos falando senhorita ou você quer morar debaixo do céu? — ria ele — mas enfim, vamos, está ficando tarde, preciso me organizar para avisar aos seus pais. Fique firme até eu voltar, invente alguma coisa, ganhe tempo até que eu possa chegar.
Nemesis levantou os olhos vermelhos em sua direção preocupada com sua confiança.
— William fique bem
— Não se preocupe. Vamos. Nos vemos no café da manhã.
Aquelas foram as últimas palavras de William antes de sumir completamente da visão e do quarto da menina.
— Ele se foi…
A habilidade de William não se tratava de levar uma pessoa de um lugar a outro, ou copiar algo alheio, tomando-o para si, o grande poder que ele guardava era muito mais intenso que isso, muito mais complexo que isso, porém aquele poder custava-lhe bastante, só o fato de usá-lo para se comunicar com apenas algumas pessoas capaz ou sensíveis para escutar a sua voz nas suas mentes ao longo do dia, era o suficiente para lhe esgotar. Vale ressaltar que William não se tratava apenas de um mero rapaz que sofreu um trágico acidente e por virtude foi acolhido pelo imperador Branco, não, claro que não, o jovem rapaz era um príncipe de uma nação que praticamente já não existia mais, um rei sem reino, ou melhor, era isso o que todos achavam na sua ignorância, mas para William o povo era o seu reino e aquelas poucas pessoas que sobreviveram aos ataques dos monstros faziam parte dele, ou melhor, era o seu reino, essa era também a razão a qual, Nêmesis o havia escolhido, claro havia outros motivos, mas o que realmente considerava, era o interesse do jovem no seu povo que lhe fazia um consorte real, capaz e que lhe ajudaria de diversas formas.
Por outro lado, William ainda iria aprender que muito mais coisas estavam envolvidas entre ele, aquele reino, Nemesis e sua real história, afinal William não era daquele mundo de uma forma ou de outra, pelo menos em sua vida anterior e isso Nemesis aos poucos iria descobrindo, só não sabia ela que conhecer o mundo daquele garoto lhe traria mais tristeza do qualquer campo de batalha em que já entrou, a garota de cabelos prateados e olhos avermelhados que mais parecia uma vilã de série, saberia que em um mundo de habilidades "mágicas", a ciência, matemática e as probabilidades mesclado ao perigoso poderio bélico fariam toda a diferença.
Palácio da Rosa Branca salão Nobre dedicado a refeições 6h am (2º ciclo solar)
Era manhã e todos os principais nobres do império, generais e suas esposas e maridos, estavam reunidos na grande mesa do Imperador para participar juntos do café matinal algo que o próprio imperador e sua esposa a imperatriz Jade Chrono fixaram marcando o início de algum evento importante da nobreza. Por outro lado aquilo também importava, pois mostrava o poder de um império próspero e pacífico fincado em um único alicerce que segurava e sustentava todo o povo, a família Branca.
— Muito bom dia, jovem William! Dormiu bem? — Questionou o Imperador Branco ao menino que estava assentado na outra ponta da grande mesa de safira que o próprio Imperador Branco havia criado graças a sua habilidade em controlar e criar minerais, uma habilidade rara que tornava os equipamentos do império um dos melhores para as batalhas, plantio e outras necessidades do império.
— Sim senhor, estou bem. Dormi bem, imperador, obrigado — respondeu ele formalmente ao homem, mas só ele sabia como havia dormido.
Nêmesis trajava em um vestido azul profundo e com detalhes pretos adornados com safira e fios de prata que somavam na costura. A garota estava consciente de como foi a noite ao lado de William, então delicadamente virou um pouco de chá na boca enquanto escutava toda a conversa em silêncio, afinal a mesa, só podia falar se fosse solicitada a isso, além disso era bem melhor ficar em silêncio do que falar algo desnecessário naquele momento.
— Hum! Que bom! — disse ele — queremos que se sinta à vontade no palácio é o mínimo que podemos fazer por você — completou.
— Sim senhor e novamente muito obrigado por tudo que faz a mim e ao povo — respondeu o garoto intrigando muitos ao redor da mesa que não sabiam como ele respondia, sem movimentar os lábios.
— Tem recebido os relatórios semanais de nossos agentes, sobre a situação da região no reino de Aquaria? — Questionava o Imperador naturalmente ao garoto enquanto todos escutavam em silêncio absoluto, mas aproveitando os "manjares" sobre a mesa.
— Sim, seus homens têm mantido contato com meus subordinados. Serena líder do clã sereiano Oceanus me mantém informado de tudo. Inclusive quero começar a enviar mais reforços do meu próprio povo, para as áreas de reconstrução da cidade principal. Imagino que isso aliviará ainda mais a sobrecarga sobre seus empregados e por fim as terras são nossas, não é justo deixar o império arcar com todas as despesas. Precisamos retribuir — disse William virando uma xícara de algo que fazia lhe lembrar do café, mas o sabor era bem mais suave, algo que seu paladar nunca se acostumou mesmo sendo uma outra pessoa.
— Entendo. E fico feliz que pense assim jovem príncipe, afinal acima de tudo precisamos ser realistas, isso tudo gera gastos, armas, equipamentos como pás, enxadas entre outros, moradia e alimentação também gasta bastante. Tudo tem um custo, devo admitir, mas são coisas corriqueiras, o que importa é como tratar isso — revelou o homem.
Era uma situação muito curiosa para os empregados e também naquele momento aos privilegiados que podiam sentar na mesa de safira do imperador, durante uma das mais importantes refeições diária. Naquele momento para muitos, era difícil explicar como o Imperador, sua esposa e sua filha se comunicavam tão bem com o garoto que aparentemente nada respondia, pelo menos não com seus lábios que se mantinham parados a cada comentário entre uma conversa e outra, tornando aquilo muito mais estranho quando basicamente som nenhum ecoava pelo salão, claro que nem todos os empregados e membros da nobreza tinham consciência de que ele usava sua mente para se comunicar quando precisasse de algo, naquele mundo usar telepatia era um dom raro e assustador concebido apenas a criaturas além do natural.
— Senhor Imperador Branco se me permite — ele levantou de seu lugar curvando a cabeça em respeito, mas despertando o interesse de todos ali que se sentiram surpresos com aquela reação — gostaria de lhe fazer um pedido, permita-me falar o que quero — disse ele tomando a iniciativa depois de meses.
O imperador colocou sua taça de vidro sobre a mesa esperando o que poderia ser aquela pergunta, afinal estava tudo muito fácil até ali. Três longos meses em que o garoto nada exigiu era um verdadeiro milagre, mas a questão ali era quanto lhe custaria aquela pergunta? Independente da resposta que desse ao pedido do rapaz, aquilo lhe traria benefícios ou malefícios? Não importava, aquele momento chegaria uma hora ou outra e o homem de meia idade preferiu esperar a vontade do rapaz, claro que o pedido de William não era nada de mais, mas um príncipe era um príncipe e determinados pedidos poderiam gerar danos ao império. De uma forma ou de outra, o Imperador precisava ser cuidadoso em sua resposta.
— Como sabe, estou sob sua custódia há 3 meses, ou seja, estou há 3 meses longe de minha terra natal ou pelo menos longe do que sobrou dela. Gostaria de visitá-la novamente no dia de hoje, assumo as responsabilidades dos riscos, mas preciso ver com meus próprios olhos, não apenas por relatórios. Agora meu povo é pouco, mas ainda assim são pouco mais de 150 mil sobreviventes que estão refugiados na cidade imperial Floresta Etérea, morada do povo Driade. Então com todo respeito a vossa excelência gostaria de sua permissão, sei que há soldados seus retirando e limpando tudo o que foi destruído nas outras províncias e vilas próximas, sei que na Província de Corais os trabalhos estão na última fase de limpeza para iniciar a reconstrução, então gostaria de ver como estão os trabalhos. Além disso, com minha força atual ainda hoje retornarei — disse ele praticamente se curvando ao imperador.
O homem olhou para o garoto pensando nas infinitas possibilidades de problemas que seria causado ao jovem ao retornar para sua terra natal, afinal os monstros que atacaram aquele lugar foram expulsos a muito custo depois de dias, pois não se tratavam de uma manada desordenada e perdida que topou de cara com sereianos, seres de outras raças e mestiços, havia alguém por de trás de tudo isso, alguém capaz de domar feras indomáveis e que poderia estar por ali espreitando. Por outro lado o que intrigava o imperador era a questão que se tratava de visitar Aquaria tão rapidamente, que diga-se de passagem, ficava a quilômetros de distância dali, uma viagem de pelo menos uma semana em animais rápidos e sem descanso. William queria reduzi-la em apenas um dia, sendo ida e volta, pelo menos era essa sua proposta. O homem estava preocupado, porém curioso para saber como o menino conseguiria ir até sua terra tão rapidamente.
— William, em primeiro lugar é preciso que tenha em mente que aqui você não é um prisioneiro, para me pedir permissão ou para afirmar que está sob minha custódia. Você pode não perceber, mas já está em uma condição acima de um simples príncipe, você é um herdeiro de sangue real que sobreviveu e só isso já te deixa em uma posição elevada, então erga sua cabeça quando se dirigir a mim, pois estamos em igualdade. Em segundo lugar, quero que saiba que aquelas terras estão sob nossa severa vigília, enquanto também os demais soldados e os sobreviventes voluntários tratam das cidades do reino de Aquaria, pois quem as atacou irá querer reivindicar aquelas terras novamente cedo ou tarde, para ganhar mais terreno e claro o objetivo é a capital imperial. Se não entende, então pense comigo, por mais que não fizessem parte do império como uma de suas cidades, vocês detinham o exército marinho de Vale Elíseos e alguém o destruiu completamente, entende o que digo? Entende o impacto? Não? Me refiro ao Imperador Negro — Suspirou o homem ao falar essas palavras que por sinal fizeram todos parar de se alimentar instantaneamente, para dar atenção ao assunto — Será que deve ir agora mesmo? Pense nisso, 3 meses parecem muita coisa, mas não é. Nesse período espalhei espiões, por todos os lugares, todas as evidências apontam que Nébula está por trás do ataque a Corais. E por fim me explica como fará isso? Ir e voltar ainda hoje? Isso me parece algo impossível — finalizou ele com um semblante bem mais amistoso do que quando começou a falar.
Todos simplesmente pararam o que faziam sob a mesa para dar atenção ao assunto, que começou de forma amistosa e se tornou um assunto tenso, com uma atmosfera pesada, já que se tratava do Império Negro cujo o seu soberano carregava o nome de Nebula A Espada Carmesim, o homem que ao lado de sua esposa deixou de ser homem para ser algo desconhecido por todos e completamente perigoso a todos os reinos e impérios do continente de Eteria o verdadeiro e único inimigo daquele povo.
— Imperador Negro? — Sussurravam todos entre si.
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Atualizado até capítulo 44
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