William então tornou os seus olhos aos rapazes para fazer uma análise, viu a arma que cada um portava, observou o físico de cada um e claro ainda continuava a ver os olhos maldosos que cada um deles exibiam.
— Antes de começarmos, fique de pé todos os que podem escutar minha voz neste salão e se entre vocês cinco há alguém que escuta, dê um passo à frente! — Se esforçou William para fazer seu talento correr todo o salão, fazendo Nemesis se perguntar qual seria o seu plano.
Naquele momento todos os que podiam escutar a telepatia do menino em suas mentes, levantaram-se trêmulos, sem entender a razão pela qual uma voz lhes falava em sua cabeça. Os cinco rapazes à sua frente por outro lado, nada podiam escutar ou entender porque todas aquelas pessoas, inclusive, alguns entre os pais deles próprios saiam de seus lugares como se fossem convocados a isso.
— Entendi — ele pensava com a mão no queixo — muito bem. Bom, me perdoem por toda essa confusão, não era de minha intenção tudo isso — claro que ele mentia — garoto? — Ele apontou o dedo na direção de Otávio da família Lótus, uma das maiores em Jardim Secreto, terra das bruxas — Sim, você mesmo, venha aqui por favor.
Otávio era o menino que havia desistido de participar do duelo em razão da doença que carregava em seu corpo frágil.
— Não, meu senhor, meu filho não pode batalhar! — Berrou a mulher filha das bruxas, assustada com o que poderia ser feito ao seu filho.
Nemesis apenas olhava para William imaginando o que ele queria com o mais fraco ali. Os rapazes por outro lado já consideravam William um covarde sem coração para pegar um indefeso.
— Não posso te ouvir miserável, mas sei que está falando com eles. Se entendi bem, você quer derrotar o mais fraco, você não merece perdão — disse o elfo.
William simplesmente fincou um olhar gélido no menino que se irritou mais.
— Calma mulher, não se exalte, que sentido faria eu derrotar alguém que já desistiu? Além disso há esses cinco, eles são o alvo. É só pensar — Dizia ele a mulher que levava a mão no peito — Garoto não se preocupe, venha até aqui, não vai te acontecer nada, vamos rapidinho.
O menino que só de olhar claramente tinha o corpo frágil, começou a dar um passo após o outro de forma vagarosa como quem temia algo, naquele momento os olhos azuis de Otávio fixaram apenas no sereiano à sua frente, que também pelo que pode ver não se sentia muito bem, porém conseguia disfarçar como ninguém, seu real estado físico.
Quando chegou, o menino pode ver de perto o herdeiro de Aquaria e o quão belo era, uma admiração tão grande que se questionava se poderia existir alguém assim, além de suas vestes finas de tecidos finos e raros, com partes de sua armadura que tilintava a cada movimento que fazia como uma música, os seus longos cabelos negros que lembravam a noite e tudo aquilo que jamais ele teria, porém imaginava que uma coisa havia conseguido, só não sabia o que era, porém isso importava mais que qualquer outra coisa, a atenção e o possível respeito do rapaz.
— Hum… você parece novinho. Como se chama? — Questionou William passando a mão na cabeça do menino.
Nemesis já começava imaginar que tipo de homem era aquele que ela havia conseguido, pois seu ciúmes começava a arder mais do que a fadiga que sentia.
— Não faz isso por favor, me chamo Otávio da família Lótus, da Província Jardim Secreto, o que deseja de mim? Desse miserável servo — questionou o menino se afastando dele envergonhado.
William riu e levou a mão na cabeça como se coçasse.
— Bom desculpa, mas por favor preciso de sua espada, infelizmente como pode ver, estou sem uma — ele ria enquanto passava a mão em sua cabeça — pode me emprestar a sua? Devolverei quando terminar aqui.
Otávio não sabia o que pensar daquela postura amistosa, mas o que podia fazer sua espada estava do seu lado, dizer que não tinha naquela altura era fatal.
— Querer não quero ela é uma herança para mim, mas tudo bem. Não foi egoísmo que aprendi durante minha vida — ele desembainhou o objeto fino e pontiagudo — vamos, pode pegá-lo.
William pegou a espada e a analisou, era fina e delicada, porém bela e fatal. Não fazia muito o tipo dele, mas conseguia manejar como ninguém, afinal era uma espada.
— Uma rapieira? Impressionante — admirou William.
— Sim é uma herança de família. Mas é só isso mesmo? — perguntou ele.
— Você foi o garoto que não participou porque está em condição enferma, estou errado?
— Não, sou eu mesmo. Nasci com uma deficiência respiratória, a horas do dia que não consigo respirar direito e penso que posso morrer a qualquer momento, mesmo que meus treinos com espadas sejam menos exigentes que o natural, ainda assim é um grande esforço para mim — revelou ele.
William foi até ele e tocou seu ombro.
— E por que faz isso? Digo você, se sente mal e ainda continua a tentar, não faz sentido — comentou William.
O garoto olhou para sua mãe e seu pai que pareciam completamente nervosos, aflitos sobre o que aconteceria depois daquilo tudo.
— Eu faço isso pelo orgulho da minha mãe que é uma bruxa de alto escalão e pelo meu pai que é um duque — respondeu.
— Entendi, então deve ter aptidão para magia
— Meu senhor não consigo usar magia, sou o mais fracassado de minha casa.
William lembrou de seus amigos de guerra em sua vida anterior.
— E você ainda planeja ser imperador assim? Com certeza seu problema não é sua doença e sim sua forma de pensar — as palavras de William foram fortes para ele baixar a cabeça — Levanta a cabeça! Você é forte rapaz, você pode. Mas acredite que pode fazer isso primeiro.
— Eu… eu forte? Você não entende? Eu sou fraco? — a mãe do menino chorava logo atrás.
— Garoto sou a pessoa que melhor te entende aqui, mas me responde, o que você faria se visse sua mãe ser apunhalada pelas costas? Aquela menina deve ser sua irmã — Ele mirou o dedo na moça que também estava de pé — se alguém agora tenta estuprá-la, o que faria? — O menino assustou-se com essas possibilidades, mas a certeza que tinha, era de que iria atrás do culpado mesmo que custasse sua vida nisso — Eu te entendo rapaz, te chamei aqui para te provar que dentre eles você é mais forte, você me escuta com naturalidade muitos outros precisam se esforçar pra isso. Não se preocupe, tenho uma amiga que pode te curar, ela não está aqui no momento, mas brevemente estará, nesse dia você será curado dessa asma. Agora volte ao seu lugar, meu assunto é com esses aqui — disse ele se voltando aos demais jovens.
— Asma? Não sei do que está falando, mas vou confiar em vossa senhoria, obrigado — disse ele voltando ao seu lugar.
William nada respondeu, pois concentrava seus poderes para poder batalhar contra aqueles novatos arrumadinhos.
— Todos vocês que me ouvem protejam os ouvidos, mas antes avise para todos demais se protegerem também, não se preocupem é só para não machucar ninguém — disse ele rindo – e não façam perguntas só obedeçam por favor.
Todos simplesmente começaram a avisar entre si para seguir com o plano do menino. Em seguida, depois de um tempo de espera e William observar que todos inclusive seus rivais estavam protegidos, ele enfim abriu seus lábios para poder conversar com os meninos a sua frente.
Naquele momento William rompeu momentaneamente a barreira que reprimia sua voz, e como tal ao romper esse limite, um efeito colateral sempre era gerado, naquele momento um estalo correu o salão fazendo com que todos ficassem apavorados com o terrível barulho. Apenas o Imperador e a Imperatriz eram quem estavam verdadeiramente assustados e irritados porque teriam uma coisa atrás da outra para justificar, inclusive aquele estalo que fazia o menino falar.
— Vocês agora me escutam? — Falava ele com uma voz bem rouca e fraca como quem fosse morrer.
Todos destaparam seus ouvidos e para surpresa deles a voz do menino lembrava a voz de um ancião enfermo nos seus últimos dias. Se não fosse toda aquela situação séria, seria cômico aquela fala, ou assustadora para outros de repente.
— Sim, podemos te escutar agora. O que quer de nós? Vamos, precisamos acabar logo com isso, minha noiva parece não estar muito bem — Disse Nonrad vendo Nemesis com a mão na testa.
William mirou seus olhos em Nemesis e em seguida tornou seus olhos ao elfo.
— Sua noiva garotinho? Bom, não tenho mais nada a dizer, fiz isso para que pudesse insultar vocês melhor. O que preferem? Eu derroto de um por um ou derroto todos de umas só vez? Sabe, vocês já encheram muito meu saco. Estou cansado, irritado, dolorido e ainda tenho que enfrentar um bando de chupeta. Vamos, escolham logo a punição de vocês. O rapaz precisa da espada dele de volta — disse ele para os cinco que nada entenderam tais palavras, mas explodiram de ódio, por perceber que ele debochava deles.
— Você fala umas coisas estranhas seu irritante miserável! — Berrou o elfo atacando como tudo o que tinha.
— Você será o primeiro? Tudo bem. Pode vir com tudo vou te mostrar um segredinho — zombou William.
— Segredo? Se acha que esta espada vale alguma coisa para te proteger está muito enganado — Disse outro menino atacando-o logo atrás do elfo.
— Aí, aí que tipo de aula vocês tem em suas academias? Não tem noção do tipo de arma que está em minha mão, muito bom. Se seus professores são tão inúteis assim vou lhes mostrar uma dança e com ela o que posso fazer com essa espada — ele riu como nunca, mas fechou seus olhos e se concentrou completamente.
Naquele momento Nemesis queria esconder seu rosto da vergonha que sentia, inclusive de seus pais que simplesmente não tirava os olhos dela, afinal uma das características de William em seu cansaço era a fadiga psicológica, o que lhe deixava bastante grosseiro e arrogante, era como se ele próprio mudasse sua personalidade, claro não era o que ocorria, mas basicamente o garoto deixava sua irritação lhe controlar.
— Não brinque conosco seu fracassado — Disse outro menino que o atacava junto com labaredas de chama vermelha feito o sangue.
Naquele momento William se colocou em guarda, a partir dali não falou mais nada. Com uma mão cuidadosamente nas costas e a outra segurando a rapieira, o menino começou a se mover em uma velocidade claramente absurda. Aquela na verdade era de fato uma dança que só os mais nobres de coração limpo e calmo poderiam herdar e aprimorar, por essa razão basicamente só povo de Aquaria em sua maioria conseguia desenvolver aqueles movimentos que exigia um estado de espírito absoluto, e de um preparo físico formidável já que ali eram movimento de defesa e ataque simultâneo, era como o movimento da própria água com ondulações. Nonrad e os demais a todo custo tentava golpear William que girava pelo salão como quem patinava graciosamente, deixando todos os que não conhecia aqueles movimentos impressionados.
— Esse é O Segredo das Ondas. Vocês jamais me derrotarão, com seus ataques grosseiros. Conheço sua cultura e se comparado aos jovens de Aquaria vocês têm mais privilégios. Sim, nascemos com a marca da guerra em nosso peito, vivemos a guerra, mas também vivemos a paz, as duas precisam estar interligadas para que haja equilíbrio. Um mundo sem guerra rapidamente morrerá no vazio de suas gulas, riquezas e prazeres, os humanos e os elfos superiores não podem entender isso, por se acharem superiores a todos, mas digo uma coisa a todos vocês jovens que estão neste salão, todos meninos e meninas aqui presente, chegará um momento, um único momento que vocês precisarão sair de sua zona segura e proteger quem vocês amam, mas para isso todos vocês aqui precisam encontrar seu ponto de equilíbrio, o ponto que torna você mais forte — ele dizia isso enquanto suas lágrimas era arremessadas pelo salão.
— Cala a boca! Pare de se esquivar! — Dizia Nonrad tentando acerta-lo com golpes simultâneos de espada e habilidades cortantes de vento.
— Vocês não tem o que é necessário para guerrear, vocês não são dignos daquele trono, vocês não entendem o que é desvantagem ou vantagem, vocês não sabem o que sacrificar, vocês estão presos em mundo de gula, vocês entendem apenas o que é arrogância. Chega dessa arrogância, depois do meu próximo movimento todos os cinco cairão — disse ele abrindo seus olhos.
William a abriu seus olhos e colocou na ponta da espada uma espécie de habilidade de coloração roxa, deixando Nemesis um pouco assustada já que o estado dele de cansaço estava chegando no limite.
— Se não sabem, essa espada tem uma função de perfurar, mas não se preocupem, não ferirei o corpo de vocês, só vou causar um desconforto leve em seu éter — disse ele.
Naquele momento todos os jovens puderam ver o resultado da guerra, pois William em movimento simultâneo estocava ombros costelas e quadril dos rapazes, um atrás do outro ao ponto que a medida que eram acertados eles caiam um a um no chão com fortes dores nauseantes, mas que não durariam mais que um dia, ainda que os magos ou bruxas tantassem curá-los de alguma forma rápida.
Aquele foi o último momento da luta onde William que derrotou aqueles cinco estudantes de uma só vez, depois dali o menino pegou a espada e a deixou de forma segura onde aguardou a Imperatriz falar.
— Como conseguiu fazer tudo isso o seu maldito? Elfo tem mais forças que humanos, você não conseguiria derrotar ninguém com esse estado deplorável — dizia Nonrad se esforçando muito para ficar de pé.
William olhou-lhes.
— Vocês são tolos ou o quê? Sou sereiano ou até isso não sabem o que é? — Respondeu.
— Maldito, maldito, maldito, eu vou te matar, desgraçado. — Gritava o elfo no chão sem se mover.
— Já Chega! Vitória de William Oceanus. — Declarou Jade.
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Atualizado até capítulo 44
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