Quarto imperial de William - 12º ciclo de Solus
Só em seu quarto, William despertou meio zonzo sua cama. Pelo pouco que havia observado, suas roupas foram trocadas, mas o desconforto no seu corpo ainda perdurava, como quem parecia não querer sair dali tão cedo. Contudo, com esforço, se segurando entre uma coisa e outra, ele saiu de seu lugar para ir até a janela de onde os últimos raios da luz de Solus entravam no quarto.
— Nossa você está um lixo! — Disse o menino de pele negra e olhos azuis feito lápis lazuli e corpo meio forte.
O jovem surgiu de repente ao lado de William, trajado em roupas brancas com detalhes em tons roxo e azul que lembravam uma espécie de quimono, porém só lembrava, já que aos padrões de Aquaria as roupas deveriam ser um pouco mais leve e agradável ao usuário.
— Pensei que estava morto — Retrucou William fazendo uso de sua telepatia no garoto que tinha sua idade.
O menino ao lado de William se chamava Noah e pertencia a uma família de duques em Aquaria, além disso ele possuía as características dos Elfos negros superiores, sua pele negra, cabelos longos de cor branca com partes trançadas nas laterais de cabeça que corriam até às costas, alem disso as pontas de seu cabelo eram negras, o garoto também tinha sobrancelhas e cílios volumosos brancos, com uma espécie de mancha suave alaranjada sobre as pálpebras que mesclado aos olhos azuis fazia dele o desejo de qualquer mulher. Assim como William ele tinha traços suaves, porém seu corpo era bem mais definido que o corpo de William revelando que ele era implacável no campo de batalha.
— É assim que fala com seus amigos? — ria ele — Quis ser o primeiro a te dar os parabéns pelo seu noivado, ao menos antes daquelas duas.
William mirou os olhos nele, com uma felicidade que imaginou nunca mais sentir pela sua terra natal. A presença de seu amigo ali era ao menos um alívio para sua alma.
— Estou feliz que estejam bem — disse William — pensei que não veria vocês tão cedo. Por outro lado você também já sabe que estou noivo.
— Calma meu irmão, não precisa me fazer chorar — respondeu o rapaz com um sorriso no rosto. — Mas sim, eu estava presente de forma escondida na cerimônia, ninguém me notou, nem você.
William então mirou seus olhos na direção de Solus e entendeu que tudo estava começando a mudar, aos pouquinhos, mas começava.
— Mas diz pra mim, como é morar nesse castelo? Não que não soubesse o que é morar em um, mas esse é o palácio do império deve ter algo diferente. O Imperador é maligno, como dizem? — debochava ele.
William olhou para ele e lembrou que foi por sua culpa que cada um de seus amigos de infância tem sérios problemas comportamentais, apesar de todos os títulos da mais alta nobreza. Os amigos mais íntimos de William também eram candidatos ao trono, uma vez que Aquaria possuía o sistema de liderança baseado na habilidade e força, não em hereditariedade, além disso eles precisavam manter o equilíbrio entre as três raças dominantes. Essa atitude tornava a ideia de que Aquaria era um dos reinos mais agressivos em sua cultura.
— Bom, ele é um tiozão, a esposa dele, a senhora Jade dá mais medo — respondeu esboçando um sorriso.
O menino então caminhou até para-peito e relaxou sobre o mesmo, William o seguiu e fez o mesmo.
— Sabe, devemos muito a eles, William, mas não podemos nos esquecer que essa tranquilidade vai acabar logo, essa marca na sua testa prova isso. Em breve voltaremos para nosso território e nós teremos que nos esforçar para reconstruir tudo. Infelizmente deixamos de ser alunos três meses atrás, para virarmos oficialmente soldados — refletia o menino — mas sabe o que é o bom disso? É que ainda estamos vivos e podemos continuar, podemos aprender com esse erro nosso e fazer de Aquaria uma nação ainda maior.
Nesse momento uma marca surgiu na mão do menino. Aquela marca era tão notável que brilhava em um tom esverdeado como as águas de uma enseada beira ao mar, porém diferente da marca que havia na testa de William e sobre os seios de Nêmesis a marca na mão do menino tinha uma forma de meia lua com uma seta transpassando-a, aquele emblema na mão do jovem era segundo símbolo de Mahara, chamado de A Lua Transpassante um símbolo dado apenas aos verdadeiros companheiros do rei para ajudá-lo em tudo, era quase como um título dado pela própria Mahara, para todos os mais leais de seu servo, além disso não era uma regra, mas em geral somente os nascido em Aquaria, recebiam esse selo, segundo alguns estudos a razão para isso era que só recebiam esse selo todos os de coração mais limpo e valente. Por essa razão, muitos dos selos dados por Mahara, poderia surgir em qualquer pessoa, desde de que o desejo dessa pessoa seja o mesmo de Mahara, isso explica o fato de que em sua maioria quem recebia esse selo era residente de Aquaria.
— Ih, irmão, você ganhou isso aí né? — Brincava William.
— Pois é, estranho não é? — Eles olhavam para a mão de Noah bem relaxados como se nada estivesse ocorrendo.
— Acho que você é meu empregado agora — Ria William.
O menino olhou para ele e socou-lhe a cabeça.
— Faz isso não, coisa! Minha cabeça já está doendo e você ainda bate! — William levava as duas mãos na cabeça onde doía.
Noah gargalhou tão alto nesse momento que pessoas que passavam perto do quarto do menino escutaram um sorriso distinto e a voz desconhecida para eles.
— Bom, não importa. Está ficando tarde, preciso voltar para a Floresta Etérea — ele olhou para William e mirou bem em seus olhos — Mas antes de ir, gostaria de lhe perguntar algo.
William já sabia qual era a pergunta, afinal a grande presença do corpo de nobres sobreviventes no palácio Rosa Branca nos últimos dias não era a toa. Agora só bastava escutar as palavras do menino, a pergunta que valia muito.
— Pergunte Noah Pérola — ele se referia ao nome do clã do menino.
— Você realmente precisará passar pelo teste? Olha o seu estado, essa marca na minha mão já prova que você é um rei legítimo, herdeiro de Mahara — Questionava ele irritado.
William se aproximou do amigo e tocou-lhe o ombro.
— Amigo, tradições são tradições, eu nunca serei um rei para este povo, se eu não passar pelo teste, além disso, é o mais lógico a se fazer. Não culpo minha mãe ou meu pai, mas no momento em que eles me protegeram, aos olhos de muitos, foi tirado de mim a honra de guerreiro aquariano. Não é por mim, é por eles que preciso ir amanhã — desabafou ele.
O rapaz olhou para ele e naquele momento queria soca-lo mais forte, mas sabia que se fizesse isso William cairia no chão passando mal.
— Você é louco William. Nos deixe ir pelo menos com você! — O menino apertou o ombro de William.
William riu.
— Farei o que? Vocês iriam mesmo sem permissão e outra temos todos a mesma idade acredito que o teste de vocês também será amanhã, não é? Acho que a vovó fará de tudo para irmos juntos de uma forma ou de outra mesmo — ele se referia a Serena Oceanus que era parte de seu clã — Então fica calmo Noah.
O menino deu um passo atrás pensando sobre a situação.
— Bom, isso é verdade. A vovó não deixaria uma loucura dessas acontecer, ela quem treinou nós quatro mesmo — ele colocava a mão na cabeça com um sorriso sem jeito.
— Bom, espero vocês amanhã na comemoração de nossa maioridade. Quanto ao teste, acredito que começaremos no final da tarde. Além disso, não sei o que eles estão tramando nessa missão. Fica atento. — William se referia aos altos nobres de aquaria.
— Se você fala da nobreza aquariana. Então sim, devemos ficar atentos. De qualquer forma, leva uma espada reserva e uma faca — comentou Noah.
— Aí, aí. Vou sair por aí cheio de ferro pelo corpo agora, mas fazer o que não é? Agora preciso voltar para aquelas celebrações — disse ele.
A voz que ecoava da mente de William para a mente de Noah havia melhorado. Segundo o que garoto de puro sangue dos elfos negros imaginava, era que sua visita ali faria bastante diferença e claro o resultado foi mais do que satisfatório para ambos os lados, sua missão estava concluída. Talvez estava na hora de dar a ele uma última oportunidade de ficar com aquelas pessoas, afinal no dia seguinte talvez sua vida no palácio viesse a acabar, baseado em suas responsabilidades futuras.
— Vá, estou partindo também, acredito que todos estão se preparando para sair da província será a noite toda de viagem, mas aqueles cervos são velozes acredito que já será rápido — ele deu dois tapinhas no ombro do amigo — aproveite essa noite e engravide logo a princesa, quero sobrinhos. Até mais, até amanhã — disse o menino com a cara de cafajeste.
— Ora seu! — William pela primeira vez estava envergonhado e ao tentar socar o menino, percebeu que desapareceu diante de seus olhos, uma técnica que só o clã Pérola possuía, algo como viajar pelas sombras em uma velocidade próxima a que fazia William se mover no tecido do tempo-espaço — O miserável fugiu.
Ao escutar as palavras do amigo de infância, William não sabia nem pra onde olhar de tão incomodado que estava, porém apesar de tudo ainda havia bastante o que se fazer, coisas relacionadas a cerimônia que ocorria naquele exato momento nos salões imperiais, a exemplo. Portanto, como tal o garoto precisava recobrar a consciência e voltar aos seus afazeres de noivo da princesa Imperial. Portanto, ele foi até uma espécie de baú, um grande baú na verdade, onde ficavam as vestimentas feitas exclusivamente para ele baseado nos costumes de Aquaria. Depois de procurar entre uma peça e outra algo que as servas já deveriam ter deixado pronto, ele encontrou um manto negro que vestido ao corpo lembrava um quimono japonês por sua semelhança, porém só lembrava mesmo, já que a vestimenta só cobria até um pouco abaixo da cintura, além disso as mangas eram acochadas de forma que eram pegadas no braço, ao ponto que poderia até definir os músculos. Vale lembrar que o império tinha um custume mais conservador e William também precisava por uma espécie de blusa por baixo, a qual ele escolheu uma blusa branca regata e gola alta com um detalhe de "V" na garganta, que trajou antes de pôr o manto negro, em seguida ele pegou uma espécie de calça azul índigo que era um pouco folgada nas coxas até a altura do joelho, dali em diante se apertava bastante lembrando a forma como era nós braços, para que por fim William pudesse por parte de sua armadura nas pernas, pois preferia andar assim do que usar algo como uma bota de couro. Em seguida o jovem rei foi até uma mesa onde havia um grande espelho feito de prata, que era tão reflexivo quanto a água, em seguida olhou seu rosto, e concluiu que estava bem, pelo menos por fora. Então ele pegou seus longos cabelos e começou a ajustá-los de forma que no fim ficassem em apenas em uma longa trança atada por fios dourados e escarlate, algo que lhe fazia lembrar de sua mãe que cuidava sempre do seu penteado antes de qualquer cerimônia.
William viu-se todo arrumado então pegou uma faixa lilás e outra vestimenta característica de Aquaria que finalizava os trajes característicos, uma espécie de saiote de cor branca e detalhes lilás feito exclusivamente para homens, o traje era colocado sobre a cintura, porém diferente de uma saia normal este era todo aberto e necessitava ser preso com o uso de uma faixa. William amarrou a faixa lilás sobre a cintura prendendo o saiote branco e observou que o último item que faltava era sua espada, que havia assumido uma forma de uma simples pulseira dourada adornada de gemas que a rodeava, mas ela ele não poderia revelar a todos desta forma então preferiu não carregar consigo nenhum outro objeto fora sua pulseira.
— Bom, acho que é isso — imaginava ele.
William então foi em direção a saída de seu quarto, mas logo antes que pudesse chegar na grande porta sentiu uma tontura forte, porém pode se segurar em um assento próximo a ele.
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Atualizado até capítulo 44
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