Terra - Ano 2027/07/09 - Brasil - Rodovia (BR.267) 01h47 da manhã
O céu estava limpo sem sinal de nuvens no horizonte, todavia a fria temperatura que pairava sobre aquela longa rodovia cercada de matas, congelava qualquer um que se pusesse com uma roupa leve. Claro, em uma rodovia escura e aquela hora da manhã quem seria o aleatório perdido em uma estrada? Bom, nada disso importava, o que importava na realidade era aquele comboio da força militar brasileira que carregava armamentos para os soldados que lutavam em território brasileiro contra invasores da Coalizão Vermelha os quais naquele momento com ajuda de outras nações de política autoritária e ditatorial desencadearam uma guerra global, sim o mundo teve um grande avanço tecnológico, mas a vida de muitos inocentes foram sacrificadas.
Embora aquele grande comboio carregasse armas e tudo mais, ele também carregava alimentos e diversos outros suprimentos para higiene pessoal, água, roupas, remédios das mais variadas funções além disso todo tipo de especialista, médicos, enfermeiros, cirurgiões, psiquiatras, já que um dos pontos de conflitos maiores estava localizado em Cuiabá no Mato Grosso onde as tropas bolivianas insistiam na invasão.
— Fala galerinha da madrugada! Já está passando de 01h47 da manhã! O céu está limpo sem sinais de chuva, por tanto se você quer sair nesta manhã prepare um protetor solar e leve uma sombrinha, porque o Sol vai estar de rachar — praticamente gritava o jovem militar no banco de carona do caminhão.
— Oh, meu irmão, estou tentando dirigir aqui. Cala boca! — Respondeu bravo, o militar de aparência jovem e bela que conduzia o veículo.
O menino gargalhou alto dentro do carro e outro apenas o olhou rapidamente até voltar seus olhos para a estrada à frente.
— Calma, Felipe, opa desculpa, 1º Sargento Moura! — O jovem sorriu meio sem graça.
— Estamos em uma missão, Cabo Mateus devemos ficar atento, barulhos assim podem atrapalhar a concentração dos demais e não queremos isso. — Disse o rapaz.
— Rapaz, você é muito sério. Mas enfim, você está certo fazer o quê? Mas diz aí, como foi?
O rapaz continuava a dirigir atento sem se importar com as besteiras de seu amigo.
— Como foi o que?
O jovem ao lado riu.
— Ah, você sabe, na semana passada, quando fomos naquele lugar comemorar. Tudo aconteceu tão rápido de novo, que não tivemos nem tempo de sair da ressaca. Já tivemos que voltar, mas me conta aí, já que você não pode dormir agora mesmo, então pelo menos vamos conversar. Qual era o nome dela mesmo? Dani… Daniela? — ele se esforçava para se lembrar.
O rapaz ria enquanto escutava o amigo falar da noite que comemoraram uma vitória sobre bolivianos e paraguaios que invadiam o território brasileiro através do Acre, dias depois novamente haveria uma nova investida, porém naquela ocasião o pelotão de infantaria haveria de receber alguns dias de folga pelo seu excelente desempenho nas últimas missões, nos três longos meses defendendo as fronteiras.
— Daniela Caroline. Cabo Mateus — Dizia a voz feminina que ajustava o desconfortável coldre de sua pistola na sua coxa.
— Isso mesmo, 1ª Tenente! Muito obrigado! — Estava animado o rapaz — Vamos Felipe, conte tudo para nós — ele dava tapinhas no ombro do parceiro de guerra.
O caminhão no qual estavam aqueles soldados carregava munição, coletes e explosivos no baú, além disso havia dez soldados dentro do veículo blindado, cinco na cabine do motorista e mais cinco no baú junto a carga que era transportada.
Maria Eduarda 1ª Sargento das forças armadas era quem respondia as perguntas exaltadas de seu irmão mais novo.
— Não encoraje ele senhora, ou ele esquecerá que estamos em missão — respondia Felipe.
— Não, 1º sargento todos aqui queremos saber, e outra ninguém aqui pode dormir não é, talvez fiquemos mais atentos com a história — dizia outra jovem mulher sorrindo.
Felipe olhou pelo espelho do veículo o rosto dos três logo atrás sentados no banco em seguida olhou para seu amigo logo ao lado que exibia um sorriso claramente maldoso.
— Bom, não tem nada o que contar, bebemos uma ou duas, conversamos bastante, estava legal — ele dizia isso e via o brilho nos olhos dos amigos — ela me contou o que fazia nos seus dias livres, um pouco sobre sua família, eu também.
Todos ficaram imaginando que tipo de conversa teria sido, porque um ou dois goles só não levaria esse tempo todo, a conversa que eles dois tiveram parecia mais prazerosa que qualquer outra coisa que fizeram juntos.
— Impressionante, não imaginava que você fosse desses de conversar bastante. Você é sempre calminho — Observou o homem de pele negra logo atrás ao lado de sua tenente.
— É verdade — Concordou Mateus — Mas aí, o que aconteceu depois?
— Cara resume logo, ela era pra casar ou não? — Perguntava a outra mulher ansiosa pela resposta.
Felipe focava seus olhos nos caminhões e jeeps que iam logos à frente, assim como se atentava aos veículos que o seguiam logo atrás, pois no total o comboio tinha 15 veículos blindados, que eram carregados para local designado, qualquer erro ali era fatal.
— Bom, no final descobri que ela era 2ª tenente da aeronáutica, fiquei em choque de saber e esqueci de dar meu número a ela — respondeu ele sorrindo.
— Vacilo, cara! Mano! Como pode véi? — Questionava Mateus horrorizado quase gritando.
— Olha a postura Cabo Mateus, você está falando alto demais. Os que estão lá atrás vão escutar e como sabem eles não fazem parte de nosso pelotão, eles vão nos dedurar — respondia a tenente Maria — mas tu vacilou feio mesmo 1º Sargento Felipe, era tua chance, pô.
Todos riam do rapaz, afinal cresceram juntos e conquistaram um sonho quase impossível, permanecer juntos em todos os momentos de suas vidas., era quase como se o destino os houvesse escolhido.
— Sabe pelo menos onde ela mora? — Questionou a mulher que tinha o nome Clara Cristina e era oficial do exército.
— Pelo menos isso. Ela também nasceu em Belém e sua família mora no Rio — respondeu ele.
— Rapaz não sei se tu é azarado demais por não ter pedido o número logo ou se é sortudo demais. Essa menina parece que nasceu para está com você — ria o rapaz moreno que se chamava Rodrigo Nunes e sua patente também era de oficial.
— Direitinho não é? Todos nós aqui viemos do Pará, depois de graduados tivemos que morar no Rio, cara é muita coincidência. Vocês acreditam nessas paradas de alma gêmea? Porque acho que estou começando a acreditar — Dizia Mateus se ajeitando melhor no banco.
— Isso é besteira Cabo Mateus. Quem acredita nisso é quem não tem o que fazer — ria Felipe.
— Sei não em — respondia Maria Eduarda.
— Enfim, chega desse assunto. Em breve chegaremos ao primeiro ponto. Vamos focar na missão — Respondeu Felipe.
Mateus então colocou os braços logo atrás da cabeça.
— Aí, aí, tudo bem. De amigo pra amigo, você é chato, deveria ser o primeiro tenente ou general, chato como você é. — Respondeu Mateus.
— Concordo com meu irmão. — Respondeu Maria Eduarda.
Felipe apenas ria de seus amigos que agora estavam bem mais relaxados com a viagem e com a missão. Talvez agora eles teriam resultados melhores em sua missão claramente perigosa.
Nemesis por outro lado, via e escutava tudo como uma espectadora, para ela aquilo tudo era uma surpresa assustadora, uma situação que sua mente jamais conseguiria criar, aquelas pessoas, suas roupas, os objetos que portavam, seu palavreado, tudo era distinto, aquele som, som terrível dos veículos, também a incomodava, pois nunca havia visto um animal semelhante como os tais que iam mais à frente e os demais atrás, ela estava assustada e nervosa, mas aquele soldado, aquele cujo o nome, aquelas pessoas estranhas denominava de Felipe, era ele, algo lhe dizia que era ele, os traços faciais, os olhos, sobrancelhas, lábios, além de suas expressões, tudo nele era semelhante a William Oceanus, embora o cabelo ou melhor,egundo exigências de seu trabalho diferenciava um pouco.
Para Nemesis não tinha mais discussão aquela era uma lembrança, ou melhor uma das variadas lembranças que havia recebido de presente do seu amado, aqueles eram os seus amigos, companheiros de guerra, contudo uma coisa intrigou-lhe, qual era o significado daquela lembrança para William? Bom, no momento ela não precisava saber, mas aquela semente plantada seria um de seus maiores e dolorosos arrependimentos.
Vale Elíseos 12º Ciclo de Solus (17h da tarde)
— Felipe esse era o seu nome — sussurrava ela acordando sobre sua cama enquanto suas amigas da escola e suas primas a cercavam sem entender do que ela falava.
— Você está bem! Que bom, pensamos que não iria acordar agora — dizia uma menina de cabelos brancos semelhante aos de Nemesis que a abraçava.
Todas as meninas, dez no total, cercavam a cama de Nemesis que se sentia muito bem de qualquer incômodo.
— Espera quem é Felipe? E que nome é esse? Você não ficou noiva? Acho que ele não gostaria muito disso — falava uma menina de sua sala cujo o nome era Perséfone — se bem que os homens podem ter mais de uma esposa, então não seria estranho a princesa ter mais de um homem.
Nemesis olhava para ela com o rosto corado e contrariado.
— Não fale isso, Perséfone. E outra Nemesis, que símbolo é esse no seu peito? — Indagou uma prima de Nemesis ao ver no peito dela o emblema celeste da flor Arcana.
— Isso é a Flor Celeste, Mia. A professora explicou sobre os costumes de nosso continente e sobre Aquária, já esqueceu? Nosso mundo é guardado por espíritos celestes, mas apenas 7 deles são superiores no firmamento celeste, desses únicos selecionados, Mahara foi quem mais teve afeição pelo povo abaixo do firmamento… — Ela foi interrompida por uma daquelas meninas.
— Sim, já conhecemos essa história, sabemos que de todos os povos de Laniakea, o reino de Aquária foi o único povo abençoado por receber proteção direta de Mahara. O que mamãe sempre dizia, era que tudo isso era muito estranho e que na verdade talvez Mahara não fosse tão boa assim — sugeriu outra que mais alfinetava.
Outra menina de cabelos rosados se aproximou para falar, ela estava um pouco nervosa por escutar suas amigas falar daquela forma de alguém que era superior a qualquer coisa.
— Não acho certo falarmos disso, dessa forma — disse ela.
— Mas o que ela falou é verdade, e depois Aquaria quase não tem humanos com sangue puro de humano, a maioria que lá vive, são sereianos, elfos negros superiores e homens-feras, os poucos humanos que lá tem são mestiços. A princesa foi agraciada por ter sido escolhida pelo espírito celeste. Talvez ela venha se tornar a primeira pessoa de um outro reino a ter a bênção celeste, talvez ela venha se tornar a rainha mais poderosa que já existiu — disse outra de uma forma meio arrogante.
Todas as demais ficaram irritadas com a fala da menina que claramente mostrava seu interesse ridículo por poder, e para Nemesis aquela atitude não era nada agradável e tão pouco aceitável. Para Nemesis palavras como aquelas mostrava, que o futuro do Império nas mãos de tantos jovens com quem conviveu era perigoso, para ela as palavras de William no momento de seu duelo faziam bastante sentido agora.
— Vocês são inocentes. William estava certo. Os jovens desse reino ainda tem muito o que aprender — Nemesis saiu de sua cama.
— Desculpa, não queria ofender — respondia a menina.
Nemesis caminhou até a janela e olhou tudo à volta como William fazia em suas tardes, até o momento que pode sentir uma brisa entrar em seu quarto fazendo seus cabelos brancos flutuarem.
— Poder. Do que importa poder? Foi isso que destruiu Aquaria, foi isso que matou a família de William, é isso que está matando ele aos poucos. Eu não posso carregar nem metade do que ele carrega — ela desabafava — esse símbolo no meu peito indica que sou oficialmente a esposa dele, mas esse símbolo também significa que uma guerra está por vir, afinal isso já aconteceu uma vez ou melhor a quem eu quero enganar? — ela riu enquanto sua prima se aproximava dela — isso já aconteceu várias vezes e todas as vezes que ocorreram quantas pessoas não foram as vítimas? Sabe meninas, ainda somos jovens, muito jovens, na realidade não entendemos nada e nos arrependeremos de tudo o que falamos e fazemos. Eu vou estar ao lado dele não importa as circunstâncias, não importa para mim se ele é sereiano ou elfo Negro superior ou humano, o que importa é que ele é a pessoa que mais amo nesse mundo.
A prima de Nêmesis a que mais vivia ao seu lado a abraçou consolando-a, suas amigas ficaram comovidas com suas palavras.
— Fique calma minha prima, tudo dará certo no final
— Bom, chega dessa conversa chata. Acho que teve gente que já falou demais e outras de menos, mas não importa — a menina de pele negra esboçava um sorriso no rosto — o que queremos saber é como você lidará com as outras esposas do Rei William. Bom, Aquária foi destruída ele precisa procriar não é? — Ela ria solta pelo quarto deixando todas constrangidas.
Nemesis ficou completamente vermelha ao ponto que estava claramente visível no seu rosto, mesmo quem passasse longe veria aquele rosto assim.
— Pro… procriar? Está louca Navive? E claro eu serei a primeira esposa que tipo de pergunta é essa eu fui a primeira escolhida depois de sua coroação! — Dizia ela nervosa de forma bem alta e desajeitada.
Aqueles poucos minutos de paz puderam ser aproveitados pelas meninas que no quarto deixaram as diferenças de lado e preferiram matar a saudade que tinham uma da outra, afinal estavam em seu longo período de folga da escola, em uma passagem de estação que durava quase três ciclos (dois meses).
— Bom, atualmente tudo é diferente. Talvez alguém como ele, priorize a sua primeira esposa, a mulher que ele ama. — Comentou uma menina próxima, deixando todas pensativas.
— Sim pode até ser. Mas Aquaria tem suas regras e como tal, para manter o equilíbrio de poder ele precisa de herdeiros das três raças predominantes, sereiano, elfo negro e homem fera. Se considerar ele pode ter um herdeiro sereiano com Nêmesis, mas nossa princesa não é uma elfa negra ou mulher-fera. a pergunta que fica é, quem são as outras candidatas a esposas do rei? — A garota de pele negra levantou de imediato essa questão, que as deixou pensativas no quarto.
Laniakea não era apenas um mundo em que tudo se resolvia em cruzar espadas uns contra os outros, pelo menos não mais, uma vez que aquele mundo velho superou a selvageria de seus antepassados e muitas outras tradições sanguinárias que rodeavam aquele continente. Ali haviam sábios e pessoas que estudavam para isso, pessoas estas que estudavam as mais variadas coisas, desde o ensino a aprimorar suas habilidades e se tornar um grande mago, como também se tornar um guerreiro capaz de vencer as mais formidáveis batalhas, além disso havia aqueles que buscavam aprender a aprimorar habilidades sacerdotais de cura, como também aqueles que buscavam aprender o básico para manter uma vida segura e próspera para toda a família, o caso dos agricultores, entre outras variações de coisas.
No império havia 4 escolas de habilidades arcanhabilidades etéreasversidades que estudavam esse tema, além disso havia também as 6 escolas militares para aqueles cujo o interesse era se tornar um guerreiro que serviria ao Império, por fim, o exército possuía mais 4 institutos militares, claramente todos distribuídos pelas províncias meridionais.
A escola da qual aquelas meninas e Nemesis estudavam era a 1ª Escola Arcana, uma escola especializada a ensinar magos cuja as habilidades Etérea excedia a de um aluno normal, podendo tornar-lhes futuramente propícios à batalha.
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Atualizado até capítulo 44
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