Roxie cuidou da minha maquiagem. Pedi que não fizesse nada muito pesado, e agradeci mentalmente quando olhei-me no espelho, deparando-me com uma maquiagem suave. Ela também fez questão de arrumar meu cabelo, fazendo uma trança embutida.
– Falta algo! – Roxie falou depois que terminamos. Ela ainda me analisava. – Já sei! Esquecemos de comprar alguns brincos e colares para você!
– Tudo bem! Não gosto muito de usar essas coisas mesmo. – Sorri.
– Mas terá que aprender a usá-los. – Roxie falou levando-me para fora do quarto. – Vamos ver se nosso Vincent aprova o resultado. – Falou guiando-me até a sala. Eu bufava de ódio por dentro. Como ela fala isso tão naturalmente? Nosso Vincent? Respirei fundo e a segui tentando esquecer suas palavras.
Vincent estava sentado na poltrona de sempre. Já estava arrumado. Vestia calça jeans e a camisa que dei a ele essa tarde. Sorri ao vê-lo usando-a. Ele parecia alheio à nossa presença. Respirei fundo, sentindo seu cheiro, agora bem mais pronunciado, penetrar meu organismo. Então ele virou, pondo-se de pé em segundos, caminhou até ficarmos cara a cara e sorriu.
– Ela está perfeita, Roxie! – Ele falou olhando rapidamente para ela. – Só esqueceu de colocar um brinco, ou um colar. – Ele comentou.
– Esquecemos de comprar. – Ela falou com cara de decepcionada. – Mas ela já me disse que não gosta desses apetrechos. – Vincent voltou a me olhar.
– Verdade? – Assenti. Ele pegou minha mão, e fez-me girar olhando-me por completo. – Está ótimo mesmo assim. – Olhou para Roxie. – Vamos descer. Peça para as meninas não se atrasarem. Iremos arrumar as coisas enquanto vocês terminam de se preparar. – Roxie assentiu acompanhando-nos até a porta de saída.
Só quando foi trancar a porta Vincent soltou minha mão. Gesto que não passou despercebido por Roxie, que pareceu não gostar nem um pouco. Seguimos descendo as escadas. Vincent primeiro, e Roxie seguiu-o sempre ao seu lado, fiquei logo atrás seguindo-os até o segundo andar, onde Roxie se despediu, indo para seu quarto.
Olhei para as portas lembrando da confidência de Vincent. Eu pretendia fazê-lo falar com quais delas ele tinha transado e com quais ainda mantinha relações. Eu não conhecia esse meu lado ciumento, e estava pasma comigo mesma. Isso estava me tornando uma pessoa emotiva demais.
Quando chegamos à rua, Vincent levou-me até a porta onde sentei-me na noite passada. Destrancou e gesticulou dando-me passagem, ao que logo entrei. Vincent acendeu as luzes, e então pude ver todo interior da boate.
Na lateral da entrada ficava um balcão, onde provavelmente seria o bar. À sua frente diversas banquetas de madeira. E de frente para a porta, existiam dois pequenos palcos, um de cada lado, com um poste de pole dance em cada. E um palco maior no centro. Era um palco circular, onde podia-se ver de todos os ângulos.
Percebi que no fundo do salão existia uma cortina. Caminhei até lá abrindo uma das cortinas, e vendo o que elas escondiam. Eram pequenos espaços, mobiliados com apenas um sofá de dois lugares.
– Para que servem? – Perguntei apontando para o local. Vincent sorriu.
– Uma sala mais privada, para os clientes que pagam por diversão. – Ele explicou.
– Quer dizer que as garotas também transam aqui? – Ele assentiu. Eu estava chocada. Rapidamente fechei a cortina e olhei em volta, percebendo a escada na lateral esquerda daquelas cortinas. – Onde dá essa escada? – Perguntei timidamente. Ainda constrangida com minha última descoberta.
– São os quartos. Um para cada uma das garotas. – Ele falou sorrindo. – É assim que as protejo. – Seus braços me aprisionavam contra o corrimão da escada.
– E com quantas delas você já transou? – A pergunta saiu antes do esperado, devido ao nervosismo que senti com sua proximidade. Vincent sorriu torto, baixando a cabeça. Parecia se divertir com a minha pergunta. Então ele pigarreou.
– Só com a Lawanda, a Vicky, a Trisha e a Roxie, mas essa última você já sabia. – Comprimi os lábios lembrando da noite anterior.
– E todas elas costumam frequentar sua cama? – Continuei interrogando-o.
– Nenhuma delas jamais esteve em minha cama. – Olhei-o confusa. Como não? Eu mesma ouvi os gemidos de Roxie. – Só fico com elas no quarto de treinamentos. – Falou sorrindo e eu suspirei aliviada.
– Então você ainda dorme com todas. – Vincent colocou uma mecha de cabelos que se soltou da trança, atrás de minha orelha, e assentiu. – Nunca... – mas ele não me deixou falar mais.
– Eu não fico sempre com elas. Só quando realmente não consigo segurar meus instintos sexuais. São transas ocasionais, sem compromissos. Entendeu? – Assenti.
– E todas fizeram os testes com você? – Ele sorriu se afastando um pouco
– Clary, o único teste que eu fiz com elas foi do strip-tease, do pole dance, e das danças. – Mas como? Roxie!
– Mas Roxie me disse que você fazia um teste com todas. – Ele assentiu. – Na cama também. – Ele negou. – Foi o que ela me disse.
– Entenda que todas as garotas que trabalham aqui na boate, já eram garotas de programa antes. Eu não tinha que testar nada. – Assenti.
– Então você só fez esse teste com as quatro que mantém as transas ocasionais? – Perguntei em tom sarcástico. Vincent segurou meu rosto, fazendo-me encará-lo.
– Escute o que vou lhe dizer, pois não irei repetir. – Assenti. – Não transei com nenhuma delas como teste. Como já falei, todas elas já eram dessa vida, eu não precisava tirar a prova para saber, essas coisas a gente percebe só de olhar. – Abri a boca para falar, mas Vincent colocou um dedo em meus lábios, silenciando-me. – Só cheguei a transar com algumas delas depois de um tempo, e assim mesmo geralmente quando estamos em bebedeiras ou no caso de ontem. – Ele olhou-me dos pés à cabeça. – Quando estou fervendo, subindo pelas paredes.
– E o que você vê quando olha para mim? – A pergunta saiu tão logo ele tirou o dedo de meus lábios.
– Você pergunta demais, sabia? – Assenti. Ele sorriu. – Vejo uma menina meiga, doce e maravilhosa. Que está perdida, mas que logo vai se encontrar.
– E... – Falei esperando ele comentar a respeito dos programas.
– Você é insistente, hein?! – Sorri parando à sua frente. – Tá bem! Não vejo nenhum traço de garota de programa em você. – Meu sorriso desmoronou. – Não nego que você é linda, muito gostosa, e me deixa louco! Mas não consigo visualizá-la assim. Você é inocente demais para essa vida, Clary! Isso não é para você! – Afirmou.
– Então por que aceitou me ajudar a fazer tudo isso? – Vincent se afastou caminhando até o bar.
– Chega de perguntas! Temos que arrumar as coisas logo! Daqui a pouco os clientes chegam. – Senti-me chateada por ele não ter me respondido.
Fui ajudá-lo. Vincent pegou umas mesas atrás do balcão organizando-as pela boate, ajudei-o levando as cadeiras. Quando terminamos com as mesas ele diminuiu a luz, deixando tudo na penumbra. Uma luz fraca e incandescente iluminava o bar, e os três palcos. Ele acionou uma tomada, onde ao lado lia-se: “letreiro luminoso”. E começou a tirar os copos de dentro do armário abaixo do balcão.
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Atualizado até capítulo 112
Comments
Virginia Conceicao Silva Brito Brito
Oi sou Virgínia o romance é bom mas ela está tendo ciúme desnecessário
2024-05-18
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