Capitulo 3 - Parte I

A cada lance que subíamos pude perceber que existiam quatro portas. Subimos quatro lances, ou seja, quatro andares. Nos três andares anteriores existiam quatro quartos, doze no total, mas neste último existia apenas uma porta. Roxie percebeu minha análise em todos os andares.

– Ele gosta de privacidade, por isso esse andar é só dele. – Contou-me.

Roxie parou em frente à porta, e voltou a me analisar. Suas mãos alisando o espaço abaixo de meus olhos, limpando os últimos vestígios das lágrimas. Depois deu uma alisada em meu cabelo castanho escuro, e em seguida deu três batidas suaves na porta. Meu coração deu pulos dentro do peito. Agora não dava mais para fugir, eu tinha que encarar. E que Deus me ajudasse.

– Quem é? – Uma voz rouca perguntou.

– É a Roxie! Posso entrar? – A porta foi aberta, revelando um homem sem camisa.

Seus olhos encontraram-se com os meus e naquele momento meu mundo parou, minha mente travou. Senti meu corpo arrepiar-se por completo, minhas pernas pareciam feitas de gelatinas de tão bambas, e eu não conseguia sair do lugar, simplesmente encantada com a beleza do homem à minha frente. Seu tórax musculoso, mas sem exageros, seus braços fortes. Seu rosto emoldurado por um cabelo castanho claro, e olhos na mesma tonalidade. Sua pele clara, boca vermelha, nariz reto e afilado. Seu queixo quadrado e másculo. Deveria ter um metro e noventa de altura, e pura gostosura naquela calça jeans clara, os pés descalços. Enfim, era realmente lindo! Agora eu entendia o que Roxie falou.

Quando finalmente consegui me mover, Roxie já me puxava para entrar no apartamento, mostrando-me o sofá. Tirei a bolsa das costas, e coloquei aos meus pés, sentando-me. Só então percebi que estávamos somente eu e Roxie na sala. Onde teria ido o tal Vincent? Antes que pudesse formular a pergunta em voz alta, ele retornou, ainda descalço, mas já vestia uma camiseta branca.

– Então Roxie... o que aconteceu pra que viesse até minha porta às duas da madrugada? – Ele perguntou servindo-se de um líquido âmbar, e então sentou na poltrona ficando de frente para nós duas. – Quem é ela? – Perguntou a Roxie, fazendo um gesto com a cabeça para o meu lado.

– Vincent, essa é Clarysse. – Ajeitei-me melhor no sofá. – Clarysse? – Roxie me olhou. – Este é o Vincent que lhe falei. – Assenti nervosa, sem tirar os olhos dele. – Bem... a Clarysse está precisando de um trabalho e um quarto para morar. – Roxie começou, mas logo Vincent a cortou.

– Sabe que não fazemos isso Roxie. – Ele me olhou cautelosamente. – Eu não alugo quarto, entende? – Assenti engolindo em seco. Os olhos voltando a lacrimejar.

– Eu entendo. – Falei pegando minha bolsa e já me levantando, mas Roxie me segurou, fazendo-me sentar novamente.

– Eu sei que não fazemos isso, Vincent! Contei para ela o que eu faço, e o que você faz por nós. – Ele assentiu compreendendo. Seus olhos me analisavam libidinosamente. Seu maxilar tenso parecia mastigar lentamente. – Ela queria se candidatar e tentar entrar nessa vida!

– Sabe que não estou mais aceitando candidatas. – Falou olhando para Roxie, depois virou-se para mim. – Ela já é dessa vida? – Perguntou a Roxie, mas seu olhar preso em mim. Roxie negou com a cabeça. – Então nunca fez nada parecido? – Sua pergunta agora era direcionada a mim. Mas não consegui respondê-lo. – Já fez programa alguma vez? – Sua voz soou mais forte, de forma grosseira. E rapidamente eu neguei com a cabeça.

– Nunca. – Ele assentiu, ainda me analisando.

– Levante-se, por favor. – Ele pediu, fazendo-me levantar de um pulo.

Vincent me chamou com o dedo, e andei até ficar à sua frente. Seus olhos baixaram olhando minhas pernas, barriga, seios e meu rosto. Ficamos nos olhando por vários segundos e assustei-me quando Roxie falou quebrando nosso contato.

– Só tem um problema! – Roxie falou insegura. Vincent continuou, como se ela não tivesse falado nada. Agora fazendo sinal para que eu me virasse.

– Ela é perfeita! – Ele falou para Roxie, que agora estava à minha frente.

– Vejo que está gostando do que vê! – Olhei de rabo de olho para trás e vi que ele sorria. Um sorriso torto de tirar o fôlego. Fechei meus olhos, tentando me concentrar no que ele iria dizer. – Está animadinho, hein?! – O sorriso totalmente despudorado de Roxie deixou-me entender exatamente o que seria o animadinho.

– Realmente! – Vincent levantou parando ás minhas costas. Ele afastou delicadamente meus cabelos, aspirando meu cheiro, e deixando-me arrepiada com sua proximidade. – Até seu cheiro é gostoso! – Sua mão deslizou por meu braço, fazendo-me estremecer levemente com o contato. – Ela tem a pele macia como seda, e é bastante sensível ao toque. Como uma virgem que nunca fora tocada. – Fechei meus olhos com suas palavras, ele sabia! De alguma forma ele percebeu. Suas mãos agora desciam pela minha barriga, apertando-me junto a ele, e fazendo-me sentir sua ereção roçando em minha bunda. Arregalei meus olhos. – Ela é extremamente sensível. Porra! Onde você conseguiu essa gostosa, Roxie? – Roxie, que agora estava de frente para nós, riu alto.

– Ela estava lá fora chorando... sem ter para onde ir! – Agora as mãos de Vincent seguravam meus quadris, fazendo-me rebolar contra sua ereção, fazendo-me sentir um pequeno incômodo em meu baixo ventre. Assustei-me quando percebi minha calcinha úmida. O que seria, afinal? Será que eu estava com tanto receio do que ele iria fazer que já estava urinando nas calças?

– Então me diga! – Seu rosto voltou a inalar a pele exposta de meu pescoço. – Qual o problema que você disse que existia? – Senti seus dentes mordendo levemente minha clavícula, meu corpo arqueando-se em direção a ele, entregando-se.

– Ela é virgem, Vincent! – Ele parou no mesmo instante.

– Como é? – Sua voz era apenas um sussurro em meu ouvido.

Vincent rapidamente soltou-me e afastou-se indo novamente até o barzinho no canto da sala. Depois de tomar um grande gole do líquido âmbar, encarou Roxie com um olhar mortificado.

– Como você pode fazer isso, Roxie? – Perguntou com os dentes trincados.

– Eu não podia deixá-la lá embaixo chorando e com frio, como estava.

– Merda, Roxie! – Vincent vociferou com ela. Eu continuei parada, sem saber o que fazer. Apenas acompanhando a conversa deles.

– Eu perguntei se ela estava disposta a levar essa vida, Vincent! Ela confirmou. – Roxie falou indo em direção a ele. – Tudo que ela precisa no momento é de um lugar para ficar, e de um trabalho.

– E o que eu vou fazer com a porra de uma virgem? – Sua voz grossa soava alterada. E reagindo ao que ele disse, eu finalmente saí do transe em que me encontrava. Fui até minha bolsa, pegando-a e caminhei lentamente até a porta.

– Obrigada por tentar, Roxie! Adeus! – Saí batendo a porta e sentindo as lágrimas voltarem com força aos meus olhos. Ainda consegui ouvi-los discutindo lá dentro.

– Merda, Vincent! – Roxie gritava. – Sabe o que fez?

– Ela não dá pra essa vida, Roxie! E eu também não estou mais querendo ficar nessa! Sabe que estou saindo desse ramo! – Ele respondeu ríspido.

– A Clarysse não tem ninguém... é órfã e acabou de sair do orfanato. Será que não entende? – Roxie retrucava. Mas eu estava cansada de ser escorraçada, então segui até as escadas e comecei a descer com cuidado devido às lágrimas.

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Comments

Adelaide Bandeira

Adelaide Bandeira

nossa que dó 😞😭😭

2024-05-18

0

Débora Oliveira

Débora Oliveira

coitada

2024-05-16

0

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1 Prólogo
2 Capítulo 1 - Parte I
3 Capítulo 1 - Parte Il
4 Capítulo 1 - Parte III
5 Capítulo 2 - Parte I
6 Capítulo 2 - Parte II
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Prólogo
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Capítulo 1 - Parte I
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Capítulo 1 - Parte Il
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Capítulo 1 - Parte III
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Capítulo 2 - Parte I
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Capítulo 2 - Parte II
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Capítulo 2 - Parte III
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Capitulo 3 - Parte I
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