Fiquei alguns minutos ali parada, só depois olhei ao redor e lembrei-me de que agora eu tinha uma cama para dormir. Comecei a me despir, dobrando minha roupa, e ficando somente de lingerie. Abri minha bolsa retirando minha escova e o pente para deixá-los ao meu lado, assim era mais fácil quando eu acordasse.
– Clarysse! – Assustei-me ao ouvir a voz de Vincent novamente no quarto. Ele estava paralisado me olhando, ou melhor, me comendo com os olhos. – É ainda melhor sem as roupas. – Ele falou e andou em minha direção.
– Desculpe pelos trajes, Vincent! – Ele assentiu. – Mas ultimamente estou dormindo assim. Não tenho nenhuma camisola. – Vincent tirou sua camisa.
– Eu que tenho que pedir desculpa! – Falou entregando-me sua blusa. – Vista ela essa noite. E amanhã quando sair com Roxie compre algumas camisolas também. – Assenti. – Ah! Vocês vão sair às nove da manhã, descanse até lá. – Sua mão passou levemente por minha barriga, fazendo minha pele arrepiar, e acabei mordendo o lábio pra segurar um choramingo. Vincent levantou os olhos, balançou a cabeça levemente. – Você acaba com minha sanidade. Acho que nem Roxie vai ser capaz de apagar esse fogo que você acendeu em meu corpo. É sexy sem sequer notar. – Envergonhada pelo seu comentário, vesti sua blusa. – Porra, Clarysse, assim vou acabar te atacando.
– Desculpe! – O que eu estava fazendo para ele ficar assim? Ele sorriu.
– Você é gostosa demais. Atiça minha libido em cheio. Vou indo antes que eu faça uma besteira, da qual nós dois possamos nos arrepender. – E sem sequer me desejar boa noite, ele saiu. Deixando-me vestida com sua camisa, devo dizer que muito cheirosa. Sua fragrância amadeirada estava impregnada nela.
Olhei para a cama. Não sabia há quanto tempo aqueles lençóis estavam sobre ela, então achei que seria melhor pegar colchas limpas. Saí do quarto indo em direção ao de Vincent, apressei os passos quando ouvi vozes saindo do quarto em frente ao meu. Mas acabei parando, quando sucumbi à curiosidade que me corroía.
– Nada de preliminares hoje! – Era a voz de Vincent.
– Vejo que a Clarysse te deixou fervendo, hein! – Agora foi Roxie.
– E como! Não sabe o quanto me segurei quando a vi naquela lingerie. – Sorri satisfeita comigo mesma. Ele me desejava. Aquele homem lindo e gostoso me queria. Mas meu sorriso murchou quando ouvi um gemido de Roxie. – Pegue um preservativo. – Ele pediu. – E sem muito barulho. Não queremos assustar a virgem ao lado. – Roxie riu alto.
– Realmente não queremos. Até por que ela já irá se assustar o suficiente quando estiver de frente com seu pau enorme e grosso e sua fome por sexo. – Roxie falou.
E a menção do que eu teria que passar fez-me continuar andando até o quarto de Vincent. Como ele havia dito, assim que abri a porta vi o armário ao lado direito. Peguei duas colchas das mais finas e um edredom para me enrolar. Voltei para meu quarto, tentando ignorar os gemidos que vinham do quarto vizinho.
Depois que arrumei a cama, parei e realmente olhei para o quarto. No lado esquerdo tinha uma cômoda de madeira clara, e praticamente nova, sem sinais de uso. Ao lado da cabeceira da cama, existia um criado mudo, com um abajur. A cama tubular, na cor branca, também com aparência de nova. O colchão durinho. As paredes eram brancas, e no canto direito tinha uma porta que dava para o banheiro.
Segui até aquela porta, indo verificar o banheiro. Era todo branco, com detalhes creme. Levantei a tampa do aparelho sanitário, lembrando do quarto do hotel, e da crosta que cobria o interior do sanitário de lá. Surpreendi-me por perceber o aparelho totalmente limpo, e livre de todo e qualquer vestígio de uso. Vincent parecia ser muito cuidadoso e asseado com sua casa.
Quando voltei para o quarto, arrumei minhas poucas coisas na cômoda. Levei meu xampu, condicionar e o sabonete líquido para o banheiro. E só então percebi que estava começando a sentir fome. Como Vincent mandou eu me sentir em casa, saí do quarto pensando em ir até a sala. Procuraria alguma coisa para comer, e depois iria dormir. Precisava estar descansada para a manhã seguinte.
– Ah, Clarysse! – A voz de Vincent me fez estacar no lugar. Parecia um grunhido gutural saindo de sua garganta.
Olhei para os lados, mas ele não estava. A voz vinha do quarto ao lado. Apressei meus passos, agora trêmula e de pernas bambas, por efeito de sua voz. Quando cheguei à sala, deixei-me cair sentada no sofá, e olhei ao redor da sala. A mobília na cor mogno contrastava com as paredes brancas. De frente para a porta de entrada havia um barzinho e duas banquetas. Ao seu lado, uma porta bem ampla, acho que dava para a cozinha.
Já ao lado direito ficavam o sofá e a poltrona. E na frente do sofá existia um rack com uma TV enorme, um som moderno e um aparelho de DVD. Haviam alguns CDs e DVDs espalhados por sua superfície. E o cheiro era característico dele, levemente amadeirado.
Levantei caminhando até a porta na lateral do barzinho. Realmente era onde ficava a cozinha. Acendi a luz, deparando-me com uma mesa de seis cadeiras. Os móveis, como na sala, eram na cor mogno, e os eletrodomésticos brancos. A pia era em aço inox, e brilhava com o reflexo da luz. Dei dois passos para dentro da cozinha e parei, quando ouvi passos na direção da porta. Olhei rapidamente, mas só consegui ver um vulto com cabelos loiros, e a porta batendo com força. Era Roxie, com certeza. Mas ela parecia com raiva. Por quê? Não conseguia imaginar o motivo.
Achei melhor perguntá-la pela manhã. Segui até uma porta ao lado esquerdo da pia, abri-a, encontrando uma máquina de lavar e secar, e vários cabides vazios pendurados na parede. Voltei à cozinha e segui em direção à geladeira. Automaticamente sorri ao ver tudo que existia ali: suco, refrigerante, bolo, cerveja, queijo, presunto, ovos, ketchup, maionese, geleia, requeijão, manteiga, entre outros. Peguei o queijo, o presunto, a maionese, o ketchup e coloquei sobre a pia. Abri os armários, procurando por pão. Encontrei depois de abrir umas três portas diferentes. Avistei uma chapa e abri-a, constatando estar limpa. Acendi o fogo abaixo da placa, colocando uma fatia de presunto para esquentar.
– Lanchinho da madrugada? – Assustei-me quando Vincent falou, já entrando na cozinha. Ele vestia apenas um short. Seu cabelo molhado escorria água por seu pescoço e tórax, que estava totalmente exposto. Seus pés permaneciam descalços. Ele estava à vontade. – Terminou a inspeção? – Perguntou sorrindo e sentando a mesa. Rapidamente virei voltando a preparar meu sanduíche.
– Senti um pouco de fome, e como você disse que eu podia comer alguma coisa... – falei acanhada pelo modo como eu reagia a ele.
– Não esquenta! Eu disse que podia se sentir em casa, esqueceu? – Sorriu.
– Você quer um? – Perguntei gesticulando para o pão. Ele assentiu, levantando e indo até a geladeira.
– O que vai querer beber? – Perguntou mostrando o suco e o refrigerante.
– Suco. – Respondi vendo-o guardar o refrigerante, pegar dois copos no armário e voltar para a mesa servindo-nos.
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Atualizado até capítulo 112
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