Roxie bateu na porta, ainda sorrindo. Estávamos tão cheias de sacolas, que sequer conseguimos abrir a porta, por isso ela acabou batendo. Vincent logo a abriu, dando-nos passagem para entrar.
– Vocês realmente fizeram uma farra, hein! – Falou olhando para nossas sacolas. Baixei a cabeça envergonhada, afinal o dinheiro era dele. – Espero que não esteja muito cansada! – Falou olhando-me. Levantei meus olhos para encará-lo. – Já almoçaram? – Apenas assenti, ainda envergonhada. – Irei ajudá-la com as sacolas. – Ele falou pegando a maioria delas, que agora estavam no chão da sala. – Roxie! – Ele chamou-a. – Você pode chamar a Lawanda? – Roxie sorriu.
– Claro! – Ela falou. Depois me abraçou e rapidamente saiu.
– Quem é Lawanda? – Perguntei pegando as sacolas restantes do chão e acompanhando-o até meu quarto.
– É uma das garotas. – Só então a ficha caiu. Deveriam ter umas onze garotas de programa morando aqui, e mais provável ainda era que todas elas já teriam dormido com Vincent. O fato de só agora entender isso, fez com que largasse as sacolas no meio do meu quarto. Vincent virou-se rapidamente, ao ouvir o barulho. – Você está pálida! Quer adiar o treinamento para amanhã? – Perguntou preocupado.
– Não. – Minha voz apenas um sussurro. – Será que posso ficar sozinha um pouco?
– Tem certeza? – Perguntou me analisando. Assenti.
Assim que Vincent saiu, eu caí ajoelhada ao lado das sacolas. Isso não podia estar acontecendo, mas estava. Eu estava começando a criar sentimentos por Vincent, e isso não era nada bom, já que ele era rodeado por mulheres belíssimas. Eu não era nada se comparada a elas. Todas experientes, e com certeza, muito bonitas e elegantes como Roxie.
Lembrei-me da noite anterior, quando Roxie não parava de gemer nos braços de Vincent. Eu não tinha visto o que eles faziam, mas certamente eles estavam transando. O ciúme voltou a percorrer em minhas veias. Um sentimento que eu nunca poderia demonstrar, já que ele havia sido bem claro sobre o assunto na noite passada, e há poucas horas também, quando disse para Roxie que não gostava de possessividade.
Não! Deveria ser somente atração física. Ele é um homem bonito, gostoso, viril e carinhoso. O único que me fez estremecer em seus braços. Que me deixava em chamas, e cheia de desejo. Fechei os olhos, deixando as lágrimas descerem. Não tinha como fugir, eu estava, literalmente ferrada!
Levantei-me pegando as sacolas, e começando a guardar as roupas. Separei um dos vestidos, que eu iria usar à noite, junto com um dos cardigãs, e guardei o restante. Peguei as lingeries levando-as até a máquina de lavar, que ficava numa pequena área, na porta ao lado da pia da cozinha.
Deixei-as lá lavando e voltei ao quarto para terminar de arrumar as outras coisas. Corri quando lembrei das camisolas. Peguei-as também, levando-as para lavar, e coloquei-as juntas. Tive o cuidado de ver se nada soltava tinta antes, e achei ótimo, por nada correr o risco de mudar de cor.
Retornei ao quarto guardando o restante das roupas. Quando terminei, sentei na cama com a sacola camuflada, da loja de roupas masculinas. Era um presente para Vincent. Tirei a camisa de dentro da sacola, embrulhando com o papel de presente, e deixei-a em cima da cama, próximo à roupa que eu usaria à noite.
Tomei um banho, lavando os cabelos, e me ensaboando por completo. Meus músculos relaxaram rapidamente. Quando terminei escovei os dentes e ainda enrolada na toalha, voltei ao quarto. Passei o hidratante que Roxie havia me dado, por todo o corpo, enquanto escolhia uma roupa para vestir.
Peguei um dos shorts que comprei, uma lingerie amarelo claro, e uma blusinha de alça amarela. Calcei meu chinelo. Penteei meus cabelos que já estavam quase totalmente secos e saí do quarto.
O apartamento estava silencioso, parecia não ter ninguém. Acho que Vincent deveria ter saído. Espera aí, mas hoje nós não teríamos meu treinamento? Ele até mandou Roxie chamar a tal de Lawanda. Caminhei até meu quarto, e ouvi uma risada um tanto espalhafatosa, vinda do quarto em frente ao meu.
Ah não! De novo não! Será que Vincent ia transar com essa daí também? Entrei em meu quarto batendo a porta com um pouco mais de força. Eu não iria suportar passar por isso todos os dias. Sentei na cama pegando o embrulho que tinha comprado para Vincent. Já estava começando a achar que tinha sido uma péssima ideia. Até que a porta do quarto voltou a abrir, e Vincent entrou sorridente.
– Estamos só esperando por você, Clarysse! – Tentei sorrir, mas acho que não chegou aos olhos. Vincent deve ter percebido, pois fechou a porta e veio sentar-se ao meu lado. – Algum problema? – Neguei, olhando para minhas mãos com o embrulho, e logo ele também estava olhando para elas. – O que é isso? – Perguntou apontando para o embrulho. Fiquei meio tímida, mas acabei por dizer logo.
– É um presente! – Mordi o lábio sem saber como falar. – É para você! – Ele sorriu, e coloquei o embrulho em seu colo. – Como agradecimento por tudo que tem feito por mim. – Sorri nervosa, esperando sua reação.
– Obrigado! – Falou abrindo o embrulho. – Mas realmente... – olhou-me – não precisava, Clarysse. – Fiz uma leve careta. Já estava me incomodando todo mundo me chamar pelo meu nome completo, e não por meu apelido. – O que foi?
– Me chame apenas de Clary, ok? – Falei e ele sorriu testando meu apelido.
– Clary! Combina com você. – Terminou de abrir o embrulho e levantou a camisa. Eu tinha olhado várias, e não conseguia me decidir por nenhuma. Até que vi uma camisa creme, sem nenhuma estampa, era bem simples, mas muito bonita. – Adorei! De verdade. – Vincent levantou e puxou-me levantando-me e abraçando-me.
Nossos corpos acabaram se colando, meu corpo tendo leves espasmos. Minha respiração acelerada. Mas logo Vincent se afastou.
– Acho bom irmos logo! – Assenti. – Ou Lawanda ficará entediada.
Seguimos para a porta, onde fiquei esperando ele guardar a camisa em seu quarto. Quando ele voltou entramos no quarto de treinamentos. As paredes eram brancas, e o único móvel ali era uma cama tubular na cor bege. Havia um amplo espaço à frente da cama e nele uma espécie de palco improvisado com um pequeno poste de ferro cromado fincado no chão. Segurando o poste havia uma mulher, vestida em uma lingerie que não cobria quase nada do seu corpo. Seu cabelo ruivo contrastava com sua pele branca, seus olhos de um azul acinzentado. Seus um metro e oitenta e poucos centímetros de altura, e beleza. Com um corpo cheio de curvas. Seios siliconados, pernas grossas, e uma bunda bem avantajada.
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Atualizado até capítulo 112
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