Passei minha vista por ela, realmente analisando-a. Ela vestia um, casaco preto, em um tecido grosso, com certeza deveria mantê-la aquecida. Sua maquiagem, principalmente ao redor dos olhos azuis, era pesada. Seus cabelos eram bem arrumados. Ela era muito bonita, pelo menos de rosto, já que não dava para ver o corpo escondido pelo casaco. Deveria ter um metro e setenta e cinco de altura, talvez setenta, já que usava uma sandália de salto agulha altíssima.
– E você, porque vive assim? – Perguntei receosa, não sabia qual seria sua reação.
– Nada parecido com sua história. Eu tinha meus pais, uma casa para voltar todo dia, e um namorado que usava drogas. – Arregalei os olhos ao ouvir sua história. – Acabei engravidando, e meus pais me puseram pra fora de casa. Três meses depois eu perdi o bebê. Ele chegou drogado e me bateu. – Percebi que ela tentava resumir a história. – Quando voltei para casa, ele já tinha vendido quase tudo, não tínhamos nem mesmo cama, só o colchão para dormir. Resolvi procurar algo para ganhar dinheiro e sair da casa dele. Eu não aguentava mais ser espancada, entende? – Eu assenti condoída com seu passado. – Um dia acabei passando por um restaurante e um rapaz bem apessoado me ofereceu dinheiro por uma noite. Na hora eu o destratei, mandei-o sumir, mas quando lembrei que teria que voltar e encarar meu namorado... eu sequer tinha dinheiro para voltar e pedir perdão aos meus pais, e o que aquele homem me ofereceu dava para passar quase um mês em algum pensionato. Foi a primeira vez que vendi meu corpo. Daí acabei fazendo sempre... – ela sorriu, constrangendo-me com seu entusiasmo. – Sabe, às vezes é asqueroso, mas também tem as que são prazerosas. – Falou mordendo os lábios, seus olhos perdidos em algum pensamento. – Sabe, quando transo com homens gostosos, que me fazem subir pelas paredes e gozar loucamente a noite inteira. – Arregalei os olhos, surpresa com suas palavras, e acabei rindo das suas últimas palavras. – Não ria. É sério! Fora que o dinheiro é muito bom. Tenho uma vida muito boa e confortável. Fora que, às vezes, ainda dou um trato em meu cafetão! – Ela sorriu de forma sacana. Seu rosto denunciava toda pornografia que ela pensava. – Ele é lindo! E muito gostoso... – sorri com a descrição dela. – Nunca vi um homem tão bem dotado como ele. Aquilo tudo me faz gozar em segundos.
Baixei meu rosto, envergonhada. Como podia? Ela que deveria se envergonhar não eu. Roxie, percebendo minha timidez, segurou meu rosto levantando-o e encarando-me.
– Agora me diga. Seu namorado era bem dotado? – Acho que agora meu rosto estava púrpura. – Você sentia prazer com ele? – Neguei com a cabeça, os olhos quase saltando de meu rosto. – Espera aí... – sorriu. – Não me diga que você é virgem!!!!
– Sou... – sussurrei rapidamente.
– Eu não acredito! Você não sabe o que está perdendo, Clarysse. – Sorriu. – Sabe, eu tive sorte, meu cafetão é diferente dos demais. Ele não ganha mais do que nós. Só o ajudamos na boate. – Falou apontando para o letreiro iluminado acima de nós. – E damos a ele dez por cento de tudo que ganhamos na noite, em troca ele nos dá um quarto para morar, e segurança para fazermos nossos programas.
Espera aí... ele dava um quarto para ela morar? O que eu tinha que fazer para conseguir um também? Será que teria que ser garota de programa, ou ele aceitaria que eu trabalhasse fazendo outras coisas na boate?
– Será que ainda tem algum quarto vazio? – Perguntei inocentemente.
– Acho que sim. Uma das meninas mudou-se essa semana, e o quarto ainda está vazio. Você quer entrar nessa vida? – Fiquei calada com sua pergunta. – Estaria disposta a vender seu corpo, apenas para ter onde ficar? – Engoli seco.
– O que realmente eu teria que fazer pra isso? – Roxie levantou-se parando à minha frente e puxou meus braços, levantando-me em seguida.
– Hum... – Analisou-me dos pés à cabeça. – Você tem um corpo bonito, só temos que dar um banho de loja em você e ficará perfeita! – Sorriu encarando-me, mas logo parou pensativa. – Bem... parece que Vincent quer sair dessa vida! Talvez ele não queira mais uma garota, mas não custa nada tentar. – Assenti nervosa. – Você tem que falar com ele. Depois, se ele aceitar, vai escolher alguém para te ensinar.
– Como assim ensinar? – Perguntei interrompendo-a.
– Nós fazemos apresentações na boate. – Fechei meus olhos. Tentando assimilar o que ela falava. – Você sabe... strip-tease, pole dance, dança erótica. Também ganhamos bastante lá. E por último a questão do programa. – Ela bateu o dedo levemente nos lábios por alguns segundos. Percebi que pensando em algo.
– O que foi? – Estava curiosa sobre o que ela pensava.
– Com você sendo virgem, vai ser complicado para o Vincent aceitar!
– Mas por quê? – Perguntei sem entender o motivo.
– Ele nos avalia em tudo. A dança, o pole dance, o Strip, até mesmo o programa.
– O que você quer dizer com isso? – Ainda não estava entendendo.
– Terá que transar com ele primeiro. – Engasguei-me com a saliva. – Tudo que aprender será apresentado primeiro a ele. Até mesmo seus atributos e desejos sexuais. – Roxie falou olhando-me pervertidamente. – Quer realmente essa vida?
– No momento não vejo outra saída. – Falei sentindo-me perdida. Era isso ou nada.
– Então venha! – Roxie falou arrastando-me até a porta ao lado. – Vincent ainda deve estar acordado. – Estagnei no lugar. – Irei apresentá-los e veremos o que ele dirá. Espero que tenhamos sorte. – Ela sorriu abrindo a porta e revelando um lance de escadas.
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Atualizado até capítulo 112
Comments
Dacia Gomes Nazario
não faz isso cá menina inocente
2024-08-04
0
Regina Lucia Freitas Silva
ah não acredito que ela vai precisar passar por isso pra sobreviver, se for, vou ter de desistir dessa história que eu estava gostando de ler
2024-05-18
0
🌹
Que situação difícil.tomara que ela não caía nessa vida de prostituição.
2024-05-18
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