Mordi os lábios apreensiva. Meu corpo trêmulo, só de vê-lo seminu à minha frente. Será que ele iria achar ruim por eu ter invadido seu quarto? Vincent parou olhando-me e levantou as sobrancelhas como se estivesse tentando me questionar.
– Desculpe entrar assim! – Falei rapidamente. – Mas eu bati três vezes e você não respondeu. Achei que estivesse dormindo, ou então que tivesse saído. – Ele sorriu torto. – Só entrei para constatar se você estava ou não. – Virei-me, indo até a porta.
– Por que você não fala o motivo de estar me procurando? – Vincent perguntou caminhando até o guarda-roupa, e pegando uma roupa. – Espera só um minuto! – Ele pediu já voltando para o banheiro.
Agora eu não sabia se era uma boa ideia falar com ele ou não. E se ele achasse a minha ideia muito ousada? Tentei acalmar meu coração que parecia querer pular para fora de meu peito. Prendi a respiração quando Vincent saiu do banheiro caminhando até onde eu estava.
– Então! – Ele segurou minhas mãos levando-me até a cama, onde nós dois sentamos. – O que você queria comigo? – Ele perguntou sem rodeios.
– Eu estava pensando! – Passei a vista por seu quarto, só agora percebendo sua mobília, toda maple e tabaco. Vincent puxou meu rosto, fazendo-me voltar a olhá-lo. – Não acho que seja uma boa eu aprender com as meninas. – Vincent pareceu pensativo. – Isso acaba me colocando para baixo. Eu fico vendo a Lawanda. Toda experiente e fazendo malabarismos que eu nem sei se um dia conseguirei fazer. – Baixei os olhos, envergonhada. – Isso me magoa. Faz-me achar que nunca irei conseguir. – Voltei a olhá-lo. Vincent levantou ainda pensativo.
– E o que você sugere? – Ele quis saber.
– Eu não sei! – Comecei ainda acanhada. – Esperava que você tivesse alguma ideia que me ajudasse. – Levantei-me. – Talvez se eu treinasse sozinha.
– Não acho uma boa. – Vincent se aproximou. – Como saberá se está fazendo certo?
– Quando eu estiver pronta me apresento para você, e então me dirá se está bom ou não. – Ele negou ainda pensativo.
– Acho que iremos perder ainda mais tempo assim. – Fiquei de frente para ele.
– Então me diga o que eu posso fazer? – Pedi num sussurro.
– Você precisa de alguém para auxiliá-la, Clary! Alguém que quando perceba que algo não está legal, te avise antes que o erro vire um vício. Entendeu? – Assenti. – Talvez se fosse só você e Roxie. – Neguei com a cabeça. – Sem que eu estivesse presente. Talvez você conseguisse se concentrar mais.
– Não, Vincent. Meu problema é ter que ver as garotas bem mais experientes que eu, amostrando-se para mim que não sei nada. E, acredite, isso me trava por completo. – Vincent sentou-se novamente. – Assim, tão cedo não vou aprender nada. – Olhei-o e ele permanecia pensativo. – Deixa pra lá! – Falei me distanciando. – Se esse é o único jeito, terei que me virar para acompanhá-las.
Abri a porta do quarto, pronta para sair, e ainda torcendo para que ele me chamasse, mas ele continuou sentado. Fechei a porta, já desistindo de tentar outros meios de aprender aquilo, e caminhei até meu quarto, já sentindo o desânimo me atormentar. Abri a porta lentamente.
– Clary! – Vincent chamou. Virei olhando-o. – Você promete se empenhar durante suas tardes de treinamento, e não desanimar quando não conseguir algum movimento? – Assenti ainda triste. – Começaremos amanhã. Só você e eu no quarto de treinamentos. – Sorri mais animada. – E seja o que Deus quiser. – Vincent falou num sussurro quase inaudível.
– É sério? – Perguntei ainda receosa. Ele assentiu. Corri até ele jogando-me em seus braços e abraçando-o. Vincent ergueu-me do chão apertando-me por vários segundos. Parecia que tudo estava começando a entrar nos eixos. – Obrigada, Vincent! – Falei dando-lhe um beijo estalado no rosto.
Vincent encarou-me encostando nossas testas. Sua respiração soprando em meu rosto, deixava-me atordoada. Seus lábios distribuíram beijos por meu rosto, e aos poucos aproximou-se de minha boca. Meu corpo amoleceu em seus braços. A campainha tocou, tirando-nos da bolha que nos envolvia.
– Droga! – Vincent falou com os dentes trincados. A campainha voltou a soar, e só então ele começou a me soltar. – Tenho que atender. – Assenti. – Esteja pronta amanhã. – Ele começou a andar pelo corredor. – Clary! – Ele virou me olhando. – Espero não estar fazendo nada que venha a nos trazer arrependimentos futuros. – Falou pensativo. Eu assenti, ainda tentando entender suas palavras. Então ele saiu.
Corri para o meu quarto. O corpo levemente entorpecido pelo nosso abraço, e minha calcinha novamente úmida. Ainda sentia-me quente, ansiando por Vincent, mas tentei pensar em outras coisas. Deitei-me na cama e tudo que me vinha à mente era: “Como será o treinamento de amanhã?”. Sorri pensando que pelo menos dessa vez seriamos só nós dois. Nada de mulheres pulando em seus braços.
– Clarysse! – Roxie chamou. – Vim lhe ajudar a se arrumar. – Falou entrando no meu quarto. – Vejo que já separou a roupa que irá usar. – Assenti e logo ela sentou ao meu lado. – Como foi seu primeiro dia de treinamento? – Perguntou fazendo-me sentar. Será que eu podia dizer a ela que iria treinar sozinha com Vincent?
– Roxie! – Vincent apareceu na porta. – Avise a Lawanda que não precisa vir para o treinamento de amanhã. – Roxie me olhou perplexa. – Iremos suspender o treinamento por alguns dias. – Roxie voltou a encará-lo. – Pelo menos até Clarysse se adequar melhor a esse mundo.
Espera aí. Ele voltou a me chamar de Clarysse? E por que não disse a ela que iria me fiscalizar sozinho? Roxie sorriu em compreensão e Vincent se retirou fechando a porta. Meus pensamentos começaram a fervilhar, e levantei-me. Tentando sair de perto de Roxie, adiantei meu banho e corri para o banheiro.
Depois de um banho demorado e de muitos “e se” em meu pensamento, voltei para o quarto encontrando Roxie ainda sentada em minha cama. Ela estava segurando a roupa que separei para usar, e sorriu quando me viu.
– Só faltou você separar a lingerie que irá usar com esse vestido! – A lingerie? Droga! Com tudo que aconteceu esqueci de pegar as camisolas e as lingeries na máquina. Será que Vincent já tinha voltado para o quarto? Não queria ter de encontrá-lo enrolada em uma toalha.
Saí do quarto andando pé ante pé, tentando escutar algum vestígio de que ele estava na sala. Quando não ouvi nada, corri para a área onde a máquina ficava. Passei por um vulto no barzinho, mas continuei assim mesmo. Por sorte, já estava tudo seco. Coloquei as lingeries em cima das camisolas, e já estava saindo, quando Vincent abriu a porta.
– Por que estava correndo? – Ele perguntou sorridente. Engoli em seco.
– Tinha esquecido as roupas na máquina, e só lembrei agora. – Ele assentiu. Comecei a andar até a porta. Vincent deu-me passagem.
– Lingeries? – Ele perguntou sério, pegando uma das peças. Para o meu azar foi justamente a calcinha da lingerie vermelha, a que Roxie havia me dado. – Hum... pretende matar alguém do coração com essa lingerie minúscula? – Vincent perguntou sorrindo. Seus olhos agora brilhavam em um fogo desconhecido por mim. – Espero que eu não tenha concorrência. – Falou ao meu ouvido, mordendo o lóbulo da minha orelha. Meu corpo arqueou-se para trás, encostando-se nele.
– Abusado! – Falei num fio de voz. E mordi o lábio, prendendo um choramingo.
– Vou te mostrar o abusado! – Falou virando-me e devolvendo a calcinha à pilha de roupas em meus braços.
– Clarysse! – Roxie chamou. – Por que está demorando? – Sua voz agora soava mais próxima. Olhei para Vincent que ainda me segurava.
– Talvez outra hora! – Ele disse me soltando.
Corri encontrando Roxie ainda na sala. Ela me acompanhou até o quarto, ajudando-me a guardar as lingeries e as camisolas. Depois me ajudou a me vestir. Tinha escolhido a lingerie vinho, junto com um vestido também vinho com estampas rosa claro. Ele ia até o meio de minhas coxas. E para cobrir o decote, pronunciado do vestido, coloquei um cardigã rosa bem clarinho, quase branco. Uma sandália creme, com salto agulha não muito alto completavam o look.
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Atualizado até capítulo 112
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